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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

A Missão das Quatro Estações - Capítulo V - A PRISÃO DE HENRY

A PRISÃO DE HENRY

Margareth e Henry, além da saudade que sentiam da filha, da dor que sufocava seus corações, ainda tinham de enfrentar a desconfiança e até mesmo a mudança de atitude de alguns amigos para com eles. Pensavam que a vida estava sendo injusta demais. O que teriam feito para merecer tanta dor?
O único amigo que lhes restava era o Reverendo Nicos. Este, sempre que podia, ia vê-los. Levava sempre em seus lábios palavras de consolo e esperança.
O Reverendo sentia que Margareth precisava mais dele do que Henry. Porém, tratava-os com o mesmo carinho, com a mesma paciência e fraternidade. Aliás, o Reverendo tratava a todos assim. Era um religioso nato.

Margareth não podia deixar de lembrar, sempre que via o Reverendo que, um dia, no passado, amara-o. Este era seu segredo. No início fora paixão, depois a paixão deu lugar à admiração, ao respeito, ao carinho. Seu coração levaria este segredo ao túmulo, muito embora o Reverendo conhecesse bem o segredo de Margareth.

Os investigadores continuavam seu trabalho acerca da morte de Ananda. Os detalhes que surgiam comprometiam ainda mais Henry. O delegado, diante disso, decidiu que ouviria Henry mais uma vez. Ele teria que dizer por qual razão estava aborrecido no dia do acidente ou, então, decretaria a sua prisão temporária. E assim foi.
Pego de surpresa, Henry, não revelou o seu real motivo e, não tendo preparado nada para dizer, simplesmente calou.
– E então? – Perguntou, desconfiado, o delegado.
– Nada tenho a dizer. Minha intimidade só a mim pertence. O senhor faça aquilo que julgar adequado.
– Nesse caso, considere-se preso senhor Henry, pelo menos até segunda ordem.
Nesse instante, Henry sentiu fugir-lhe o chão. Não podia acreditar que estava sendo preso por um crime que não havia cometido. Chorou lágrimas de dor, desespero, revolta.

Da espiritualidade, Ananda sentiu a dor de seu pai. Após o seu desencarne, ela levara pouco tempo para aceitar a sua nova vida. Algumas revelações já haviam lhe sido feitas, mas ainda estava em fase de adaptação. Seu espírito sofreu forte abalo ao sentir a dor do pai. Diante disso, procurou ajuda junto a seus orientadores. Depois de expor seus sentimentos, eles prometeram ajudá-la e assim o fizeram.
Concluíram, após análise de seu caso, que Ananda possuía merecimento suficiente para auxiliar o pai no plano material. E poderia fazer mais, isto é, orientar todo aquele que lhe fosse caro.

Para tal autorização, colocaram apenas uma condição: seu tempo na Terra, em missão de auxílio, seria de quatro estações terrenas, não mais do que isso e, em sua justa medida, esgotado o tempo, ela deveria retornar à espiritualidade, onde tinha muito trabalho a fazer.

O parecer de seus orientadores fez o espírito de Ananda muito feliz. É claro que ela aceitava a condição! Agradecida e comovida, Ananda deu início à sua preparação para atuar na Terra. Seus colaboradores encarnados seriam o Reverendo Nicos, principal auxiliar, e mais aqueles que se fizessem necessários.
Espiritualmente, Ananda contaria com o auxílio de dois irmãos: Frida e Augustus. Ambos parentes seus durante algumas encarnações e espíritos habituados a atuar nesse tipo de missão.
Tudo quanto Ananda necessitava saber para que obtivesse sucesso havia lhe sido dito, com algumas exceções. Era necessário que ela exercitasse o senso de justiça, a compreensão, as leis de causa e efeito e da ação e reação. Bem como as leis de resgate de dívidas e cármicas. Tudo faria parte do aprendizado, de sua nova realidade.
O inverno estava quase no fim. Em breve, o gelo derreteria e a primavera chegaria trazendo temperaturas mais amenas, cores nos campos, ânimos novos, especialmente nas pessoas que, durante o inverno, viviam muito isoladas. Com a primavera, viria também Ananda, dando início à sua missão.

