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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Rituais de Umbanda - Casamento –




Rituais de Umbanda - Casamento –

O casamento é um ritual de força, poder e magia pra vida dos noivos, que querem se consagrar diante de Deus e dos Orixás, o casamento é um ritual no qual se pede o amparo para a vida a dois, é um ritual de passagem.

Rituais de passagem são aqueles que marcam momentos decisivos e importantes na nossa vida. O batismo é um ritual de passagem que marca o nascimento ou a conversão de um religioso.

O casamento é um ritual de passagem em que os noivos estão dizendo para a sociedade que dali para frente eles caminham religiosamente, socialmente e emocionalmente juntos. É um ritual em que dois se tornam um, é um ritual em que é feita a aliança.

 O ritual do casamento é também um momento social, tanto que hoje em dia muitas pessoas contratam um mestre de cerimônia para fazer um evento social de casamento sem o peso da ritualística religiosa.

 Muitos casais não têm religião, mas querem fazer um evento social, querem fazer um ritual social de casamento, contratam um mestre de cerimônia, esse mestre de cerimônia vai fazer uma preleção, ele pode falar em nome de Deus porque qualquer pessoa pode falar em nome de Deus, não só um sacerdote.

Pode-se falar em nome de Deus independente das religiões, das pessoas que estão ali num contexto social perante o que é sagrado para cada uma das pessoas presentes, o mestre de cerimônia diz que esse casal está ali para compartilhar com todos esse momento tão especial onde eles vão fazer a troca de votos, os seus votos perante o que é Deus, o que é sagrado, o mundo, a natureza seja lá ou aquilo que você entende que é sagrado para você.

Hoje existem casamentos ritualisticamente realizados por força da vontade, da necessidade ou do desejo de realizar o evento social. A mulher, a noiva, ela não tem uma religião, mas ela sonha em entrar de noiva no dia do seu casamento, mas não quer a hipocrisia de entrar de noiva no Templo de uma religião que não é a sua, então, para isso se fazem hoje rituais de casamento não segmentado fora do contexto desta ou daquela religião, mas que tem um valor espiritual, um princípio.

Independente de ter ou não religião, as pessoas querem unir os amigos e marcar aquele momento como o momento do enlace cerimonial, essa vontade é independente até de você ter ou não uma religião e com o mestre de cerimônia você tem a liberdade de fazer como você achar melhor para realizar um ritual de passagem social e simbólico.

Isso é ancestral no ser humano, os rituais de casamento existem em todas as religiões, em todos os segmentos, até os Espíritas que são formalmente contra toda e qualquer forma de ritual, eles costumam fazer uma reunião social, fazer uma preleção sobre os valores dessa união, do casamento e anunciar que aquelas pessoas se casaram no civil e estão ali compartilhando a sua felicidade. Logo, não foi esta ou aquela religião que inventou o ritual do casamento, é ritual ancestral, antropológico, desde que o homem é homem ele se une a uma mulher e isso se torna algo marcante na sua vida, ele ritualiza tudo que é importante, quando você quer marcar a importância de algo na sua vida você ritualiza, você organiza um ritual.

Na Umbanda quem realiza o casamento costuma ser o sacerdote que tem investidura, outorga pra realizar o ritual do casamento na Umbanda. Em alguns Terreiros de Umbanda um Caboclo, um Preto Velho, às vezes outra entidade que realiza o ritual, mas, o sacerdote é aquele que deve realizar o ritual, nenhuma religião criou o ritual do casamento, ele é algo ancestral. É sim um ritual então tem uma simbologia, força, poder.

Quem faz o casamento?

São os noivos. Porque o casamento acontece de fato no momento em que há uma troca de votos, de aliança perante Deus, é isso que faz o casamento acontecer.

Que mistério acontece no casamento?

 O mistério da união em que dois se tornam simbolicamente uma única pessoa.

O que é que propicia essa união? O que permite que essa união aconteça? Que dois se tornem um?

É o amor, o amor é o que propicia essa união, é o sentimento de amor mais profundo, sincero e mais transparente que torna essa união um fato, que torna isso real, é estar ali na sua verdade, na sua transparência para o outro, se unindo, querendo, desejando que essa vida a dois seja uma única vida e para isso é preciso ter muita maturidade.

Um dos maiores crescimentos que o ser humano pode ter é dentro de um casamento, quando os dois estão interessados em crescer, quando os dois estão interessados em ouvir.

Há um mistério que se manifesta, há algo que acontece na cerimônia, estamos diante de Deus e dos Orixás, diante de um altar. O mestre de cerimônia faz o casamento como lhe convier, como convier aos noivos. Na Umbanda nós fazemos o ritual diante de um altar, no templo da religião ou na natureza, no templo dos Orixás: na praia, na cachoeira, no rio, na mata ou no Terreiro, no Templo.

Lá as divindades estão presentes simbolicamente e energeticamente, vibratoriamente por meio do altar pela presença de nossos Guias e Orixás, diante desse poder, desse mistério, um noivo e uma noiva estão trocando os seus votos de amor.

Casamento é para a gente aprender um com o outro, casamento não é para amarrar, para segurar, pra prender, quem está junto está porque quer quem ama não agride.

Qual o objetivo de casar? Para que o casamento?

 As pessoas dizem: “O casamento, a família é uma instituição falida, ninguém mais quer se casar”, o problema não é que ninguém mais quer se casar, do ponto de vista religioso, a questão é: Você tem uma religião? A Umbanda é a sua religião? Você ama essa pessoa? Você é amado? Você quer aprender a viver essa vida do lado de alguém? Junto com alguém? Você está disposto a isto? Você está pronto e preparado para viver com as dificuldades do outro? Você está pronto e preparado para aprender a ouvir? Porque é algo que a gente tem que aprender. Você está pronto para exercitar a paciência, você quer tudo na vida com essa pessoa? Além da sua paixão, existe um amor? Para que quando os anos passarem, a juventude for embora e esse fogo diminuir ainda haja um amor para que essa pessoa continue sendo sempre o seu namorado e a sua namorada, seu homem, sua mulher, seu marido, seu amante, seu companheiro, sua companheira, seu irmão, seu amigo.

Você está pronto e disposto para ser tudo isso para o outro e o outro para você? Está disposto a viver a aventura da vida ao lado de alguém? De saber que você vai magoar a pessoa que você ama? Porque é impossível não magoar, mas que você deve saber pedir desculpas, deve ter humildade de ouvir, deve aprender a ouvir o outro dizer “Você me magoou”, sem ficar se defendendo e justificando porque você magoou simplesmente ouvir “Você me magoou”, pedir desculpas e tentar fazer melhor.

O propósito do casamento, de uma união, é querer aprender a viver ao lado de alguém porque essa pessoa é muito especial, o casamento é a base dos valores de uma sociedade, no momento que há essa união sincera, esse amor e no momento que junto dessa vida existe uma religião, uma religiosidade, você comunga os valores da espiritualidade, você compartilha a presença de Deus, dos Guias e Orixás na sua vida, então, é natural que você queira uma benção oficializada dos Orixás e Guias da Umbanda, a benção da sua religião, a benção do seu pai de santo, da sua mãe de santo, do seu dirigente, do seu sacerdote.

 Você quer chamar todos os parentes para naquele momento realizar um ato ritualístico, você quer pedir proteção e força aos poderes, as forças da natureza de Deus, força e proteção para afastar toda e qualquer influência negativa dessa união, pedir que todas as ligações negativas passadas suas, do noivo ou da noiva sejam cortadas, anuladas para não influenciar o presente, pedir essa benção, esse amparo para realizar esse ritual de casamento.

Temos um modelo de casamento Católico que influenciou a Umbanda, no modelo de casamento Católico o casamento é realizado dentro da igreja, há troca de votos, há a troca de alianças, temos um modelo de ritual em que você tem noivo, noiva e padrinhos.

Não faça o casamento religioso por uma convenção social, faça um casamento religioso como quem realiza um ritual de força e poder para a sua vida, como quem chama uma proteção pra essa união.

Há o casamento civil e o casamento religioso. O casamento civil é realizado num cartório e é regulamentado pelas leis, estaduais e municipais, o correto é: realizar o casamento religioso para quem já fez o casamento civil.

A Umbanda faz casamento homossexual desde que o Estado realize casamento homossexual a Umbanda pode realizar também.

É importante que antes do casamento religioso seja feito o casamento civil porque se vai casar, então, case de fato e de direito e não só apenas de forma religiosa. É muito fácil chegar ao Terreiro e falar “Ah eu quero fazer meu casamento”, mas a pessoa não toma as atitudes civis com relação a isso perante a lei, perante a legalidade. Então, o correto é: faça o casamento de fato.

domingo, 19 de julho de 2015

Rituais de Umbanda: – Batismo –





Rituais de Umbanda:  – Batismo –

O que é o batizado?

 Por que nós fazemos batizado?

Qual é a origem do batizado?

O batizado é um ritual essencialmente cristão, não existe o batizado no judaísmo, no Islã, no Budismo, no Candomblé, você tem alguns rituais de iniciação, mas não o batizado da forma como nós entendemos.

A presença do batizado na Umbanda evidencia o quanto essa religião Brasileira bebeu no cristianismo e o quão forte é a influência cristã na Umbanda ao ponto de possuir, de ter e exercer o ritual essencialmente cristão que é o batizado.

Qual a origem do ritual do batismo?

Onde surgiu esse ritual?

A origem do batismo nos remete a própria história de Cristo é um momento no Evangelho, na vida de Cristo, em que ele encontra João Batista e Jesus naquele momento é batizado nas águas do rio Jordão.

O que significa o ritual de batismo para Jesus naquele momento?

O que significa o ritual de batismo para João Batista?

 Inclusive o nome do ritual batismo é derivado de: João Batista, daí vem o nome: ritual de batismo, ritual de batizado, vamos contextualizar a questão do batismo na sua origem.

