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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Evolução – Pai Obaluayê – Mãe Nanã -



Evolução – Pai Obaluayê – Mãe Nanã -

O que é evoluir? Evolução?

 O que acontece quando evoluímos?

 Evoluir é melhorar, subir degraus.

 Evoluir pode ser também sinônimo de ascensão, crescimento.

A evolução só se dá por meio da vivência, da experiência.

Podemos envelhecer como efeito biológico, mas, evoluir está relacionado aos que não apenas envelhecem, mas também amadurecem.

Amadurecer é evoluir e há uma ligação estreita entre evolução e transformação que são qualidades, fatores de Obaluayê.

Ele é o transformador, evolucionista e Nanã Buroquê é decantadora.

A evolução está ligada ao crescimento, evoluiu aquele que passou por experiências.

A pessoa que evolui, sai de uma realidade e alcança outra, evoluir é subir degraus.

A evolução está presente nas nossas vidas. Nós podemos evoluir ou “involuir”, há aqueles que no lugar de se tornarem pessoas melhores, se tornam piores.

É possível “involuir”, ou seja, há aqueles que durante uma encarnação ao invés de melhorarem, pioram. Há aqueles que ao desencarnar, no astral, vão baixando a vibração e vão viver em faixas obscuras, trevosas, negativas do embaixo: “involuiu”.

Isso vai contra a afirmação de Kardec que diz: “Sempre evoluímos”.

A obra de Kardec não explica a Umbanda e os nossos conceitos não estão atrelados e nem amarrados às convicções ou formulações de Kardec.

Nós não estamos sempre evoluindo, às vezes nós regredimos, pode acontecer uma regressão consciencial, uma regressão de valores, uma regressão das virtudes, como alguém que, por causa de um trauma, de um desequilíbrio, por causa de uma dor, se negativa, ela cai e ela se estabelece numa faixa vibratória negativa, isso também acontece.

Tanto acontece que existe no astral o ovóide, é um ser que regrediu e perdeu a liberdade de continuar a se manifestar com o corpo plasmado, ele passou por uma regressão e ele é recolhido num ovóide e ali ele fica esperando o momento para reencarnar outra vez.

Somos todos espíritos passando por uma experiência carnal, não somos seres carnais passando por uma experiência espiritual: “Somos seres espirituais passando por uma experiência carnal”.

A vida é uma escola, nós encarnamos com o objetivo de evoluir, de aprender alguma coisa e cada situação na vida é direcionada de acordo com as suas necessidades e o seu merecimento.

Pedimos a Obaluayê, Nanã Buroquê, que nos ajude na nossa evolução.

Passamos por várias encarnações e é comum que isso aconteça junto de um grupo, é comum que exista um grupo de pessoas que encarna e desencarnam juntas numa malha de relações sucessivas.

As pessoas as quais nós temos apego, amor, sentimento, criam vínculos e ligações conosco e isso nos atrai para encarnar e desencarnar em grupo.

Mas, às vezes, há um nesse grupo que acaba ficando para trás, que não acompanha, não evolui, que “involui”, que cai, que regride.

 E acontece, às vezes, de um mesmo grupo reencarnatório, seguir o seu caminho e um retardatário ficar envolvido com o mal, direcionado ao mal, ele acaba perdendo aquele grupo, ele não tem mais ligação com ninguém que está encarnando e desencarnando, o grupo dele foi embora, evoluiu.

Alguém que está há séculos no astral destilando ódio, rancor, dor, sofrimento não está evoluindo, está “involuindo”.

Quando nem a oportunidade de encarnar pode propiciar que esse ser saia da sua condição negativa para vivenciar experiências e voltar a evoluir, quando nem isso é possível, esse ser é transformado num ovóide.

Na literatura Espírita, por meio do Chico Xavier, no livro “Libertação” que faz parte da série “Nosso Lar”, são citados os ovóides.

Torna-se um ovóide aquele espírito que não tem nada de bom mais para o ser humano, não tem mais como evoluir, a Lei o recolhe num ovóide, ali ele fica dementado dentro de um ovóide, esperando a oportunidade para encarnar.

Antes de encarnar, esse ovóide é limpo, é depurado de toda a memória, como limpar o HD e ali ele vai começar com um novo grupo, por isso ele é recolhido a um ovóide.

No mundo astral nós temos sete faixas vibratórias para cima e sete faixas vibratórias para baixo, ao encarnar e desencarnar, nós estamos com o nosso padrão vibratório mental em sintonia com uma dessas faixas vibratórias para cima ou para baixo.

Nós não vibramos muito mais do que um, dois ou três para cima; um dois ou três para baixo, as três faixas vibratórias para cima, as três faixas vibratórias para baixo é onde está a maioria dos espíritos que encarnam e desencarnam.

 Na quarta faixa vibratória se encontram aqueles espíritos que estão começando a se desligar da matéria, que tem um desapego maior. Na quinta faixa vibratória superior estão aqueles espíritos que já tem desapego pela matéria e que não tem mais corpo plasmado.

Da quinta para cima tudo é luz, não existe mais forma, eles não precisam de um corpo plasmado para se manifestar. Da quinta para baixo é o contrário. Se da quinta para cima não precisa mais de um corpo plasmado, todos são apenas luz, não tem forma porque o corpo é cada vez mais sutil até que o ser não precisa mais de um corpo para se manifestar, tudo é mental, é luz.

Para baixo o ser perde o direito e a liberdade de ter um corpo, da quinta para baixo, nas trevas, os seres têm um corpo plasmado que vai se deformando, assumindo formas animalescas.

E há aqueles que podem, por determinação da Lei Maior e da Justiça Divina, quando é entendido que fizeram uma afronta muito grande à Lei ou que não tem retorno, não tem como encarnar e voltar a evoluir, esses se tornam ovóides.

Nós, na Umbanda, acreditamos na evolução e acreditamos na involução.
Nós evoluímos ou involuimos e esse é o campo do Pai Obaluayê, é o campo da transmutação, das mudanças, é o campo das passagens, por isso Obaluayê rege as passagens.

Obaluayê é o Orixá universal, o seu nome: Oba – lu – ayê quer dizer: o rei = “Oba” / “lu” quer dizer “senhor” / “ayê” = terra – Obaluayê “O rei senhor da
terra”, sua saudação é Atotô, quer dizer “silêncio”, nós dizemos “Atotô Obaluayê”, “ Salve o velho Obaluayê” é quem ampara na nossa evolução.

Ele é universal, amparador.

Nanã Buroquê é cósmica. “Nanã” quer dizer vozinha, minha avó/ “Buroquê” é da morte ruim, “Vozinha que nos protege de uma morte ruim”. Ambos se assentam no campo santo, no cemitério ou Obaluayê também a beira mar que é onde tem terra e água.

Obaluayê é do elemento terra com água, Nanã é do elemento água com terra.

A sexta linha de Umbanda, da Evolução, é a linha da terra, Obaluayê e Nanã Buroquê se completam.

 Obaluayê é universal, nos ampara. Nanã Buroquê é cósmica é retificadora.

Obaluayê nos trabalha a partir das nossas virtudes, nos ajudando a passar, a subir de grau e Nanã Buroquê nos trabalha ajudando a depurar os nossos vícios.

Quando você cresce em virtudes, você evolui e quando você é depurado nos seus vícios, você também evolui.

Lembrando que: Orixá universal é amparador, Orixá cósmico é retificador.

Orixá universal atua a partir das nossas virtudes, o cósmico pelos nossos vícios. O Orixá universal é irradiador e o Orixá cósmico absorvente.

Isso não quer dizer que o cósmico só trabalha com os vícios e que o universal trabalha só com as virtudes, quer dizer que a especialidade do universal é amparar e do cósmico retificar, mas os dois trabalham juntos.

Pense no simbolismo dos Pretos Velhos, num cruzeiro. Como é simbolizado um cruzeiro? Com Três degraus e uma cruz. O cruzeiro também é um símbolo e um sinônimo de evolução, os degraus de um cruzeiro simbolizam os degraus da evolução e a cruz simboliza a passagem de uma realidade para outra.

