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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

terça-feira, 26 de maio de 2015

Orixá Pombagira – Estímulo e Desejo -




Orixá Pombagira – Estímulo e Desejo -  

Na religião de Umbanda, no dia-a-dia, nós conhecemos as entidades que chamamos da Esquerda que são: Exu e Pombagira.

 Exu trabalha junto com Pombagira na esquerda da Umbanda.

 O que é a Esquerda? É tudo aquilo que lida com o aspecto emocional, com o nosso negativo, assim como direita é o que lida com o racional, com o nosso positivo.

 Todos nós temos uma direita e uma esquerda: a direita são os aspectos positivos e racionais; esquerda: negativos e emocionais – emocionais e não afetivos, que não se confunda a palavra emocional com a palavra afetivo.

 Quando temos problemas e desequilíbrios, isso se dá por conta de dificuldades emocionais, como lidar com as situações porque racionalmente nós não teríamos problemas, por exemplo: racionalmente eu entendo que eu não devo nunca ficar nervoso, racionalmente eu entendo que eu devo sempre ter paciência, racionalmente eu entendo que entrar em desequilíbrio prejudica a mim e as outras pessoas, racionalmente eu entendo, por exemplo, que dinheiro não é tudo e não é tão importante quanto a minha saúde, racionalmente eu entendo que mais vale o que eu sou do que o que eu tenho, mas, por dificuldades internas, por questões emocionais, às vezes, a gente age de uma forma que não gostaria, às vezes a gente perde a paciência, fica nervoso, às vezes nós temos dificuldades em lidar com situações que nós consideramos negativas, são dificuldades que vem e são de ordem emocional porque racionalmente nós entendemos o que é bom e o que é ruim, o que é certo e o que é errado, o que faz bem e o que não faz, emocionalmente a gente não consegue lidar com isso.

 Exu e Pombagira nos ajudam muito a lidar com essas questões porque eles atuam no campo negativo, descarregando, cortando, encaminhando, por isso se chama Esquerda porque eles trabalham com as energias a nossa esquerda, consideramos que está a nossa esquerda tudo o que é mais denso, mais pesado, negativo, tudo aquilo que está ligado também com as nossas dificuldades, com os nossos traumas, com as nossas fobias, etc.

Este é o campo onde trabalham Exu e Pombagira, no dia-a-dia de Umbanda, desde o início da religião, vemos a presença de Exu e Pombagira. Isso quer dizer que na Tenda Nossa Senhora da Piedade de Zélio de Moraes também havia e há presença e trabalho com Exu e Pombagira.

A entidade Pombagira como nós a conhecemos é uma entidade de Umbanda, no entanto, está registrado no livro “As Religiões do Rio” de João do Rio, um livro de 1904, escrito antes de a Umbanda ser fundada, a entidade Pombagira.

A Umbanda não inventou, não criou uma entidade Pombagira, ela se assentou na religião de Umbanda. O nome Pombagira tem algumas origens prováveis acredita-se que seja uma corruptela, uma contração, uma evolução do nome “Pambu Njila”. Pombu Njila é o nome de uma divindade Bantu que quer dizer “O Senhor dos Caminhos”, ali é uma divindade masculina.

Dentro da cultura Gegê, da cultura Bantu de Angola ou Congo e da cultura Nagô Yorubá, nós vemos nomes diferentes para Exu.

Exu é na cultura Bantu, Pambu Njila, Exu também aparece como Aluvaiá na cultura Bantu e aparece como Legbá, Legbara, Elebará, ELeba, Leba, Leguá, todos esses são nomes para identificar o Vodun que é a mesma divindade que o Orixá Exu, há um Trono que é o Trono da Vitalidade e do Vigor na cultura Nagô Yorubá é chamado de Orixá Exu, na cultura Gêge ele é chamado de Elebá, Elegbá, Legua, Leba e também é chamado de Aluvaiá na cultura Bantu e também há Pombu Njila.

De Pambu Njila a palavra foi se contraindo e Exu, a entidade de Umbanda, desde o começo da religião, se apresentou com uma companheira e essa companheira foi chamada de Bombogira, Pambogira, Pombogira e acabou se estabelecendo com o nome Pombagira. Embora muitas digam que não são pomba e não giram, esse é o nome mais popularmente conhecido, é o nome pelo qual elas se identificaram. Em alguns Terreiros elas são chamadas de Lebará “Vamos trabalhar com as Lebará” – Lebará também é um nome de Exu – então, o nome de Pombagira revela a sua relação com Exu, a sua proximidade com Exu.

Se fosse interpretar isso na Língua Portuguesa ou querer dar uma interpretação simbólica para Pombagira, nós diríamos que ela também é uma mensageira – que a pomba e os pombos são mensageiros, é uma pomba e não um pombo porque é feminino – ela é uma mensageira que faz as coisas acontecerem, faz as coisas girarem, Pombagira, o nome “gira”, de girar, nos faz lembrar uma mulher se movimentando, girando, dançando, isso também está ligado a Pombagira que é uma energia feminina, uma energia forte, uma energia envolvente daquela que faz par perfeito com Exu porque Exu é o vigor, a vitalidade e Pombagira é o estímulo e o desejo.

Não adianta você ter muito vigor e não ter desejo não saber o que fazer com esse vigor; não adianta você ter desejo e não ter vigor, não ter vitalidade pra realizar os seus desejos, por isso eles se completam e se complementam: Exu e Pombagira – vigor e vitalidade / estímulo e desejo – Agora, não caia no erro de dizer que Pombagira é  Exu feminino porque dizer que Pombagira é companheira de Exu é uma coisa, agora dizer que é Exu feminino é outra são coisas diferentes.

Assim como Logunan não é o Oxalá feminino é a mãe Logunan que faz par com Oxalá;, Oxum não é o Oxumaré feminino, é mãe Oxum que faz par com Oxumaré; Yansã não é Ogum de saia, não é o Ogum feminino, Yansã é a mãe que faz par com Ogum; Egunitá não é Xangô de saia, não é um Xangô feminino, Egunitá é a mãe que faz par com Xangô; Nanã Buroquê não é o Obaluayê feminino; Yemanjá não é o Omulu feminino, da mesma forma Pombagira não é Exu feminino.

Pombagira é Pombagira e ponto final. Companheira, parceira de Exu porque atua nos mesmos caminhos, nos caminhos a esquerda da Criação, a esquerda dos seres humanos, lida com as questões negativas, mas lida de forma diferente e complementar.

Exu é a força masculina a nossa esquerda, Pombagira é força feminina a nossa esquerda. Eles são guardiões de mistérios, Exu é guardião de mistério, Pombagira é guardiã de mistério.

Se as Pombagiras de Umbanda fazem par com os Exus de Umbanda, a entidade Pombagira faz par com a entidade Exu e a entidade Exu é amparada pelo Orixá Exu, a entidade Pombagira também é amparada por um Trono: o Trono dos Desejos e do Estímulo. Um Trono até então desconhecido quanto a Orixá na Umbanda e por falta de outro nome, para não inventar ou criar um nome, podemos chamar esse Trono, essa divindade de: Orixá Pombagira, nossa amada, querida, adorada, apaixonante Mãe Pombagira.

