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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

A Missão das Quatro Estações - Capítulo VII - Fredy e Eliza

FREDY E ELIZA

A situação de Henry se complicava. Quanto mais as investigações avançavam, mais o comprometiam.
O Reverendo Nicos e Margareth buscavam um advogado que fosse caridoso o suficiente para auxiliá-lo, uma vez que não dispunham de dinheiro. A tarefa estava difícil.
A Europa estava em guerra na época, pormenor que complicava ainda mais a situação de Henry. Os alemães haviam invadido a Bélgica e o saldo desta invasão era assustador. Em tempos de guerra tudo se complica e tumultua. Até mesmo leis deixam de ser cumpridas. O invasor subjuga o invadido depreciando o moral das pessoas. Com a guerra vem a fome, as doenças, as injustiças, o medo, o ódio e estabelece-se uma falta de amor generalizada. São preços altos demais que a humanidade ainda deverá pagar por algum tempo, de alguma forma.

Embora muito temerosa em permanecer só, Eliza continuava a viver na casa do vale. Quase não via ninguém. Por “sorte” sua, os alemães não se aproximaram daquelas paragens.
Durante a noite, Eliza dormia abraçada a uma velha arma que havia pertencido a seu pai. Essa foi a maneira que ela encontrou para viver um pouco mais tranquila.
Certa tarde seu irmão caçula foi visitá-la. O espanto de Eliza foi grande e sua alegria também, embora ela nada tenha demonstrado.

– Olá, como vai Eliza?
– Como pode ver, estou bem. E você? O que faz aqui?
– Na verdade vim para saber se está precisando de alguma coisa. Com esses alemães por aí, temo por você aqui sozinha.
– Pois volte de onde veio. Não preciso de nada e sei me defender.
– Quanta grosseria! Tenha uma boa tarde.
E dizendo isso, afastou-se rapidamente. Eliza não pôde ver que lágrimas corriam pela face de seu irmão enquanto este se afastava. Apenas sentiu curiosidade em saber qual era a real intenção dele ao ir vê-la.
Pelo caminho, o rapaz chorava. Sentia carinho pela irmã. Demorou muito tempo para perceber esse sentimento dentro de si, mas agora que o havia descoberto, queria compartilhá-lo com Eliza. Ela, no entanto, fora fria e distante para com ele.
Se o irmão mais velho soubesse de sua visita, certamente o repreenderia, pensou frustrado. E, ao regressar, trazia o semblante triste. Fato que chamou imediatamente a atenção do irmão que, preocupado, perguntou:
– O que foi que houve com você?
– Nada, deixe-me em paz.
 Simon estranhou muito a reação do irmão. Pensou em falar com ele mais tarde.
Ao cair da noite, o pensamento de Eliza voou até o irmão caçula: “Qual teria sido o motivo de sua visita?”. A dúvida a atormentou durante toda aquela noite até que finalmente adormeceu e teve um “sonho”. Falava com o irmão mais novo de uma forma muito carinhosa e próxima. Riam e continuavam a falar como se fossem velhos amigos, confidentes.
O sono de Eliza naquela noite foi bom. Realmente, na manhã seguinte, sentiu-se descansada como há muito não se sentia. Pensou em Fredy, seu irmão caçula e uma paz invadiu-a. Decidiu procurá-lo e desculpar-se pela grosseria da tarde anterior. Assim fez.
Ao vê-la aproximar-se do velho lar, Fredy sentiu uma emoção inexplicável. O ímpeto de abraçá-la foi tão forte que ele não pôde resistir, deixando os que assistiram à cena, estupefatos.
Eliza e Fredy abraçaram-se durante longo tempo. Após isso, entraram em casa e puseram-se a falar.
Simon, que assistira à cena, manteve-se distante e desconfiado.
– Fredy estaria ficando louco? – Pensou.
– Quanto tempo perdido minha irmã. – Disse Fredy à Eliza com carinho –
– Sinto o mesmo. Por que será que só agora descobrimos que nos queremos tão bem?
– Só Deus pode saber. Também fiz essa pergunta a mim mesmo várias vezes e cheguei à conclusão que isso não tem importância. O que importa é que, daqui para frente, seremos uma família de verdade.
– Mesmo que Simon não queira?
– Com o tempo ele também compreenderá que necessitamos uns dos outros e a nós se achegará.
–Vou rezar para que isso aconteça meu irmão.
Após longo tempo, Eliza decidiu voltar para casa. Simon não se aproximou dela em nenhum momento. No caminho de volta, Eliza repensava sua vida e chorou como há muito não chorava.



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