Jesus era Judeu, João Batista era Judeu vivendo numa época em que os Judeus estão sob o domínio de Roma, numa realidade Judaica que nós conhecemos por meio da história e da cultura Católica, Cristã, Teológica, dogmática, se fala da cultura Judaica e da religiosidade Judaica é que nessa época o Judaismo está estruturado religiosamente em torno do Templo de Jerusalém – tem um contexto histórico, o primeiro Templo da cultura Judaica é o Templo de Salomão onde estava ali a Arca da Aliança, esse Templo é destruído pelos Babilônicos, depois é reconstruído quando tem a libertação dos Judeus no momento em que os Persas dominam a cultura Babilônica, o Templo é reconstruído e aí na época de Jesus existe uma cultura religiosa em torno desse Templo, existe um sacerdócio em torno do Templo de Jerusalém e que está construído em cima de uma Teologia Judaica, na qual exercem o sacerdócio aqueles que são os descendentes da tribo de Levi dentro da cultura Judaica. Jesus é da tribo de Judá, não poderia exercer o sacerdócio, Jesus é um homem do campo, é praticamente um camponês, é um homem do povo.

Por mais profundidade que Jesus tenha nas escrituras do Velho Testamento que é a Torá como Judeu, ele não é um sacerdote da estrutura Judaica no Templo de Jerusalém. Ele é um Rabi, um livre mestre e pensador dos conhecimentos, dos ensinamentos dessa cultura religiosa Judaica. Então, ele é um livre pensador, ele traz uma nova maneira de pensar religiosidade, por mais que ele diga “Eu não vim contradizer a lei. Eu vim fazer cumpri-la”, em vários momentos Jesus demonstra que pensa diferente da lei. A lei de Moisés é a lei de Talião, a lei do “olho por olho, dente por dente”, isto quer dizer: se alguém te arrancou um olho, você vai lá e arranca o olho dele; se alguém quebrou o seu dente você vai lá e quebra o dente dele. Essa é a lei de Talião.

E Jesus prega a lei do Amor: se te bateram numa face, dê a outra face. Isso é contra a lei de Talião. Jesus em vários momentos demonstra que traz uma nova lei, a lei do amor, existem passagens em que Jesus demonstra um novo pensar, uma conscientização de uma nova forma de pensar religião e religiosidade, menos presa a hierarquia, menos presa a estrutura do Templo – que no futuro será uma contradição para a religião Católica – e menos presa a questão dogmática.

Quando dizem “Rabi, você está trabalhando no sábado?”, ele diz “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”, “Rabi você está comendo coisas proibidas?”, “Mais importante é o que sai da boca do que o que entra na boca”, “Rabi vamos apedrejar a mulher adúltera”, “Atire a primeira pedra quem não tem pecado”, então, isso é contra a lei radical mosaica, mas é dentro de uma nova estrutura, de um novo pensamento filosófico Judaico, não quer dizer que se choca frontalmente, em algumas questões sim, mas quer dizer que tem uma flexibilidade, outro olhar, um novo olhar.

Há um contexto de época em que os Fariseus tomam conta dessa realidade religiosa e política Judaica e eles têm conchavas com o governo Romano para exercer o seu poder, eles são os chefes, são aqueles que mandam - que mandam prender, que mandam soltar – e Jesus chega com uma nova filosofia, com um novo olhar, ele arrasta uma multidão, ele é uma ameaça aos senhores do poder.

Ele tem uma nova forma de pensar religião, uma forma mais espiritualista, mais solta, menos dogmática, ele não é o único que pensa assim. Existem comunidades – vamos dizer: comunidades alternativas – do Judaísmo em torno dessa cultura, segmentos alternativos dentro desses segmentos a gente pode dar o exemplo do segmento dos Essênios.

Quem eram os Essênios?

 Eles eram um grupo de Judeus religiosamente alternativos, os Essênios vestiam roupas brancas.

Tinham a convicção de que o Templo de Jerusalém estava impuro e que aquela casta religiosa dos Fariseus estava corrompida, os Essênios buscavam uma pureza, viver na pureza de sentimentos, de valores, na transparência, na verdade e João Batista não era necessariamente um Essênio, mas ele fazia parte de uma comunidade, liderava uma comunidade que pensava da mesma forma que os Essênios, que o Templo estava impuro, essas comunidades alternativas Judaicas criaram rituais de limpeza e purificação.

Para adentrar a uma destas comunidades, fazer parte, a primeira coisa é se limpar, se purificar, aí nasce o ritual do batismo.

A comunidade dele, João Batista, não é a única, existe a comunidade dos Essênios e outras comunidades mais sendo que a comunidade dos Essênios é mais conhecida, porque até hoje existe a polêmica: João Batista era ou não Essênio?

Descobertas Arqueológicas cruzadas com fundamentos Teológicos dizem que João Batista tem muita coisa em comum com os Essênios, mas ele não era essencialmente Essênio.

Jesus Cristo criou uma nova vertente livre, liberta, que não é a mesma de João Batista e João Batista provavelmente tem muita coisa em comum com os Essênios, mas não é também um Essênio porque algumas coisas são em comum e outras coisas não.

No entanto, João Batista reconhece a envergadura espiritual daquele homem: Jesus Cristo – que, aliás, o seu nome não era esse, o nome é: Yashua – Jesus é um nome Romano pra aquele que é um Judeu, que falava o Aramaico: Yashuá ou Yeshua ou Yashua ou Yoshua, nós não temos a pronúncia exata, mas Yashuá: Jesus, um nome que é relacionado também ao ato de curar, de libertar.

Jesus encontra João Batista que reconhece a envergadura espiritual daquele homem que está na sua frente e o batiza. O que é aquele ritual no rio Jordão?

Era um ritual de limpeza e purificação e João Batista fazia com todos que iriam fazer parte da sua comunidade, ali Jesus é batizado, ele é purificado, ele é limpo, nessa passagem Bíblica se diz que naquele momento foi possível ver a manifestação do Espírito Santo em forma de uma pomba, dizem que ali Jesus recebeu o Espírito Santo, alguns pontuam que dali pra frente Jesus se tornou o Cristo.

Cristo quer dizer o ungido, seria a tradução do conceito Judaico de Messias, então, se diz que ali Jesus recebeu o Espírito Santo, ali ele foi abençoado, recebeu algo por meio desse ritual: o batismo. Acredita-se que Jesus trouxe esse ritual para sua comunidade, para seus apóstolos para que eles perpetuassem esse ritual que ali significa isso: limpeza, purificação, iniciação feito no rio.

Os seus apóstolos e discípulos teriam recebido de Jesus também esse batismo, essa iniciação que vai se perpetuar dentro de uma Instituição Romana está lá Jesus Judeu, trezentos anos mais tarde é que vai surgir uma Instituição Romana, Igreja Católica Apostólica Romana, trezentos anos mais tarde com um ritual forte de batismo e que essa Igreja chama para si uma linhagem hierárquica, dizendo: Jesus preparou Pedro, Pedro preparou discípulos, seus discípulos prepararam outros discípulos que prepararam outros discípulos por meio do ritual do batismo e da investidura sacerdotal, não pela linhagem de Levi, mas pela linhagem de Melquisedeque. Na qual, não importa de que tribo você é em que um sacerdote dá investidura sacerdotal para o outro sacerdote até o ano 300.

O que é que o batismo vai significar para essa instituição, Igreja, que trouxe os fundamentos religiosos de base de uma cultura Judaica alternativa – para não dizer de uma seita judaica – tornada a religião Romana num sincretismo Quer dizer que Umbanda é sincretismo? Judaísmo não foi um sincretismo? Moisés era um Judeu que foi criado para ser Egípcio e Pós Graduado na cultura Egípcia do seu sogro Jetro. Jesus era um Judeu, a igreja Romana e nós é que fazemos sincretismo.

Toda religião é sincrética porque bebeu em outras fontes.

Surge ali uma nova religião Romana que tem a sua ritualística, a igreja Católica tem uma ritualística, o seu ritual de base é a missa, o mistério maior que lembra o reviver, na qual o fiel comunga do sangue e do corpo de Cristo e nos seus pilares, dentro dos pilares ritualísticos, dos ritos da igreja nós temos: o Ritual de Batismo, o Ritual de Casamento e o Ato Fúnebre.

 O que é o ritual de batismo para a igreja Católica?

 É uma base fundamental tanto que se criaram alguns tabus com relação ao batismo, criaram-se algumas verdades relativas ao ponto de quando uma criança nasce um parente, um amigo ou os avós já perguntam: “Já batizou? Já levou essa criança pra batizar na igreja Católica?

Crêm que se não batizar, essa criança vai ficar pagã. É muito perigoso a criança não batizada, ela pode sofrer várias influências negativas porque é uma criancinha pagã. Se a criança que nasce numa cultura Católica não é batizada, ela está em pecado.

O significado de limpeza e purificação não está mais relacionado com o contexto de época que tinha quando Jesus foi batizado por João Batista.
Agora, a igreja ensina a questão de pureza e impureza: todos são impuros, todos nasceram impuros e em pecado, somos herdeiros do pecado de Adão e Eva e até uma criança que desencarna sem batizar, vai para o limbo, ela não vai para o céu se não foi batizada.

A igreja Católica Apostólica Romana, em sua Teologia, explica porque batizar: para te livrar do pecado, esse é o fundamento de uma Teologia do terror, do terrorismo, batize porque se não batizar você está em pecado, se não batizar você é pagão.

 O que quer dizer pagão?

Pagão quer dizer aquele que vive no campo e que cultua Deus e as forças da natureza no campo, o pagão é aquele que não está dentro do Templo, não faz parte da comunidade religiosa daquele Templo por isso o pagão é considerado um herege – herege é aquele que está contra os nossos valores – faz lembrar outra palavra: o opositor.

