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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Lenda da bilha de São Jorge - Portugal -

Olá!
Essa é uma história de fé, amor e coragem!
Que São Jorge possa valer sempre a todos aqueles que nele depositam a sua fé!
Lembrando que só alcançamos a vitória se formos merecedores da mesma e se tivermos fé firme e forte!
Salve São Jorge Guerreiro! Que ele nos proteja, nos valha e nos ensine a caminhar com muita fé, esperança e amor!!!
Annapon


Foi nos primeiros dias de Agosto de 1385. O Sol dardejava o seu sopro de fogo sobre as terras de Portugal e Espanha. Corpos aquecidos e espíritos ardendo em febre! Ânimos mais exaltados ainda pelo calor da discórdia!

O rei de Castela levara até à Beira a sua invasão em território muito nosso. E o jovem rei de Portugal — rei havia apenas questão de meses — correu para a cidade do Porto para reunir tropas, descendo depois sobre Abrantes, onde iria encontrar-se com o condestável do reino. Este correra antes a Estremoz. Aí, aliciara gente. E fortalecido pela fé de vencer, chegou à cidade de Abrantes, onde iria reunir-se conselho.

O ar, demasiado abafado, quase não girava. No salão, os guerreiros acolhiam com desagrado a ideia de uma grande batalha. Sabiam que o rei de Castela tinha em campo mais de vinte mil homens, enquanto eles, se fossem sete mil, já se poderiam dar por felizes. Votavam, portanto, contra a batalha.

Apesar da pequena estatura, a figura direita e altiva do Condestável impressionava sempre quem o via, até entre os próprios inimigos. Fez-se silêncio quando D. Nuno Álvares Pereira se levantou para falar.

A sua voz soou firme e compassada.

— Senhores! O meu voto é contrário ao vosso e dir-vos-ei por quê. Se ficarmos inactivos — como é vosso parecer — será certa a ruína. Se aqui ficamos, o inimigo, sempre em maior número, nos buscará. Se nos alojarmos num sítio forte, fugindo dele, os Castelhanos correrão a sitiar Lisboa, que sentirá a nossa falta e a falta de mantimentos. Sem víveres, sem armada, sem soldados, com a infidelidade de alguns dos seus naturais, que será da nossa Lisboa? E, caindo Lisboa, cairão por terra todas as nossas esperanças! Não ignoro que seria prudente aguardar socorros de Inglaterra. Mas que poderá restaurar a perda de Lisboa, se ficarmos de braços cruzados, esperando um auxílio demorado? E depois, que faremos nós? Debandaremos então em correria, acção que designo de infamante?… 

Alguém contrapôs:

— E se formos para a batalha e a perdermos?

— Ganharemos pelo menos em honra! No entanto, se a ganharmos, como é minha fé, pela necessidade que temos de pelejar, a vitória saberá aligeirar tudo quanto nos possa ter acontecido!…

Depois, voltando-se para D. João I, que parecia abalado com as opiniões em massa contra a ideia de uma batalha imediata:

— E vós, Senhor, que aceitastes a coroa para defender o reino, perdereis toda a reputação que haveis adquirido se recusardes a peleja! Vede que a maior parte dos soldados contrários são visonhos ou andam atemorizados com as perdas passadas. Se os vossos gloriosos progenitores temessem estas desigualdades de opiniões, decerto não teriam ganho tão insignes vitórias. Senhor! Se outra for a vossa resolução, que não a minha, sabei que eu, só com os que me acompanham, pelejarei com o inimigo, pois julgo mais insofrida uma vida infame que uma morte gloriosa!

D. Nuno terminou a sua alocução. Sabia já ter dito o suficiente para saberem o que poderiam esperar dele. Todavia, os protestos levantaram-se calorosos. Achavam audaciosas, quase loucas, as ideias do Condestável. O conselho ficou adiado. Mas no dia seguinte D. Nuno Álvares Pereira passou com os homens que aliciara à cidade de Tomar, por onde o rei de Castela forçosamente passaria.

