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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

A Missão das Quatro Estações - Capítulo XVII - A regressão de Eliza -

A REGRESSÃO DE ELIZA

O outono se aproximava. A cada nova estação, Ananda se sentia apreensiva:
─ Amigos, em breve será outono, devo confessar minha preocupação.
─ Devo dizer-lhe irmã que, ao invés de preocupar-se, você deveria agradecer e ser mais confiante. Veja como tem sido frágil sua fé. Recolha-se um pouco na prece e fortaleça-a.
─ Tem razão Augustus, sou uma aprendiz difícil não é mesmo?
─ Nem tanto. - Respondeu Augustus sorrindo –
Enquanto Ananda recolhia-se na prece, o restante da equipe, a pedido de Fredy, foi até Eliza.
Encontraram-na banhada em suor, assustada, ainda estava no hospital.
Espíritos ainda não esclarecidos que se comprazem no mal, rondavam o ambiente, ávidos por levarem-na para junto deles.
Diante de tão triste cenário, a equipe, comovida, pedia por ela e pelos irmãos cegos ainda pelas imperfeições dos sentimentos. Aos poucos, o ambiente foi se transformando, Eliza se acalmou, os espíritos endurecidos cederam diante da luz que a equipe passou a irradiar.
O dia amanheceu belo e calmo. Com ele, Ambrozina chegou para visitar Eliza. Percebeu a presença da equipe agradecendo mentalmente o auxílio àquela alma tão enferma e necessitada. Rogou ainda por esclarecimento quanto ao que deveria fazer para efetivamente ajudá-la. A resposta veio imediata. Ambrozina absorveu as instruções prometendo colocá-las em prática a partir daquele instante.
Fredy sofreu muito ao constatar as condições da irmã, mas contava com o amparo de espíritos elevados para compreender e suportar a dor. Afinal ela era a grande responsável por todo aquele sofrimento.
Certos de que Eliza encontrava-se em boas mãos, foram-se para junto de Ananda.
─ Olá Eliza, como se sente hoje? – perguntou Ambrozina –
Ao ouvir estas palavras, pronunciadas com tanto carinho e atenção, Eliza chorou como há anos não ousava fazer devido ao endurecimento de seu coração.
─ Fale comigo, nada me chocará. Quero apenas poder ajudar, fale, pode confiar em mim. Nada do que me disser sairá daqui comigo, por pior que seja. Confie. Precisamos desta confiança. Deus, que é sábio em seus desígnios, coloca sempre à nossa disposição uma mão amiga.
Surpreendida pelo carinho e pela confiança que a negra Ambrozina transmitia, Eliza passou a relatar sua vida de amor e de ódio, seus crimes perversos e toda a dor que deles vinha sentindo os efeitos.
Habilmente, Ambrozina conduziu a conversa de forma a fazer com que Eliza compreendesse que o arrependimento verdadeiro era necessário. Explicou-lhe sobre a vida após a morte e sobre o processo reencarnatório. Eliza ouvia atentamente cada palavra pronunciada por Ambrozina
De repente Ambrozina deu-se conta de que necessitaria fazer com que Eliza regredisse a tempos passados para compreender melhor toda a situação na qual se encontrava. Eliza necessitava de esclarecimentos mais profundos para que o mal não a vencesse nessa encarnação por completo, uma vez que ela havia já se comprometido muito devido à sua invigilância e ao seu ódio.
Ambrozina explicou a Eliza sobre o processo de regressão e perguntou se ela desejava submeter-se a ele esclarecendo ainda que, para o sucesso de tal prática, necessitariam de permissão do Alto.
Eliza concordou prontamente e compreendeu que se não fosse possível, saberia entender. Procuraria outros caminhos que a pudessem levar à reparação de seus atos vis.
Confiante e feliz, Ambrozina prometeu vê-la no dia seguinte, com a resposta sobre a regressão.
Aliviada, Eliza passaria um dia em paz, como há muito não passava.

O outono já dava o ar de sua graça em Antuérpia, mas o povo sofrido mal percebia sua chegada.
Na prisão, Henry sofria com a demora da marcação de seu novo julgamento. Sentia saudade de casa, de Eliza, de Margareth, enfim, sentia saudade da vida. Perguntava-se frequentemente sobre o porquê de tanto sofrimento, de tanta injustiça. No auge de sua dor e desespero, muitas vezes pediu a Deus que interrompesse sua insípida vida sem saber que Deus nunca castiga que nosso sofrimento é fruto da má semente que um dia plantamos e, consequentemente, colhemos seus frutos, sejam eles doces ou amargos.