Tanto Exu, quanto Pombagira são pontos fortes e pontos fracos na Umbanda: ponto forte se a gente conhece; ponto fraco se a gente não conhece. Porque em torno de Exu e Pombagira existe muita polêmica, existe muito preconceito com relação a Exu e muito preconceito com relação a Pombagira porque as pessoas não conhecem, não sabem o que é Exu, não sabem o que é Pombagira e de ouvir falar, julgam que Exu seja o capeta, o tinhoso, o belzebu, que Exu seja ladrão, seja bandido e que Pombagira seja vulgar, seja uma mulher da vida, seja alguém de sexualidade fácil, entregue, isso não é Pombagira.

Confundem Pombagira com obsessor sexual, isso é outra coisa, as pessoas não sabem bem o que é Umbanda e criticam a Umbanda, não sabem o que é Exu e criticam Exu, não sabem o que é Pombagira e criticam, as pessoas acham que Umbanda é magia negra e falam mal da Umbanda como se fosse uma religião que pratica o mal, quando, na realidade, pratica o bem.

O preconceito com relação à Umbanda é projetado em Exu e Pombagira, até porque se Umbanda faz o mal, então justamente Exu e Pombagira devem estar à frente disso. Primeira coisa: Umbanda é religião, pratica única e exclusivamente o bem, Exu e Pombagira trabalham na Umbanda, se Umbanda só pratica o bem, Exu e Pombagira estão na Umbanda para praticar o bem, essa é a questão, estão pra ajudar, pra fazer o bem.

Fazer o bem implica em cortar o mal, desmanchar o mal, encaminhar o mal, anular o mal, desagregar a energia negativa, consumir a energia negativa, purificar a energia negativa, fazer o bem não nos isenta de lidar com o mal, mas com o mal alheio evitando que o mal alheio chegue, destrua, evitando que o mal alheio ataque, evitando a demanda alheia e o nosso mal, a maldade nossa interna porque ninguém é isento de maldade, ninguém é isento de sentimento negativo.

Exu e Pombagira também vão trabalhar os nossos sentimentos internos mal resolvidos. Exu não é trevas, mas ele desce nas trevas pra resolver os nossos problemas, Pombagira não é trevas, mas ela desce nas trevas pra resolver os nossos problemas. Exu e Pombagira formam um par. Há o Orixá Exu que sustenta toda a Esquerda da Umbanda por meio das entidades Exu e há um Orixá Pombagira, há um Trono de Deus chamado Trono Mahor que nas outras religiões tem outros nomes.

Na Umbanda esse Trono é o sustentador da linha de trabalho chamada Pombagira, agora para quem gosta de questionar, para os questionadores da mitologia Nagô Yorubá, também temos algo a dizer por que Orixá é o nome que se dá as divindades na cultura Nagô Yorubá, no Candomblé Ketu, no Candomblé que vem da cultura Nagô Yorubá se cultuam os Orixás, na África o culto de Nação da cultura Nagô cultua os Orixás.

A Umbanda tem liberdade porque a Umbanda é uma religião brasileira, não é uma religião africana, a Umbanda tem liberdade de cultuar Orixá ou de venerar um santo Católico ou um Anjo. A Umbanda tem liberdade de entender que aquilo que nós chamamos de divindades, por meio da linguagem da cultura Nagô Yorubá é identificado com o nome Orixá.

Toda e qualquer divindade que chegar à Umbanda conhecida ou desconhecida pode ser chamada de Orixá, porque esse é o nome que nós identificamos as divindades.

Na cultura Nagô Yorubá costuma-se dizer que há centenas de Orixás conhecidos e centenas de Orixás desconhecidos.

Quando alguém diz: “Olha, este é um Orixá”, quando uma entidade revela um Orixá, como Logunan, se diz: “Ah mas eu não conheço esse Orixá”, o fato de você não conhecer um Orixá, não quer dizer que ele não exista. “Mas esse Orixá não existe no Candomblé?”, o fato dele não existir no Candomblé não quer dizer que ele não existe na África. “Mas não temos nenhuma referência, não existe nenhuma lenda conhecida que esse Orixá tenha sido cultuado na África?”, há Orixás que já foram cultuados na África que seu culto desapareceu porque o culto de Orixá faz parte de uma cultura milenar em que muitos foram cultuados em épocas diferentes, o seu culto foi desaparecendo, a mesma coisa a gente vê no Egito.

No Egito houve épocas em que predominou o culto ao deus Athon, houve época em que predominou o culto ao deus Rah, houve época em que predominou o culto a este ou aquele deus, a mesma coisa na Índia.

Na cultura africana se afirma: existem centenas de Orixás, ninguém conhece todos. E há centenas de Orixás totalmente desconhecidos, Orixás desconhecidos são Orixás que não foram humanizados, Pombagira, o Orixá que nós desconhecemos o nome que é Mãe Mahor – o nome do Trono é Mahor – a sua feição como Orixá que nós desconhecemos o nome pra um Orixá que seja o Trono do desejo e do estímulo, nós desconhecemos.

Isso não quer dizer que esse Orixá nunca existiu na África e se ele nunca houvesse sido cultuado na África, ele existe entre aqueles Orixás desconhecidos, que não haviam sido revelados. Pombagira, esse Orixá que nós estamos chamando de Pombagira, com que direito nós chamamos esse Orixá de Pombagira? Com o mesmo direito que existe o Orixá Exu, nós pegamos o nome do Orixá Exu emprestado e demos o nome Exu para os nossos guardiões, espíritos humanos.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Orixá Exu na Umbanda – O Vazio – Guardiões Planetários





Orixá Exu na Umbanda – O Vazio – Guardiões Planetários

Existe sim a possibilidade de cultuar o “Orixá Exu” na Umbanda, de ter uma relação saudável com o Orixá Exu na Umbanda.

Para tanto, é importante desenvolver uma concepção Umbandista de quem é o Orixá Exu, assim como os outros Orixás são cultuados em outras religiões, na Umbanda nós temos a nossa maneira de cultuá-los, existe uma forma Umbandista de relacionar-se com Oxalá, Oxum, Xangô, Oxóssi, Obaluayê, Nanã, Oxumaré, Obá, que é diferente da maneira Candomblecista, diferente do Culto de Nação.

Da mesma forma com relação ao Orixá Exu, é importante desenvolver toda uma concepção, um pensamento acerca de quem é “Exu”, o “Orixá Exu” e que esse pensamento seja Umbandista.
                                                                                                                           
Quem é o Orixá Exu?

 A fundamentação do Orixá Exu, sob a ótica Umbandista, encontramos na literatura de Rubens Saraceni, o livro recomendado se chama “Orixá Exu”.

E o outro livro é “Livro de Exu”, de fácil leitura.

“Exu”, enquanto Orixá na Umbanda, não perde suas qualidades, a questão é: nós devemos entender compreender e explicar Exu não apenas por mitologia porque essa é uma forma Candomblecista, do Culto de Nação explicar, precisamos entender: Qual é o mistério de Exu? Quais são as suas qualidades? Onde ele se insere na gênese? Como identificar a presença desse Orixá na minha vida? Como ele pode me auxiliar? Como eu me relaciono com ele independente da entidade Exu que trabalha comigo?