Ao ter-se conhecimento desta decisão, muitos fidalgos e chefes guerreiros propuseram a D. João I que castigasse o Condestável por tão audaciosa proeza. Mas qual não foi o espanto desses homens, quando o rei de Portugal decidiu:

— Senhores! Declaro-me também pela batalha! Quero ser rei de Portugal e não de Avis, como alguns para aí me apelidaram!

Houve certo burburinho, abafado pelo natural respeito ao Rei. E D. João I foi juntar-se ao Condestável, saindo de Abrantes depois de orar na Igreja de S. João. E chegaram a Aljubarrota a 14 de Agosto desse mesmo ano de 1385.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Exu Tranca Ruas das Almas - por Annapon -



Exu Tranca Ruas das Almas

por Annapon


Quem conhece um Guardião de verdade não se aventura a falar sobre ele sem o seu consentimento, nem tampouco joga palavras ao vento porque quem conhece um Guardião/Exu sabe que, para falar sobre ele é preciso conhecimento e permissão.

Dizem por aí, que Seu Tranca Ruas arrebanha almas para escravizar, que engrossa as fileiras de seu "exército" com as almas "perdidas" que resgata.

Como poderia ele resgatar e depois escravizar? Sendo ele o enviado para que os espíritos sejam resgatados, esclarecidos, conduzidos à local adequado ao seu adiantamento, como poderia ele escravizar almas nessas condições frágeis que necessitam de ajuda e cura?

É preciso muita cautela com o que se lê na rede, pois, pessoas, sem conhecimento, espalham certezas que não existem e ainda colaboram com a ignorância no sentido da falta de conhecimento e prática junto às entidades militantes na Umbanda.

Dizem ainda, que os tais "escravos" é que recebem, nas encruzas e ruas, as oferendas a ele, Senhor Tranca Ruas, fato que chega a ser até "engraçado" não fosse de total desconhecimento de causa.

Ninguém recebe em nome de Exu oferendas a não ser ele mesmo que, aliás, não recebe como se precisasse de tais ofertas e sim manipula, em beneficio de quem oferta, os elementos ali dispostos que cada vez menos têm sido depositados nas ruas. Tal prática está no passado. Hoje em dia oferta-se nos terreiros, numa encruza riscada numa tábua, por exemplo, por aquele que sente necessidade de assim proceder ou por orientação da entidade.

As ruas já não são mais locais adequados para tais ofertas como se acreditava antigamente. Hoje há mais esclarecimento e sempre observando a questão ecológica, mesmo porque a Umbanda reverencia a natureza nos seus pontos de força.

Dizer que a rua é o reino de Seu Tranca Ruas é crença distorcida da realidade, há uma metáfora nessa questão, Exu é o guardião do exterior e está em todos os lugares.

Alguns dizem ainda que Tranca Ruas concede fortuna e poder àqueles que o cultuam. Mal sabem eles que esse Guardião da Lei Divina nada movimenta ou concede sem que haja merecimento, trabalho, observância das Leis, do respeito ao livre arbítrio do próximo.


É claro que existem seres usando seu nome, porém, pelo teor da mensagem desses impostores, facilmente se conclui não ser um autentico guardião, mesmo porque José, João, há muitos, tanto João e José, do bem, quanto João e José do mal, digamos assim. 

Com isso quero dizer que nem todo aquele que se apresenta como Tranca Ruas é realmente um guardião trabalhador na Lei de Umbanda, podendo levar ao engano os imprudentes e incautos. 

Como reconhecer um autentico guardião/Exu Tranca Ruas?

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Conduta do médium Umbandista



Mãe Iassan Ayporê Pery
Dirigente do CECP - Centro Espiritualista Caboclo Pery

Se somos pessoas religiosas, ou seja, se temos uma religião, espera-se de nós atitudes compatíveis com esta condição. Em função disto já que sou umbandista, falo de minha religião e sobre o que é esperado de seus praticantes.

