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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

A Missão das Quatro Estações - Capítulo XIII - A aflição de Henry -

A AFLIÇÃO DE HENRY

Ava preparou com extremo cuidado a defesa de Henry. Buscou detalhes, ouviu pessoas. As referências que angariou eram as melhores possíveis. O único detalhe da vida de Henry por ela desconhecido era a sua ligação com Eliza. Esse detalhe começava a incomodar o Reverendo Nicos que, ciente de tal ligação, começava a preocupar-se. Esta preocupação levou-o até Henry:
─ Henry, como se sente?
─ Não vejo necessidade de responder, Reverendo.
─ Sim, entendo.
─ Henry, estou preocupado. Vim vê-lo por conta dessa minha preocupação.
─ Que preocupação?
─ Sua ligação com Eliza. Penso que este fato, diante de tudo o que hoje sabemos sobre ela, seja relevante.
─ Não entendi Reverendo.
─ Henry, o que me ocorre é cruel, mas diante dos fatos não posso deixar de pensar nessa possibilidade e Deus me perdoe se eu estiver enganado.
─ Me assusta falando assim, Reverendo.
─ Henry, perdoe-me se venho trazer-lhe mais desconforto, porém penso na probabilidade de Eliza ter assassinado Ananda.

Nesse instante, a equipe espiritual, pronta para trabalhar, ali se encontrava.

─ Não, Reverendo. Sei que Eliza me amava. Esse delito ela não cometeria. Não, não pense mais nisso. O Senhor se engana. Ela não seria capaz de manter-me distante dela. Tudo o que ela queria era a minha presença. Não Reverendo, não.
Diante do sofrimento de Henry e de sua certeza quanto à inocência de Eliza, o Reverendo Nicos sufocou dentro de si sua forte suspeita.

A equipe trabalhava silenciosa. Ananda, assustada, olhava para todos como querendo um esclarecimento. Nada foi dito.

Em breve seria marcado o julgamento de Henry.
O verão se aproximava. As temperaturas permitiam maior circulação de pessoas pelas ruas.
O coração de Ananda começou a apertar.
─ Amigos. – Disse Ananda preocupada –
─ Em poucos dias o verão se iniciará, o tempo urge. Ajudem-me, o que posso fazer? Estou aflita!
Ao que Frida respondeu:
─ A calma, a fé e a confiança serão determinantes para o sucesso de nossa missão. Concentremo-nos nestas três palavras e, façamos delas, exercícios práticos.
Ananda caiu em pranto profundo e dolorido.

Frida e Augustus, entreolhando-se, sabiam que essa dor era necessária.

O delegado Orestes não pensava mais em Henry. Queria apenas encontrar os assassinos do futuro genro. Reuniu todos os homens de que dispunha para a missão e incutiu neles seu ódio e sua sede de vingança.
A diligência saiu sedenta à procura dos algozes de Fredy
Embora cego pelo ódio, o delegado Orestes foi lembrado por seus superiores, de que devia encaminhar o julgamento do prisioneiro Henry com base em suas investigações. Era seu dever dar continuidade ao processo sobre a morte de Ananda.
Sem dar importância ao caso, o delegado chamou Ava, a advogada, à sua presença:
─ Senhorita, fui cobrado por meus superiores, quanto à remessa do processo para julgamento do Sr. Henry, o que me diz?
─ Desculpe delegado, mas devo dizer-lhe algo?
─ Deixe-me ser mais claro. A Senhorita tem uma defesa pronta para seu cliente? Veja, simpatizo com Henry, quero apenas que a justiça seja feita.
─ Bem, compreendo melhor agora. Creio estar pronta para defender Henry no tribunal.
─ Muito bem, a Senhorita será informada em poucos dias. Prepare-se. Os ânimos de nossos cidadãos não estão muito favoráveis neste momento.
─ Sei disso delegado.
─ Muito bem, até breve então Senhorita Ava.
Ava lançou ao delegado um olhar frio, duro e severo, antes de despedir-se. Ao qual o delegado estremeceu sem nada entender. Ava disse apenas:
─ Nos veremos Senhor delegado.
Com apenas um aceno de cabeça, o delegado assentiu.
Ava saiu da delegacia confiante.