Se eu trabalho com Seu Tranca Ruas, Seu Tiriri, Seu Marabô, Seu Capa Preta, Seu Sete Encruzilhadas, com Exu da Meia Noite, eles trazem essa força do Orixá Exu, mas, existe um contato, uma relação que se pode estabelecer de uma forma direta entre você e o Orixá Exu e a primeira coisa e mais importante é: você conseguir entender “quem é o Orixá Exu”, “onde ele atua, que campo”, “quem é o Orixá Exu na criação, na origem das coisas, na gênese”, começamos com um olhar para o Orixá Exu na “Gênese Divina de Umbanda Sagrada”, ou seja, na criação, na origem: quem ele é?

Existe uma sequência lógica na gênese em que identificamos, no
início dos tempos, quando nada existia, a única coisa que era real e presente é: “Olorum”, então, Olorum ou Olodumare é “Deus”.

No início dos tempos só havia o lado interno da criação, o lado interno de Deus e ele vai se exteriorizar para gerar a criação, só existia o Criador, não havia ainda a criação como nós conhecemos, apenas o Criador, a única realidade era a realidade interna do Criador, além do Criador não existia nada – o “nada” é campo de atuação de “Exu Mirim”, o Criador manifesta a intenção que está no campo de Exu Mirim, enquanto Ele não tem a intenção de criar nada existe. A partir da intenção do Criador em realizar a criação, então, no lado externo do Criador surge o “vazio”.

O “vazio” é considerado o primeiro estado da criação, Olorum tem a intenção de realizar a sua criação e o primeiro estado que surge no exterior de Olorum é o “vazio”, este é o estado de “Exu”, pertence a “Exu”, ao “Orixá Exu” o “vazio”.

O nome “Exu” em algumas traduções é lido como a palavra “esfera” e esse “vazio” é aquilo que envolve o exterior da criação, primeiro surge o “vazio” e esse “vazio”, por dentro, é preenchido com o “espaço infinito” que pertence a “Oxalá”.

Nós temos a intenção de criar que pertence a “Exu Mirim”, o primeiro estado da criação que é o “vazio” pertence a “Exu”, esse “vazio” é preenchido, ele se torna pleno por meio do “espaço infinito”, essa é a condição para que surja a criação. Primeiro o “vazio” e depois o “infinito”, a “plenitude”, é uma dualidade, uma relação dual entre Oxalá que é o espaço infinito e o vazio de Exu, que recebeu o espaço.

Exu é guardião dos exteriores, por isso também é assentado e firmado do lado de fora, do lado exterior, ele guarda a criação do lado externo, ele é anterior a tudo e a todos, essa é a presença, o papel do “Orixá Exu” na Gênese, ele é o “Senhor do vazio”.

Entendemos que Exu é anterior a Oxalá, Exu é anterior a todos os outros Orixás. A partir do momento que existe um espaço infinito, então as coisas vão ser criadas.

 A partir do espaço infinito, vão sendo assentados todos os outros Orixás, todas as outras divindades e então começa a criação dos mundos. Essa é uma visão, um olhar sobre a Gênese Umbandista, sob esse olhar temos Exu enquanto a divindade do vazio, o Trono do vazio e ele é também Trono da vitalidade, o Trono do vigor.

 É ele quem vitaliza os sete sentidos da vida, o “Orixá Exu” é a própria vitalidade da criação, o vigor da criação, nós temos um olhar para ele enquanto o “vazio”, o olhar da “gênese” e o olhar do “mistério” vitalidade em Exu, se nós conseguimos imaginar o Trono Exu, a divindade Exu, olhar para ele e entendê-lo como o “Trono da Vitalidade” isso traz uma nova interpretação, uma nova forma de ver, enxergar e compreender o “Orixá Exu”.

Ele é a divindade que dá toda vitalidade para a criação, é ele quem nos vitaliza, quem nos dá força, quem nos dá vigor. E ao mesmo tempo ele faz par com “Pombagira”, ela é o estímulo e o desejo, ela é a força.

Ele é o vitalizador, a divindade vitalizadora da Fé, do Amor, do Conhecimento, da Justiça, da Lei, da Evolução e da Geração.

A partir daí surgem os sete guardiões maiores dos sete sentidos, nós temos o “Orixá Exu Maior” que é o Trono da Vitalidade e abaixo dele nós temos os sete Orixás Exus Planetários, o “Vitalizador da criação”, o “Trono Exu”, o “Orixá Exu” e abaixo dele eu tenho então “Orixá Exu Guardião dos Mistérios da Fé”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios do Amor”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios do Conhecimento”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios da Justiça”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios da Lei”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios da Evolução” e “Orixá Exu Guardião dos Mistérios da Geração”.

Desta forma nós temos: um Orixá Exu Maior que é o Orixá Exu – Senhor do vazio e ao mesmo tempo “Trono da Vitalidade”, que vitaliza os sete sentidos da vida, que nos traz a vitalidade, nos traz essa força, essa energia, daí a relação de Exu com a questão fálica por ele ser “o vitalizador”.

Ele não está entre os quatorze Tronos, os quatorze Orixás. Primeiro porque ele é anterior a tudo na criação, segundo porque Orixá Exu é um Trono a parte que vitaliza o mistério de todos os outros Orixás.

A partir desses sete Orixás Exus Maiores, temos, abaixo deles, mais quatorze Orixás Exu que são: “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Oxalá”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Logunan”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Oxum”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Oxumaré”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Oxóssi”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Obá”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Xangô”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Egunitá”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Ogum”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Yansã”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Obaluayê”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Nanã Buroquê”, “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Yemanjá” e “Orixá Exu Guardião dos Mistérios de Omulu”.

Temos: “Orixá Exu Maior”, os sete “Orixás Exu Guardiões Planetários” e os quatorze “Orixás Exu Guardiões dos Mistérios dos Orixás”, por isso Exu é tratado à parte.

A afirmação que “Exu rege o vazio”, que “ele envolve toda a criação”, que “ele é o Guardião do lado externo da criação”, isso nos faz entender que Exu está em todos os lugares. Exu é “Senhor da Encruzilhada” porque ele está ali onde os caminhos se cruzam, onde as realidades se cruzam e ao mesmo tempo ele está em todos os lugares, não há um lugar onde não tenha Exu.

Podemos considerar a “encruzilhada” como um ponto de força de Exu porque ela simboliza os momentos da vida onde os caminhos se cruzam - a “encruzilhada” simboliza o encontro de duas realidades, a “encruzilhada” simboliza a descida vertical que cruza com uma realidade horizontal, ali está o Orixá Exu, mas, ao mesmo tempo ele está em todos os lugares.

Se eu vou à cachoeira, que é ponto de força de Oxum, ali tem o “Exu Guardião da Cachoeira”, ali está “Exu Guardião dos Mistérios de Oxum” e ali está “Exu dos Minerais” e ali está a hierarquia de Exus que trabalham na força de Oxum, tanto os espirituais quanto os naturais e os encantados.

Exu está em todos os lugares, se eu vou ao mar ali tem força de Exu, se eu vou à pedreira ali tem força de Exu, se eu vou à mata ali tem força de Exu, na terra, na água, no ar onde for tem a força e o poder de Exu.