 O símbolo da cruz é um símbolo muito mais antigo do que o Cristianismo, em outras religiões e culturas mais antigas como, por exemplo, na cultura Egípcia nós temos a cruz “Ansata”, que é uma cruz com um círculo em cima e que representa o princípio masculino e o princípio feminino e também a passagem de uma realidade para outra. Obaluayê rege esse mistério das “passagens”, por isso a cruz é símbolo de Obaluayê.

Nós temos cruz de Oxalá, cruz de Oxum, cruz de todos os Orixás, eu posso ter uma cruz para cada Orixá, eu posso ter a cruz da Fé, a cruz do Amor, a cruz do Conhecimento, a cruz da Justiça, a cruz da Lei, da Evolução, mas o mistério cruz pertence à Obaluayê.

Assim como eu tenho água de Iansã, água de Obaluayê, mas o mistério água pertence à Iemanjá. Eu posso ter pedra de Xangô, pedra de Oxóssi, pedra de Nanã, pedra de Oxum, pedra de Ogum, mas as pedras, o mistério mineral é de Oxum. Eu posso ter as ervas de Omulu, as ervas de Iemanjá, as ervas de Xangô, as ervas de Egunitá, as ervas de Nanã, mas as ervas os vegetais pertencem à Oxóssi.

E a cruz, que é o mistério da passagem, do entrecruzamento, do encontro de duas realidades pertence à Obaluayê, Orixá da transmutação, da evolução.

Separamos Obaluayê de Omulu, pois, Omulu é o fim, a morte e Obaluayê é a passagem.

Obaluayê representa a grande transição, a grande passagem, é ele quem nos ajuda a passar, a crescer, evoluir nas mudanças, por isso é tão simbólica a pipoca para Obaluayê.

O que é a pipoca? É o milho que ao ganhar calor, estourou, evoluiu, deixou de ser milho para ser pipoca porque ele aceitou receber calor. O grão de milho que não aceitou receber calor virou um piruá queimado e duro. O milho que aceitou o calor se tornou pipoca, isso é simbolismo de Obaluayê, as pipocas são as flores de Obaluayê.

Usa-se pipoca para fazer descarrego na força de Pai Obaluayê, você estoura o milho numa panela seca ou numa panela com óleo consagrado ou numa panela com areia da praia ou numa panela com azeite de dendê, estoura o milho e faz uma pipoca, você consagra.

 Como se consagra? Um exemplo:

Qualquer coisa que se queira consagrar, se faz um círculo de velas, oferece-se a um Orixá e coloca-se no meio aquilo que se quer consagrar.

Por exemplo: sete velas brancas para Obaluayê, a pipoca no meio, elevo as minhas mãos a Deus, Criador de tudo e de todos, Sua Lei Maior e Sua Justiça Divina e peço ao meu Pai Obaluayê que consagre essa pipoca, para que eu possa por meio delas, me limpar, purificar, que por meio delas eu possa também receber uma cura, receber a sua energia, a sua força. Cada pipoca, depois de consagrada, se torna um portal de luz do Pai Obaluayê, cada pipoquinha é um portal absorvendo energia negativa.

 E com essas pipocas se faz descarrego. Como é descarrego de pipocas? Pegue a pipoca e passe pelo corpo e você vai se limpando com essa pipoca, vai se descarregando, é muito usado também para cura.

Obaluayê é Orixá de cura é comum estourar pipoca, oferecer uma vela para Obaluayê, pode ser uma vela branca, pode ser uma vela metade preta e metade branca ou pode ser a cor de Obaluayê que é violeta.

Nanã Buroquê é lilás e pode se oferecer uma vela para Obaluayê com o seu nome embaixo ou nome de quem está com problema de saúde, colocar as pipocas embaixo, rezar pra Obaluayê e pedir para que ele cure porque Obaluayê também é Orixá da cura e cura é um ato de transformação.

 O que é curar? Curar é tirar a pessoa do estado doentio e trazê-la para o estado saudável, a cura é uma evolução, curar é evoluir. Obaluayê nos ajuda a passar pelas dificuldades e a doença é uma dificuldade a ser superada, quando alguém diz assim: “Estou passando por dificuldades, quem poderá me ajudar?” Pai Obaluayê.

Porque é ele quem nos ajuda a passar pelas dificuldades, em muitos momentos da nossa vida nós passamos por dificuldades e não sabemos como superar, Obaluayê que nos ajuda a passar por essas dificuldades. O grande objetivo das dificuldades em nossas vidas é nos transformar em pessoas melhores.

Não adianta você esperar apenas a dificuldade ir embora, você precisa crescer com essa dificuldade, aprender com essa dificuldade. Se você vive a vida e toda vez que vem uma dificuldade você pede para que a dificuldade vá embora sem que você aprenda, o que essa dificuldade tem para lhe ensinar? É certo que essa dificuldade vai voltar, porque você não aprendeu o que tinha para aprender.

Obaluayê nos ajuda a passar pelas dificuldades porque ele é o Orixá da Evolução. E toda dificuldade é um ponto onde precisamos crescer, evoluir, porque se naquele ponto você já tivesse evoluído, você não precisava passar por aquela dificuldade que pode ser uma dificuldade emocional, consciencial, pode ser uma dificuldade familiar, financeira, pode ser uma dificuldade de saúde.

Nós atraímos para nossa vida as dificuldades pela maneira como nos relacionamos com os outros e como nos relacionamos com a vida. Veja a forma como você se alimenta hoje o ser humano se alimenta de tudo quanto é bobagem, nós comemos tudo aquilo que agrada ao paladar, fritura, doce, produtos industrializados.

Não conhecemos o processo de industrialização desses alimentos e consumimos, colocamos para dentro, porque nós só queremos consumir. O que é que isso faz com o nosso corpo? Quantas vezes comemos por ansiedade? Por frustração? Caixas de chocolates sendo devoradas na “TPM”, na tristeza, na carência, assim como na alegria, na festa e por ai vai.

E o que estamos fazendo com o corpo? Esse corpo em algum momento começa a reclamar, a ter problemas de saúde. E a gente quer que o Caboclo estale o dedo e leve isso embora, queremos um milagre.

domingo, 26 de abril de 2015

Pai Ogum – Mãe Iansã – A Lei -



Pai Ogum – Mãe Iansã – A Lei -

A Lei é a quinta linha de Umbanda, o quinto sentido da vida, a quinta vibração e ela representa a ordem do universo, ou seja, cada coisa tem o seu lugar.

Observamos o mundo e descobrimos que há leis como, por exemplo, a lei da gravidade, as leis que regulam o universo físico.

Há leis que dizem respeito ao ser humano, como a lei de causa e efeito, de ação e reação, karma, atração, afinidades, todas são leis que funcionam como regras. As regras servem para nos orientar, como as regras de trânsito, o objetivo das regras de trânsito é fazer com que não vire um caos o tráfego de veículos.

No início, o universo era um caos, é uma maneira de fazer uma leitura do universo no início e depois vem a ordem para que as coisas aconteçam dentro de um universo, de um mundo, é imprescindível que existam leis, ou seja, regras.

O próprio movimento do planeta leva 24 horas para fazer um giro em torno de si mesmo e 365 dias para dar um giro em torno do sol, isso é uma regra, isso é uma lei.

A maneira como as combinações químicas acontecem respeitam regras respeitam leis, é imprescindível que a gente conheça essas leis, essas regras.

No que diz respeito ao sagrado, leis que nem sempre estão escritas, leis acerca do ser humano, do conviver, são leis que estão escritas na nossa consciência e que se aplicam pelo bom senso.

Em nossa consciência está registrada uma lei maior, essas leis que nos regem, que regem a nossa vida, portanto, são imprescindíveis os ensinamentos daqueles que são mestres da humanidade, daqueles que foram além do senso comum, além das pessoas comuns.

Esses ensinamentos como “bem viver” são como “leis” para nos orientar. Um dos papéis da religião é dar um sentido a nossa vida e de alguma maneira nos expor algumas regras que nos facilitem a convivência saudável nesse mundo.