A insegurança de Ava crescia a cada dia, o desafio ao mesmo tempo em que a fascinava, a amedrontava. Todo o material de que dispunha estava há muito pronto. A demora da marcação do novo julgamento a angustiava. Não havia nada mais a fazer senão esperar. Entendia que todas as provas, todos os argumentos já haviam sido reunidos e explorados. Se ao menos conseguisse algo mais! Pensava Ava esperançosa.
Percebendo a aflição da moça, Ambrozina aproximou-se:
─ O que a preocupa tanto, senhorita?
─ É a demora da definição do novo julgamento de Henry, sinto-me ansiosa, Ambrozina. Tudo o que tenho para defendê-lo é pouco. Terei de ser muito hábil e persuasiva para conseguir provar a inocência do pobre homem.
─ A senhorita crê em sua inocência?
─ Devo confessar que quero muito crer, que a impressão que ele me passa é a de um inocente em potencial, mas, sinto alguma coisa no ar que não consigo definir. Há algo acerca de sua vida que ainda não consegui penetrar. Não compreendo Ambrozina, de onde vem esta impressão indefinível.
Ambrozina, ciente dos fatos, porém, momentaneamente impossibilitada de revelá-los, tentou encorajar a jovem advogada:
─ Saiba esperar sem ânsias. Confie no Pai Criador e no Mestre da Revelação. Seja firme nessa fé e certamente conhecerá o que ainda não conhece a respeito de Henry. Não esmoreça em tua luta. Confie mais em si e em teus esforços, do contrário, de nada valerão os teus estudos e os teus novos conhecimentos cristãos.
─ Você tem razão velha amiga. Você é a força da minha vida. Obrigada por encorajar-me. Obrigada por tua amizade e fidelidade, Ambrozina!