Margareth e o Reverendo Nicos estavam mais unidos que nunca na causa de Henry. Uniram suas forças e preces. Reforçaram ainda seus laços afetivos. Sentimentos puros e verdadeiros, que só quem muito bem quer pode compreender. Trabalhando pelo bem, ambos sentiam-se mais fortes.
A proximidade do julgamento causava ansiedade sem abalar a fé e a confiança na Divina Providência que os dois, nos últimos tempos, vinham sentindo de modo mais profundo e consciente.
Certo dia, Margareth e o Reverendo estavam orando juntos na capela da igreja quando luz intensa deles se aproximou. Mais uma vez o Reverendo pôde ver, em meio à luz, a bela figura de Ananda que o olhava com carinho. Desviou o olhar da visão para verificar se a companheira também podia ver a filha. Logo percebeu que Margareth nada via. Calou-se agradecido a Deus por mais esta benção.
Mentalmente o Reverendo disse a Ananda que faria tudo o que pudesse para ajudar seu pai e que sempre ampararia sua mãe e, mais uma vez, agradeceu comovido. Lágrimas chegaram, molhando de pura emoção o rosto do Reverendo. A imagem se desfez e Margareth viu que o Reverendo chorava.
─ O que houve?
─ Nada, estou simplesmente emocionado. Às vezes, quando oro entregando-me de corpo e alma à prece, chegam as lágrimas. Isso me faz um bem enorme, esteja certa.
─ Assim o Senhor me emociona também, Reverendo.
─ A emoção é pérola divina. Expressão da grandeza da alma, da força da fé.
─ Quanta inspiração! Que Deus o conserve sempre assim.
O Reverendo sorriu e imediatamente lembrou-se de seu tesouro, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Mais precisamente do Capítulo I que fala sobre o Espiritismo.

Finalmente a data do julgamento de Henry foi marcada, os ânimos dos envolvidos começaram a ficar tensos. Henry não conseguia mais conciliar o sono. Ava ia vê-lo todos os dias a fim de consolidar sua defesa.
A equipe espiritual colocou-se em profunda oração. Durante o sono, Ambrozina unia-se à equipe reforçando a corrente.
Eliza que de nada sabia, recuperava-se no hospital. Ambrozina passaria a visitá-la com frequência e, intuitivamente, a deixaria a par dos fatos.
Em seu leito de convalescente, Eliza começou e sentir forte saudade de Henry, somada à do irmão querido morto por sua culpa. Era a dor da consciência chegando.
Durante o sono, Eliza passou a ter pesadelos terríveis. Crianças a perseguiam com punhais afiados nas mãos, ela corria, corria sem parar e despertava cansada e apavorada. Sua dor estava apenas começando.

A angústia de Henry, na prisão, era grande. Perdera a filha, estava sendo acusado pela sua morte e, a mulher que tanto amara, não passava de cruel pessoa. A dor era muito forte. Tão forte que Henry deixou de fazer o que devia nessa hora: orar e entregar ao Pai todo o seu ser e toda a sua dor, por mais dolorida que fosse.

Chegou o verão e, com ele, o dia do julgamento de Henry. Todos estavam apreensivos. A equipe espiritual, a postos, demonstrava profunda tranquilidade enquanto os encarnados estavam inquietos.
No tribunal, cada qual ocupou seu lugar. O réu foi trazido por dois guardas, algemado, cabisbaixo. Ao vê-lo, a emoção tomou conta daqueles que por ele tinham afeição.
Em seu leito de hospital, Eliza sentia-se inquieta. Ambrozina, no dia anterior, dera-lhe a notícia do julgamento. Tudo pronto, só faltava o juiz que, por sorte, seria o juiz habitual da região.
Meia hora de espera e o juiz não chegou. Uma hora, uma hora e meia e os ânimos começaram a ficar acirrados.
Um mensageiro adentrou a sala, trazendo o seguinte comunicado:
─ O Senhor juiz, responsável pela sessão neste tribunal, infelizmente acabou de falecer em sua residência. A causa da morte ainda é desconhecida, mas, tudo leva a crer que sofreu abalo cardíaco. Fica, portanto, adiado este julgamento até que as autoridades responsáveis definam outra data.
Alívio absolutamente inesperado para uns e mais angústia para outros.
A equipe espiritual formou uma roda, cada um com as mãos no ombro do outro, como se fizessem parte de um só coração. Após isso, ajoelharam-se com as mãos estendidas para o alto, num gesto de agradecimento profundo ao Pai e ao Mestre, luzes de toda a existência.
Margareth, abraçada ao Reverendo Nicos, chorava aliviada e ele, por sua vez, entregou-se a aquele abraço que tanto bem lhe fazia. Sentia-se abraçado no corpo e na alma como se aquele abraço fosse um momento de descanso e de paz profunda de seu espírito.
Henry sentiu-se desfalecer como se um grande conforto tivesse chegado. Em seu íntimo, agradecia a Deus e à filha amada e querida, pelo adiamento de seu julgamento, mesmo que o motivo fosse tão triste.
Ava, por sua vez, agitou-se muito como se quisesse livrar-se logo de uma responsabilidade à qual ainda não se sentia totalmente preparada. Com o passar dos dias ela compreenderia o enorme bem que o adiamento do julgamento lhe faria.



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