Exu guarda a criação pelo seu lado externo, está em todos os lugares, rege um mistério chamado “Mistério do Vazio”, sem o vazio não há plenitude, não há como criar os mundos sem antes você ter um espaço vazio para ser preenchido.

Oxalá está em todos os lugares porque Oxalá é o próprio espaço infinito que faz par com Logunan que é o tempo – Logunan é o tempo / Oxalá é o espaço – Oxalá é espaço infinito, Exu é o vazio que acolheu esse espaço.

Exu é vazio e Oxalá é plenitude, os Orixás formam outros tipos de pares e não apenas aqueles pares que um com o outro formam um casal, há outros tipos de polaridades.

 Exu tem uma atuação chamada de tripolar, ele atua de forma positiva, de forma negativa e de forma neutra por isso ele é tripolar, ele é dual, ele atua a partir do aspecto universal e do aspecto cósmico, ou seja, junto e em parceria com os Orixás universais e com os Orixás Cósmicos.

Exu atua a partir do negativo de toda a criação, na sua tripolaridade e esse é o simbolismo do tridente na Umbanda, o símbolo de Exu é o tridente que traz um simbolismo antigo.

O tridente é um símbolo de força, de poder.

 O Tridente simboliza trindade, ou seja, o poder sobre uma realidade “trina”, na cultura grega esse poder está sobre a terra, o mar e o ar, ou seja, a divindade que domina a terra, aquela que domina o mar, a que domina o ar, aí está um simbolismo para o tridente.

Tridente é símbolo de poder de Shiva e, diga-se de passagem, Shiva naquela cultura Hindu sendo a terceira pessoa, tem como primeira pessoa “Brahma” que é o Criador, “Vishnu” que é o mantenedor da criação e “Shiva” é o destruidor, então ele destrói para que Brahma construa outra vez, Vishnu mantém e Shiva destrói, esse é o eterno ciclo da criação, que é: criar, manter e destruir – criar, manter e destruir – esse é o ciclo. Shiva é a terceira pessoa da trindade que tem um poder absurdo, ele não apenas é o destruidor, ele também traz um simbolismo fálico.

 Aquele que nós cultuamos como Orixá Exu, sua força fálica, a sua força de vigor, de vitalidade está presente em muitas outras culturas com outros nomes.

Na cultura grega, Hermes é irmão de Oxalá onde Oxalá aparece como Apolo.

A divindade grega chamada Apolo tem as mesmas qualidades de Oxalá e ele é irmão de Hermes que tem as mesmas qualidades de Exu.

Nas lendas, nos mitos, Exu mexe com sua emoção, mexe com seu brio, mexe com seu ego, essa é também uma relação entre Oxalá e Exu - que aqui pra nós será uma relação entre direita e esquerda: direita é a razão, esquerda é a emoção.

Exu é o “Senhor da esquerda” porque ele mexe com as nossas emoções.

São muitas informações sobre Exu que vem desde o Orixá Exu até a entidade Exu, temos o Orixá Exu que representa tudo isso: o lado externo da criação, o vazio. Por isso, ele é firmado do lado de fora da casa porque ele é o guardião do lado externo.

Orixá Exu: guardião do vazio e do lado externo da criação, guardião dos exteriores, por isso também ele é firmado e assentado do lado de fora da casa ou ao lado da porta, no caso de um Terreiro, se faz uma tronqueira que é onde está o assentamento de Exu.

Dessa forma, temos o “Orixá Exu Maior” que é guardião dos mistérios dos outros Orixás, mas não apenas isso, ele tem o seu próprio mistério, o mistério de Exu é o mistério da “vitalidade”, do “vigor”. A sua relação com essa criação é a relação daquele que guarda o vazio tendo um mistério próprio: “vitalidade” e “vigor”.

Ao mesmo tempo, temos um lado interior e um lado exterior, ele nos guarda, daí vem o dito que “Exu guarda o corpo”: “Exu Lebara” ou “Exu Bara” que quer dizer o “corpo”, a “corporeidade”. Ele nos guarda e tem uma relação íntima com aquilo que é carnal, encarnado, humano, ele tem uma relação íntima com a nossa casa, com o invólucro.

Exu é guardião de toda criação por ser o lado externo da criação. Exu é guardião dos mundos porque guarda o lado externo dos mundos. Exu é guardião do meu trabalho, do meu Terreiro porque ele guarda o externo do meu Terreiro. Exu é guardião da minha casa porque ele guarda o externo da minha casa. Exu é meu guardião porque ele guarda o meu externo, o meu corpo é o meu mundo, é a minha casa.

Existe um simbolismo entre a casa material e o corpo enquanto casa, morada da alma e do espírito. Exu guarda a minha casa, Exu guarda a minha morada, guarda meu corpo, minha corporeidade, no momento em que eu estou firmando Exu do lado de fora da casa ou na porta ou na porteira, eu estou simbolicamente firmando do lado de fora do meu corpo.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

A Vitalidade – Orixá Exu – Cultura Yorubá




A Vitalidade – Orixá Exu – Cultura Yorubá

Exu é uma divindade como todas as outras, todas as divindades tem origem em Deus, mas a origem cultural de Exu é Africana, Nagô Yorubá.

Na África, os Orixás aparecem na cultura Nagô Yorubá, cultura essa que fala a língua dos Orixás e que é a língua Yorubá, é uma cultura mitológica que explica o mundo, a religião, a fé, a forma de se relacionar com o sagrado, tudo é explicado por meio de mitos – os mitos são relatos.

Relatos estes que nos dão pistas de como entender a vida, entender as coisas por meio do auxílio de arquétipos e das divindades que se manifestam por esses arquétipos. A região que corresponde a essa cultura é a região da Nigéria, no passado cada Orixá tinha uma nação correspondente, uma cidade na qual ali estava o seu culto.

O culto de “Oxalá”, de Obatalá, que é Oxalá, o culto de Oduduá estava na cidade de Ifé – Ilê Ifé; o culto de “Xangô” e de “Yansã” estava em Oyó; o culto de “Oxum” estava em Ijexá; o culto de “Ogum” estava em Irê; o culto de “Oxóssi” estava em Ketu e o culto de “Exu” estava em todos os lugares.

Na África existiam Templos dedicados aos Orixás em cada lugar, mas Exu ninguém sabe dizer qual a cidade ou a nação original ao culto de Exu porque Exu é cultuado em todas as nações, Exu é cultuado em todos os lugares.

Exu é tão importante, que nos mitos, nas lendas, até Oxalá deve oferendar Exu antes de realizar algo e isso é descrito no mito fundante da cultura Nagô Yorubá em que Olorum ou Olodumare que é Deus, chama Oxalá e lhe dá a incumbência de criar o mundo, lhe dá o saco da criação e Oxalá sai do Orum que é o céu para o Ayê que é a Terra com o saco da criação nas mãos.

Oxalá está saindo do Orum para o Ayê então ele está, vamos imaginar esse movimento, saindo do Ayê e descendo para o Orum, vamos imaginar que isto é uma descida vertical, em algum momento há um limiar em que se separa o que está no Orum daquilo que está no Ayê, o que está em cima, o que está embaixo.