Na manhã seguinte Ambrozina foi ver Eliza, que esperava por ela ansiosamente:
─ E então, amiga? Poderemos fazer a tal regressão? Perguntou Eliza agitada.
─ Poderemos sim, recebi autorização e contarei com o auxílio de espíritos de luz para tanto, mas antes devo instruí-la quanto ao que acontecerá. Devo adverti-la sobre os perigos da prática. Durante a regressão, você reencontrará os seres amados e aqueles odiados. Lembre-se que, receber esta autorização, é um presente dos céus e que, nosso intuito principal é ajudá-la a compreender melhor esta tua existência e principalmente servirá para orientá-la quanto aos débitos que adquiriu na vida pretérita para que os erros passados não se repitam mais, muito embora você já tenha se comprometido muito com os atos que praticou. Saiba ainda que o arrependimento sincero e a vontade firme de acertar daqui para frente fortalecerão o teu espírito aliviando todas estas dores morais que você vem sentindo. Só obtive a permissão porque confio em teus honestos propósitos de acerto e, acima de tudo, porque Deus assim nos permitiu.
─ Compreendo o que você diz e afirmo que quero muito deixar de sofrer, quero muito mudar de atitudes, quero muito melhorar. Não aguento mais tanta dor. Eu quero meu Deus, eu quero Jesus!
Neste exato instante, em que Eliza se dirigiu sinceramente ao Pai e ao Mestre, luz de alta vibração invadiu aquele pobre quarto de hospital trazendo com ela os “delegados de Jesus”, ou seja, espíritos de elevadíssima luz. Ambrozina pôde vê-los e sentir a paz da qual eram portadores, profundamente grata, iniciou o processo de regressão.
Depois de imersa no sono, Ambrozina começou a induzi-la a regredir no tempo.  Embora o estado de sono profundo, Eliza se lembraria com detalhes tudo o quanto veria e sentiria.
A regressão corria bem, a assistência espiritual era atuante. Ambrozina percebeu a proximidade do objetivo da prática e se deteve naquele ponto com maior ênfase.
Eliza induzida começou seu relato:
– Éramos apaixonados. A vida era difícil, éramos muito pobres mesmo assim fomos viver juntos. Tivemos dois filhos. Queríamos a fortuna financeira mesmo que para isso tivéssemos que corromper trapacear. A ambição nos dominava. Nenhum bom plano nos chegava até que ela apareceu. Vivíamos de cidade em cidade qual ciganos devido à nossa má conduta, mas ali, naquela cidade, traçamos o nosso maior plano e sonhamos com a ventura de tempos fartos de dinheiro. O pai dela era rico e, como não éramos conhecidos naquela cidade, o plano seria de fácil execução. Por dinheiro sempre nos dispusemos a tudo.
Procuramos saber tudo a respeito dela. Ela amava um pobretão. Como ninguém mais se interessasse por ela, o pai estava disposto a dar-lhe a mão. Ai é que entrava o nosso plano, o metal nos fascinava, sonhávamos, fazíamos planos confortáveis.
Conseguimos boas roupas, bons disfarces e álibis para que ele se aproximasse daquela que representava o fim dos nossos problemas.
Quase conseguimos. Pelo menos o pai já havia concordado em dar a mão da filha ao “rico” fazendeiro que se apresentou como pretendente apaixonado. A moça sofreu muito. Ela amava o pobretão que, diante do poder do dinheiro, nada pôde fazer a não ser aceitar a triste sorte.
Um belo dia, porém, a irmã do moço pobre nos surpreendeu a trama. Ela nos viu juntos, ouviu nossa conversa, descobriu tudo. Fomos obrigados a mantê-la em cativeiro até o fim de nossos propósitos. Só não contávamos com sua fuga, que se deu dois dias após. O pânico nos assaltou o ânimo, procuramos pela moça sem sucesso, nos acusávamos um ao outro pela sua fuga, tentamos fugir em vão. Fomos pegos, julgados e sentenciados a morte sem ter com quem deixar os nossos filhos. Não posso me esquecer do olhar do mais velho. Ele nos odiou com todas as suas forças.
Nossa sentença foi morte em praça pública.
A moça que nos delatou se sentia cumpridora de fiel obrigação, exultou com a sentença que a nós se aplicaria. Vingou seu pobre irmão.
Morremos diante da platéia e dos nossos filhos. A dor e o ódio foram terríveis.
Descobri que embora o meu corpo tivesse sentido a dor e a aflição da morte, eu ainda vivia. O lugar era estranho. Eu estava só, procurei em vão meu companheiro. A escuridão sufocava e todo o meu ódio só clamava por vingança.
Não sei quanto tempo vivi assim, mergulhada em trevas profundas até que o meu companheiro apareceu. Falou-me de perdão e de coisas das quais não consegui compreender. Só sei que aceitei seguir-lhe os passos e dormi. Não sei dizer mais nada. Esqueci.
Satisfeita, Ambrozina iniciou o processo de volta de Eliza.
Ao despertar Eliza se sentia atordoada, confusa. Aos poucos foi lembrando com clareza todos os detalhes vividos, toda sua dor, todos os erros que cometera e que ainda vinha cometendo. Desesperada, chorou muito, pediu perdão, arrependeu-se.
Sabia que o caso exposto era apenas um dos tantos golpes que ela e o companheiro haviam desferido contra pessoas íntegras e inocentes.
Ainda sob o efeito de forte emoção, Eliza perguntou a Ambrozina:
─ E agora? O que posso fazer?
─ Antes de qualquer coisa peço que se acalme, que relaxe, que procure orar e pedir perdão a Jesus.
Eliza obedeceu às recomendações da benfeitora.
Refeita das emoções da regressão, Eliza perguntou a Ambrozina quando deixaria de sofrer, quando melhoraria suas condições como pessoa, quando seria amada simplesmente, sem ter de trapacear, sem ter de se esconder, sem ter de fazer o mal. A tais perguntas Ambrozina respondeu prontamente:
─ Quando o seu coração verdadeiramente arrependido buscar o bem, buscar Deus e, por fim, perdoar.
─ Eu quero. Quero de verdade tudo isso que você me diz anjo bom. Obrigada.
─ Podemos começar esse processo agora, sabia?
─ Como? Diga-me como e eu o farei de coração.
─ Mesmo que tenha de enfrentar novas dores em nome da melhoria futura?
Entre lágrimas doloridas, Eliza respondeu que sim de forma decidida e confiante.
─ Muito bem, Eliza, está na hora de começar a reparação de tuas faltas. Devo adverti-la que precisará ser forte, pois novas dores virão. Apesar disso, agora você sabe que elas chegarão para o teu bem, para iniciarem dias melhores ao teu espírito eterno.
─ Sim, eu sei e quero, por Deus, eu quero.
Luz intensa inundou o recinto, mais um filho de Deus havia sido resgatado das garras do mal. O bem vencendo. O poder de Deus presente a abrigar mais um filho perdido. Louvores e agradecimentos foram entoados divinamente.



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