Nesse espaço

Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
By
Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

A Missão das Quatro Estações - Capítulo III Eliza -

ELIZA

O inverno rigoroso cobria a paisagem de espessa neve, o frio era intenso. Por essa razão, o sepultamento de Ananda deu-se de forma rápida. O atestado de óbito trazia como causa de sua morte forte hemorragia interna, causada por ferimentos múltiplos.
O que causava estranheza a todos era que Ananda conhecia como poucos a região na qual o penhasco se encontrava. Sua queda não conseguia ser bem digerida por ninguém, nem mesmo por seu pai.
O delegado Orestes exigiu que as investigações acerca da morte de Ananda tivessem início no dia imediato após o seu sepultamento. Desejava esclarecer a questão. Sendo também ele pai, sentiu-se tocado pela perda da menina em condições assim tão trágicas e duvidosas.

Eliza era uma mulher estranha. Vivia com seus dois irmãos, aos quais se dedicou, após a morte dos pais. Tivera, quando jovem, dois namorados. Era introvertida e raramente vista pelas ruas. De vez em quando procurava o Reverendo Nicos, a fim de confessar-se.
O segredo de sua vida, nunca revelado nem mesmo ao Reverendo, era sua paixão por Henry, que a correspondia. Eram amantes há anos. Iniciaram o romance antes mesmo do nascimento de Ananda.
Margareth nunca nem mesmo desconfiou. Fato que colocava em segurança o romance dos dois.

Henry e Margareth casaram-se por imposição de seus pais que, numa tarde, surpreenderam o casal de mãos dadas caminhando pelo bosque. Nada lhes foi perguntado. Um mês após aquela tarde estavam casados. Nada conheciam da vida,  tampouco do amor, eram apenas bons amigos. O resultado, como não podia deixar de ser, foi desastroso. Ambos passaram a viver tristes, porém conformados com a sorte.

Eliza e Henry conheceram-se na igreja. Henry, casado com Margareth há apenas dois anos, sentiu por Eliza forte atração. Essa circunstância representava, afinal, a sonhada paixão juvenil que Eliza correspondeu imediatamente.
Por algum tempo, Eliza lutou contra essa paixão. Porém, um “belo dia” não mais pôde reprimir os seus sentimentos e se tornou amante de Henry. Mesmo sofrendo com a situação, rendeu-se.
Eliza e Henry passaram a viver intensamente aquele amor. A cada encontro sentiam-se revigorados e fortes para suportar com resignação o que a vida lhes reservara.

A razão de viver dos amantes passou a ser a certeza de terem um ao outro.
O nascimento de Ananda provocou ciúmes em Eliza que, com o tempo, conformou-se em dividir com mais uma pessoa a atenção de Henry.
Seus irmãos apiedavam-se dela, porém usufruíam ao máximo de seus cuidados, como se ela fosse a sua própria mãe. Andavam animados nos últimos dias. Estavam apaixonados por irmãs gêmeas que aceitaram namorá-los. Sentiam-se encantados com a coincidência e, por essa razão, uniram-se ainda mais. Passavam horas conversando sobre as moças.
Quando se lembravam de Eliza, discutiam o futuro dela. Como seria quando se casassem? Este era um problema que deixariam para resolver depois. No momento o que importava era o namoro, o amor!

Não só Eliza tinha um segredo, Margareth também tinha o seu. Um amor que as circunstâncias impediram e que o tempo tratou de sufocar. Vivia resignada.

Desde o dia da morte de Ananda, o Reverendo Nicos sentia que algo dentro dele havia se modificado. Aquela aparição! A voz da menina não lhe saía do pensamento. O que significava aquilo? Apesar de tudo, o Reverendo não ousou contar o que se passou a ninguém. Guardou para si o seu encontro com Ananda no momento da morte dela. O ocorrido o intrigava profundamente, chegando algumas vezes a tirar seu sono.






Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Pesquisar este blog