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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

A Missão das Quatro Estações - Capítulo IV - A Investigação

Capítulo IV  A INVESTIGAÇÃO 

A investigação sobre a morte de Ananda tomava corpo. O delegado Orestes queria mesmo apurar os fatos. Como não poderia deixar de ser, visto que Ananda tinha nas mãos um chapéu por alguns homens reconhecido como sendo de seu pai.
Henry foi chamado a depor sem aviso prévio. A situação o constrangia, mesmo porque naquele dia tinha estado com Eliza. Pensando rápido, Henry sentiu que deveria dar à polícia a mesma versão que usara com Margareth: saíra um pouco para ler e caminhar.
– O senhor caminha na neve? – Perguntou o delegado –
– Sim senhor, caminho.                                                                                                  
Houve uma sucessão de perguntas e respostas até que o chapéu encontrado nas mãos de Ananda lhe foi apresentado.
– Reconhece este chapéu senhor?
Sem poder mentir, pois era homem honesto, Henry respondeu que sim. O chapéu lhe pertencia.
Henry não fazia ideia que, ao ser encontrada, Ananda tinha nas mãos aquele chapéu que há anos ele não usava.
– Pois muito bem. Temos aqui um problema senhor Henry. – Disse o delegado com ares de suspeita e indignação.
– Que problema senhor?
– Acontece que, este chapéu, pelo senhor identificado como de sua propriedade, foi encontrado nas mãos de sua filha no dia do acidente. O que pode nos dizer sobre isso, senhor Henry?
Henry empalideceu. Sentiu vertigem. Não entendeu.
– Como? O que está dizendo senhor delegado?
– Isso mesmo que acabou de ouvir. Este chapéu foi encontrado nas mãos de Ananda quando foi resgatada. Fui claro senhor Henry?
– Sim, foi claro, entendi, mas o senhor por acaso está me acusando pela morte de minha filha?
– Senhor Henry, por ora não acuso ninguém. Apenas estou apurando os fatos e, este, em particular, é muito significativo, não concorda?
– Devo concordar. Convém que lhe informe que há muito não uso este chapéu. Ele nunca foi de minha preferência e...
– Basta, por favor, senhor Henry, por hoje basta. Continuaremos amanhã. Devo advertir-lhe que não saia da cidade e que esteja aqui amanhã pela manhã. Caso contrário, será preso.
– Sim, entendo. Estarei aqui.

Ao chegar em casa, Henry encontrou a esposa preocupada e aflita. Relatou tudo o que se passara. Margareth recebeu as novas com surpresa. Não pôde compreender como tal suspeita poderia recair sobre um pai tão dedicado. Amoroso nunca fora, porém dedicado sim, tanto a ela quanto a filha. Todos sabiam disso, conheciam Henry. Todos na cidade sabiam que ele era boa pessoa.
– Por que aquele chapéu estava com Ananda?
– Não consigo entender o que fazia nossa menina com aquele chapéu. Margareth, esta é uma pergunta que não sei como responder. Você acredita em mim não é?
– Sim Henry, acredito. Vamos orar a Deus, ele nos auxiliará. Verá, este pesadelo vai passar. Vamos orar e pedir.
O casal ajoelhou-se em oração. Pediram auxílio e proteção. Sem que pudessem ver, deles aproximou-se um anjo bom, Ananda.

Veio a manhã e, com ela, a continuação do dissabor de Henry que, não obstante a dor que sentia pela perda da filha, ainda tinha de suportar a dúvida da polícia e das pessoas.
O interrogatório continuou por horas. Quando mais não podia, o delegado dispensou Henry advertindo-o que se mantivesse a disposição da justiça. Ao que Henry concordou.

Muitas pessoas foram ouvidas sobre o caso Ananda, mas uma em especial chamou a atenção do delegado.
Era uma velha senhora que residia nas imediações do penhasco. Em seu depoimento, fez o seguinte comentário:
– Naquele dia, o senhor Henry passou próximo à minha casa. O que me chamou a atenção não foi o fato de vê-lo passar por lá e sim seu semblante. Ele parecia muito aborrecido. Tinha o cenho fechado e caminhava a “passos duros”. Devo dizer que, passar próximo à minha casa era hábito do senhor Henry, mas a expressão de seu rosto, naquele dia, estava diferente. Não sei se ajudo ou atrapalho com este meu comentário senhor delegado.
– Por certo que ajuda senhora Manoela. Fique certa de que muito nos auxiliou.

Manoela saiu da delegacia sem saber se tinha feito a coisa certa. Por outro lado, sentia que devia sempre dizer a verdade, e o que havia dito correspondia a mais pura verdade. Pensando assim, tranquilizou-se.

O comentário de Manoela passou a intrigar ainda mais o delegado Orestes que pediu para que Henry se apresentasse na manhã seguinte.
O delegado iniciou a conversa com Henry comentando o depoimento de Manoela:
– O que me diz? Estava mesmo aborrecido naquele dia?
Henry sentindo-se “acuado”, não sabia o que dizer. Quando finalmente conseguiu falar, disse:
– O senhor nunca se aborrece? Nunca fica triste, deprimido?
– Lembro ao senhor que quem faz as perguntas aqui sou eu. De acordo?
– Sim, desculpe. Realmente naquele dia eu estava mesmo contrariado. Por questões particulares, íntimas. Isto não quer dizer que eu tenha matado a minha filha, não é mesmo senhor?
– Veremos. Aqui, diante de mim, todos se dizem inocentes, sempre. Por hoje é só, as recomendações são as mesmas. Trate de segui-las.

Henry sentia-se muito mal. Ser acusado pela morte da filha, a quem tanto amava, causava-lhe profunda tristeza e dor. Estava à beira do desespero. Lembrou-se de Eliza. Como seria bom se pudesse estar com ela, falar-lhe sobre suas dores. No momento não podia sequer pensar em vê-la. Os olhos da polícia e os da população estavam bem abertos, vigiando seus passos dia e noite. Saberia ela o que se passava com ele? De qualquer forma, Manoela tinha razão. No dia do acidente de Ananda, ele estava mesmo aborrecido e a causa de seu mal estar era Eliza. Brigaram naquele dia. Henry afastou a lembrança da briga. Tinha muitos problemas no momento para pensar em mais um. Quando pudesse, veria Eliza.

Eliza sabia dos problemas que Henry vinha enfrentando. O comentário na cidade corria solto. Ao lembrar-se da briga que tiveram no dia do acidente, ela sentia raiva, porém, a falta dele era bem maior. Deu-se conta disso.
Seus irmãos perceberam que, nos últimos dias, Eliza estava mais irritada do que normalmente costumava estar. Eles nada sabiam sobre seu romance com Henry e se perguntavam: “O que estará acontecendo com ela?” “Será que é por causa do nosso namoro?” Não conseguindo chegar a uma conclusão, decidiram não mais pensar sobre o mau humor da irmã. Passaram a ignorá-la definitivamente.
A vida de Eliza estava realmente triste.



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