Muitos falam apenas na conduta esperada no médium antes e durante as sessões ou giras, mas quase nada se fala do depois da gira e normalmente o que é falado é sobre o imediatamente após a gira ou no máximo 24 horas após o término da sessão.

Não podemos e nem devemos ser umbandistas durante as 48 horas que giram em torno de uma sessão, mas sim 24 horas por dia e 7 dias por semana. Mas isso é no sentido da conduta no nosso dia-a-dia. O quanto nos preocupa a caridade, o amor, a fraternidade e o respeito pelo próximo, o quanto disto tudo faz parte de nossos corações e mentes, verdadeiramente.

Não adianta de absolutamente nada banhos, defumadores, preceitos preparatórios para as sessões, se quando a mesma termina, trocamos nossa roupa e esquecemos todas as palavras e orientações recebidas durante a sessão, saímos do centro achando que nossa missão e papel terminaram ali e conseqüentemente não aplicamos o nosso aprendizado.

Iniciação à Escrita Mágica Divina


Iniciação à Escrita Mágica Divina
Rubens Saraceni / Ed. Madras
O texto que segue é parte do livro citado.

Apresentação

Amigo leitor, este livro de iniciação à escrita mágica divina é uma abertura parcial de um dos mais fascinantes mistérios da magia simbólica, toda fundamentada em símbolos e signos, muitos deles já conhecidos dos magos e usados por eles desde os primórdios da humanidade.
A magia simbólica sempre foi usada e o simbolismo tem inúmeros livros que procuram decifrar e ensinar seus significados e seus poderes às pessoas que os apreciam e os usam, seja como talismãs protetores ou repulsores de energias negativas e entes trevosos.
Talismãs e pantáculos mágicos sempre foram e sempre serão usados pelas pessoas que creem nos seus poderes. Mas um pantáculo não consagrado corretamente às divindades inscritas nele com certeza será somente um belo adorno e nada mais.
Cópias modernas de antigos pantáculos mágicos são inoperantes porque estão desconectadas das divindades que ativam os símbolos e signos mágicos ou cabalísticos inscritos neles.
Este nosso livro é um início à escrita mágica divina e esperamos que você, amigo leitor, após lê-lo, descortine um pouco do magnífico mistério das antigas escritas mágicas.
Aqui, não terá a palavra final sobre este assunto, complexo e inesgotável, mas sim apenas um início ao fascinante simbolismo mágico.
Muitos autores já exploraram esse campo da magia e nos trouxeram várias elucidações, úteis e aplicáveis pelas pessoas que recorreram aos seus formulários de magia riscada simbólica.
Neste nosso livro abordamos a origem e a regência de alguns símbolos, signos e mandalas, inclusive ensinamos como usar alguns deles em seu benefício, caso você creia no poder realizador deles, certo?
O mistério das ondas vibratórias transportadoras de energias divinas cujos ―modelos‖ geram símbolos, signos e mandalas foi aberto para nós por mestre Seiman Hamiser Yê, sendo que em nenhum outro livro de magia riscada simbólica encontrarão algo sobre elas, seja de autores brasileiros ou estrangeiros, já que era assunto fechado do astral superior e era totalmente desconhecido por todos os que usavam a magia riscada ou escrita mágica em seus trabalhos de alta magia ou magia teúrgica.
Pesquisamos dezenas de livros de magia e nenhum deles comenta as ondas vibratórias irradiadas pelas divindades e que se espalham por todo o Universo, ocupando todos os quadrantes da criação divina, infinita em qualquer sentido.
Esperamos que ele seja útil aos apreciadores da simbologia e às pessoas que trabalham com a magia riscada, mas que o seja também a você, amigo leitor, pois em um capítulo especial daremos algumas ―magias riscadas‖ para que você as use em seu benefício.
Tenha uma boa leitura e um bom aprendizado porque as ondas vibratórias comentadas amplamente aqui têm muito a ver com a física quântica e com a ―teoria das supercordas‖, confirmando o que nos foi dito há muitos anos por um mestre espiritual:
— Filhos, a química moderna é a antiga alquimia, e a física moderna é a antiquíssima magia, assim como a magia riscada é a pura geometria divina, usada pelo Supremo Arquiteto na construção do universo físico e de todas as outras dimensões da vida que são em si verdadeiros universos paralelos ao material.
Comparem os fatores de Deus com as micropartículas e as ondas vibratórias com as ―supercordas‖, e vislumbrem como Deus é infinito em si mesmo e em tudo o que criou para nós.
Introdução
Os Tronos de Deus são as divindades responsáveis pela evolução dos seres, aos quais regem religiosamente sempre segundo as ―feições‖ humanas que lhes têm sido dadas pelos sacerdotes das muitas religiões já semeadas na face da Terra.
Os Tronos transcendem nossas concepções humanas acerca deles porque são em si mistérios de Deus, sendo que cada um é uma das qualidades D’Ele e atuam em campos específicos da vida dos seres.
Uns são Tronos da Fé, outros são Tronos do Amor, outros são Tronos da Justiça, outros são Tronos da Lei etc.
Então, temos as hierarquias dos Tronos de Deus, cada uma responsável por um aspecto da criação e por um sentido da vida.
Temos sete hierarquias religiosas muito bem definidas ou sete linhas de ação e reação.
Essas sete irradiações divinas correspondem ao Setenário Sagrado que rege o nosso planeta e suas muitas dimensões da vida aqui existentes, todas elas habitadas por bilhões de seres naturais, não encarnantes, que seguem uma evolução vertical e que nunca são adormecidos e não têm interrupção na aprendizagem, como acontece conosco, os espíritos encarnantes.