Graficamente falando, porque no espaço não há o que está em cima, o que está embaixo. Você precisa ter a terra, o chão, a gravidade e um ponto de referência, mas, aqui temos duas coisas, uma relativa à outra: Orum e Ayê.

 E alguém sai do Orum para o Ayê, Oxalá faz a descida para o Ayê, se é uma descida, na vertical, ele cruza o limiar que está na horizontal. Imagine que a descida na vertical de Oxalá cruzando o limiar, ali faz surgir um ponto na criação que é uma encruzilhada, ali já está Exu.

Por isso que se diz “Oxalá é o mais velho dos Orixás”, mas, no momento em que ele faz essa ida do lado interno da criação/do céu/do Orum para o Ayê, ele que é o mais velho se depara com Exu que já estava lá.

Exu é o mais controverso dos Orixás, se diz que “Ele pega hoje, a pedra que vai tacar amanhã”. Exu faz o certo ficar errado e o errado ficar certo porque ele lida com a nossa dualidade, com a dualidade humana. E ali Oxalá sai com o saco da criação e Exu que é “Senhor da Encruzilhada” que está lá vendo Oxalá passar, Oxalá talvez por ser muito velho, talvez por ser o primeiro, talvez por ser o mais esquecido dos Orixás não fez oferenda a Exu.

Exu, que é também “Senhor da magia”, fez com que Oxalá tivesse muita sede e ali, onde Oxalá vai criar o mundo, Exu coloca uma palmeira e Oxalá fura a palmeira para beber o liquido que está lá dentro, Exu colocou vinho e Oxalá se embriaga desse vinho.

 Exu toma o saco da criação.

 Quando Oxalá acorda, o mundo está criado porque uma dormidinha de Oxalá deve durar milênios e vai até Olorum e diz: “Senhor, meu Pai, veja o que me aconteceu” – isso é mito, isso nunca aconteceu historicamente, isso é um mito pra ensinar coisas sobre os Orixás, pra dar mensagens sobre os Orixás, é para lhe dizer que se até “Oxalá precisa oferendar Exu antes de realizar uma empreitada por que é que você não vai oferendar?”.

 É para lhe dizer que “Exu”, esse Orixá que sofre um preconceito terrível, é um Orixá assim como os outros, da mesma estatura, do mesmo escalão, da mesma altura, do mesmo tamanho, da mesma importância, com os mesmos valores que Oxalá, Oxum, Osóssi, Xangô, Obaluayê, Nanã, Yemanjá e que ele já estava lá no primórdio dos tempos, antes que existisse o tempo e o espaço, antes do mundo existir, Exu já estava lá junto de Oxalá. Ele é “senhor das Encruzilhadas”, “Senhor dos mundos”, ele é o “Senhor da magia”.

Olorum diz a Oxalá: vou lhe dar a incumbência de criar os homens, você se estabeleça na terra e ali você vai criar os homens do barro, Oxalá vai criar o homem e a mulher do barro.

 Daí se diz que Oxalá faz o homem e a mulher de barro e coloca no forno, é dito que ele ainda estava um pouco embriagado, por isso que tem um que sai mais escurinho, outros menos queimadinhos, outros mais clarinhos, mais gordinhos, outros mais magrinhos porque Oxalá ainda estava meio embriagado e é um tabu a relação de Oxalá com bebida alcóolica, é uma maneira de explicar, de relacionar ou dizer “bebidas alcóolicas não combinam bem com a energia de Oxalá.

Oxalá se estabelece e começa a criar os homens a partir do barro, todos os Orixás visitam Oxalá porque Oxalá é importante na cultura Africana, o mais velho é muito respeitado, todos vão visitar o mais velho, todos visitam, todos os Orixás visitam Oxalá pra aprender um pouco, pra absorver a sua sabedoria, mas Exu chega à casa de Oxalá “de mala e cuia”, Exu chega para morar com Oxalá e isso nos mostra que Oxalá é Orixá do perdão, ele recebe Exu de portas abertas como igual, como um irmão.

 E Exu se oferece pra trabalhar com Oxalá porque se todos vão visitar Oxalá pra aprender alguma coisa, Exu vai morar com Oxalá pra aprender mais do que todos os outros porque Exu é muito sabido, Exu é muito esperto, ele vai morar com Oxalá até ao ponto de que Oxalá fica tão agradecido a Exu que Oxalá diz assim, olha: “Antes de chegar à minha casa por esse caminho tem uma encruzilhada, eu vou lhe dar aquela encruzilhada de presente, ninguém mais chega à minha casa sem passar por aquela encruzilhada. Agora você mora na encruzilhada”, então Exu que já é o “Senhor das Encruzilhadas dos mundos” ganha a encruzilha de Terra, a encruzilhada na Terra de Oxalá.

A encruzilhada simboliza os momentos na nossa vida em que nós estamos sem saber por aonde ir e nesses momentos Exu está lá.

 Oxalá dá a encruzilhada pra Exu e agora ninguém chega à casa de Oxalá sem passar pela casa de Exu e ninguém visita um Orixá, que é alguém muito importante, sem levar um agrado, uma prenda, um presente – agrado pra Orixá é oferenda – então, ninguém mais chega à casa de Oxalá sem oferendar Exu.

O correto é: sempre que for fazer algo pra qualquer Orixá antes fazer um agrado pra Exu, fazer uma oferenda pra Exu.

Exu é aquele que abre os caminhos, é aquele que transporta o axé, que potencializa que dá força, vigor, energia.

 Exu guarda a encruzilhada dos mundos, a encruzilhada da vida, a encruzilhada do caminho.

. Diz ainda esse mito que Orumilá, “Senhor de Ifá”, da revelação, queria um filho homem e vai a casa de Oxalá e Oxalá diz que não tem, que não fez ainda um filho para Orumilá. Então, Orumilá diz “Eu quero como filho aquele que está na encruzilhada” e Oxalá ainda diz “Não, você não vai querer aquele”, ele diz “Eu vou querer aquele” e é Exu.

 Oxalá diz “Passe pela encruzilhada, coloque a mão na cabeça dele e vá pra sua casa e encontre uma de suas esposas – que Orumilá tinha muitas esposas, a cultura Nagô é uma cultura onde normalmente os homens tinham muitas mulheres e ai com uma das suas esposas ele tem então um filho e nasce Exu na casa de Orumilá.

Exu nasce na casa de Orumilá sem sair da encruzilhada de Oxalá, Exu está na encruzilhada de Oxalá sem ter saído das encruzilhadas dos mundos, Exu se multiplica, Exu é múltiplo – são muitos.

E Exu nasce com uma fome voraz, Exu é a boca coletiva, ele fala por todas as bocas e ele come por todas as bocas, por isso ele é a boca coletiva, ele tem fome e ele come tudo que tinha pra comer.

Orumilá não sabe mais o que fazer e consulta o oráculo, consulta Olorum, Olorum lhe diz pra voltar pra casa fazer uma oferenda pra Ogum e voltar pra casa com a espada. Quando ele chega a casa, Exu comeu tudo o que tinha de comer, depois começou a comer tudo mais que ali havia, comeu porta, comeu janela, comeu parede, comeu cadeira, comeu tudo, devorou, engoliu aquela realidade inteira e comeu a mãe, engoliu a mãe e Orumilá fica furioso, vai atrás de Exu e persegue Exu por todos os Oruns, são nove Oruns.

