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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

Capítulo X - A MORTE DE FREDY -

A MORTE DE FREDY

Simon e Fredy experimentavam a alegria do amor correspondido. Em poucos dias tomariam por noivas as irmãs gêmeas: Loraine e Anne Marie, filhas do delegado Orestes.
Fredy sentiu necessidade de comunicar à Eliza o seu noivado próximo. Queria mesmo era convidá-la a participar do evento, uma vez que passara a considerá-la como mãe.
– Eliza, Eliza, onde está você minha querida? – Perguntou em voz alta e alegre Fredy até que se deparou com o mais absoluto silêncio. Sentiu um frio intenso a cortar-lhe a pele:
– Eliza?
Passou a gritar o nome da irmã desesperadamente até que fosse silenciado por mão firme:
– Fique quieto ou corto o seu pescoço. – Disse a voz em tom autoritário –
Fredy calou, sentiu escorrer por suas pernas, o calor da urina que, contra a sua vontade, banhou-lhe a calça.
– O que quer aqui? – Perguntou o homem a Fredy.
– Vim visitar a minha irmã.
– Irmã?
– Sim, minha irmã mora aqui.
– Conhece bem a quem chama de irmã, caro amigo?
– Sim, conheço.
O homem gargalhou sarcasticamente.
– Pois se a conhece bem, deve saber que ela é uma criminosa.
– Criminosa?
– Ora, não se faça de desentendido. Disse que a conhece bem, deve conhecer seus crimes também. Já sei, é cúmplice dela!
Sem esperar resposta de Fredy, o homem começou a gritar o nome do companheiro:
– Perry, Perry, venha rápido!
Em poucos minutos o tal Perry apareceu:
– O que foi?
– Veja o que temos aqui, um cúmplice da “bruxa”.
– Ora, vejam! É seu ajudante?
– Não sei do que falam senhores. Vim apenas visitar minha irmã Eliza.
– Irmã? É pior do que eu pensava. Uma família de malfeitores!
– Amarre-o na árvore e venha comigo.
Fredy, amarrado fortemente à árvore, viu os dois homens dirigirem-se para a casa de Eliza. Impossibilitado de reagir, chorou se perguntando:
– O que está acontecendo meu Deus?
Ao longe pôde ouvir gritos de mulher. Deduziu que os gritos fossem de Eliza. Passou a fazer a única coisa que podia: rogar a Deus e a Jesus por auxílio. Imediatamente o seu pedido foi ouvido pela equipe espiritual em missão. Uma vez que Eliza estava ligada a Henry, a equipe também deveria auxiliá-la.
Frida, Augustus e Ananda aproximaram-se de Fredy e, logo após, dos homens que com Eliza estavam. Entenderam toda a situação e começaram a trabalhar para que tudo se desse da melhor forma possível para todos.
Assim conseguiram impedir que a vida de Eliza fosse tirada pelos homens enfurecidos. Mas para Fredy, no entanto, o melhor era o desenlace. Por isso, num exagero de fúria, Perry esmurrou a cabeça de Fredy com muita força. O traumatismo craniano foi fatal. Acreditando terem causado a morte de Eliza também, finalmente se foram.
Eliza acordou do desmaio e pôde constatar sua situação. Seu corpo estava banhado de sangue. Gritou, correu até a porta da casa e, então, novamente desmaiou. Fredy jazia preso à árvore.
A equipe espiritual deveria agir depressa para evitar o desencarne de Eliza. Olharam pelas redondezas e viram Manoela, que colhia as primeiras flores da primavera no campo. Intuíram-na e conduziram seus passos até a casa de Eliza. Manoela fazia um passeio agradável, como há tempos não fazia, até se deparar com a traumática cena: Fredy, cabeça pendendo do corpo, atado a uma árvore. Em seguida viu Eliza, esvaindo-se em sangue na porta de sua casa. Manoela quase desmaiou, mas a equipe espiritual precisava dela. Aplicaram-lhe passes energéticos e, assim, a senhora se sentiu munida de forças inexplicáveis para correr muito até a cidade. Logo que chegou ao hospital comunicou o fato e, imediatamente, uma equipe de socorro foi enviada. A triagem foi simples: Fredy, para o necrotério, Eliza, para cirurgia de emergência.
A cidade, chocada, comentava a noticia. Mas o que teria acontecido?
Até que uma mulher, em meio ao povo compadecido, gritou:
– A justiça de Deus tarda, mas não falha, a “bruxa” teve o que mereceu!
Ao que todos direcionaram seus olhares sem entender o que a mulher queria dizer. Aproximaram-se dela querendo saber do que falava:
– Então vocês não sabem? Não sabem que a “bruxa” provocou inúmeros abortos em pobres mulheres inocentes?
As pessoas entenderam menos ainda e quiseram saber mais:
– Pois eu vos digo. Esta mulher, de quem vocês se compadecem, receitou, por maldade, chás abortivos a muitas mulheres. Ela dizia cultivar plantas medicinais, de fato, em alguns casos, ajudou a algumas pessoas, mas, apenas para mascarar sua real intenção: não permitir o nascimento de crianças em nossa cidade! Se todas as mulheres que buscaram o seu auxílio, aqui viessem, vocês entenderiam do que estou falando.
Rapidamente algumas das mulheres mencionadas apareceram:
– O que? Então ela...
Muito choro se deu, muito ódio brotou a partir daquela acusação.
A mulher continuou:
– Bem que ela tentou com Margareth, mas, graças a Deus, não conseguiu!
As pessoas entreolhavam-se surpresas e cheias de repulsa.
Ananda, tão surpresa quanto as pessoas encarnadas, quase caiu novamente em emoção forte. Desta vez, porém, se conteve e apenas olhou seus companheiros como a indagar:
– O que está acontecendo?
Frida e Augustus aconselharam-na a refletir.
Após refletir, serenar e fazer o que devia para compreender a situação, Ananda se apiedou profundamente de Eliza. Orou sinceramente por ela.