Nisso há um contrassenso, a pessoa nunca foi à igreja, não frequenta a igreja, nunca assistiu uma missa, só vai à igreja – olhe lá – quando tem casamento e quando lhe perguntam a sua religião, ela diz: “Sou Católica”, “Por que você se considera Católico?”, “Porque eu fui batizado”, “Mas, você não pratica essa religião”, “Ótimo, sou Católico não praticante”, é só no Brasil que existe esse negócio. Como é que você pertence a uma religião que você não pratica?

Como é que você pertence a uma religião se você não comunga dos valores daquela religião? Você é Católico, então, me diga você acredita na virgindade de Maria? Você acredita na inefabilidade do Papa? Você acredita que sexo é só para procriação? Você acredita que só pode fazer isso depois do casamento? Você é Católico, então, você acredita ou não nos dogmas da igreja Católica? Porque dizer: “Sou Católico porque sou batizado”, você está justamente fazendo parte de uma massa de manobra.

Tal terrorismo faz com que as pessoas batizem seus filhos mesmo sem serem praticantes da religião Católica porque buscam no ritual de batismo uma proteção. Agora, onde está a manutenção dessa proteção se você não faz parte daquela religião?

O sentido do batismo dentro da religião Católica é para afastar o pecado original, para que você não seja um pagão, que é o que se diz mais popularmente. E o outro sentido é: batismo é um ritual também de conversão.

Se você pertence a outra religião e agora você quer ser Católico, você deve passar pelo ritual de batismo porque é o ritual de conversão. Logo, batismo é ritual de iniciação, você está sendo iniciado naquela religião, esse é o sentido Católico do batismo.

Por que é que nós estamos falando do sentido Católico do batismo?

 Porque é um ritual essencialmente Cristão, é um ritual que foi modelado pela igreja Católica e a Umbanda absorve o batismo, não adianta falar “Ah a Umbanda não absorveu do Catolicismo, a Umbanda absorveu do Cristianismo”, acontece que todos os Umbandistas tiveram contato com o Cristianismo por meio da igreja Católica – estamos falando da origem da Umbanda: 1908 – o país tinha acabado de se tornar República, então, até pouco tempo esse país era oficialmente Católico.

O batismo chega à Umbanda por meio da religião Católica e na Umbanda o batismo vai ter certa liberdade, uma flexibilidade como ele será realizado dentro da Umbanda, o batismo será resignificado por quê?

 Porque nós Umbandistas não precisamos do pecado, não precisamos crer no pecado, não cremos no pecado, muito menos em pecado original.

Nós não batizamos pra tirar o pecado original, mas batizamos como ato de iniciação, limpeza, purificação e até de conversão. Mas, não é obrigatória a conversão pra alguém frequentar a Umbanda, logo o batismo não é um ritual imposto. É um ritual que surge de uma necessidade, de uma vontade natural que parte do coração dos frequentadores da Umbanda e que evocam o mistério Cristão, uma ligação com Cristo, o batismo é também uma iniciação dos mistérios de pai Oxalá.

O batismo na Umbanda é diferente do batismo no Catolicismo, mas é um ritual que vem do Catolicismo, um ritual Cristão, teve um contexto de época com João Batista, com Jesus, teve um contexto dentro da igreja, tem a sua importância, faz parte de uma doutrina de conversão, faz parte de uma Teologia, de uma doutrinação de angariar fiéis, de trazer as pessoas para a religião e acredita-se que por meio do batismo os pecados são perdoados porque você passa a estar sobre o amparo, a cobertura do mistério de Cristo e Cristo é aquele que perdoa os seus pecados porque ele derramou o seu sangue em nosso nome, Cristo foi à cruz por nós, ele é o último cordeiro.

A expiação dos nossos pecados é feita por meio da nossa fé em Cristo manifesta, concretizada por meio do batismo. Na Umbanda se não há pecado, se nós não precisamos da Teologia do pecado, nem do medo, nem do terror. No entanto, o batismo se mostra como um ritual presente e importante porque é um ritual de iniciação, o batismo é um ritual de limpeza, é um ritual de purificação, de conversão e a gente pode dividir entre batismo de criança e batismo de adulto.

Qual o sentido de batizar uma criança? Qual o sentido de batizar um adulto?

Batizar uma criança é trazê-la para o amparo e a força da egrégora da Umbanda, nós batizamos criança pela vontade dos pais, os pais tem ascendência sobre a criança, tem o direito de decidir os rumos da vida dessa criança até que ela se tornando um adulto tenha condições de ela própria fazer as suas escolhas.

Enquanto aquela criança não tem consciência e nem condição de fazer escolhas próprias, os pais têm todo o direito de escolher uma religião pra ela. Porque hoje em dia se fala muito assim: “É, quando meu filho crescer, ele escolher qual religião ele vai ter” e a questão é: até ele crescer ele não vai ter religião nenhuma. Como é que alguém vai escolher uma religião se não conheceu religião nenhuma?

A sua religião é saudável pra você? Se for saudável porque não trazer o seu filho para o seio da religião crendo que a relação com a Umbanda é uma relação saudável, se é uma relação saudável isso será saudável para seu filho e para a família.

Casar-se na Umbanda, batizar o seu filho, é trazer a religião para a família e não apenas para o indivíduo. A Umbanda dá uma liberdade muito grande, então, nós vemos Umbandistas que inclusive são casados com mulheres que pertencem a outra religião ou mulheres Umbandistas que são casadas com homens que pertencem a outra religião.

O Umbandista se casa com um Candomblecista, com um Evangélico, com um ateu, a Umbandista ou Umbandista se casa com uma pessoa ou dentro da família a mulher é Umbandista, o marido não é, o marido é Umbandista, a mulher não é pra Umbanda não tem problema. A Umbanda não obriga que a mulher converta o marido ou que o marido converta a mulher. A Umbanda nunca vai afirmar que na sua casa se o seu marido ou sua mulher não é da mesma religião nunca vai dizer que isso é um problema. Agora, se temos uma família onde marido e mulher são Umbandistas, então, isso é uma oportunidade de viver os valores da religião dentro de casa.

A Umbanda é uma religião libertadora, trazer esses valores pra família não é prender a família num falso moralismo, mas dar liberdade espiritual, uma liberdade de pensar e viver a espiritualidade com liberdade e trazer essa liberdade para a família, batizar o seu filho é trazê-lo para uma realidade espiritual de libertação que é a realidade da Umbanda que não é uma realidade dogmática, que não tem tabus, não tem dogmas e que não prega um falso moralismo, é trazer o seu filho para um amparo.

Batizar uma criança é trazer essa criança para a egrégora da Umbanda, não é um ritual de conversão, é um ritual de amparo, de recebimento, de acolhida da criança na Umbanda. O batismo se torna um ritual de conversão quando você está batizando um adulto.

Ao batizar um adulto você tem um ritual de conversão, ele era Católico e agora ele está praticando a Umbanda.

E até o médium da corrente não se sente Umbandista sem batismo, ele tem a necessidade de passar por um ritual, de fazer um ritual de passagem, um ritual de transformação íntima, um ritual que vai realizar por ele, que vai fazer com que ele passe a se sentir Umbandista, o batizado faz isso.

 O ritual do batizado faz com que a pessoa se sinta Umbandista.

E o ritual de batismo é um ritual de conversão porque antes você pertencia a outra religião, ou de aceitação porque agora você está sendo recebido na Umbanda, é um ritual de limpeza, de purificação porque é um ritual no mistério do pai Oxalá, é também uma iniciação no mistério de pai Oxalá, as maneiras de fazer esse ritual, são muitas, o batizado pode ser realizado dentro do Terreiro, o batizado pode ser realizado na mata, pode ser realizado na cachoeira, pode ser realizado no mar, pode ser feito de diversas formas e para o adulto uma das questões mais importantes é criar essa identidade Umbandista e para isso esse ritual serve muito bem.

Em alguns Terreiros, por insegurança do sacerdote, ele pede para o Caboclo ou para o Preto Velho realizar o batismo ou por um pedido daquele consulente que quer ser batizado pelo Caboclo ou pelo seu Preto Velho. Mas, o sacerdote de Umbanda tem condições de fazer esse ritual.

Quem pode fazer o ritual do batismo?

Qualquer pessoa que já foi batizada, dentro de um Templo a pessoa ideal pra fazer isso é o sacerdote, inclusive na igreja Católica até um diácono que não é um sacerdote – no rigor da palavra – um diácono não realiza uma missa sozinho, ele pode entrar como um auxiliar, mas ele não é um sacerdote, o diácono pode fazer batizado e ele pode fazer casamento.

Não se preocupe com outorga sacerdotal para realizar batismo. Você é um dirigente espiritual? Está à frente de uma comunidade? Você incorpora um Guia e seu Guia desenvolve pessoas? Você já está apto a fazer o batismo, só precisa saber o que é o batismo. É um ritual de limpeza, purificação, iniciação, de aceitação da nova religião e criação de uma identidade.

Você só precisa saber isso e entender: você pode fazer o batismo, você deve fazer o batismo que é o mais simples dos rituais de Umbanda e um dos mais importantes por criar essa identidade. É muito simples fazer um ritual de batismo, você pode e você deve fazer esse ritual com médiuns da sua corrente.

Como é que se faz um batismo?

domingo, 12 de julho de 2015

Rituais de Umbanda – A Gira –




Rituais de Umbanda – A Gira –

Ritual é tudo aquilo que você cumpre religiosamente.

Mas, não no sentido original da palavra que é o sentido religioso de fato, o ritual, enquanto ato religioso, mas é um ritual você cumprir à risca todos os dias o mesmo procedimento para algumas tarefas.

E o que é o ato religioso?

 É aquele ato que você cumpre religiosamente.

O que é a religiosidade?

É aquilo que você faz à risca e tem um método que tem que ser cumprido. Este método é o ritual.

A palavra ritual, às vezes, é empregada fora do contexto religioso para descrever algo que tem que ser feito passo-a-passo.

Existem rituais de magia, nos grimórios, nos velhos e antigos livros de magia e mesmo dentro da magia divina você tem uma ritualística, um ritual que tem que ser cumprido, há um procedimento, esse procedimento é um ritual.