Não fazer ao próximo o que você não quer a si mesmo, deve ser uma lei, uma regra para o bem viver, se eu tenho isso como um princípio norteador da minha vida “não fazer ao outro o que eu não quero para mim”, a partir do momento que isso é um princípio de vida eu posso considerar como uma lei, ou seja, uma regra que seguindo essa lei, seguindo essa regra, o que eu terei para minha vida será um saldo, um resultado positivo porque tudo que eu faço para o outro inevitavelmente volta para mim.

A lei de causa e efeito, a lei de ação e reação, determina que o que você faz para outro volta para você.

 É lógico que a palavra dita, a pedra jogada e a flecha lançada não voltam
mais, no entanto, por mais que a gente tenha realizado uma ação negativa, sempre é tempo de uma mudança de comportamento.

As leis existem, as regras existem, mas o ser humano tem caminhos para ele mesmo se limpar se purificar e não ficar a mercê dos seus próprios atos, das suas próprias ações ou não ficar a mercê de regras frias.

O universo possui leis e regras, nós devemos ter leis e regras como princípios norteadores da nossa vida. Por isso é tão forte a afirmação de Cristo “Amar ao próximo como a si mesmo”, essa é a lei, toda lei deve se resumir como “Amar ao próximo como a si mesmo”.

Nas passagens Bíblicas, algo que chama muito a atenção é o quanto Jesus ali, naquelas passagens, se coloca contra a lei Mosaica, ele se coloca contra a própria lei do Velho Testamento, ele se coloca contra as suas leis em favor de uma Lei Maior, ou seja, a Lei Maior que é aquela que está escrita no coração do homem: da ética, do bom senso, do bem viver, de amar ao próximo como a si mesmo, de não fazer com o próximo o que você não quer a você, essa é uma Lei Maior.

Quando Jesus diz: “Atire a primeira pedra quem não tem pecados”, está indo contra a lei por que a lei dizia: “Que adúltera deveria morrer apedrejada”, ele vai, chama uma lei maior: a “lei do amor”. Então ali há “lei do amor”, ou seja, o amor está acima de outra lei fria que venha para punir.

No momento em que ele consegue perdoar aquela mulher, que consegue pedir o perdão àquela mulher, ela também abre um espaço para ela se perdoar porque mais do que pedir o perdão do outro é preciso que a gente aprenda a se perdoar e entender que a lei não é algo frio.

Quantas pessoas acreditam que estão nessa vida sofrendo exclusivamente por conta de coisas que fizeram na outra vida? Como se a lei fosse algo frio, então, o que você faz volta para você, mas, não é como uma conta bancária que você faz saques e depósitos, depósitos e saques.

Se você é uma pessoa que está vivendo uma energia negativa, sendo energia negativa, desempenhando ações negativas, você atrai isso de volta.

Há sempre oportunidade de mudança, de uma ação, as leis existem, mas, elas estão aí para nos ajudar e não para nos atrapalhar, nós devemos tê-las como algo norteador, como uma lei maior.

A Lei Maior deve ser a “lei do amor”, de querer bem. Na Umbanda se fala muito: “essa entidade trabalha na lei”, “aquela entidade está fora da lei”, “esse foi contra a lei”, o que é ir contra uma lei? Ir contra a Lei Maior é ir contra a lei que diz “Não faça ao próximo o que você não quer para você”.

Qual é a Lei Maior? A lei maior é exatamente essa, é a “regra de ouro” que está presente em todas as religiões.

E onde está escrita esta lei?

Esta lei está escrita na consciência do ser humano, da humanidade, do nosso coração. Essa lei está registrada como algo que, como um conjunto de ética e padrão de comportamento no qual devemos nos nortear para ter uma vida tranquila, uma vida leve, não cobrar do outro aquilo que você mesmo não pode oferecer, essa é a lei.

A lei representa a ordem no universo, a retidão. Aquele que segue uma lei, ou seja, aquele que tem um princípio, que vive por princípios norteadores do seu comportamento que não é moralismo, não confunda princípios de bom senso e ética com moralismo. “Moralismo” é aquele comportamento inquisidor, julgador e cobrador que impõe um moralismo e que na maioria das vezes é um falso moralismo com relação ao outro.

É importante ter “moralidade”, ter uma vida em que você se pauta por padrões daquilo que te faz bem, mas não o moralismo ou o falso moralismo ou ainda saber que existem regras atemporais. As leis ou regras atemporais são exatamente essas regras que dizem respeito à postura ética, correta.

 E leis ou regras temporais, temporais têm a ver com a cultura, com a época e com o moralismo, ou seja, o comportamento do jovem de hoje não é o comportamento do jovem de duas gerações atrás.

Comparados os perfis de comportamento de duas gerações atrás, e trazidos seus perfis para hoje, exigindo tal comportamento de um jovem atual, você se torna moralista.

Moralista é aquele que critica a forma como alguém está se vestindo e no fundo gostaria de se vestir igual, isso é um falso moralismo porque ele critica aquilo que ele gostaria de ser, critica aquilo que ele gostaria de ter, às
vezes, critica para poder reprimir quem convive com ele, aí mais uma vez a gente vê o tal do “efeito sombra”, do moralista que critica as pessoas que estão ao seu redor para reprimi-las porque dentro dele os sentimentos e os padrões de convivência estão reprimidos, isso gera um moralismo, um falso moralismo.

Vivemos numa cultura Judaico-cristã, são séculos e séculos de falso moralismo, de peso, por exemplo, em cima da sexualidade com uma repressão sexual feita por uma igreja que tem uma sombra na qual, por traz dessa sombra, estão encobertos o comportamento de pedofilia – só para dar um exemplo – isso é a sombra de uma instituição que tem valores moralistas.

É um valor de moralismo, um valor temporal, por exemplo, afirmar que “não se deve usar camisinha (preservativo/ método contraceptivo)” – por exemplo – é um falso moralismo porque está fechando os olhos para o comportamento das pessoas que hoje se relacionam, tem relação afetiva, tem uma troca afetiva sexual e isso não está relacionado com o casamento.

Mais ainda moralista é querer impor valores da sua religião para todos, há religiões que pedem que a mulher não corte o cabelo, que a mulher use uma saia que vá até o tornozelo, a mulher não pode mostrar o braço, não pode se comportar assim, assado e o homem também, têm que se vestir dessa maneira, tem que falar dessa maneira, se comportar dessa maneira, é pesado. Isso é moralismo, isso nada tem a ver com a lei.

A lei maior, diz respeito à ética. A Lei Maior, Divina, diz respeito a uma postura de bom senso e ela tem como padrão a “regra de ouro”: “NÃO FAZER AO PRÓXIMO O QUE VOCÊ NÃO QUER PARA VOCÊ”, pense nisso.

A lei de Cristo, que é a “lei do amor” – “Amar ao próximo como a si mesmo”, mas, se você não ama a si mesmo como é que você vai amar ao próximo?

 E como se faz para amar seu inimigo?

O que é amar ao inimigo como a si mesmo?

 Amar ao inimigo como a si mesmo não significa que você deva trazê-lo para dentro de casa, não é você dar beijinho, fazer carinho, afago.

Amar o inimigo como a si mesmo é simplesmente não desejar o mal. Isso é amar o inimigo como a si mesmo. Porque você mesmo, se você tiver a intenção de prejudicar a alguém, o que você acha que deve ser feito para você mesmo? No mínimo não desejar o seu mal, que esse alguém possa não desejar o seu mal, já é amar a você como ele mesmo, portanto, não deseje o mal.

Esse é o significado de amar ao próximo como a si mesmo, “amar o inimigo como a si mesmo” não quer dizer que tem que abraçar trazer pra junto, levar a “cobra” pra dentro de casa, dormir junto com a “cobra”, não é isso. É entender dessa maneira, se você não desejar o mal já é o bastante, porque inclusive, na cultura Grega, existem várias palavras para o amor, entre essas palavras há o “Eros” - que é o amor de homem e mulher - o “Ágape”, o “Caritas” e outras formas e outras palavras para descrever o amor.

 “Amar ao próximo como a si mesmo” é praticamente fazer a caridade ao próximo como você gostaria que a caridade fosse feita a você. Se esse próximo é alguém que tem intenção de prejudicar então esse próximo é um ignorante das Leis Divinas.

 “Não desejar o mal para o ignorante” porque ele está na ignorância. Agora, a partir do momento que ele ataca, agride, é lhe dado o direito de se defender e deve se defender, não é?