Exu fugiu para o Orum, ou seja, nove céus e Exu em cada Orum que passa, vai se multiplicando e os outros Orixás estão nos Oruns, Exu passa por Xangô e ai fica “Exu de Xangô”, passa por Yemanjá e ali fica “Exu de Yemanjá”, Exu passa por Oxóssi e ali fica “Exu de Oxóssi”, Exu passa pela porteira e fica ali “Exu da Porteira”, passa pela porta fica “Exu da Porta”, Exu entra por um caminho e ali surge “Exu dos Caminhos”, Exu entra na mata surge “Exu da Mata”, Exu entra na cachoeira surge “Exu da Cachoeira”, Exu se multiplica, pra tudo existe Exu e Exu vai pulando primeiro Orum, para o segundo, para o terceiro, Exu coalha todos os Oruns.

Há Exu pra tudo que existe, pra cada qualidade divina, pra cada divindade, pra cada situação da vida há Exu e Orumilá encurrala Exu com a espada em seu gargomilo, no cantinho do Orum e Exu diz “Não papai, não papai, não me mate, eu lhe devolvo a mamãe”, então Exu devolve a mamãe - que nessa lenda é Oxum, em outras lendas são outras mães – e aí Orumilá fica agradecido e diz pra Exu: “Meu filho, agora meu irmão, meu amigo” Exu é o melhor amigo de Orumilá - Isso é uma lenda, um mito, Orixá não briga, não existe briga de Orixá, cada mito tem uma lenda, uma discussão que é pra você aprender alguma coisa, não é pra você achar que Orixá briga.

Orumilá diz: “Estou muito agradecido a você Exu, lhe quero bem, você é meu melhor amigo, vou lhe dar um oráculo, vou lhe dar o Merindelogun – que quer dizer o “jogo dos dezesseis”, aqui no Brasil é o “jogo de búzios” – vou dar pra você o jogo de búzios – porque o jogo de Ifá é de Orumilá, o “Oráculo de Ifá” – vou lhe dar o jogo de búzios para que você Exu possa se comunicar com os homens, sempre que alguém quiser saber alguma coisa sobre nós, as divindades, sempre que alguém quiser saber sobre presente, passado e futuro, essa pessoa pode jogar os búzios e é você Exu quem vai mexer nos búzios, você que vai responder, você também a partir de agora, Exu, é também – e não “apenas” – mensageiro dos Orixás.

Exu não é apenas “mensageiro dos Orixás”, Exu não é “office boy” dos Orixás, Exu não é carteiro dos Orixás, Exu não é menino de recado dos Orixás. Exu é uma divindade que também é mensageiro dos Orixás porque Exu é benevolente, porque Exu é querido, porque Exu é aquele que quer ajudar, que se dispõe a ajudar, mas que está o tempo todo lidando com o ego do ser humano.

Em todas as lendas há algo que diz respeito ao ego, o ego é humano, a divindade, quando numa lenda reflete o ego, a vaidade é simplesmente pra mostrar, pra dar um recado pra nós encarnados de como lidar com essas questões. Mas, Oxum fica enciumada – é lógico que a divindade não tem ciúmes, mas as filhas de Oxum têm no negativo, bastante ciúme – fica enciumada porque você deu isso a Exu e pra mim? O que tem pra mim, pra me ofertar, pra me agradar? Então, Orumilá diz “Eu darei a você e em sua homenagem, a todas as mulheres a liberdade, o direito de jogar o jogo de búzios”, é por isso - por Oxum - é que as mulheres podem jogar o jogo de búzios também é dito que as filhas de Oxum têm uma relação especial com as questões oraculares.

Estas são lendas pra explicar quem é Exu / o que é Exu / quem é Orixá Exu na cultura Africana Nagô Yorubá. Tudo se explica por meio de lendas, então são lendas e mitos que vão dizendo: porque tem esse valor / porque tem aquele valor, que vão explicar quem é o “Orixá Exu”.

Há uma lenda que diz que todos os Orixás estavam em festa e tudo dava errado naquela festa, as comidas que iam sendo preparadas não ficavam boas, as pessoas discutiam, brigavam no ambiente, tudo dava errado. Então, alguém foi consultar o Oráculo de Ifá e questionar “Por que é que as coisas dão errado”?, a resposta foi: “ tudo dá errado porque Exu não foi convidado”, Exu está do lado de fora - mais uma vez ressaltado “Senhor da magia” – ele está fazendo isso para que tudo dê errado porque vocês não convidaram Exu.

Isso é um mito, uma lenda, uma historinha pra dizer “Você não deve dar uma festa sem antes convidar Exu”. E daí vem outro conceito em que algumas pessoas dizem que “despacha Exu” – “despachar” é mandar embora – então, alguns dizem “Você deve despachar Exu pra ele não atrapalhar”, é justamente o contrário. Nessa lenda Exu atrapalha porque ele não foi convidado a entrar, nós não despachamos Exu no sentido de “mandar embora”, porque se criou o conceito de que Exu atrapalha você manda ele embora. O que atrapalha é você não conhecer Exu, o que atrapalha é você não ter a força de Exu, o que atrapalha é você não ter a proteção de Exu.

Antes de qualquer coisa nós oferendamos Exu, nós saudamos Exu “Laroyê Exu. Exu é Mojubá”, esta é a saudação, a maneira correta de se dizer: “Laroyê Exu. Exu é Mojubá” ou “Mojubá” – “Laroyê” quer dizer, essa palavra não é traduzida ao “pé da letra”, “Laroyê” quer dizer: “Acorda Exu” / “Vamos trabalhar Exu” / “Olha por mim Exu” / “Me guarda Exu”. E “Mojubá” quer dizer: “Eu me curvo perante o seu poder, perante a sua força”, é, dizer “Eu me curvo” é mesma coisa que dizer “Você é grande” / “Você é importante”, por isso alguns dizem “Exu é Mojubá” que quer dizer “Exu é grande” / “Exu é importante” / “Senhor de força, de poder”.

Nós não mandamos Exu embora, nós chamamos Exu pra junto, pra nos proteger, pra nos guardar. Ele lida com a dualidade humana e para isso, há outra lenda Nagô Yorubá que diz que dois amigos trabalhavam a terra, eram vizinhos de propriedade e os dois eram trabalhadores que cuidavam da terra, que plantavam que aravam e etc.

Para eles nada mais importava na vida, apenas a sua amizade de um para com o outro, havia também um ego, um egoísmo, uma idolatria daquela amizade, uma questão humana.

 Diz a lenda, que os dois estavam trabalhando, Exu passou na divisa das propriedades, Exu passou entre os dois amigos com um chapéu na cabeça: metade branco, metade vermelho. Aí um amigo falou para o outro: “Você viu esse homem que passou aqui? Que ousadia passou no meio da nossa propriedade, esse homem com esse chapéu branco” e o outro disse “Não, ele estava vestindo um chapéu vermelho”, “Não, o chapéu era branco”, “Não, o chapéu era vermelho”, eles começaram a discutir porque um viu um lado de Exu branco e o outro viu o outro lado de Exu vermelho.