Um Exemplo de Trabalho de Exu na Umbanda



Um Exemplo de Trabalho de Exu na Umbanda
Por Mãe Iassan - Dirigente do Centro Espiritualista Caboclo Pery



OBS: Essa história foi contada pela Pomba Gira Maria Padilha das 7 Encruzilhadas que trabalha na Egrégora do CECP, visando explicar algumas dinâmicas de trabalho.

Os personagens dessa história receberam nomes fictícios.


Carlos se dirige a um Centro de Umbanda aconselhado por um amigo, pois a sua vida está bastante complicada. Sua mãe vive doente, já tendo ido a diversos médicos sem sucesso na cura. O seu pai foi demitido da empresa que trabalhava há mais de 25 anos e vive deprimido e chorando pelos cantos. Ele mesmo desempregado há três anos, vê o seu filho adoecer sem condições de comprar o medicamento. A sua esposa, única ainda empregada, apresenta sérios indícios de fadiga mental e física.

Ao chegar no centro descobre que é dia de consulta com Preto Velho. O seu amigo Cláudio, vai explicando a rotina da casa e como ele deve agir e pedir na hora da consulta.

Chega finalmente a sua vez de se consultar, o seu pensamento está coberto de dúvidas, achando que estava chegando ao fundo do poço ao se dirigir a um terreiro de macumba, falar com uma pessoa que nunca viu antes na vida e abrir o seu coração, suas dúvidas e temores. Num primeiro momento acha graça da posição do médium todo curvado e do jeito de falar, não consegue se aquietar, mas o Preto Velho vai aos pouquinhos ministrando alguns passes e por fim Carlos começa a se abrir.

O Preto Velho a tudo ouve, manifestando de tempos em tempos palavras encorajadoras para o aflito Carlos.

Carlos não entende o por que, mas enquanto ele fala, o Preto Velho vai estalando os dedos em volta dele, olha discretamente para o copo d’água ao lado da vela, joga para cima a fumaça de seu cachimbo, e assim vai firmando e passando as informações para os guardiões que pertencem a egrégora da Casa, que através dos Exus de trabalho partem com a velocidade do pensamento para a casa de Carlos.