Em alguns momentos, a própria lei maior, trata de devolver tudo que ele deseja a você e tudo volta para ele, a própria lei maior vai cuidar disso.

Se ele chega ao ponto de lhe atingir por pensamentos, palavras e ações religiosas ou mágicas, ele lhe atinge, em algum momento e se você está sendo prejudicado, você pode evocar a Lei Maior e a Justiça Divina pedindo que isso não lhe alcance mais e, dessa forma, para que ele não lhe alcance e que seja cortada a ação mágica, a ação religiosa.

Um dos símbolos de Ogum dentro da Lei são duas espadas cruzadas e uma bandeira ou simplesmente duas espadas cruzadas, fazendo um círculo, riscando duas espadas, você eleva o pensamento a Deus, acende uma vela para Ogum, vermelha ou azul escuro, oferece essa vela, firma dentro do círculo, no centro, no em torno do círculo coloque sete velas para Ogum, ajoelhe, evoque a Deus, Sua Lei Maior, Sua Justiça Divina e peça, ofereça esse círculo mágico a Ogum pedindo que ali dentro, Ogum corte toda e qualquer demanda energia negativa, ação mágica negativa.

Entre dentro do circulo e faça o mesmo procedimento com a vela em cima da sua cabeça, passe a vela pelo corpo, entre e sinta essa presença, essa força de Ogum. Faça isso religiosamente, faça isso na sua fé.

Ogum enquanto Orixá de origem Yorubá, seu nome muitas vezes é traduzido como o “Senhor da guerra”. Ogum é reverenciado e cultuado como aquele que trouxe o ferro e o aço, Ogum é aquele que ensinou o homem a utilizar o ferro.

É como se a presença de Ogum marcasse a mudança da Era da Pedra para a Era do Bronze/ do Ferro, é como se estivesse marcando esse período.

Seria como dizer que os Orixás vêm dessa época da cultura Africana, do tempo e do período em que se aprendeu a utilizar o ferro, Ogum foi quem ensinou o homem a usar o ferro e assim surgiram as ferramentas de agricultura, por exemplo, as ferramentas de um ferreiro, as ferramentas e todos os utensílios usados e forjados em ferro e aço.

Ogum é o padroeiro de todos aqueles que têm um trabalho braçal e principalmente um trabalho braçal ligado ao ferro, a ferramenta, assim ele é visto na cultura Nagô Yorubá, como um ferreiro, como aquele que faz a forja, aquele que faz o aço, que faz também as ferramentas da agricultura, que faz as ferramentas da carpintaria, que faz também a espada, o aço.

Ogum enquanto guerreiro, aquele que vai a frente, abre o caminho, que vai com a espada abrindo o caminho. A espada de Ogum simboliza a retidão de comportamento, a retidão da Lei, a Lei como caminho reto que não tem desvios e nem atalhos, essa retidão de comportamento, uma retidão de caráter é o perfil de Ogum.

Na cultura Nagô Yorubá, Ogum não é apenas um guerreiro, ele é também aquele que traz as ferramentas, ele é também um ferreiro.

 Na Umbanda ele é a figura do guerreiro, aquele que representa a ordem, aquele que representa a lei, que toma à frente, aquele que dá energia, aquele que dá impulso.

Ogum é potência, ele gera e traz potência, energia para tomar a frente numa decisão, num negócio, numa empreitada. Por isso Ogum é aquele que abre caminho, apenas tome cuidado para ver se num momento da sua vida você está precisando abrir caminho ou colocar amor no que você está realizando.

Muitas vezes se generaliza problema financeiro com abertura de caminho, às vezes, os caminhos já estão abertos, mas falta colocar amor então a gente pede amparo a Oxum, se você sente que está tudo bloqueado, que está tudo fechado, a gente chama Ogum para que, com sua espada, ele corte todos os bloqueios, todas as barreiras.

Se você está dormindo mal, costuma ter pesadelo, sentir que tem energia estranha na hora de dormir, consagre duas espadas de São Jorge e coloque embaixo do colchão da cama para que a noite, quando você for dormir, peça proteção de Ogum, para que ele corte ali todo o mal.

Não peça amparo de Ogum apenas para o mundo externo, peça amparo de Ogum para o mundo interno, que Ogum com a sua espada corte os nossos vícios, que Ogum com a sua espada corte a desordem que há dentro de nós.

Nosso mundo externo é um reflexo do nosso mundo interno. Se dentro de nós está tudo bagunçado, em desordem, provavelmente a nossa vida está bagunçada, a nossa vida deve estar em desordem.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Trono da Justiça – Pai Xangô – Mãe Oro Iná/ Egunitá




Trono da Justiça – Pai Xangô – Mãe Oro Iná/ Egunitá

A linha da Justiça é a linha do fogo, existe um simbolismo muito forte entre o fogo e a justiça. Xangô se faz presente nas montanhas e pedreiras, remete àquele momento Bíblico no qual Moisés sobe uma montanha para receber a pedra da lei, esta é a força de Xangô, a força da justiça.

A justiça aplica a lei. Às vezes há um pouco de confusão: O que é lei? E o que é justiça? Justiça é aplicar a razão.

A lei é executar justiça. A justiça diz respeito a pesar, avaliar, colocar na balança. A lei não, a lei é a ordem, a espada, é a execução, a lei é o guarda, o soldado, o policial. A justiça é o juiz.

Justiça é o próprio equilíbrio do universo, o equilíbrio das forças do universo, é a graduação das energias..

É o fogo que aquece e que mantêm esse universo vivo. O fogo muitas vezes alimenta, parece inclusive que é o fogo que dá vida. Nós dizemos “Todos nós somos centelha do Divino Criador”, “centelha” é algo que nos remete a ideia de fogo, de chama onde está a justiça que é algo que queima, sustenta, que ampara.

 Xangô é universal no sentido da justiça, os símbolos de Xangô são a balança no equilíbrio e o machado de dois cortes.

 Pertence a Xangô a capacidade de julgar, não pertence a nós encarnados, nós não devemos julgar. Mas, devemos pedir a Xangô que nos dê a capacidade de colocar as coisas na balança, de avaliar, que nos dê o senso, que nos dê força para saber quais as coisas que a gente pode mudar e dê sabedoria para aceitar todas as outras, que nos dê um senso de avaliação.

Na cultura Nagô Yorubá, Xangô foi rei da cidade Oyó e ele é considerado alguém que, se foi encarnado, se tornou uma divindade.

Quando falamos em Xangô, estamos falando do “Trono Masculino da Justiça”, estamos falando do Deus da Justiça, aquele que encarna todas as qualidades relacionadas à Justiça Divina, ele é universal e Egunitá é cósmica.

Quando precisamos do amparo da Justiça Divina é a Xangô que pedimos a força, o amparo, a sustentação, enquanto universal, ele é sustentador do nosso racional, do nosso equilíbrio, quando na vida não estamos agindo de forma racional o suficiente, devemos pedir ajuda a Xangô.

Se você está sendo muito emotivo e não está conseguindo pesar e medir as situações da sua vida, peça amparo a Xangô, ele também ajuda em questões judiciais.

Dizemos que Xangô é passivo porque ele é o Orixá universal, ele é amparador, mas não tem como a justiça ser passiva o tempo todo. Xangô põe na balança.

 Na Umbanda se usa muito uma frase: “Quem deve paga, quem merece recebe”, isso está relacionado a Xangô.

 Busca-se muito Xangô em momentos da vida em que a pessoa se sente injustiçada e para ajudar em questões judiciais.

A estrela de Xangô é a de seis pontas, é a estrela que simboliza: “No alto como no embaixo”.

A Justiça é imparcial: “Tanto no alto como no embaixo devemos usar o mesmo peso e a mesma medida”.

Não se deve usar dois pesos e duas medidas porque no momento em que nós fazemos isso estamos sendo parciais, estamos favorecendo alguém e é muito comum querer nos favorecer em detrimento do outro, apontar o dedo para o outro esquecendo que quando apontamos o dedo para o outro, três dedos estão apontados para nós.

É um desequilíbrio no campo de Xangô julgar as pessoas quando você não é chamado, quando não é a sua função, não é o seu papel “julgar”, esse papel é de Xangô.

