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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

quinta-feira, 26 de março de 2015

Oxalá, Orixalá, Obatalá - Jesus Cristo - Mecanismos da Fé -



Oxalá, Orixalá, Obatalá - Jesus Cristo - Mecanismos da Fé -

Existe apenas um único Deus que é pai e mãe, criador e criadora de tudo e de todos: “Olorum”.

O nome  “Olorum” – Olo/ Orum quer dizer “O senhor do Orum”, Orum é todo o mundo que não é material.

 “Olodumare” é o “Senhor supremo dos nossos destinos”, “Zambi” é “O Poderoso”.

Na mitologia Nagô Yorubá: Olorum é o criador dos Orixás ou o pai dos Orixás.

Oxalá é um Orixá criador, mas ele não é o criador dos mundos que é Olorum.

 Oxalá é criador dentro da sua posição, do seu status de co-criador com relação a Deus tanto que Oxalá, é o Orixá modelador, é ele quem modela os seres, os mundos, as dimensões e as realidades, ele é também modelador.

 No momento em que Oxalá cria o homem a partir do barro, no mito Oxalá cria, mas quem dá a vida é Olorum – não fazer confusão entre “Oxalá” e “Olorum – como todos os outros Orixás, Oxalá tem uma origem cultural Nagô Yorubá.

O nome Oxalá está na língua Yorubá e a origem desse nome vem de “Orixá N’ti Alá”, que quer dizer o “Orixá que se veste de branco” – “Alá” quer dizer branco - Depois, o nome foi se contraindo pra “Orixá N’lá”, depois se tornou “Orixalá” quer dizer o “Orixá que se veste de branco”.

 Algumas pessoas traduzem “Orixalá” como o “Maior dos Orixás”. Oxalá, é considerado o maior dos Orixás, mas o nome “Oxalá” quer dizer: o Orixá que se veste de branco. Oxalá também é conhecido como “Obatalá” – “Obá” quer dizer o rei, “talá” também vem de “N’Alá” – então, Obatalá quer dizer: o rei que se veste de branco.

Tanto Oxalá quanto Obatalá são nomes para o mesmo Orixá que é o “Trono Masculino da Fé” – nosso Pai Oxalá – que tem sincretismo com Jesus Cristo. Oxalá é o maior dos Orixás e Jesus Cristo está acima de todos os Santos, porque Oxalá é o Orixá do branco que se veste de branco e Jesus sempre aparece de branco.

 Oxalá é o Orixá do sentido da fé e Jesus é o próprio sentido de fé para a vida dos cristãos, no entanto, no Catolicismo, Jesus Cristo é a segunda pessoa da Trindade: Deus é Pai, Filho e Espírito Santo, então, o “Pai”, o “Filho” e o “Espírito Santo” são ao mesmo tempo uma única pessoa que é: Deus. No sincretismo de Jesus com Oxalá não devemos trazer o conceito de que Jesus é Deus porque esse conceito é Católico. Por exemplo, os Espíritas crêem em Jesus como um grande mestre da humanidade, um espírito mais velho, coordenador do Planeta, etc., mas, não vêem Jesus como Deus.

 O Mulçumano vê Jesus como um profeta. As pessoas que seguem a linhagem dos mestres ascensionados vêem Jesus como mestre ascencionado,  aqueles que chegam à Umbanda, cada um vem de um seguimento, mas as pessoas que vem do Catolicismo pra Umbanda costumam associar Oxalá a Deus porque no momento que faz sincretismo de Oxalá com Jesus, eles trazem o conceito da sua religião anterior, o Catolicismo, de que Jesus é Deus, então, se Oxalá é Jesus logo Oxalá deve ser Deus. Esse é o ponto: Deus é Olorum. Oxalá é o maior dos Orixás, é um Orixá, é o Orixá da “fé”, do “branco”.

Oxalá é um Orixá que tem peculiaridades incríveis, Oxalá é um Orixá que traz em si não apenas a individualização da fé, mas uma individualização do criador em todos os seus sentidos, o que o faz como o Orixá do elemento cristalino que é a pureza de tudo que existe.

 Oxalá é o magnetismo, ele é o magnetizador.

Oxalá é cristalino, simbolizado por um cristal. Mas, o cristal também é um mineral. Então, como fica Oxalá cristalino e Oxum mineral? É porque o cristalino de Oxalá que é simbolizado pelos cristais é a pureza de tudo que existe. Oxum tem ponto de força na cachoeira, Oxóssi nas matas, Xangô nas montanhas, Ogum nos caminhos, Iansã nas pedreiras, Nanã nos lagos, Obaluaiyê no campo santo, Iemanjá no mar, o ponto de força de “Oxalá” é o “mundo”, todo o mundo pertence a Oxalá.