Alhandra: a “cidade jurema” da Paraíba



Alhandra: a “cidade jurema” da Paraíba



Os índios sempre foram lacunas na historiografia paraibana, portanto fazer uma história que remonta a uma aldeia indígena do litoral da Paraíba não é nada fácil, pois as informações são poucas e as que existem são lacunares e muitas vezes contraditórias. Ao tentar construir a História da Vila de Alhandra, partimos da idéia de que o índio é o motivo de sua elevação à primeira Vila da Paraíba, se tornando parte principal dessa trama. Contudo, o reconstruir da História desse povo se faz no remonte de histórias e na análise dos discursos, na tentativa de entender esses primeiros habitantes do território que hoje corresponde a Paraíba.

Na Paraíba a população estimada, no século XVI, era de 100 mil índios (MELO, 1999). No litoral viviam os índios pertencentes à Tribo dos Tupis, os quais se dividiam em dois grandes grupos, os Tabajaras e os Potiguaras. Já na região do interior, ao longo dos rios do Peixe, Paraíba e Piancó, se fazia presente a Nação dos Kariris, que tinha uma grande variedade de tribos, enquanto no sertão, Seridó, Curimataú e parte dos Kariris Velhos, concentrava-se o grupo dos Tarairús. Essas informações provêm de José Elias Barbosa (1984), um dos poucos a falar da existência do grupo dos Tarairús na Paraíba.

Os índios que viviam no território do atual Estado da Paraíba viviam da caça, pesca e coleta, praticando uma agricultura primitiva, basicamente de mandioca, milho, fumo e algodão. A maioria deles eram nômades e sua organização social se dava:


... sob a forma de tribos, compostas por varias aldeias, que reuniam os indivíduos em função de algum tipo de trabalho ou da guerra. A organização do trabalho se baseava no sexo e na idade dos componentes do grupo [...] As mulheres se ocupavam de todas as tarefas relacionadas com a manutenção da aldeia e com a produção de alimentos para as pessoas que nela viviam.[...] Os homens preparavam a terra para o plantio, derrubando a mata, fazendo a queimada e destocando. Também caçavam, pescavam, fabricavam armas e construíam as casas e canoas. (CAVALCANTI. 1996, p. 20)

Vale destacar que todo trabalho era coletivo, assim como a distribuição de tudo o que era por eles produzidos. As crianças eram inseridas na vida da aldeia acompanhando os adultos em suas tarefas. Quanto às tradições essas eram passadas oralmente de geração em geração, de modo que a importância dos mais idosos era de grande relevância, pois eles eram os responsáveis pela transmissão dos costumes, das tradições, dos rituais, pela manutenção da cultura indígena (Op. cit., p. 20). Isso é um pouco, ainda que superficial, do que podemos hoje saber desses povos que aqui moravam antes da chegada dos colonizadores, pois a partir da chegada desses, nada seria como antes, o contato dessas diferentes culturas, mudou não só a vida dos índios, mas também a própria vida do europeu.

Com a chegada dos portugueses, a vida dos nativos não, de inicio alterada, pois a principio os colonizadores só exploravam o pau-brasil, utilizando a mão-de-obra indígena, através do conhecido escambo. Porém quando os portugueses decidem povoar essas terras e implantar a agricultura, as coisas começam a tomar outros rumos e os índios começam a sofrer interdições na sua cultura das mais variadas formas.

Os bastidores do Livro dos Espíritos

Os bastidores do Livro dos Espíritos
Saiba como um professor de ciências investigou as mensagens dos espíritos para fundar uma doutrina na Paris do século 19

por Texto Artur Fonseca (Revista SuperInteressante)

Na sala principal de uma mansão em Paris, um grupo de senhores elegantes observa em silêncio a garota de 14 anos. Julie Baudin está sentada em frente a uma mesa redonda e segura um estranho objeto – uma cesta com um lápis encaixado na borda, que risca letras em espiral. Cada palavra é analisada atentamente por um dos homens. A garota parece não saber por que os adultos olham para ela tão concentrados – volta e meia ela ri e faz algum comentário engraçado. Suas mãos, porém, desenham no papel frases que em poucos meses irão fundar uma religião: o espiritismo.