Pedimos a Xangô que nos dê a capacidade de senso de justiça maior, uma capacidade de razão, de racionalização das coisas.

Estar desequilibrado é principalmente movimentar-se e agir pela emoção.

Xangô nos ajuda a agir pela razão, traz equilíbrio. Por isso ele é passivo, porque ele põe o “pano quente”, no primeiro instante ele põe o “pano quente” para que você se oriente pela razão, mas não põe “pano quente” na injustiça.

 Xangô acalma o seu ânimo porque você está agindo de forma muito emocional, perceba, quando nós estamos com raiva, frustrados, magoados, estamos agindo de forma emotiva e emocional, nós nos tornamos cegos, nós não enxergamos, nós perdemos a capacidade de julgar, a capacidade de avaliar, de raciocinar.

Xangô é aquele que mesmo no calor da emoção nos chama à razão, nos traz a razão, ele faz com que a gente aterre um pouco essas emoções desequilibradas em ebulição para agir de uma forma racional.

Pedimos a Xangô que nos dê essa razão. Xangô foi um rei e ele é comumente chamado de rei, então se diz “Kaô Kabecili yê Xangô” que é um pedido para estar de frente com o rei e as pessoas costumam saudar a coroa de Xangô, que é a coroa do rei.

Pertence a nobreza no sentido mais especial da palavra “agir com justiça” perante o mundo. A justiça é nobre.

 Agir com justiça e verdade, aqui mais uma vez a palavra verdade está presente em todos os Orixás. A Justiça e a Verdade, a sua justiça e a justiça do outro. Muitas vezes, a gente se coloca no lugar do outro, dizendo assim “Eu no lugar dele faria assim, assim, assim”.

Colocar-se no lugar do outro é importante, agora, mais importante ainda é saber que o outro não é você, que você no lugar do outro não é o outro.

Respeitar o outro não é respeitar o que você faria no lugar do outro porque o que você faria no lugar do outro, não é o que o outro faz. O outro tem uma história de vida, tem uma condição, tem valores diferentes dos seus.

Xangô nos ensina a respeitar o outro, Xangô nos ensina a usar a balança, a
entender os valores, Xangô nos ensina a não fazer juízo onde não se foi chamado.

Valores são diferentes de uma pessoa para outra.

Muitas pessoas acham que uma vela acesa para um Orixá é pouco, que você tem que fazer um super trabalho, um mega trabalho, um hiper trabalho e há quem só acredita receber ajuda se pagar alguém e onde há procura, há oferta, porque se não houvesse procura não haveria oferta e existe muito do que se chama de “mãe e pai de poste”, que são aquelas placas nos postes que dizem que fazem e desfazem qualquer trabalho, no fundo são magias que se movimentam pelo ego, pela vaidade, para segurar o outro, destruir fulano, prejudicar beltrano, isso é magia negra, magia negativa e ainda se gasta dinheiro para fazer isso.

Mais vale uma única vela acesa com a sua fé, com o seu amor, do que pagar alguém para fazer algo que você não sabe como está sendo feito, que não tem amor, que não tem entrega, que não tem justiça, tenha fé em Deus e tenha fé nos Orixás, acredite que com uma vela para um Orixá, muita coisa pode acontecer, antes de sair pagando trabalho, primeiro veja se o que você está pedindo é justo.

Primeiro questione se você está na sua verdade, sinta no seu coração se é uma necessidade, veja se é justo, se está de acordo com a sua verdade e se é uma necessidade, peça a Deus que se for do seu merecimento que na força de Xangô você alcance o que você está pedindo.

Se for do seu merecimento, no campo da fé, peça a Oxalá ou a Logunan. Se for do seu merecimento no campo do amor, peça a Oxum, ou peça a Oxumaré.

Quando pedir para consertar algo, para corrigir, é para o Orixá cósmico que se pede, no campo do amor, por exemplo, se você quer corrigir alguma coisa, consertar, retificar, diluir um sentimento negativo, peça a Oxumaré. Se você está pedindo um amparo, peça ao universal, Oxum.

 Pedir a Oxossi, por exemplo, força, fartura, é muito simples, basta uma moranga (daquelas morangas usadas no “halloween”), cozinhe de leve, corte a tampa, abra por dentro, coloque, dentro dela, uma canjiquinha amarela, alguns cravos por cima e isso serve como oferenda a Oxóssi, coloque uma vela verde de sete dias dentro dessa moranga aberta, ofereça a Oxóssi e peça que em nome de Deus, Pai e Mãe Criador de tudo e de todos, da Sua Lei Maior e da Sua Justiça Divina que dentro da sua necessidade, do seu merecimento, da sua verdade, Oxóssi traga fartura para sua vida, que lhe dê força de caçador, que limpe, descarregue toda energia negativa no seu lar e com essa moranga na mão ande, passando por todos os cômodos da casa pedindo que a energia de Oxóssi, da fartura, do caçador, envolva todo o seu ambiente, toda sua casa.

Você tem o símbolo, você tem o signo, tem a estrela que você, na FÉ, pode riscar. Se você conhece e é simples, faça na sua FÉ, dê contas, preste contas a Deus na sua FÉ.

É comum as pessoas crerem que fulano ou beltrano é injusto e ainda assim não paga pelo que faz. É comum acreditar que ciclano faz magia negra e que nesse mundo ele não está pagando pelo o que ele está fazendo. É comum crer que podem fazer trabalho para prejudicar o próximo e sair ileso, outros acreditam que aquelas pessoas que prejudicam o próximo saem ilesos da Justiça Divina.

“Ninguém sai ileso” porque o nosso maior juiz é a nossa consciência, lá está Xangô, na consciência de todos os seres humanos, no seu senso de razão, ali está Xangô.

Quando você faz algo de ruim, negativo, você atrai para sua vida o negativo, isso é Justiça Divina que não se pode negar, não queira fazer justiça com as suas mãos e não pense que aquela pessoa que age de má fé, com injustiça, que ela não está pagando porque uma pessoa injusta, interesseira, que não se preocupa em prejudicar o próximo, que não tem ética, essa pessoa também não tem amigos.

 Uma pessoa que não é digna de confiança porque age com injustiça, também não tem em quem confiar, essa pessoa acaba os seus dias sozinha. Aquela pessoa que acende uma vela para prejudicar o próximo, que pragueja que maldiz a pessoa que deseja o mal para o próximo, essa pessoa não tem paz no coração e na cabeça, não tem tranquilidade.

 Aquele que faz trabalho de amarração para o amor não cresce no sentido do amor, se torna imaturo, se torna ou permanece inseguro, instável. Aquele que pretende prejudicar o próximo, como sempre com os três dedos apontados para si mesmo, está se prejudicando.

 E tudo aquilo que você recebe mesmo aquilo que você recebe de ruim, de demanda, de trabalho feito, tudo isso que você recebe tem um porquê de ser na sua vida porque está te ensinando algo.

 É na dificuldade que a gente aprende, as lições mais assimiladas são aquelas que vem na dificuldade, nós vivemos num contexto em que se colocam várias leis: lei de afinidade, lei de ação e reação, lei de reencarnação, lei do Karma e essas leis estão de acordo com a Justiça Divina.

A própria ideia, o conceito de reencarnação em si é a execução da Justiça Divina, estamos falando de “Justiça de Xangô”.

Ninguém nasce onde nasce da maneira como nasce, no contexto em que está nascendo por acaso. Ninguém nasce com dificuldades por acaso. O que nós somos na nossa essência nos direciona para onde está a melhor lição a ser aprendida, então se a gente nasce num contexto de dificuldade é porque tem uma lição para ser aprendida ali, se a gente passa por dificuldade é porque existem lições para serem aprendidas nessas dificuldades.

Quando a gente age de forma negativa com o semelhante, injustamente, atraímos a injustiça, o negativo para a vida e as coisas que você não aprende quando tem esse retorno, você não aprende nessa vida, você aprende na outra.

Por isso o ciclo reencarnatório é uma execução de uma lei, de uma ordem, de uma Justiça Divina incrível, de uma sabedoria que transcende o que a gente chama de sabedoria.