Toda religião tem seu ritual, mesmo aquelas que negam tê-lo.

O ritual religioso dita quais são os procedimentos gestuais, simbólicos para se alcançar o sagrado, isso é um ritual, dentro desse contexto nós temos o ritual Católico, por exemplo. O ritual Católico é um ritual definido por Roma, antigamente a missa Católica era falada em latim, por determinação de Roma.

Antigamente o padre ficava de costas para os fiéis e de frente para o altar, era parte do ritual Católico. Hoje, em qualquer igreja que você for o padre está falando a língua do seu país, não fala em latim porque a igreja Católica define passo-a-passo como deve ser o ritual da missa. A igreja Católica define onde ele tem que estar, antigamente a descrição do ritual Católico era tão fechada que ate como movimentar as mãos era descrito no ritual, em que lugar do altar ele tinha que ficar inclusive.

Depois ficou mais tranquila a ritualística da missa. Mas, a missa é definida, até o tema de uma missa é predefinido, o padre vai fazer uma preleção, o tema da preleção dele é predefinido.

Em todas as igrejas naquele mesmo domingo todos os padres estão fazendo preleção sobre o mesmo assunto porque isso foi definido pela Arquidiocese, pela regional e o ritual é definido por Roma, então, é um ritual. Religião possui ritual, o ritual visa repetir os valores mitológicos daquela religião.

No ritual da missa, que é o mistério maior do Catolicismo, se revive o momento de compartilhar, é como se fosse reviver o momento da Santa Ceia, de compartilhar a multiplicação do pão e do vinho onde a hóstia é o corpo de Cristo, é um ritual antropofágico, simbolicamente falando, onde está ali o sangue de Cristo e o corpo de Cristo pra ser comungado, as pessoas estão em Ceia, elas estão comendo, simbolicamente porque é uma hóstia e o vinho, isto é um ritual do mistério maior, o mistério Cristão que revive aquele momento em que Cristo ressuscitou, ele continua vivo, é um ritual.

O Espiritismo afirma sobre si mesmo que não é uma religião, mas tem uma ritualística e as pessoas estão congregadas em nome de Deus. Então, sociologicamente falando, a partir do ponto de vista Sociológico é uma religião mediúnica. Isso foi defendido por um Sociólogo chamado Cândido Procópio Ferreira que foi também cadeira de Sociologia na USP - depois de Roger Bastide - e que publicou um livro: “Umbanda e Kardecismo”.

Por que um Sociólogo usou o termo Kardecismo?

Porque há um tipo de Espiritismo popular porque muitos chamam a Umbanda de Espiritismo e enquanto Sociólogo ele quer definir o objeto da sua pesquisa.

Aqueles que seguem a doutrina de Kardec, que sobre si mesma afirmam que não é religião, sociologicamente é uma religião porque as pessoas se congregam em torno de uma fé e o Espiritismo diz sobre si mesmo “Não temos ritual”, mas toda semana você encontra os irmãos, coloca uma toalha branca, coloca uma jarra de água, toda semana religiosamente você faz a leitura do Evangelho, isso é uma forma de ritual.

Não é um ritual simbólico que é o caso da Umbanda, não é um ritual no rigor da palavra, um ritual religioso com toda simbologia e hierarquia religiosa que a Umbanda tem.

 A Umbanda é religião em todos os sentidos em que você quiser olhar, uma religião que tem Templo porque todos os Terreiros de Umbanda são Templos, um Terreiro de Umbanda não é apenas uma casa de oração porque qualquer casa em que as pessoas se reúnem para orar é uma casa de oração, isso pode ser considerado um templo. Mas, o lar também é um templo da família e aí a palavra templo, ela está sendo aberta para definir o templo da família, o templo da oração.

A Umbanda é Templo no rigor da palavra porque todo Terreiro de Umbanda foi construído ou adaptado para ser um Templo, existe uma arquitetura sagrada, por mais simples que seja no momento em que você constrói um altar e uma tronqueira tem uma arquitetura sagrada, o Templo de Umbanda é templo a rigor, inclusive porque arquitetonicamente é templo no quesito de: possuir um altar e ter sido construída ali uma arquitetura sagrada de Templo para ser Templo, não é apenas uma casa de oração.

O Terreiro de Umbanda é um Templo e não apenas uma casa de oração porque tem uma arquitetura sagrada, isso é muito importante.

Uma Mesquita é uma casa de oração que nós chamamos de templo. Você já foi numa Mesquita? O que tem lá dentro? Nada. É só uma casa de oração para os irmãos se congregarem rezando voltados para Meca - que é o que diz respeito a religião do Islã/ Mulçumano – eles se reúnem numa Mesquita porque o Mulçumano reza cinco vezes por dia voltado para Meca.

Ele tem que saber onde está Meca, pegar uma bússola, em qualquer lugar onde ele estiver ele tem que saber onde está Meca, se ajoelhar voltado para Meca e rezar. Porque lá em Meca é que está o assentamento da sua religião – a Caaba ou Kaaba – a Mesquita é uma casa de oração. No caso do Judeu que também se reúne numa casa de oração que é a sinagoga.

A Mesquita não tem um altar, é uma casa de oração que nós consideramos um Templo. A sinagoga também não tem um altar, tem um púlpito, mas não tem um altar. Porque o Templo do Judaísmo era o templo de Jerusalém que foi destruído e o altar do Templo de Jerusalém era a Arca da Aliança que foi roubada, então, a sinagoga é uma casa de oração.

O Terreiro de Umbanda não é apenas uma casa de oração, é um templo tem uma arquitetura sagrada, um altar onde está assentado o santo do santo, o sagrado. E para eu me relacionar com esse sagrado há um ritual, uma ritualística, não é qualquer um que vai chegando e vai fazendo o que quer, tem a hora e o momento certo para cada coisa no ritual em que o ritual conduz o movimento religioso, o ritual conduz o ato religioso, o ritual define qual é o método de relacionar-se com o sagrado e o divino, o ritual ensina qual o tempo e o lugar de cada pessoa e de cada coisa no ato religioso, o ritual ensina o que cada um tem que fazer pra ninguém ficar perdido.

 A Umbanda é uma religião mediúnica, o ritual ensina como lidar com a mediunidade dentro do Templo de Umbanda, então, é fundamental o ritual e cada religião tem o seu ritual.

O espiritismo tem uma metodologia, uma ritualística própria de dizer como fazer um trabalho Espírita, uma sessão Espírita. Não é um ritual a rigor porque não tem simbologia, não tem mitologia, não tem mitologia no sentido de dizer: o ritual repete o mito. O ritual repete os mitos e os símbolos, ou seja, os valores mais fortes daquela religião.

A Umbanda não é uma religião mitológica, mas ela é uma religião profundamente simbólica como todas as outras e a Umbanda traz o valor das divindades dos Orixás que estão presentes no ritual, nós não temos um olhar mitológico, mas nós temos o conhecimento de quem são os Orixás e o sentido que nós damos pra essa relação com os Orixás repete aquilo que nas outras religiões são os mitos, pra nós são as qualidades dos Orixás.

Os Orixás serão louvados, cantados, reverenciados, cultuados dentro de um ritual e o ritual faz isso. O ritual diz qual o momento de louvar o Orixá, qual o momento de louvar Caboclo, qual o momento de receber as pessoas que vem de fora pra tomar um passe, uma consulta, isso é o ritual.

 O ritual Umbandista cuida da mediunidade, o ritual coloca ordem na casa, o ritual deve ser obedecido, cumprido, seguido, o ritual diz: “Agora é hora de incorporar”, todos que são desenvolvidos devem incorporar naquele momento porque o ritual mandou. O ritual não pede o ritual manda.

O ritual dá o tempo para cada um saber o que tem que fazer, então, o ritual manda: é hora de desincorporar. Como? Ponto de retirada, ponto de subida, não é? “Caboclo pegue a sua fecha, pegue o seu bodoque o galo já cantou. O galo já cantou na Aruanda Oxalá lhe chama, salve a sua banda”, você está ouvindo o Caboclo? Você está ouvindo isso? Isso é um ritual, o ritual está sendo cantado.

Roger Bastide escreveu um livro chamado: “O Sagrado Selvagem” onde diz: “Precisamos primeiro entender o que é o sagrado selvagem” é aquele sagrado que ainda não foi domado, domesticado.

Selvagem é diferente de agressivo. A gente confunde as coisas e costuma dizer: “Fulano isso é muito selvagem” e aí o selvagem acaba sendo uma coisa agressiva. Mas, pensemos: é lindo ou não é o cavalo selvagem? Livre, sem cabresto, sem carroça, sem cavaleiro, ele é livre, o cavalo selvagem.

 O leão é selvagem quando está solto, o tigre é selvagem quando está solto, mas, que pode ser domado, domesticado, perdendo a sua naturalidade, selvagem é aquilo que é o sagrado, a manifestação do que é sagrado no ser humano de uma forma antropológica, ou seja, no ser humano independente de religiões, o ser humano tem uma conexão com o sagrado e essa conexão se você nascer numa ilha e nessa ilha se construir uma comunidade totalmente isolada de todas as sociedades, sem nenhuma cultura conhecida, sem nada, se nascer ali uma nova humanidade sem nenhuma religião ou cultura conhecida, uma nova humanidade, o sagrado vai se manifestar, mesmo que ninguém ensine, o sagrado faz parte do ser humano, mas ele nasce de uma forma selvagem, natural, por meio de experiências como o transe, a mística, o transe Xamânico, o transe Umbandista que nós chamamos de Umbandista.

O transe é essencialmente uma experiência do ser humano com o sagrado, tais médiuns podem ser conduzidos para a Umbanda, para o Espiritismo, para o Candomblé ou para o Xamanismo e serão sempre conduzidos para onde tiverem maior afinidade.

Antes que houvesse qualquer religião na face da Terra já havia manifestação do sagrado, antes que houvesse qualquer religião já havia o que Allan Kardec depois chamou de Mediunidade. Antes de existir religião, organizada, já existia religiosidade, o sagrado já se manifestava de forma selvagem.