E eles discutiram porque um foi incapaz de olhar pelo ponto de vista do outro.

sábado, 9 de maio de 2015

– Mãe Yemanjá – Pai Omulu – A criação -



– Mãe Yemanjá – Pai Omulu – A criação -

“Mãe d´água Rainha das ondas, sereia do mar. Mãe d´água seu canto é bonito quando tem luar. Yê Yemanjá Rainha das ondas, sereia do mar. Rainha das ondas, sereia do mar”.

 A sétima linha de Umbanda, a sétima vibração, a linha da água, da vida e da geração onde está no polo universal nossa Mãe Yemanjá e no polo cósmico o nosso Pai Omulu. Yemanjá é a grande mãe, considerada a mãe de todos os Orixás.

Nanã Buroquê é considerada a avó de todos os Orixás, a mais velha de todas as mães Orixás, mas, quando se diz que Yemanjá é a mãe de todos é porque Yemanjá, personifica a qualidade mãe.

Cada Orixá tem uma qualidade: Oxum é senhora do amor e é vista com certa jovialidade, Nanã é senhora da evolução e é uma anciã, Yansã é uma guerreira, Obá é a determinação, Logunan é a senhora da religiosidade, Egunitá é a mãe do fogo, Yemanjá é “A mãe”. Graças a Yemanjá que nesse mundo é possível que existam as “mães”.

Cada orixá tem um “axé”. Dizem que Oxumaré é o Orixá das cores, graças a Oxumaré o mundo é colorido. Oxalá é o Orixá da fé, graças a Oxalá nós podemos ter e manifestar a fé no que quer que seja. Graças a Yemanjá nós temos “mãe”, Yemanjá é a personificação e a identificação do sagrado feminino na sua qualidade maternal.

Na Umbanda se fala muito em sincretismo, nós poderíamos dizer que sincreticamente falando de Oxum seria como fosse “Maria Virgem”, virginal, pura; Yemanjá é “Maria Mãe”, essas são as qualidades que buscamos em Yemanjá, a qualidade da “mãe”.

Cada Orixá é a individualização de Deus em uma das suas qualidades, Ogum traz em si as qualidades de Deus na Lei, na Guerra; Xangô traz as qualidades de Deus na Justiça; Oxum traz as qualidades femininas de Deus no amor e Yemanjá é Deus no seu aspecto feminino e na sua qualidade mãe. Nós temos algumas religiões que são muito paternalistas, religiões que são totalmente voltadas ao masculino, religiões nas quais Deus é apresentado única e exclusivamente como “Pai”.

Na nossa cultura judaico-cristã, pouco se fala em Deus na sua qualidade “mãe”, se Deus é pai, Ele também é mãe. Da mesma forma como nós rezamos ao “Papai do céu”, nós deveríamos rezar a “Mamãe do céu” ou a “Mamãe natureza” ou ao “Papai” que há dentro de cada um de nós por meio da centelha viva do Criador.

E Deus Pai está em todas as divindades masculinas ao mesmo tempo, assim como Deus ou Deusa Mãe são em si todas as divindades femininas ao mesmo tempo. E todas as divindades femininas dentro desse olhar da “Teologia de Umbanda” estudando as divindades a partir de sete vibrações, sete linhas, nós dizemos: que Deus é mãe e manifesta-se como mãe por meio de: Logunan, Oxum, Obá, Yansã, Egunitá, Nanã e Yemanjá E em Yemanjá o Criador ou a Criadora está totalmente à vontade e presente nesta qualidade “mãe”.

Assim como entre os Orixás que são os nossos pais, nós temos Pai Oxalá, nós temos Pai Oxumaré, Pai Oxóssi, Pai Xangô, Pai Ogum, Pai Obaluayê e Pai Omulu. Todos são os nossos pais, mas Oxalá, melhor do que qualquer outro idealiza a qualidade “Pai”, o fato de dizer que Yemanjá é a mãe não nega o fato de que Oxum também é nossa mãe, Yansã também é nossa mãe, Egunitá também é nossa mãe, Logunan é nossa mãe, Nanã Buroquê a velha anciã, a nossa avó também é a nossa mãe, mas, Yemanjá personifica a qualidade “mãe”.

O homem na sua forma de conectar-se a Deus, de buscar o sagrado, tem necessidade de ir ao encontro do que é divino na sua qualidade masculina, na sua qualidade feminina. Tanto é que nós pegamos uma religião como o Cristianismo e mais especificamente a religião Católica, que é uma religião onde Deus é: Pai, Filho e Espírito Santo, mas o ser humano tem necessidade de relacionar-se com o sagrado feminino nas suas várias qualidades em que a divindade feminina se manifesta.

Por isso na religião Católica, foi necessário se colocar “Maria” na qualidade de “mãe de Deus”, esta é uma qualidade que pertence a Yemanjá na Umbanda: “mãe”, perante aquilo que é o sagrado ela é a grande mãe, uma mãe que passa dificuldades com os seus filhos, seja por dificuldades dos próprios filhos ou por dificuldades dela em criar os filhos, essa mãe vai buscar em Deus algo que entenda, vai buscar em Deus “Maria” que também é mãe “Maria a mãe de Jesus” que entende as suas dores, as suas dificuldades porque assim como ela também é “mãe”.

Na Umbanda temos “Mãe Yemanjá” e todos nós a buscamos quando sentimos necessidades da mãe ou as mães buscam Yemanjá por ela entender as questões relativas e pertinentes a “mãe”. Por ser senhora da Geração, Yemanjá também é aquela que traz a qualidade de gerar.

Yemanjá está presente em muitos momentos e principalmente no começo da vida, ou seja, o ato de dar a luz, de gerar, está dentro do campo de Yemanjá; fecundar pertence a Oxum, expandir-se pertence a Oxóssi, transformar-se pertence a Obaluayê, gerar e nascer pertence a Yemanjá.

Buscamos Yemanjá para nos dar essa força de geração, força de criação, força que também é uma força de criatividade, buscamos na mãe que é a “mãe d´água”, a senhora do mar, a rainha do mar.

Yemanjá está no elemento água, “água de chuva” para Yansã, “água ferruginosa” para Ogum, “água de cachoeira” para Oxum, “água de orvalho” para Logunan, “água ou líquidos vegetais para Obá” – mas, todas as águas são de Yemanjá por que o mistério água pertence a Yemanjá.

No que diz respeito à água podemos dizer que a vida vem da água, todos nós temos origem na água. O nosso planeta, chamado “Planeta Terra” poderia ou deveria ser chamado “Planeta Água” porque 70% desse planeta é água e o nosso corpo, a exemplo do planeta, também é 70% água.

O nosso mundo e cada um de nós é muito mais água do que terra, Yemanjá é água. Yemanjá é a água e todas as águas. A água é considerada veículo das emoções, dos quatro elementos: terra, água, ar e fogo, dos sete elementos que são esses quatro mais o: cristalino, mineral e vegetal, o elemento água é considerado o elemento das emoções, Yemanjá também mexe com as nossas emoções, por ser água ela lida muito com as nossas emoções.