Acredita-se e se afirma que o karma é resultado das nossas ações, ou seja, dos nossos pensamentos, dos nossos sentimentos, das nossas palavras, das nossas ações, o resultado é karma, positivo ou karma negativo.

Alguns chamam o karma positivo de “dahrma” e karma negativo de “karma”, a palavra vem do Sânscrito, da cultura Hindu.
A tradução literal dessa palavra é: ação ou trabalho, karma quer dizer ação, uma ação positiva atrai outra ação positiva, uma ação negativa atrai outra ação negativa, isso é “lei de ação e reação”, “lei de afinidade”, pessoas que têm a mesma energia se atraem lei da afinidade, o karma.

domingo, 12 de abril de 2015

Trono do Conhecimento – Pai Oxóssi – Mãe Obá




Trono do Conhecimento – Pai Oxóssi – Mãe Obá

O conhecimento é a terceira vibração ou a terceira linha de Umbanda onde se encontram “Pai Oxóssi” e “Mãe Obá”.

Oxóssi é universal, amparador, sustentador e Obá é cósmica na linha do conhecimento, ou seja, reparadora dos desvios no campo do conhecimento.

Existem muitas maneiras de interpretar as sete linhas de Umbanda, cada autor  coloca as sete linhas de maneira diferente.

As sete linhas de Umbanda são as sete vibrações de Deus, esta é a nossa leitura, nossa interpretação que não está invalidando nenhuma outra leitura, mas que está aqui ajudando a clarear, ajudando a entender outras formas de leitura sobre as próprias sete linhas de Umbanda. (Alexandre Cumino)

A primeira linha, vibração é a “fé”, sem fé não existe nada. A segunda é o amor, pois sem amor não há sentido de se ter fé em Deus.

Numa religião onde não existe o amor, tudo é frio, vazio.

 É muito estranho pregar ou ensinar que “deve-se amar ao próximo como a si mesmo” e ao mesmo tempo só reconhecer Deus para os adeptos de uma mesma religião, é muito estranho ensinar “ame ao próximo como a si mesmo” e pregar o ódio ou o preconceito para quem não está dentro do mesmo Templo, todos são filhos de Deus, não há diferença de religião para Deus, quem faz as religiões são os homens, inspirados ou não, criam as religiões.

 A Umbanda tem um marco, esse marco é um homem, Zélio Fernandino de Moraes e por mais que tenha incorporado um espírito que é o Caboclo das Sete Encruzilhadas, e que a Umbanda tenha vindo do astral, de Deus e dos Orixás, se não houver um encarnado para fazer o trabalho não se estabelece uma religião.

A religião é do mundo material, antropológico, social e Deus está acima, inclusive das religiões. Deus é maior do que as religiões e por meio das religiões buscamos esse algo maior, que transcende as religiões.

Como pensar que Deus, que é maior do que as religiões, que transcende as religiões, pode caber, pode estar enlatado, encaixotado, enquadrado, ou rotulado, pode estar contido apenas dentro da minha religião? É falta de amor. Porque o amor de fato não vê a cor, o amor não vê a raça, o amor não vê o credo, “O amor é cego”, porque o amor não vê, ele sente.

O amor transcende a visão, mas usa a visão para se enriquecer e não para se empobrecer porque por meio da visão o amor trabalha o belo, o agradável. Aquele que tem olhos de amor, quando olha para o outro, sempre lhe será belo, sempre lhe será agradável. É dito que Jesus não via defeito nas pessoas porque Ele não os tinha.

Todos os defeitos que eu vejo em alguém, só os vejo porque eu tenho os
mesmos defeitos e estou me identificando e quando eu não tenho esses defeitos isso não me incomoda, eu sou indiferente.

 Quando os olhos são amorosos, a pessoa cuida de o pior ser humano do mundo como se fosse o melhor porque não vê os defeitos, só vê a alma, o espírito.

O conhecimento diz respeito ao estudo.

O conhecimento vem depois do amor nas sete linhas de Umbanda, por quê?

 Porque aquilo que eu estudo sem amor não vai me levar a lugar algum.

Quando falamos do amor, dizemos: o que adianta você ser um médico se você não ama a medicina? É um médico medíocre. O que adianta ser um advogado se você não ama defender os direitos do ser humano? É um advogado medíocre. Se for uma trabalhadora do lar que não ama cuidar do lar, ela é medíocre para fazer uma limpeza ou todas as tarefas do lar.

Há de se amar o que você tem e o que você faz e há de se ter amor pelo conhecimento.

 O que é que me impele ao conhecimento? A vontade de adquirir conhecimento, essa vontade de adquirir conhecimento também é amor. Porque eu quero estudar medicina, “estudar” é conhecimento, “quero estudar: medicina” porque tenho amor.

Por que eu quero adquirir mais conhecimentos sobre a Umbanda?

Porque eu tenho amor pela Umbanda. Não existe amor sem fé. E esse conhecimento para que eu me aprofunde nele, é preciso que eu queira que eu ame. Por que é que eu fico ávido por leitura, por saber? Porque tenho amor.
 Aquele que estuda apenas para ser mais do que o outro, aquele que estuda só para dizer que é melhor do que o outro, esse é arrogante.

 E o arrogante não está no amor, o conhecimento do arrogante é um conhecimento de vaidade, é um conhecimento que não leva a nada, e ao mesmo tempo nunca vai levar aos lugares que o amor leva.

Essa é a ordem: “fé, amor e conhecimento”, terceira via, terceiro sentido da vida, terceira linha, terceira irradiação, depois entra a “justiça”, por que nessa ordem? Porque sem conhecimento não se aplica justiça.

Depois vem a lei, justiça e lei são entrelaçadas porque sem justiça não se faz lei. Como fazer a lei, colocar a ordem se você não tem um senso de justiça?

 Sem amor, conhecimento, justiça e lei não há evolução, crescimento, transformação e não se gera nada. Então, aí estão os sete sentidos, existe ordem e razão de ser.

A terceira linha, terceira vibração, o conhecimento está em sintonia com o elemento vegetal. A força do conhecimento é uma força expansora, onde estão os Orixás: Oxóssi e Obá – “Oxóssi é expansor”, “Obá é concentradora” – Oxóssi é o próprio vegetal, ele é o caçador – caçador é aquele que vai buscar, ele é o “senhor das matas”, “senhor de todo Reino Vegetal”. Existem outros Orixás vegetais? Existem, Ossain que é o “senhor das folhas”, é vegetal. Não tem Ossain na Umbanda?

 Não existem Orixás de Umbanda, qual Orixá não é da Umbanda?

 Existe sim qual Orixá você conhece, cultua e qual Orixá você não conhece e não cultua.

Se você conhece “Ossain”, você pode cultuar Ossain, pode ter devoção por Ossain que é o “senhor das folhas”. Mas, em qual linha de Umbanda está Ossain? Só tem quatorze? Quatorze Orixás?” Não, você tem tantos Orixás quantos você conhecer. “Mas, ué? Aqui a gente só tem sete linhas e quatorze Orixás, como é que fica isso?”

Fica que os outros Orixás estão também nessas sete linhas, basta você encontrar onde eles se encaixam.

“Ossain”, que também é vegetal, está na mesma vibração de Oxóssi. “Aroni” também é vegetal está na vibração de Oxóssi. “Logunedeque” é vegetal com amor, que é filho de Oxóssi com Oxum, ele é um intermediário do conhecimento para o amor.

 “Odeque” também é caçador, também está na linha vegetal.

Existem centenas de Orixás, mas, muitos são os mesmos Orixás com outro nome como, por exemplo, Omulu é o “senhor da morte”, “Iku” é a morte, está no mesmo campo.

Conhecimento é algo vasto e conhecimento enquanto linha de Umbanda, sentido da vida, de vibração, tem que ser algo que não fique limitado apenas a dizer: “Ah conhecimento é a capacidade de pegar um livro ler, estudar, fazer um curso, alguma coisa assim”. Não. “Conhecimento” aqui é: a linha vegetal, a linha da expansão.

A capacidade de expansão está diretamente ligada ao conhecimento. Essa força do conhecimento é a força de Oxóssi, é a força de ir buscar, é força do caçador.