O mais próximo disso é o Xamanismo, totalmente livre de regra, de dogma, o sagrado selvagem se manifesta sem uma ritualística, no livro “O Sagrado Selvagem”, Roge Bastide faz uma afirmação contundente: “O ritual domestica o sagrado” e o que isso quer dizer?

Quer dizer que há algo sagrado que se manifesta de uma forma selvagem, natural e desordenada porque você não sabe lidar com isso, que é o exemplo das pessoas que começam a incorporar sem nunca terem ido num terreiro de Umbanda, por exemplo, a pessoa começa a passar mal e não sabe o que está acontecendo com ela. O que está acontecendo com ela é mediunidade, mas a pessoa não sabe o que fazer com essa mediunidade.

Zélio de Moraes não pertencia a uma família que fosse de uma religião mediúnica. Há textos que dizem que o pai do Zélio era Espírita, não era Espírita, ele tinha uma simpatia, mas não era Espírita. O Zélio não era Espírita, ninguém era Espírita, eles não eram Espíritas, mas o Zélio de Moraes passou mal e já incorporava espíritos sem saber, Zélio de Moares tinha dores.

O sagrado estava se manifestando nele de uma forma desordenada que nos estudos de Xamanismo chama-se de doença Xamânica.

Na Umbanda se diz: “Quem não vem pelo amor, vem pela dor”, ou “Você é médium de incorporação, meu filho, enquanto não desenvolver não vai resolver”, a incorporação não é um karma, a incorporação não é um peso. Não saber lidar com isso pode ser porque há algo em você sagrado que quer vir à tona, quer se manifestar.

A beleza da Umbanda é você querer se deixar conduzir e então, nesta beleza da Umbanda aquele que é o seu Guia não precisa colocar uma viseira em você porque você quer ser conduzido.

Isso não quer dizer que você vai ser totalmente domesticado ou adestrado, mas, que você vai aprender a se deixar conduzir e o ritual ensina isso.

O ritual, em qualquer religião, domestica o sagrado.

A Umbanda tem um ritual, o ritual de Umbanda tem muitos objetivos e um deles é lidar com a mediunidade. E lidar com a mediunidade é domesticá-la, domá-la, direcioná-la pra isso existe o ritual. A Umbanda é uma religião que tem fundamento é preciso conhecer, nosso ritual tem fundamento, tem porquê de ser.

O ritual tem poder mágico, o ritual nos coloca em lugares diferentes com relação ao sagrado, ao mistério.

 A Umbanda tem um ritual que nós chamamos Gira ou Sessão de Atendimento, é o ritual maior da Umbanda, é abrir o Terreiro ao público, público este que nem precisa ser Umbandista. Nós não obrigamos conversão para que as pessoas frequentem o nosso templo.

Temos um ritual pra realizar esse trabalho espiritual, o trabalho maior da Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade. Como é que a Umbanda faz isso? Por meio de um ritual, uma sessão. Como é feita a Gira de Umbanda? O ritual de Umbanda? A sessão de Umbanda?

Existe um método, tem começo, meio e fim.

Talvez o ritual já comece nas casas dos médiuns responsáveis pela gira do dia, porque em dia de trabalho espiritual, o médium, na sua casa, começa a se preparar.

 Naquele dia ele vai tomar o banho de erva especial, naquele dia não pode esquecer a vela para o Anjo da Guarda, deve procurar ter um dia tranquilo, não comer carne, não ingerir bebidas alcóolicas, 24h antes não deve ter relação sexual.

 Por que não comer carne?

Principalmente porque a carne é pesada e difícil de digerir.

Para o corpo fazer digestão existe um desgaste de energia, o corpo gasta muita energia pra fazer a digestão e o teu corpo está querendo utilizar a energia pra fazer digestão e o Caboclo quer usar sua energia pra dar o passe em alguém. Por isso não é bom ter uma alimentação pesada de qualquer forma.

 Evitar a carne, que carne?

Todas as carnes. A mais pesada é a vermelha, a branca também é pesada, o peixe é um pouquinho menos.

 A experiência com o vegetarianismo é uma experiência muito válida porque hoje o problema não é só comer carne, é você comer tudo quanto é droga que dão para aqueles animais que estão ali no abatedouro, eles colocam um monte de hormônios nesses animais para eles crescerem e ficarem gordos rápido.

Experimente ficar mais de um dia sem carne, dois, três dias, uma semana sem carne pra sentir se há uma diferença no seu corpo, na sua alimentação, na sua energia.

Sem bebida por quê?

 Ninguém sabe se você está bebendo só um copinho ou vários copos ou se você toma só uma tacinha de vinho.
Portanto, se proíbe, para não ter problema porque o excesso de bebida não é bom e o médium alcóolatra deve voltar para a consulência para se tratar.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Linhas de Trabalho de Umbanda – Guardiões/ Exu – Guardiãs/ Pombagira – Exu Mirim



Linhas de Trabalho de Umbanda – Guardiões/ Exu – Guardiãs/ Pombagira – Exu Mirim

Para que um espírito trabalhe como Exu, ele não precisa ser e nem deixar de ser um ser de luz.

Não se questiona se esse espírito tem ou não tem luz, se ele é ou não um iluminado para trabalhar como Exu.
Trabalhando como Exu na Umbanda há espíritos que tem mais ou menos luz.

No entanto, todos eles trabalham para a luz.

 Umbanda é luz. Umbanda é uma religião de amor, de caridade e Exu é guardião da religião de Umbanda.

 Se Umbanda é luz, Exu é guardião desta luz.

Na Umbanda se manifestam os Orixás, os Exus são guardiões dos mistérios dos Orixás, os Orixás são a luz. Exu é guardião dos mistérios dos Orixás, então eles são guardiões da luz, não importa se ele é um iluminado ou não, importa que ele trabalhe na lei, o que ele faz dentro de um Terreiro de Umbanda, é única e exclusivamente o bem.

 E aí não importa o questionamento que sempre entra de que o bem é relativo porque quando você ajuda uma pessoa a ganhar um emprego, pode ser que o outro perdeu o que tinha.

A questão é: você não ajuda o outro a perder o emprego, você está ajudando alguém a conseguir o emprego, muito embora, que fique bem claro, a Umbanda não é balcão de milagre e nem cabide de emprego, a função maior da Umbanda não é arrumar emprego, a função maior da Umbanda não é arrumar dinheiro, não é arrumar namorado, namorada, marido, nem tirar a mulher do outro ou marido da outra, isso não é função da Umbanda.

É função da Umbanda ajudar aqueles que procuram seus guias em busca de auxilio.

Dentro do Terreiro de Umbanda Exu só trabalha para o bem, o que quer dizer?

Que só atende pessoas que estão pedindo o seu próprio bem ou o bem do semelhante, quando alguém pede dentro do Terreiro de Umbanda pra prejudicar a vida de alguém, Exu tem que chegar junto e falar “Olha, aqui dentro a gente não faz isso, é um casa de luz, é uma religião, a Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade, aqui dentro não se prejudica ninguém”, Exu não se presta a prejudicar o próximo, a energia de Exu é a energia do Orixá Exu que é a energia do vigor, da vitalidade.

Exu é a Esquerda da Umbanda, ele trabalha a nossa energia a Esquerda, a energia emocional, a energia do nosso inconsciente, Exu trabalha a nossa sombra trabalha nossas trevas interiores, Exu trabalha as nossas dificuldades, Exu nos ajuda a entender onde a gente pode melhorar, Exu nos ajuda a vencer os nossos vícios, a termos maior clareza com aquilo que nos prejudica.

Ele é guardião do mistério dos Orixás, Exu é guardião assentado à Esquerda dos Orixás, Exu faz a guarda da Umbanda, ele não é trevas, mas ele desce nas trevas, alguém tem que descer. Se um dia nós cairmos nas trevas, quem vai buscar a gente? Qual é a maior caridade? Ajudar quem já está pronto pra ir para a luz ou ajudar quem está lá embaixo nas trevas em sofrimento? Essa é a maior caridade. O que é mais difícil para o ser humano? É a mãe ou o pai que vai buscar o filho ou vai encontrá-lo na porta da faculdade, que vai encontrá-lo na porta do seu emprego? É o pai e a mãe que vai visitar o filho na sua casa, no seu lar? Qual é a maior dificuldade? Ou é a mãe que vai visitar um filho que está numa cadeia? Porque errou. Onde é necessário mais amor? É fácil amar quem só te dá alegria, é muito fácil.

Com relação aquele que erra e está errando também é necessária uma mão firme, uma mão enérgica.
Quantos de nós erramos por que na infância não tiveram o pulso firme de um pai ou de uma mãe, que dissesse com firmeza “Assim não é correto”, “Dessa maneira não é bom, isso que você está fazendo vai prejudicar você mesmo no futuro”, “Tudo o que você faz, volta pra você” e com firmeza pra chamar a atenção, pra por de castigo, se necessário pra dar um corretivo de alguma maneira que seja – no caso de uma criança não para machucar, mas para orientar – agora, no caso de um adulto aquela criança que o pai não chamou a atenção porque não queria que ele chorasse o pai não foi duro, não foi enérgico porque ficou com dó da criança, a vida machuca você mais ainda depois de crescido se você fica um adulto mimado porque não foi uma criança educada, só que você não trata um adulto igual a uma criança.

Exu não é trevas, mas ele desce nas trevas, ele não pode descer nas trevas sem uma atitude firme, enérgica, direta, essa é a postura de Exu é também a guarda de um soldado, de um guardião, daquele que está fazendo a sua guarda, então se está fazendo a sua guarda é com relação a quê?

Com relação às trevas, com relação ao que pode lhe machucar, ao que pode lhe ferir, o que pode lhe agredir, ele tem que estar pronto e preparado pra lidar com isso, ele precisa ser o forte, estar armado com recursos de proteção, de força, e se é necessário vai ao ataque para proteger, essa é postura de Exu na Umbanda.

