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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

A Missão das Quatro Estações - Capítulo II - A VISÃO DO REVERENDO



Ao se aproximar do quarto onde Ananda estava, o Reverendo Nicos começou a se sentir emocionado. Era uma emoção desconhecida. Boa, porém estranha. Observando o corpo inerte de Ananda, o Reverendo sentiu que a emoção dentro de si crescia. Seu carinho por ela era intenso o bastante para que ele, neste instante, dirigisse a Deus fervorosa prece.
O Doutor, ao ver o Reverendo de joelhos, em prece, sentiu-se também ele emocionado. Fechou seus olhos e  deixou-se  levar por aquele instante solidário.
– Reverendo Nicos? Chamou Ananda, sem que fosse ouvida.
– Não me ouve Reverendo?
O médico levantou-se, deixando que o Reverendo continuasse sua oração. Voltou para sua sala.
Ananda resolveu insistir em ser ouvida pelo Reverendo e ele, como que tocado por força muito estranha, abriu os olhos, vendo claramente a figura singela e doce de Ananda em pé, ao seu lado. Olhou para o leito onde estava seu corpo verificando que lá continuava. Estaria bem? Pensou assustado e surpreso o Reverendo. Tornou a fechar os olhos, rogava a Deus e a Jesus por auxílio quando ouviu a voz da menina que chamava por ele. Incrédulo, abriu os olhos e, sim, lá estava ela, viva e bem enquanto seu corpo, inerte, permanecia no leito.
O Reverendo mal podia acreditar no que via quando Ananda  falou:
– Reverendo, pode me ouvir?
– Sim, posso ouvi-la. Vejo-a também minha filha.
– Pode ver as duas?
– Sim, vejo as duas.
– Pode me dizer o que é que está acontecendo?
– Penso que sim. Sua alma liberou-se de seu corpo, como podemos ver.
– É certo. Mas então... Então eu morri Reverendo?
– Vou chamar o médico.
O Reverendo Nicos dirigiu-se à sala do médico trêmulo e assustado.
– O que houve com o Senhor? Está pálido, sente-se bem?
– Na verdade estou um pouco tonto.
– Sente-se aqui. Vou examiná-lo.
– Não é preciso, logo vai passar. Prefiro que o Senhor vá verificar como está Ananda.
– Por que me pede isso Reverendo?
– Por favor, vamos?
– Sim, podemos ir se isso o tranquiliza.
– Obrigado.

Ao retornar ao quarto, o Reverendo não via mais Ananda em pé. Apenas o seu corpo jazia no leito.
– Como percebeu Reverendo?
– Desculpe, percebi o que?
– Sinto muito, Ananda deixou-nos.
– Oh meu pai! Exclamou o Reverendo com os olhos molhados pelas lágrimas que passaram a rolar livremente pelo seu rosto.
– Vou comunicar aos pais.
– Doutor, permite que seja eu a comunicá-los?
– Vamos os dois. É minha obrigação.
– Sim, vamos.
Antes de sair do quarto, o Reverendo olhou ao redor, procurando, sem encontrar, a Ananda viva, que há poucos minutos com ele falava.
Ao se aproximarem dos pais de Ananda levavam a triste notícia em seus semblantes. Nada precisaram dizer. A dor e a emoção envolveram todos.
A cidade de Antuérpia chorou a morte de Ananda. Foi assunto no porto, nas casas, nas ruas. Alguns diziam:
– Vejam como é irônica a vida, a Europa em guerra, muitos morrendo nela, mas, não é preciso estar tão exposto ao perigo para se morrer, basta o chamado de Deus e pronto, lá se vai a vida.
Os homens que encontraram Ananda caída próximo ao penhasco, imediatamente após levarem-na ao hospital, informaram à polícia sobre o ocorrido. Entregaram ao delegado um chapéu que a menina segurava nas mãos. Alguns dos homens conheciam aquele chapéu. Pertencia a Henry, diziam. Passaram todos a desconfiar do pai de Ananda. Diante disso, o delegado ordenou aos seus investigadores que começassem o trabalho de apuração dos fatos.
Margareth e Henry estavam inconsoláveis. Ananda era a única filha que Deus lhes dera e agora, agora...
No velório, quem via a tristeza de Henry custava a crer que ele poderia ter sido capaz de cometer tal crueldade. Teria a menina caído sozinha e, coincidentemente, ter nas mãos o chapéu do pai?
A dúvida estava lançada. A sorte de Henry também.

A aparição de Ananda intrigava o Reverendo Nicos. Ele estava confuso. Olhava o corpo frio e jovem da menina e, ao mesmo tempo, não podia esquecer que a vira cheia de vida, bem ao seu lado, separada do corpo. Estaria ele com algum problema?


continua




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