O enterro de Fredy, como o de qualquer pessoa, foi triste. A noiva prometida estava inconsolável.
Simon sufocava dentro do peito uma revolta imensa. Culpava Eliza, passou a odiá-la.

A equipe em missão imediatamente auxiliou Fredy a desembaraçar-se do corpo. Encaminharam-no ao pronto atendimento espiritual.

A cirurgia que Eliza sofreu fora delicada e demorada. Vários dias se passaram até que ela recobrasse os sentidos. Ciente da morte do irmão querido, dor profunda se abateu sobre ela, deixando-a totalmente imóvel e apática. O parecer médico sobre o estado da paciente não se definia até que concluíram tratar-se de “estado profundo de choque“. Eliza foi encaminhada a uma clínica de doentes nervosos.

Henry tomou conhecimento sobre o destino trágico de Eliza por conta dos comentários dos carcereiros. Quis saber mais, tentou perguntar e foi ignorado. Sozinho em sua triste cela, Henry, em meio ao pranto, começou a orar pedindo ajuda a Deus.
Ananda imediatamente sentiu a aflição do pai e, na companhia de seus amigos, foi vê-lo. Lendo seus pensamentos, pôde compreender o porquê de sua aflição. Vibrou intensamente por ele e sua vibração foi tão intensa que, Henry recebeu a graça de novamente poder vê-la.
– Filha, estou sofrendo. É você mesmo? Não estou ficando louco?
– Não, meu pai querido, não está louco. Sou eu mesma. Peço que ore sempre a Deus e a ele confie sua vida. Seja forte, tenha fé e esperança.
Terminada a frase, Ananda não mais pôde ser vista por Henry, no entanto a visão fora bálsamo para aquela alma tão aflita!

Tão logo raiou o novo dia, Henry já estava de pé, aflito, ávido por notícias de Eliza. Sua esperança era de que alguém, informado, fosse visitá-lo e, assim se deu. Antes que a manhã chegasse ao seu final, o Reverendo Nicos foi vê-lo.
– Que bom que veio Reverendo, ouvi uma conversa dos carcereiros a respeito de Eliza, diga-me, o que houve?
O Reverendo narrou toda a estória a Henry, que ouvia cada palavra com apreensão, dor e perplexidade diante de fatos tão graves. Ao mesmo tempo em que ouvia, pensava:
– Por que, Eliza, qual a razão para tamanha crueldade? Meu amor não foi suficiente?
O Reverendo, percebendo a agonia do amigo, perguntou:
– Henry, contei-lhe a estória, mas você não me parece bem. O que houve?
– Nada, estou simplesmente pasmo, chocado!
– É, meu irmão, toda a cidade está. Falemos agora de você...
Henry não conseguia prestar mais atenção em nada do que o Reverendo dizia. Sua mente estava em Eliza. A decepção que experimentava, não podia dividir com ninguém, exceto com Deus.
Novamente o Reverendo, percebendo a falta de atenção de Henry, perguntou:
– O que há afinal com você? Estou falando e você parece ausente.
– Não me sinto muito bem hoje, Reverendo, podemos falar amanhã?
– Henry, confesso que não estou entendendo. Primeiro você fica feliz por eu ter vindo, pouco depois fica distante, como se aqui eu não estivesse. Abra seu coração, não se esqueça que, antes mesmo de eu ser seu amigo, sou um padre.
– É esta estória sobre Eliza, fiquei chocado, é só isso.
O Reverendo Nicos olhou nos olhos de Henry firmemente por alguns segundos que, passados, levaram Henry a cair em pranto profundo e dolorido. O Reverendo nada disse, apenas abraçou aquele irmão necessitado.
Sem que soubessem, a equipe espiritual ali estava auxiliando a ambos.
– Quer falar o que o aflige tanto, Henry?
Henry, frágil e não suportando mais o peso de seu segredo, contou tudo o que houve entre ele e Eliza.
Pego de surpresa, o Reverendo não sabia o que dizer.
– E então Reverendo, o que me diz?
– Digo-lhe que todos nós erramos. Às vezes não sabemos nem mesmo porque erramos, mas nada foge aos propósitos de Deus. Tenha calma.
Diante de tamanha compreensão, Henry sentiu-se mais tranquilo, muito embora não conseguisse digerir totalmente os atos de alguém que julgava conhecer e amar.

Anne Mary, após o desencarne de Fredy, caiu em depressão profunda, adiando assim, o noivado da irmã com Simon que, embora dolorido pela falta do irmão e pela loucura de Eliza, desejava casar-se o quanto antes. Amava loucamente a noiva, Loraine.

O delegado Orestes, pai das moças, devido à sua posição, sentiu-se na obrigação de encontrar o culpado pela morte do futuro genro, experimentando, assim, um ódio profundo por aquele que roubara de sua filha os sonhos mais felizes da juventude.
Pouco a pouco, este ódio viria a se transformar em pura obsessão.



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