Exu é guardião e ao mesmo tempo é um Guia espiritual, Exu também é orientador,  Exu é irmão, mestre, pai, amigo, meu melhor amigo.

Exu que incorpora é espírito humano, já encarnou várias vezes, vai encarnar outras vezes ainda ou não.

Existe Exu que é um espírito de luz?

Sim. Lógico que sim.

“Ah, mas como é que um ser de luz desce nas trevas?”.

 Ele rebaixa sua vibração, encobre sua luz.

 Tem Exu que é espírito de muita luz e usa recursos pra descer nas trevas sem que a sua luz seja percebida.
Quando Exu é chamado no terreiro para trabalhar, quem incorpora?

 O seu Exu de trabalho, todo médium tem três Exus que são muito presentes e muito atuantes na sua vida: um Exu de trabalho, um Exu natural e um Exu guardião e muito mais, muitos outros mais que atuam de uma forma mais passiva na vida do médium.

Esses três, acima citados, são muito presentes e dos três existe um que é o mais atuante, é o Exu que assume o trabalho braçal, que atua de uma forma operacional porque ele incorpora e incorporar dá muito trabalho, é um trabalho braçal. Até porque, às vezes, você nem tomou seu banho de erva, nem deixou a vela do Anjo da Guarda acesa, está cheio de carga, de energia ruim, às vezes, a entidade vai incorporar em você e quando você não está bem ele fica te limpando, te descarregando antes de poder começar o trabalho dele e a energia dele é sempre boa porque ele é um Guia espiritual.

Incorporar é um trabalho braçal, por isso, o nosso Exu de trabalho é o mais atuante, chama-se Exu de trabalho, pois tem o maior campo de atuação por meio do seu Orixá de Juntó.

Temos um Exu de trabalho que atua no campo do nosso Orixá de Junto, temos também um Exu guardião. Quem é o Exu guardião? O nosso Exu guardião é uma entidade que é um espírito humano também, mas que raramente incorpora. Porque o trabalho do Exu guardião é um trabalho muito mais mental. O Exu guardião é um mentor que coordena toda sua esquerda de Exu.

Quando você abre um Terreiro, geralmente o guardião se apresenta para que faça o assentamento no nome dele, o teu Exu de trabalho sabe quem é o seu Exu guardião.

 No dia-a-dia de Terreiro pra chamar o guardião você faz um trabalho específico de chamada do guardião porque o Exu guardião do médium não costuma dar consulta.

Nota: Exemplificando, no meu caso pessoal, isto aconteceu de forma espontânea, ou seja, antes do curso de Teologia de Umbanda Sagrada, onde pude encontrar as explicações acima, num determinado momento de minha jornada espiritual, se apresentou para o trabalho outro Exu que não aquele ao qual eu já me havia habituado e “tomado” como “meu” Exu, que atuava em minha vida, desde a adolescência, de forma realmente mais sutil, mental, como um bom guardião. Estranhei a presença do outro, porém, segui adiante na certeza que tudo estava bem e como deveria estar mesmo porque eu continuava sentindo o “meu” Exu e percebia que era com seu consentimento que o outro vinha trabalhar, portanto, tudo estava bem. Depois, no decorrer deste abençoado curso, me deparei com esta fantástica e esclarecedora explicação que, sinceramente espero que a muitos alcance ajudando para uma maior compreensão desse Universo Maravilhoso.
Annapon

Todo Exu é um guardião, mas existe aquele que é O guardião, o Exu de trabalho e O Exu natural, mas todos os Exus são guardiões.

Existe um, porém, que é o meu guardião, é o Exu mentor.
Nós estamos adotando essa nomenclatura de: O guardião que é o Exu mentor da minha Esquerda que atua no campo do meu Orixá Ancestral. Nós temos: um Orixá Ancestral Dominante que é a força do chakra da coroa temos um Orixá de Frente que lida e rege os aspectos da Direita e um Orixá de Juntó que lida e rege os aspectos da Esquerda, então o nosso Exu de trabalho lida com os aspectos do nosso Orixá de Juntó, o nosso Exu guardião lida com os aspectos do nosso Orixá Ancestre.

Quem é o Exu natural?

 É um natural da dimensão de Exu, um natural é um ser que nunca encarnou que não é humano, nós temos um ser natural da realidade de Exu que nos acompanha. Porque você tem um natural de Ogum que quando é incorporação do Orixá de Ogum, esse natural incorpora. Você tem uma natural de Yemanjá que é a sua Yemanjá, uma natural de Oxum é a sua Oxum, um natural de Obaluayê é o seu Obalauyê e tem um natural Exu que não incorpora porque na Umbanda nós não fazemos chamada da incorporação pra Orixá Exu.

Mas, você tem um natural de Exu que lhe acompanha, esse natural está na força do seu Orixá de Frente. Agora, calma e paciência, vamos lá, o seu Orixá de Frente é Xangô e o seu Orixá de Juntó é Yemanjá, então se o seu Juntó é Yemanjá quer dizer que o seu Exu de trabalho atua no campo de Yemanjá e aí você me diz: “Pois é, o meu Juntó é Yemanjá, mas o meu Exu é Tranca Rua, está errado?”. Não. O que nós estamos dizendo é: que mesmo que seja um Tranca Rua ele vai encontrar no campo de Yemanjá mais ferramentas e maior campo de atuação para ele lidar com os aspectos negativos da sua vida e ele vai atuar a partir do campo de Yemanjá e ele pode ser um Tranca Rua dos Mares, Tranca Rua das Marés, Tranca Rua das Ondas, Tranca Rua da Geração, então, isso é importante entender, Tranca Rua das Águas, sem falar do Tranca Mata, do Tranca Gira, do Tranca Mar, do Tranca Vento, do Tranca Montanha porque é só o Tranca Rua é conhecido, mas você tem Tranca tudo de tudo, não é?

Se o teu Juntó é Ogum não necessariamente o nome do teu Exu tem que ser um Tranca Rua ou um Tranca Caminho ou um Trinca Ferro ou um Trinca Fogo, não. O teu Juntó é Ogum, tudo bem. “Ah, mas o meu Exu é Marabô”, Marabô é de Oxóssi. Pois é, mas se ele for Marabô dos Caminhos, você não sabe você só sabe que ele é Marabô.

O teu Exu de trabalho encontra no teu Orixá de Juntó campo de atuação, por quê? Porque o meu Juntó é o meu emocional - emocional aqui não estou falando de questão afetiva – estou dizendo que: emocional é o campo do nosso ser onde estão as coisas mal resolvidas porque quando você atua de uma forma desequilibrada, quando você responde de uma forma desequilibrada, você não está sendo racional, você está sendo emocional.

Quando você sai da sua razão, você está na sua emoção. Quando você se desequilibra e age de uma forma que você não queria, você está agindo de uma forma emocional. Exu trabalha principalmente esse campo na nossa vida, o campo da nossa sombra, dos nossos medos, dos nossos traumas, dos nossos vícios, ali atua Exu e o Exu de trabalho é o Exu mais presente, então como ele é o mais presente, ele vai encontrar mais campo de atuação a partir do meu emocional, da minha Esquerda, da minha sombra, do meu inconsciente que é tudo isso regido pelo meu Orixá de Juntó.

Agora, há vezes que você dá passagem para outros Exus, então, esses outros são Exus auxiliares do seu Exu de trabalho. Porque ninguém trabalha sozinho, o teu Exu de trabalho trabalha acompanhado com muitos outros Exus e as entidades que incorporam na gente são entidades que são ativas na nossa mediunidade, mas nós temos um monte de outras entidades que são passivos no nosso campo mediúnico e nos acompanham.

Todos nós somos regidos por quatorze Orixás, todos nós somos filhos dos quatorze Orixás, para cada um de nós tem quatorze naturais na força dos quatorze Orixás que nos acompanham e todos nós temos: um Exu na força de cada um dos quatorze Orixás, cada um de nós tem – além desses três – nós temos mais quatorze Exus: um na força e no campo dos quatorze Orixás, então nós temos além do Exu que trabalha com a gente na lida do Exu de trabalho, nós temos um Exu de Oxalá e um Exu de Logunan, um Exu de Oxum e um Exu de Oxumaré, um Exu de Oxóssi, um Exu de Obá, um Exu de Xangô e um Exu de Oro Iná/ Egunitá, um Exu de Ogum, um Exu de Yansã, um de Obaluayê, um Exu de Nanã, um Exu de Yemanjá e um Exu de Omulu.

Nós temos quatorze Exus, geralmente um deles é o nosso Exu de trabalho, pode ser que um deles seja o nosso Exu guardião e é certo que, então às vezes incluindo ou não, nosso Exu de Trabalho, nosso Exu guardião, nós temos quatorzes, mas que no dia-a-dia, no trabalho braçal, operacional, quem toma frente é o Exu de trabalho, Laroyê Exu, Exu é Mojubá – Exu é ponto forte e ponto fraco na Umbanda, conheça Exu e o tenha como seu melhor amigo, seu guardião e ponto forte na sua vida, na Umbanda e nos seus trabalhos. Se você o desconhece, ele é ponto fraco porque é ali na força dele que você está vulnerável.

A exemplo de Exu temos também uma Pombagira de trabalho, uma Pombagira guardiã, uma Pombagira natural, se chamar Pombagira em Terra pra trabalhar, quem incorpora é sua Pombagira de trabalho e você tem uma Pombagira guardiã que também é uma mentora da sua Esquerda no campo de Pombagira que raramente incorpora e temos uma Pombagira natural e é a mesma relação, a guardiã traz uma relação com o Orixá Ancestre, a Pombagira de trabalho traz uma relação com Orixá de Juntó e a Pombagira natural traz uma relação com o Orixá de Frente.

Quem é a Pombagira?

São espíritos humanos que incorporam na gente e trabalham a força, o poder e o mistério do Orixá Pombagira.