Por ser mãe, ela é a que primeiro nos recebe, é aquela que está presente na sua vida quando você é mãe, é aquela que está presente na sua vida quando você é filho ou quando você é filha, está presente na sua vida quando você quer criar, gerar coisas novas, quando você precisa ter ideias, quando você precisa ter criatividade, quando você precisa tomar conta.

Ela é a mãe que cria que sustenta, que mantém, é a mãe que lhe ajuda a manter e estabelecer famílias, é uma mãe muito relacionada com a questão da família, de manter a família, de sustentar a família, de estabelecer uma família, a força de Yemanjá nos traz essa energia também de estabelecer famílias onde nós estamos, de tornar tudo muito mais familiar, próximo.


Yemanjá também é senhora do cuidado, do zelo e, às vezes, até de certo controle, é aquela que cuida dos seus filhos, que quer cuidar dos seus filhos e que precisa saber onde estão os seus filhos, como estão os seus filhos. Senhora rainha do mar, das águas do mar, a nossa mãe Yemanjá, a mais popular de todas as mães Orixás.

Você pode conhecer muitas pessoas que não sabem o que é Umbanda, que não tem ideia do que é Candomblé, que não conseguem entender o que seja uma divindade, um Orixá, mas, uma coisa é certa: todos, absolutamente todos já ouviram falar de “Yemanjá”.

Yemanjá é o mais popular de todos os Orixás.

Não se sabe por que Yemanjá é tão popular e das suas festas serem tão frequentadas, o fato é que a festa de Yemanjá é o maior ritual de Umbanda a céu aberto, o ritual de Umbanda mais popular e se realiza em São Paulo numa data, no Rio de Janeiro em outra data na Bahia em outra data.

Por causa do sincretismo religioso, em São Paulo, a festa de Yemanjá acontece em dezembro na data de Nossa Senhora da Conceição porque tradicionalmente em São Paulo, no município de Praia Grande, na década de 60, se fazia uma festa de Oxum e Yemanjá no dia de Nossa Senhora da Conceição e em dezembro se tornou apenas festa de Yemanjá na data de Nossa Senhora da Conceição que é sincretizada com Oxum.

 No Rio de Janeiro, a festa de Yemanjá acontece na virada do ano, inclusive é por conta e por causa da festa de Yemanjá na virada do ano, que as pessoas no Rio de Janeiro começaram a usar roupa branca.

Vestir roupa branca, pular sete ondas, estourar champanhe e levar flores no mar, são coisas de “macumbeiro”, de Umbandista, é algo que fazia parte de um ritual da religião de Umbanda e que empolgou o povo, hoje, no Brasil inteiro, as pessoas passam o “Réveillon” de branco pra dar sorte e esse “dar sorte” é algo que fazia parte da realidade Umbandista.

E faz parte da realidade Umbandista que, na virada do ano, pular sete ondas simboliza as sete vibrações, as sete linhas de Umbanda, vestir-se de branco porque é a cor da religião de Umbanda. No Rio de Janeiro, a festa de Yemanjá acontece em fevereiro porque lá o sincretismo de Yemanjá é feito com Nossa Senhora dos Navegantes, a data de Nossa Senhora dos Navegantes acontece em fevereiro.

Por isso em cada lugar há festa de Yemanjá por conta do sincretismo. Embora, dificilmente se veja uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes no altar para representar Yemanjá, dificilmente se veja uma estátua de Nossa Senhora das Graças ou alguma outra imagem para sincretizar com Yemanjá. Porque Yemanjá é o único Orixá que tem uma imagem Umbandista, diferente dos outros Orixás.

Qual é a estátua ou a imagem que se usa para Oxalá? É a imagem de Cristo.

 Qual é a imagem ou a estátua que usa para Oxum? Nossa Senhora da Conceição.

Qual é a estátua ou imagem que se usa para Oxumaré? É São Bartolomeu.

 Qual a estátua ou imagem que se usa para Logunan? Pode ser a de Santa Clara.

Qual a estátua ou imagem que se usa para Obá? Joana D´Arc.

Pra Oxóssi? São Sebastião. Pra (Sangô) Xangô? São Jerônimo. Pra Egunitá? Santa Sara Kali. Pra Ogum? São Jorge. Pra Yansã? Santa Bárbara. Pra Nanã Buroquê? Santa Ana que é avó de Jesus. Pra Obaluayê? São Lázaro. Pra Omulu? São Roque.

E pra Yemanjá?

 Uma estátua de Yemanjá, aquela estátua de Yemanjá que é uma mulher branca, vestida de azul, com cabelos negros e que no quadrinho aparece acima do mar, é uma imagem que foi descrita por uma clarividente senhora Dala Paes Leme – história contada por Pai Ronaldo Linares, disse que na década de 50 essa senhora Umbandista viu Yemanjá sobre as águas do mar no Rio de Janeiro e descreveu isso para um artista desconhecido que fez o primeiro quadrinho de Yemanjá, a partir desse quadrinho então foi idealizada a imagem de gesso.

As tradicionais imagens de gesso de Yemanjá começam a aparecer tardiamente nos Terreiros de Umbanda na década de 50, começa a aparecer entre a década de 50, 60 e na década de 70 essa imagem vai se popularizar.

Em São Paulo ficou muito famosa e conhecida a festa de Yemanjá em Praia Grande que é uma praia que foi emancipada de Santos em torno de 1969 quando começaram as festas de Yemanjá e ocupava a orla marítima inteira.

Naquela época, começo da década de 70 a Umbanda foi um fenômeno religioso que só podia ser comparada ao que é hoje o fenômeno de algumas igrejas Evangélicas Neopentecostais.

 Acredita-se que na época milhões de pessoas iam à praia para a festa de Yemanjá, o fato também ajudou a dar popularidade a religião, muita gente não conhece a Umbanda, mas já viu a festa de Yemanjá, já viu o Umbandista de branco, tocando atabaque, cantando, incorporando Caboclo, incorporando Preto Velho ali nas areias do mar.

Cultuar Yemanjá em fevereiro é algo que está mais ligado ao Candomblé,na Umbanda em São Paulo acontece em dezembro, no Rio de Janeiro na virada do ano, no “Réveillon”, a festa de Yemanjá é uma festa em que nós agradecemos tudo o que aconteceu durante o ano, é uma festa em que você manifesta todas as entidades, todas as linhas de trabalho de frente para o mar e é uma festa em que muitos deixam para batizar os filhos nas águas do mar.

O mar é sagrado, Yemanjá representa a água do mar. Ela faz par com o Pai Omulu, ela é a água / ele é a terra, ela é a geração / ele é a paralisação, ela é a criatividade, sua cor é o azul e nós buscamos nela força pra entender a vida, pra compreender a vida, pra se manifestar, pra lidar com as situações do dia-a-dia. Buscamos em mãe Yemanjá uma maneira de ter essa força sagrada feminina, maternal presente em nossas vidas.

Existem Caboclos, Pretos Velhos, crianças, Baianos, Boiadeiros, entidades de todas as linhas que trabalham no campo de Yemanjá, como há entidades que trabalham no campo de todos os outros Orixás.

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