Na mitologia Nagô Yorubá, Oxóssi é irmão de Ogum, em algumas lendas aparecem sempre juntos: Oxóssi, Ogum e Exu. E numa estrutura tribal – imaginemos então essa estrutura – uma tribo no meio de uma floresta que é um meio de relacionamento íntimo entre o Orixá Oxóssi, as matas e caçador. Há uma relação com o índio muito forte.

Imagine uma sociedade tribal, você tem uma tribo no meio de uma mata, as pessoas dessa tribo podem pescar, elas podem caçar, plantar e ali naquela cultura então você tem a figura do caçador dentro de uma tribo. Quem é o caçador? É aquele que sai da tribo para buscar recursos, esse é o caçador.

Quando a gente fala do “caçador” tem que imaginar em que contexto de cultura existe a figura do caçador. Porque temos que trazer isso para o dia de hoje. Quem é o caçador hoje em dia? Quem é o caçador na nossa sociedade? Então, é para cá que se tem que trazer esse contexto, porque tem que atualizar o perfil do arquétipo, o padrão mitológico e os atributos e atribuições do Orixá, da divindade na sua vida.

 O Orixá Oxóssi é caçador.

 O que é um caçador? O que representava um caçador dentro de uma cultura antiga, dentro de uma cultura tribal? É aquele que saia da tribo para buscar recursos, esse caçador não saia sozinho. Quando você entra numa mata, vai alguém a frente abrindo caminho, abrindo uma picada, esse que vai à frente abrindo caminho é Ogum.

São vários batedores abrindo caminho onde não há caminho para caminhar.

Vão entrando para saber se há inimigos, se existe perigo, esse é Exu. E há aquele que vai explorando, que vai identificando, que vai pegando, buscando, colhendo, caçando, esse é Oxóssi. Então, Oxóssi é o caçador, é aquele que sai para buscar algo.

Ele sai em busca do alimento, Oxóssi dá essa força. Oxóssi dá para você a força de caçador, de buscar o que você precisa. Por isso a energia de Oxóssi traz fartura para a mesa.

Há uma relação entre Oxossi e o alimento, a fartura, o trabalho, com o trazer o alimento para a mesa, com o não faltar alimento, fazemos oferenda para Oxóssi para que não falte alimento, para que não falte o que comer. Que relação é essa? Como se estabelece essa relação na sua vida com Oxossi? Os Orixás nos trazem padrões emocionais, padrões psicológicos.

Oxóssi traz a força de ir buscar, de você se tornar um caçador e ir buscar o que você precisa, você é caçador todos os dias quando você sai para trabalhar, você é caçador todos os dias quando você sai para buscar algo que a sua família precisa, você é caçador quando você sai em busca daquilo que você está precisando, você é um caçador nesse sentido.

O caçador naquele contexto de tribo, que vai buscar o alimento, é esse caçador que na volta para a tribo traz a informação, traz o conhecimento.

Se essa tribo está numa região escassa de alimento, de animais, de caça, se eles estão plantando e ali não dá, se a tribo precisa mudar de lugar, é o caçador que sai da tribo e traz a informação para onde essa tribo vai, é o caçador que traz a boa nova, é o caçador que traz a notícia, é o caçador que conta como é o mundo lá fora.

O caçador é um comunicador, caçador é um falador, ele é falante, ele é expressivo, ele é comunicativo, é praticamente um geminiano, o caçador, o comunicador. Se estivesse falando em Planetas, ele tem a energia de Mercúrio, de informação. E não importa qual é o teu signo porque não importa de qual signo você seja você pode ter essa força de Mercúrio.

O caçador Oxóssi é amparador da força de caça, da força de buscar e no momento em que você está comunicando, você saiu para caçar alimento, informação, cultura, novidade, você saiu para caçar, para buscar, quando você volta, você está então comunicando, você está compartilhando, multiplicando informação, alimento, etc.

Oxóssi tem essa qualidade multiplicadora por isso ele traz a fartura, traz o pão, ele tem uma relação forte com agricultura também, não com a ferramenta da agricultura porque a ferramenta é de Ogum.

 Ogum foi aquele que descobriu as ferramentas, a forja, o aço, o ferro, mas, Oxóssi é o agricultor no sentido daquele que planta, daquele que faz dar frutos, daquele que faz multiplicar o alimento nesse sentido.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Trono do Amor – Mãe Oxum – Pai Oxumaré



Trono do Amor – Mãe Oxum – Pai Oxumaré

 “Oxum lava meus olhos, Oxum minha emoção. Oxum flor das águas lava meu coração” / “Eu vi Mamãe Oxum nas cachoeiras, sentada na beira de um rio. Colhendo lírios, lírios yê, colhendo lírios, lírios ah. Colhendo lírios pra enfeitar o seu congá” / “Ela é uma flor no jardim do Senhor, ela é uma rosa em botão, ela é toda ternura, ela é toda candura, ela é todo amor, ela é Senhora da Conceição” / “Mamãe Oxum estrela guia dos filhos que se acham em aflição. Iluminai a nós senhora, mamãe com muito amor e proteção”.

Esses são alguns dos pontos à Mamãe Oxum, cada um dos Orixás e dos Guias de Umbanda tem pontos cantados, são as músicas de Umbanda dedicadas a eles. Uma das formas que a Umbanda tem de ensinar sobre os Orixás e sobre a doutrina da religião é por meio dos pontos cantados.

Quando cantamos para um Orixá, no canto são colocadas as qualidades, os atributos, as atribuições, até a forma de tocar mais melodiosa ou mais rápida, mais cadenciada, às vezes, um ponto mais agressivo, é para um Orixá guerreiro, um ponto que é mais doce para um Orixá mais amoroso e assim também vai se aprendendo sobre os Orixás. Os pontos de Oxum são pontos que falam do sentimento, do amor, do coração, pois Oxum é a Mãe no sentido do amor.

É a segunda linha de Umbanda ou segunda vibração, a do Amor e ali está Oxum, a mãe do Amor. Oxum é “senhora das águas das cachoeiras”, “senhora do ouro”, “senhora do amor”. É o Orixá mãe nesse sentido, como ela é universal, nós chamamos as Oxuns para amparar, sustentar nesse campo do amor que é o do coração. A primeira vibração ou a primeira linha é o sentido da “fé”, sem fé não existe nada no campo religioso, se não houver a base que é a “fé” e a “religiosidade”.

O segundo sentido é o “Amor”, depois vem “conhecimento”, “justiça”, “lei”, “evolução” e “geração”, são graus de importância, o “amor” só está depois da “fé”. E depois da “fé” justamente por quê? Para ter “amor” é importante crer, ou seja, não existe amor se você não crer no amor. O “amor” em si é algo que transcende as palavras.

Nós tentamos traduzir os sentimentos por meio de palavras. Mas, as palavras realmente são pobres para traduzir aquilo que a gente sente no fundo da alma, principalmente quando o sentimento é o “amor”.

Um momento de encontro com Deus, com o que é sagrado, divino, geralmente é descrito como um “momento de amor”, que na palavra dos poetas só pode ser comparado ao amor o que dá sentido a sua vida mesmo que seja um amor de um homem para uma mulher, em alguns momentos, isso é comparado ao “amor divino”, no momento em que o homem reconhece aquela mulher como presença divina na sua vida e vice-versa.

Ao reconhecer que há algo divino, naquele momento se reconhece que Deus está em você, Deus está naquela pessoa e só por uma obra divina, de algo sagrado, é possível sentir isso que é intraduzível, então, isso é o “amor”.

Os grandes mestres, sábios, místicos, descrevem o momento da iluminação, como um “ato de amor”, um “momento de encontro com Deus”, ali está a lição que não pode ser descrita, a lição que um mestre só pode passar a um discípulo pela sua presença, um mestre passa para o discípulo sem que ele possa ou consiga explicar.

Há uma passagem na vida de Buda, na qual ele pega uma flor e nenhum dos discípulos entende, ele anuncia que vai fazer um discurso e todos estão esperando que Buda faça o discurso, ele se senta e não diz palavra alguma, simplesmente ele pega uma flor, levanta e mostra a flor para as pessoas presentes, ninguém entende nada. Apenas um único discípulo olha para o Buda e começa a sorrir e aquela pessoa entende que ele estava passando uma mensagem que não podia ser descrita por palavras.