O Orixá Pombagira está no campo do estímulo e do desejo, é desejo nos sete sentidos da vida e ao contrário do que muitas pessoas colocam como se Pombagira trabalhasse apenas questões afetivas e apenas o desejo sexual, não é isso. Pombagira trabalha o desejo em todos os sentidos da vida, ela trabalha o estímulo e ela trabalha também o que a gente sente no nosso íntimo, no interior, ela olha para nosso interior, ela trabalha essas forças relacionadas ao desejo, também ao êxtase, ao prazer, em todos os sentidos da vida.

Pombagira traz para nossa vida essa força de prazer, de desejo de estímulo que é muito mais vida para nossa vida e ali ela faz um par com Exu, é como a “fome e a vontade de comer”, porque Pombagira traz o desejo, mas não traz a força para realizá-lo, Exu traz a força, mas não traz os desejos para que essa força seja direcionada, ela traz o desejo, ela traz a força, eles formam um par e se polarizam Exu e Pombagira.

Nós temos uma mãe Maior Orixá Pombagira e nós temos quatorze Orixás Pombagiras Menores ou Intermediárias que são as Pombagiras Guardiãs dos Mistérios dos Orixás. Da mesma forma que Exu, temos Orixá Exu e sete Exus que são sete Guardiões Planetários e os quatorze Exus Guardiões dos Mistérios dos Orixás.

Nós não incorporamos esses Orixás, não se incorpora Orixá Maior, você não
incorpora os Sete Orixás, você não incorpora os quatorze que é o Guardião Planetário, a Pombagira Guardiã Planetária dos Mistérios de Oxalá, o Exu Planetário Guardião dos Mistérios de Oxalá. Então, quem eu incorporo? A minha Pombagira de trabalho. Quem mais me acompanha? Minha Pombagira guardiã que raramente incorpora, que é uma mentora, a minha Pombagira natural que nunca encarnou.

Uma natural de Pombagira vive numa realidade paralela a nossa, que não é uma realidade humana, imagine outro mundo, nesse outro mundo que não é humano, não existem os pudores humanos, não existe Catolicismo não existem religiões porque nessa realidade os seres naturais conseguem ver as divindades, cultuá-las de forma direta sem intermediário, sem dogma, sem doutrina, de uma forma direta, numa realidade sem pudores, aquela imagem eu acho isso importante dizer, aquela imagem de Pombagira nua e vermelha não é imagem da Pombagira espírito humano que incorpora em mim, mas é a imagem de um ser natural que vive numa realidade onde não se usa roupa.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Linhas de Trabalho da Umbanda – Baianos, Boiadeiros, Ciganos – Marinheiros, Malandros, Povo do Oriente, Mestres da Jurema.





Linhas de Trabalho da Umbanda – Baianos, Boiadeiros, Ciganos – Marinheiros, Malandros, Povo do Oriente, Mestres da Jurema.

Falando sobre linha de trabalho, vamos para a linha de Baianos.

Caboclo, Preto Velho e Criança são as três principais linhas de Umbanda.

São linhas tão fortes que alguns autores chegaram a dizer que a Umbanda era só pra Caboclo, Preto Velho e Criança, mas não é assim.
Voltando na história de Zélio de Moraes como o básico do fundamento da religião, ele diz: “Com quem sabe mais a gente aprende, pra quem sabe menos a gente ensina e não vamos virar as costas para ninguém”, se não vamos virar as costas para ninguém por que é que vamos virar as costas para o Baiano, o Boiadeiro, o Marinheiro?

A Umbanda é uma religião onde as entidades se manifestam, não apenas Caboclo Preto Velho e Criança. Embora essas sejam as três primeiras linhas de trabalho, as primeiras linhas de entidades que se manifestam na Umbanda: Caboclo, Preto Velho e Criança, então eles têm uma força junto ao inconsciente coletivo que é da pureza, da força e da sabedoria – a criança, o homem adulto e o velho, as três grandes fases da vida: a infantil, maturidade e do ancião.

Baiano é uma linha presente na religião de Umbanda, principalmente em São Paulo, se trabalha muito com Baiano. Tempos atrás no Rio de Janeiro não se trabalhava tanto com Baiano, existem questões regionais também na Umbanda.

 Baiano vem sob o mistério de Yansã, eles trabalham com a cor amarela, bebem às vezes batidas de coco, bebem água de coco e o Baiano trabalha a energia de Yansã que é uma energia de movimento, de descontração.

Os Baianos são doutrinadores, eles usam guias de coquinho ou de olho de cabra e eles são muito falantes, extrovertidos, conversadores.

 Na linha de Baiano há uma homenagem a Bahia como a terra que primeiro recebeu os Orixás, uma homenagem aos sacerdotes Baianos.

Para alguns, Caboclo, Preto Velho e Criança são considerados as três linhas principais de Umbanda e Baiano, Boiadeiro, Marinheiro linhas auxiliares ou linhas complementares, não importa, são linhas de Umbanda, são linhas de trabalho, muitas entidades que vem trabalhar no astral da Umbanda querem ajudar, mas não tem o grau de Caboclo, não tem o grau de Preto Velho e não são crianças.

Se um espírito não tem grau de Caboclo e não tem grau de Preto Velho, ele não pode ajudar na Umbanda?

Claro que pode.

A Umbanda é uma religião de hierarquias, então há de se fazer parte de alguma hierarquia, de algum grau, muitos espíritos que foram sacerdotes do culto de Orixá não incorporam nos cultos de Orixá, o Candomblé não é uma religião que abre as portas pra incorporação de espírito que é considerado egun.

Muitos deles vêm pra cá e não são Pretos Velhos e não são Caboclos e são acolhidos pela linha de Baianos, essas linhas também são chamadas de linhas intermediárias, muitas entidades que vem da Esquerda que trabalharam à Esquerda, quando começam a trabalhar na luz, começam – às vezes –  pelas linhas de Baiano, Boiadeiro e Marinheiro, está aí a linha de Baiano.

Junto à linha de Baianos temos: seu Zé do Coco, Dona Maria do Coco, Seu Zé Baiano, Seu João Baiano, Seu Severino, Dona Severina, Dona Quitéria, são aqueles que vão falar da Bahia que tem um jeitão bem Brasileiro, bem descontraído, falante, cantador, eles gostam de dançar, de se movimentar, eles trazem uma descontração para o Terreiro, pra vida da pessoa, trazem uma leveza, uma soltura e também desapego, sossego.

Ligado a linha de Baianos temos também um povo que é chamado de Cangaceiro chefiado por Lampião, por Maria Bonita, uma linha de Cangaceiros que em alguns Terreiros fazem também parte da linha de Baiano, em outros Terreiros os Cangaceiros são chamados à parte.

É como se fosse a Esquerda da linha de Baianos, como se fossem os Baianos Kimbandeiros, alguma coisa assim, os Cangaceiros.

Em alguns Terreiros de Umbanda, Baiano e Cangaceiro estão na mesma linha, você tem aqui o Zé da Faca, o Zé Peixeira, o Zé Cinco Estrelas, o Corisco, o Severino, o Lampião, a Maria Bonita, trabalhando na linha de Baiano e há Terreiros que faz uma chamada separada.

Mas, a linha principal é a linha de Baianos, para muitos, Cangaceiro é auxiliar de Baiano, para outros Cangaceiro é como se fosse uma Esquerda de Baiano, mas o fato é: existe a linha de Baiano e existem aqueles que são Baianos e Cangaceiros e aqueles que são apenas Cangaceiros.

Boiadeiro: Boiadeiros trabalham no mistério de Logunan, os Boiadeiros trabalham no mistério do Tempo. Essas linhas: Baiano, Boiadeiro, Marinheiro representam bem uma religiosidade popular, Boiadeiro representa o homem religioso, que tem religiosidade popular e entre os Boiadeiros também temos Pantaneiros, os Romeiros que estão todos associados a essa linha de Boiadeiro.

 Logunan é a temida Senhora dos eguns, Boiadeiro, Baiano, tem uma especialidade: doutrinar, envolver, conversar, falar, chamar, trazer descontração, esse é um campo, um perfil de Baiano.

 Boiadeiro é aquele que vem com o laço, é aquele que vem pra pegar alguma coisa, caçar alguma coisa, buscar alguma coisa, o Boiadeiro está sempre atrás dos eguns, então Boiadeiro tem uma especialidade: pegar egun – egun é espírito perdido, espírito vagante, espírito trapalhão.

O laço do Boiadeiro é uma ferramenta astral que quando ele vira o laço dentro do Terreiro, aquela laçada do Boiadeiro é uma que quando corre no campo astral, ela recolhe tudo quanto é espírito que está ali solto e leva embora. Quando não, o Boiadeiro está de frente para um consulente, este consulente tem lá na casa dele um egun, um quiumba, um obsessor, um zombeteiro, um encosto, um espírito perdido, perturbador, que está incomodando, que está atrapalhando, o Boiadeiro olha pra pessoa, puxa o laço e quando ele joga o laço, o laço vai lá à casa da pessoa, fecha uma laçada e puxa e vem amarrado no laço do Boiadeiro.

No seu laço – que é o mistério de Logunan – vem amarrado tudo quanto é espírito, egun que está atrapalhando, perturbando, então esse trabalho do Boiadeiro, de trabalhar com o laço dizem respeito a uma especialidade, uma técnica, uma maneira de trabalhar, o Boiadeiro está às vezes chamando “boi”:

“Eh boi, oh boi” é uma simbologia, o Boiadeiro quando chama o “boi” – boi são os espíritos – então, “o boi está atolado”, o espírito está preso em algum lugar, é uma “manada de boi” é um monte de espírito que está sendo buscado, eles vão atrás do boi, vão atrás da boiada estão indo atrás dos espíritos, então existe uma linguagem simbólica que é utilizada dentro da Umbanda.

 O Boiadeiro, às vezes, trabalha com vela branca, outras vezes trabalha com vela vermelha, Boiadeiro é de Logunan, mas muitos não conhecem Logunan então, ele também entra no campo de Ogum.