Publicado pela primeira vez em 1857, o Livro dos Espíritos foi organizado em cerca de 20 meses pelo professor francês Allan Kardec, que coordenou longas reuniões com médiuns, fazendo perguntas a eles e colhendo respostas que acreditava vir dos espíritos. Dos vários médiuns que contribuíram para o livro, 3 garotas se destacam. Julie e Caroline Baudin, de 15 e 18 anos, e Ruth Japhet, de 20. Organizando as respostas para 501 perguntas sobre o Universo, Kardec criou a doutrina e visão de mundo do espiritismo, fazendo dele muito mais que uma diversão da burguesia parisiense.

Na época, os fenômenos mediúnicos serviam como passatempo nos salões de Paris, que começava a ganhar ares cosmopolitas. A partir de 1850, a cidade passou por uma grande reforma. Ruelas medievais e casebres deram lugar a avenidas largas e bulevares que convergiam no Arco do Triunfo, símbolo da força da modernidade e da nova burguesia francesa. Com novos parques, a cidade se preparava para virar o século como a Cidade das Luzes. Era tempo de revolução industrial e descobertas científicas, que tornavam o homem capaz de explicar e interferir nos fenômenos ao seu redor. Ou em quase todos.

Espíritas ou espírolas Por Joana Abranches



Espíritas ou espírolas
Por Joana Abranches

Já faz algum tempo, uma antiga vizinha sem papas na língua, me vendo sempre às voltas com atividades na Casa Espírita, um dia não resistiu e em meio a uma conversa acabou "soltando" que eu era "muito carola!" Levando a coisa na farra, tentei argumentar: - "Mas eu sou espírita e não católica..." Ela aí­ não titubeou: - "Então é espirola."

O pitoresco virou piada, mas trouxe à tona uma séria questão: até onde nós, espíritas, estaremos descambando para o igrejismo e a superficialidade?

Temos visto Grupos tão obsecados com assiduidade e pontualidade, tão cheios de regras, critérios, exigências e uma intolerância tal, que mais parecem a velha e inquisitorial igreja romana da idade média que oficinas fraternas de estudo e vivência do Evangelho de Jesus.

Onde foi que perdemos o rumo da fraternidade? Que paramentos invisíveis ainda nos fazem oscilar entre a pseudo-superioridade dos sacerdotes e a submissão dos beatos?

Em um dos costumeiros papos fraternos com meu saudoso amigo Palhano Jr.., uma vez questionei: - Por que será que os espíritas se degladiam tanto por cargos, até mesmo naqueles grupos minúsculos que ficam lá onde Judas perdeu as botas?... Bem-humorado, como sempre, ele me respondeu com uma risadinha marota: - "A briga é pelo poder sobre as almas, minha cara. Muitos espíritas ainda se alimentam da autoridade clerical que tinham, quando nas fileiras do catolicismo. O poder vicia."

Mãe Iassan fala sobre alguns atendimentos na Umbanda



Mãe Iassan - Dirigente do CECP


Recebemos algumas solicitações de auxílio para a compreensão dos motivos que os relacionamentos amorosos não estão “dando certo”, ou porque a pessoa está sofrendo a atuação ou ataque de espíritos trevosos ou obsessores.


As pessoas ao fazerem a explanação dos seus problemas, invariavelmente dizem não entender o porque das coisas, e ouvimos coisas do tipo:


· Há cerca de 2 anos conheci e comecei a namorar um homem, que se diz apaixonado por mim, embora ainda casado, eu adoooro ele e não tenho problemas pelo fato dele ter família...


· não sou uma má pessoa, não quero fazer o mal pra ninguém...


· o que eu fiz pra merecer isto?


· Não consigo entender a implicância da minha mulher para que eu tome um chopp com meus amigos num barzinho... eu sempre fiz isso... desde minha época de solteiro... por que ela insiste em me mudar???


Como é fácil colocar a "culpa" no outro, não é verdade? Como é fácil ver como “natural”, o que fazemos e como absurdo ou errado o que os outros fazem, não é mesmo?