O amor é algo transcendente e ao mesmo tempo é também o que une, agrega, atrai as pessoas, é força presente na vida das pessoas, mas também presente em todo o universo, essa força que é o amor, é a força que une as pessoas, mas é também a força que atrai os planetas, é a força que atrai as partículas subatômicas ou as partículas atômicas em torno ou as mantém atraídas em torno do núcleo de um átomo, é a força que une, agrega as pessoas.

Por isso dizemos que Oxum é “agregadora”. É a mesma força ou energia que atrai um espermatozóide até um óvulo ou atrai centenas, milhares de espermatozóides em direção ao óvulo e faz com que um ou dois ou três alcancem o núcleo daquele óvulo, essa também é uma força de fecundidade, é força de “concepção”.

Este é o campo em que Oxum trabalha, o do amor e nós buscamos Oxum para agregar coisas e pessoas, para atrair. Por isso Oxum também é evocada em algumas situações: “ Se você está precisando de dinheiro faça uma oferenda a Oxum”. E aí um questionamento: “Mas, Oxum traz dinheiro? Qual a relação de Oxum, que é o Orixá do Amor, com dinheiro que é material, da terra?”

Para algumas pessoas é algo quase que profano, a primeira questão a colocar é: a Umbanda tem um olhar diferente para a vida e com relação ao espírito e a matéria, a matéria também é sagrada.

Devo tratar o corpo como algo sagrado porque ele me foi dado, me foi emprestado para que eu tenha uma experiência.

Desde a alimentação, atividade física, cuidado com a mente, com as emoções, higiene, são cuidados para com o sagrado, esse corpo enquanto Templo do espírito, deixa de ser sagrado quando é banalizado.

Da mesma forma o meu trabalho é sagrado, o resultado desse trabalho também é sagrado.

No entanto, quando se fala que Oxum traz dinheiro, traz riqueza, a palavra correta é: “Oxum atrai essa força, ela pertence a Oxum, que é também agregadora, ela atrai prosperidade”, essa é a palavra correta: “prosperidade”.

Não é que ela dá dinheiro, traz dinheiro, Oxum atrai prosperidade. Agora, qual é o raciocínio para entender por que Oxum atrai prosperidade? Porque onde você coloca amor, ali tudo prospera, essa é a questão, vou dar um exemplo: vamos supor que você tenha um comércio, o cliente quando chega, se ele é tratado com amor, respeito, ele se sente especial, ali dentro ele sente que há um cuidado com ele e o amor é o que nos faz cuidar.

Isso tudo pertence a Oxum. No momento que ele sente esse amor, há prosperidade.

Cuidado e atenção são formas de amor e, quando você tem esse amor para dar dentro de um comércio, esse comércio prospera.

De nada, porém adianta oferendar Oxum e não rever suas posturas, não ter cuidado e respeito para com o próximo, seja ele seu cliente ou não. É uma questão de padrão vibracional, ou seja, recebemos sempre o que emitimos, invariavelmente.

Cuidar com amor é uma arte, um carinho, o cuidar com amor é algo que te envolve pela alma, pelo espírito. A pessoa que cuida com amor, ela se doa, ela faz o melhor, ela cuida de cada detalhe.

Isso tudo está ligado a “Oxum”, ela cuida dos detalhes, Oxum cuida da beleza, quer ser agradável, Oxum quer agradar, isso não é pedante, isso é natural. A pessoa quando quer agradar de uma forma pedante está relacionado à vaidade e ao ego ou um desequilíbrio, uma carência.

Oxum quer agradar por isso é de Oxum a beleza, a beleza que agrada aos olhos e a beleza que agrada ao coração.

É de Oxum essa natureza, essa força daquilo que é belo, bem cuidado.

Se você trouxer isso para o campo profissional, você tem prosperidade.

Às vezes esse sentindo está bloqueado dentro da pessoa, então, pede-se para tomar um banho de cachoeira, pede-se para fazer uma oferenda a Oxum, acender uma vela para Oxum.

Como receita:

Acender uma vela cor de rosa para Oxum ou uma vela amarela ou uma vela azul são cores que se usam para Oxum e colocar mel num prato, o teu nome dentro do mel, a vela para Oxum em cima do seu nome com mel pedindo para Oxum trazer uma melhora nesse sentido do amor, do cuidado, da beleza.

Costuma se dizer assim: “A quem tem, mais ainda será dado”, “A quem não tem, até o pouco que tem lhe será tirado”. Existe um provérbio Zen que diz assim: “A quem tem uma vara lhe dê mais uma”, “A quem não tem nenhuma lhe tire o que ainda tiver”, então, assim é o amor. É, aquilo que você tem e você dá que vai se multiplicar.

 Aquilo que você tem e que você não ama, não cuida, isso lhe será tirado, as pessoas que reclamam que tem poucas coisas na vida e que vivem a reclamar, até esse pouco lhe será tirado. Agora, as pessoas que tem pouco, mas são agradecidas, são felizes muito mais lhe será dado, muito mais ele receberá porque é uma pessoa agradável, que onde ela põe a mão as coisas prosperam, as coisas vão bem.

Quando profissionalmente você está fazendo aquilo que te realiza, você faz com amor. Ninguém faz melhor do que aquele que faz com amor. Agora, nem todos tem a oportunidade de trabalhar profissionalmente com aquilo que ama, com aquilo que gosta. No entanto, é melhor você aprender a ter um bom sentimento com aquilo que você realiza porque senão até isso você vai perder.

Se você não teve a oportunidade de trabalhar com o que gosta, mas se você entender que aquele trabalho é importante para você, faça com amor, faça com cuidado, dê o seu melhor porque senão até isso lhe será tirado.

Terreiro de Umbanda é pronto socorro da vida material, da vida espiritual, da vida sentimental, da vida profissional, aonde a pessoa chega para reclamar e para dizer que está precisando disso, daquilo, daquilo outro e poucos chegam para agradecer.

Às vezes a pessoa chega com o seguinte discurso:

 “Meus caminhos estão fechados” ou “nada dá certo pra mim” e muitos já chegam pensando que precisam fazer algo no campo de Ogum porque é Ogum que vence demandas, Ogum que abre caminho.

No entanto, em muitas situações, o que falta na vida daquela pessoa é amor pelas coisas, amor pelas pessoas, amor pela sua vida.

Se você não colocar amor naquilo que você está fazendo, não importa o que seja, isso não é bem feito, não é bem cuidado, não é agradável, não atrai outras pessoas, não prospera. Então, o “amor” é força, energia de prosperidade e isso está presente em Oxum.

O sincretismo de Oxum é Nossa Senhora da Conceição ou Nossa Senhora da Aparecida que também é uma Nossa Senhora da Conceição e é um sincretismo que representa Maria, porque toda Nossa Senhora é Maria.

Oxum é sincretizada com Maria na sua qualidade juvenil porque é a idade da fecundidade, da concepção, a idade do florescer do amor em que o amor é desperto, da jovialidade.

Esse é o aspecto de Oxum: jovem, bela, delicada.

Quando falamos de “Orixá”, estamos falando de nossos Pais e Mães, divindades de Deus que atuam na nossa vida, que atuam na vida do ser humano, compreender a atuação dos Orixás, de alguma forma é também querer compreender essa relação humana com o divino, a relação humana com o sagrado. Toda a vida também é sagrada.

 O sentimento de amor, está relacionado ao chacra correspondente e não apenas com “acelerar” ou “desacelerar” o coração, existe uma glândula chamada “glândula timo” , essa glândula está diretamente relacionada a forma como você está se sentindo.

Se você está se sentindo bem, confortável, se você está se sentindo amado, a glândula timo está funcionando direitinho, essa glândula mexe com o funcionamento de vários dos nossos órgãos na maneira como a gente se relaciona, como a gente se expressa e quando a glândula timo não funciona bem, nossa forma de expressão para o mundo também não vai bem.

Sobre as glândulas, caso haja interesse em se aprofundar, recomenda-se o livro “Mãos de Luz” da editora Pensamento, a autora é Bárbara Ann Brennan.

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