Assim que soube da prisão do marido, Margareth se sentiu ainda mais só. Ela não acreditava na culpa de Henry. O conhecia muito bem, estimava-o e respeitava-o. A tais sentimentos, ele fazia jus.
Henry sempre havia tratado Margareth de modo digno, nada lhe faltara, nem a ela, nem a filha. Ambas viviam tranquilamente a vida modesta, mas digna, que ele lhes oferecia.

De alguma forma, Margareth se sentia em falta com ele, pelo fato de terem tido só Ananda. Em seu íntimo, sabia que esse problema não era dela, pois... Afastou as lembranças. Deveria reunir forças para ajudar seu marido. Faria tudo o quanto pudesse para auxiliá-lo. Dali para adiante, o objetivo de sua vida seria amparar Henry. Amigo querido, companheiro.

 Ao ser informada sobre a prisão de Henry, Eliza mostrou-se indiferente, porém, dentro de seu peito, o coração batia descompassado. Sentiu aflição, solidão. Recolheu-se ao seu quarto por dias seguidos até que seus irmãos resolveram chamar o médico. Após examiná-la, nada pôde concluir. Aparentemente, sua saúde ia bem. Seu abatimento era falta de alimentação, no mais, nada grave, afirmou o médico.
Diante de tal informação, os irmãos de Eliza resolveram deixá-la como estava. Se desejasse comer, que se levantasse.
Frente a tamanho descaso, ela se sentiu abandonada. Pensou: dedicara a vida aqueles irmãos e a paga era essa.
Decidida, recompôs suas forças, levantou-se, alimentou-se, vestiu-se e fez um comunicado: daquele dia em diante, não mais cuidaria deles. Mudaria-se para uma pequena casa herdada por eles junto ao vale. Feito isso, começou a juntar seus pertences. Iria naquele mesmo dia.
Boquiabertos, os irmãos de Eliza nada entenderam ou disseram. Apenas olhavam-se e olhavam-na, sem reagir.
Findos seus preparativos, Eliza caminhou em direção à porta dizendo:
– Volto para buscar o resto. Adeus.
Ainda surpresos, “deram de ombros”. Um deles disse:
– Que vá, há dias não fazia mais nada mesmo. Vai ver queria uma desculpa para sair de casa. Que vá e não volte. Falta é que não fará.
O caçula notou no tom de voz do irmão, despeito e revolta. Nada disse, apenas pensou:
– O que estaria realmente acontecendo com Eliza? A decisão da irmã passou e incomodá-lo. Afinal, bem ou mal, ela havia cuidado deles. Passou a pensar nela de modo diferente.

Informado sobre a prisão de Henry, o Reverendo Nicos imediatamente quis vê-lo. Encontrou-o desolado.
– Henry meu irmão, que situação! Saiba antes de tudo que acredito em sua inocência e que envidarei todos os esforços para ajudá-lo.
– Obrigado Reverendo. Sua confiança faz com que a esperança volte a mim.
– Sim Henry, tenha esperança e confiança em Deus, ore, esqueça a revolta, ela é má conselheira, traz mais problemas.
– Não se revoltar é difícil. Sou inocente. Por Deus Reverendo, o que está acontecendo?
– A dúvida é erva daninha que se espalha com facilidade nos corações desprovidos de amor, meu caro. Basta que se levante, por boca desconhecida que seja, para que tudo de bom seja esquecido, posto em segundo plano.
– Devo concluir Reverendo que os homens são influenciáveis, que não criticam com apurado rigor o que lhes chega aos ouvidos.
– Sim irmão. Na maioria das vezes, é mesmo assim, infelizmente.
– Reverendo, não sei o que fazer. Não tenho dinheiro para custear um advogado.
– Pensaremos com calma. Estarei junto a Margareth, faremos tudo o que pudermos, confie.
– Margareth! Como está ela?
– Evidentemente triste, mas disposta a ajudá-lo. Confesso que admiro sua força, sua fé. Virá vê-lo pela manhã. Agradeça ao Pai pela mulher que tem.
– Sim, é uma grande amiga, irmã querida.
A declaração de Henry não deixou dúvidas ao Reverendo. Ele e a esposa mantinham uma relação de irmãos dentro de seu casamento. Sentiu-se um tanto triste por isso.
Despediu-se de Henry prometendo orações e ajuda.
Henry sentia-se melhor agora. Sentiu confiança nas palavras do Reverendo e conseguiu adormecer, apesar das precárias condições nas quais se encontrava.







                                         

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