E me pergunto: como será que as pessoas que se relacionam com alguém casado se sentiriam se estivessem no lugar do cônjuge traído? Como essas pessoas que saem de casa para “tomar um chopp com os amigos”, abandonando os compromissos assumidos, se sentiriam se o seu parceiro ou parceira fizesse a mesma coisa?


Sem dúvida, são todas pessoas “boas” que não “fazem mal a ninguém”, que só querem “viver em paz”, mas que também não fazem bem nenhum a ninguém. São apenas egoístas... e presunçosas. Egoístas pois só pensam em seu próprio prazer e satisfação e presunçosas porque tem opinião demasiado boa e lisonjeira sobre si mesmos, imodestas, vaidosas.


Será que elas acham que atitudes egoístas, presunçosas, interesseiras, escusas, envolvem apenas a si mesmas? Será que pensam que não atrairão companhias invisíveis que vibrem na mesma faixa de interesses? Será que pensam que fazerem apenas o que desejam e sentem vontade não magoará ou desrespeitará ninguém?


Obsessor só se aproxima de nós se houver algum tipo de afinidade. Não fazer o mal a ninguém não é garantia de mantermos espíritos trevosos longe de nós. Não é só ódio, revolta, raiva que atraem obsessor. Indolência, egoísmo, volúpia, desrespeito com o sentimento do próximo também atraem. E essas pessoas ainda perguntam o que fizeram para “merecer isto”... procuram os terreiros de Umbanda, considerando tudo uma grande injustiça; quando não afirmam categoricamente que a esposa esquecida em casa , ou a mulher do seu amante está fazendo macumba!!! Como se os terreiros de Umbanda fossem “Tendas de Milagres” e tivessem obrigação de resolver os problemas que elas mesmas criaram.


Aí ouvem um “sabão” da entidade que foram se consultar e ainda saem dizendo que o terreiro não presta... e coisas do tipo: “Vou lá naquele pai de santo que cobra “X” reais para desmanchar esse feitiço. Pago e me livro disto!! Essa lenga-lenga de “orai e vigiai” não é prá mim pois não estou fazendo nada demais... só quero ter uma vida normal, poxa!”


É meu amigo(a)... que pena que pense assim, pois o tal “pai de santo” vai certamente “resolver” o seu problema, atraindo mais desgraça para sua vida. Mas tudo bem, né? Afinal você só quer que a sua mulher cale a boca ou que o seu amante largue a mulher e família dele, não é mesmo?


Caso você mude de ideia ou perceba que tudo ao invés de melhorar e se resolver, piorou e queira melhorar-se e tentar aprender a respeitar a importância de um amor na vida de todos nós, o respeito ao próximo, melhorar-se para ser um(a) bom(a) marido/esposa e pai/mãe de família, melhorar-se para poder realmente ser feliz, seja em qualquer aspecto de sua vida, lembre-se daquele terreiro onde uma entidade tentou lhe mostrar isso através daquilo que considerou um “sabão”, mas que na realidade foi apenas um convite para receber um auxílio, para ser uma pessoa melhor, caridosa, atenciosa, amorosa e não egoísta e interesseira. Onde a entidade tentou mostrar a você que embora você fosse o principal causador da sua infelicidade, havia uma chance de tudo melhorar ... haveria um preço, é verdade, mas que não era um preço a ser pago em dinheiro, mas sim em empenho pessoal seu, em dedicação e em humildade para reconhecer-se imperfeito.



Lembre-se... você foi um dia a um Terreiro de Umbanda, cuja proposta sempre foi e será de nos auxiliar a aprender a sermos humildes e caridosos. Nos amparando nos momentos de dor, mas também nos lembrando constantemente que somente através do respeito, da caridade e do amor conseguiremos ser pessoas melhores e felizes, proporcionando-nos oportunidades únicas de fazermos o bem a quem quer que seja, inclusive aquele(a) que julgamos ser quem está nos “atrapalhando”.
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