 O Boiadeiro representa o homem forte, com energia, com força, com vigor, que chega que faz que acontece, o Boiadeiro tem essa força, essa energia, as velas de Boiadeiro são brancas ou vermelhas ou brancas e vermelhas, alguns usam velas e guias laranja para Boiadeiro.

Em cada Terreiro Boiadeiro bebe algo diferente, tem Terreiro que Boiadeiro bebe pinga, tem Terreiro que Boiadeiro bebe cerveja ou alguma outra bebida, então esses são os Boiadeiros, presença marcante, firme, forte, determinante, incisiva, dura, presente na Umbanda com mistério de Logunan na religiosidade e tem essa escora, essa força de Ogum, força de ir pra cima e resolver.

 Boiadeiro é presença certa no Terreiro de Umbanda pra vencer tudo quanto é espírito que está perdido atrapalhando, perturbando de uma forma bem simples porque é a especialidade do Boiadeiro.

Caboclo é um grau, Preto Velho é grau, Baiano é um grau, Boiadeiro é um grau, então como é que é isso? Você vai subindo de grau? Você era Exu evoluiu virou Marinheiro virou Boiadeiro, depois vira Caboclo, vira Preto Velho? O grau de Caboclo é superior ao grau de Baiano? Os Pretos Velhos e os Caboclos são mais do que o Baiano e o Boiadeiro?

A questão é a seguinte: os Caboclos e os Pretos Velhos são realmente os grandes responsáveis pela religião de Umbanda e é comum que nos Terreiros os Caboclos e os Pretos Velhos sejam aqueles que são mais respeitados ou vistos como sendo aqueles que têm um grau maior de luz e de força.

Mas, isso não quer dizer que entre os Baianos, os Boiadeiros, os Marinheiros e até Exu não tenha uma entidade de muita luz, às vezes mais luz até que o Preto Velho, que o Caboclo mas que fez a opção de trabalhar como Baiano, fez a opção de trabalhar como Boiadeiro.

Há entidades com muita luz que querem e pretendem continuar trabalhando como Exu, como Pombagira, não dá pra generalizar. Nós estamos falando de espíritos humanos, não dá pra generalizar e colocar todo mundo no mesmo nível, na mesma gaveta.

Entre os Pretos Velhos estão os espíritos mais antigos, os mais maduros; entre os Caboclos estão os mais fortes, de mais luz, mas isso não quer dizer que entre os Baianos não exista alguém que tenha a mesma luz de um Preto Velho ou um Caboclo.

E não quer dizer que um Baiano vai evoluir pra se tornar Caboclo ou Preto Velho, muitos espíritos se realizam na linha que estão e não irão trocar de linha, não é obrigatório. Agora, entre Preto Velho e Caboclo é comum identificar espíritos que não encarnam mais, entre Baiano, Boiadeiro, Marinheiro, Cigano e Exu, Pombagira a maioria ainda vai encarnar, a maioria ainda está no ciclo reencarnacionista, então em percentual nas linhas de Caboclo e Preto Velho – em percentual – estão espíritos que já saíram do ciclo reencarnacionista e tem bastante luz, em percentual Baiano, Boiadeiro, Marinheiro e as outras linhas estão espíritos ainda reencarnantes, não dá pra generalizar, esse é ponto.

 Marinheiro é o mistério da mãe Yemanjá, os marinheiros trabalham a força do mar, são entidades ótimas para o descarrego, é muito comum chamar a linha de Marinheiros pra fazer descarrego, limpeza no Terreiro.

Além de Marinheiro, temos os Pescadores e também os Piratas, Pirata ou Corsário, a ideia seria Marinheiro que trabalha mais no campo da demanda, existem Marinheiros mais voltados ao corte de magia negra que se apresentam parecidos como nós, no nosso imaginário algo parecido com Piratas ou Corsários, a linha de Marinheiro é uma linha imensa.

Há Terreiros que não trabalham com Marinheiro, há Terreiros que raramente recebem Marinheiros.

 E há um conceito de que Marinheiro vem bêbado porque o Marinheiro vem e ele vem cambaleando, o Marinheiro incorpora e está cambaleando, usa frases como:  “O mar está bravo, esta maré está brava, o navio está balançando” e o Marinheiro fica ali balançando e aí as pessoas pensam “Oh o Marinheiro já encheu a cara antes de vir para o Terreiro, deve ter passado lá no boteco, no bar, já tomou umas”.

Não. O Marinheiro está embriagado, não está bêbado.

Ele está embriagado da energia do mar, o Marinheiro incorpora e quando o Marinheiro começa a fazer esse movimento que vai pra frente e que vai pra trás, ele está trabalhando a força do mar como aquela força de arrebentação da maré que “vai e volta”, o Marinheiro está trazendo essa força de maré, essa força do mar, essa força de arrebentação que ele vai indo pra frente, ele vai indo pra trás, ele vai cambaleando, no momento em que o marinheiro está fazendo esse movimento que parece que ele está bêbado, que ele está cambaleando, ele está como uma pessoa que está no mar, na força do mar, o navio está balançando, ele está no mar e ele está trabalhando, ele está limpando, ele está descarregando.

Experimente você entrar no mar com a água mais ou menos até o peito e veja se você consegue ficar paradinho no meio da arrebentação, é onda que te leva pra frente, onda que te leva pra trás, pra frente e pra trás, então essa energia o Marinheiro traz, na beirinha não, no fundão não, mas naquele ponto onde a água está mais ou menos no peito, você sente essa força do Marinheiro que leva pra frente, que leva pra trás, é a energia do mar, energia do Marinheiro e aí o Marinheiro também tem uma linguagem própria. O que é o navio? O navio é o seu médium.

 O que é o mar? O mar é a vida. O mar bravo são as dificuldades da vida e o navio é esse médium tentando lidar com esse mar que é a vida, você não controla o mar, mas você controla a vela, “baixa a vela”, a vela que lhe conduz por meio do vento essa você controla a vela das suas emoções, a vela das suas virtudes, dos seus vícios, não é? O vento das virtudes, a âncora dos vícios, o mar da vida, o navio que é você e o capitão maior que é Deus, Deus é o capitão maior que está nos guiando.

 O Marinheiro tem amor e devoção por Yemanjá, pelas sereias, pela força do mar. E quando o Marinheiro está incorporado e está indo pra cá e pra lá, você está vendo, o Marinheiro está cambaleando, o Marinheiro está embriagado, está limpando e está descarregando e o Marinheiro está trabalhando o equilíbrio do seu médium – não o equilíbrio se ele consegue ficar em pé com um pé, com o outro, dançar, virar e cair, não - equilíbrio emocional, o Marinheiro nos ajuda a equilibrar as nossas emoções, ele vem na força de Yemanjá, o Marinheiro vem na força das águas e água é emoção, então ele ajuda a nos conduzir nas nossas águas, na vida e ajuda a nos conduzir nesse mar de emoções.

Sua força é força de Yemanjá, sua cor é o azul claro, Marinheiro bebe pinga, bebe cerveja, bebe rum, você oferece rum pra Marinheiro, eles são da Direita, Esquerda é Exu, Pombagira e Exu Mirim, mas tem Marinheiro Kimbandeiro, a imagem do Pirata, do Corsário, mas geralmente vêm todos na mesma linha, a não ser que faça um trabalho a parte, esse é o Marinheiro na Umbanda.

 Os Ciganos também são uma linha de trabalho dentro da Umbanda. Caboclo, Preto Velho e Criança surgiram logo no início da Umbanda. Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, surgiram em torna das décadas de 30, 40, 50 e a linha de Ciganos é uma linha recente na Umbanda.

A gente começa a encontrar literatura, texto, informação de Ciganos como linha a partir da década de 60 e 70, mas, no passado, os Ciganos faziam parte da linha do Oriente, então a gente encontra literaturas antigas de Umbanda como Lourenço Braga em 1941 – Lourenço Braga – escreveu o livro: Umbanda e Quimbanda e foi apresentado no Primeiro Congresso Nacional de Espiritismo de Umbanda, embora não esteja nos anais do Congresso. Lourenço Braga já registra a linha do Oriente e os Ciganos fazem parte da linha do Oriente, mas os Ciganos alcançaram tamanha popularidade que estabeleceram uma linha própria: a linha dos Ciganos. O que é a linha dos Ciganos?

Acreditamos que os Ciganos têm no astral o seu povo, o povo Cigano, esse povo Cigano tem uma história sofrida que entre outras teorias, eles formam uma diáspora, uma saída da Índia, uma provável origem para os Ciganos é que eles eram uma sub-casta da Índia que foi expulsa, passaram pelo Egito, passaram pela Europa, passaram pela África, estiveram nas Arábias e trazem essa cultura.

Nós somos influenciados pelos Ciganos: cortina, almofada, tacho de cobre, caldeirão, canja de galinha, o amor pelos cavalos, bombacha, churrasco, tudo isso tem uma ligação forte com o povo Cigano que a gente não percebe, o que se ouve falar de Cigano é que é ladrão de criancinha. Mentira.

O problema é que quando o povo Cigano chegou ao Brasil, e em todos os outros lugares, eles não tinham uma pátria, eles não tinham lastro, não tinham vínculo, não tinham identidade, RG, documentações não tinham terras, Cigano não podia abrir conta no banco, por isso eles juntam moedas, eles juntam ouro, fazem dentes de ouro porque isso era poupança de um Cigano para os seus descendentes.

Na Idade Média as mulheres engravidavam e se escondiam para ter o filho quando não eram casadas e então pegavam aquela criança e deixavam perto de uma tenda Cigana, os Ciganos criavam a criança.

 Os Ciganos têm origem Hindu, origem Oriental, de pele morena como tabaco, às vezes, as pessoas que não queriam criar os filhos - não tinham creche naquela época, deixavam do lado de uma tenda Cigana, os Ciganos criavam aquela criança e daí nasceu a fama de ladrão de criancinha, uma mentira, uma bobagem.

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