Oxalá não tem um lugar que seja o seu ponto de força. No entanto, quando se faz oferenda a Oxalá às vezes se escolhe ir a um mirante, não porque ali é seu ponto de força. É porque de cima de um mirante, assim como Cristo Redentor acima da cidade do Rio de Janeiro e lá está um Cristo que representa Oxalá para nós, desse ponto que é o ponto mais alto de uma cidade, você pode ver o globo, você pode ver o “mundo”. Quando a gente se coloca nesse lugar, no alto de um mirante, você olha para o mundo lá embaixo e, se naquele lugar você silenciar sua mente, você vai ser levado a um estado de contemplação, a um estado de interiorização, de introspecção.

Oxalá e o Orixá que traz a paz, a harmonia, a tranquilidade, serenidade e é também o Orixá do perdão. Então, pra todas essas qualidades, pra todos esses atributos e atribuições a gente busca Oxalá.

Essas são razões para se ir ao encontro de Oxalá, pedir a presença de Oxalá na sua vida. Oxalá é o próprio espaço, não apenas o Planeta, mas Oxalá é o próprio espaço onde tudo existe.

sábado, 21 de março de 2015

7 Linhas de Umbanda – 14 Orixás - Orixás Cósmicos e Universais




7 Linhas de Umbanda – 14 Orixás - Orixás Cósmicos e Universais

A polêmica acerca das “7 linhas de Umbanda” é muito grande. Existem divergências e cada um acaba por entender à sua maneira.

O número 7 (sete) é um número muito forte e talvez, dos simbolismos religiosos, um dos mais conhecidos.

Nos “7 dias de Deus” se fundamenta toda a ideia da cultura ocidental para criar uma semana que tenha 7 dias. Como nada é por acaso, é um período ideal para você trabalhar e dentro desse período, de sete dias, está prevista uma pausa para descanso, por isso temos o final de semana.

A missa, aos domingos, é uma tradição Católica e é uma pausa na semana. Para o Judeu a pausa é aos sábados.

E para nós Umbandistas? Nós temos na Umbanda também o simbolismo do número sete, mas isso é muito mais explorado dentro da Umbanda porque toda Umbanda gira e está fundamentada em torno das “7 linhas de Umbanda”, “7 vibrações de Umbanda”.

 Como e quando surgiu a ideia de 7 linhas de Umbanda? Desde a origem da religião, desde a primeira manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, no dia 15 de novembro de 1908, o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorpora em Zélio de Moraes e alguém pergunta “Qual é o seu nome?” e ele responde: “Se é preciso que eu tenha um nome, me chame de Caboclo das Sete Encruzilhadas porque não haverá caminhos fechados para mim”.

Naquele momento o Caboclo das Sete Encruzilhadas já está dando a entender de forma subjetiva, mas muito clara que sete são os caminhos para chegar até Deus porque o objetivo do Caboclo é religioso. Então, os seus caminhos são os caminhos que chegam a Deus, sete são os caminhos para chegar a Deus e não haverá caminhos fechados para ele.

Ele já está dizendo que trabalha nas sete vibrações, nos sete campos, nos sete elementos, nas sete forças, nos sete poderes, sete são os caminhos para chegar a Deus. As sete encruzilhadas da vida de um ser humano são as encruzilhadas dos sete sentidos da vida, as sete encruzilhadas que são: da fé, do amor, do conhecimento, da justiça, da lei, da evolução e da geração, essas são as nossas sete encruzilhadas, as encruzilhadas da vida nos sete sentidos que ela possui.

Naquele momento o Caboclo das Sete Encruzilhadas dá a letra e a partir dali surge a primeira Tenda de Umbanda e Zélio de Moraes vai trabalhar dentro de um contexto de sete linhas e sete vibrações a partir de Pai Antônio, Preto Velho que trabalhou com Zélio. É trazido aos poucos o conceito de Orixá. Então são trabalhados os Orixás, é trabalhado na força dos Orixás, surge um sincretismo dos Orixás com os santos Católicos.

E Zélio de Moraes começa então a entender que o trabalho em nome de Deus, na força dos Orixás, é um trabalho que tem sete campos de atuação.

Pai Ronaldo Linares - Presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, responsável pelo Santuário Nacional de Umbanda, que conviveu com Zélio de Moraes diz que perguntou ao Zélio o que são as 7 linhas de Umbanda e Zélio afirmou – esse encontro de Pai Ronaldo com Zélio de Moraes se deu em torno de 1973, já no final da vida de Zélio que desencarnou em 1975.

A Umbanda já tinha 64 anos quando Zélio respondeu que as pessoas não haviam entendido muito bem o que eram as 7 linhas de Umbanda e o Zélio de Moraes disse a Pai Ronaldo: “Imagine um prisma...” – todo mundo se lembra o que é um prisma? Uma peça de vidro formando um triângulo – “... imagine a luz solar que bate do lado de um prisma e do outro lado saem sete cores do arco-íris” afirmou Zélio de Moraes para Pai Ronaldo “Isso são as 7 linhas de Umbanda”.

As “7 linhas de Umbanda” nas palavras de Zélio de Moraes são as sete vibrações, as sete energias, os sete campos, as sete cores de forma subentendida, o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse “São os sete caminhos...não haverá caminhos fechados”.

Em 1933, é publicado o primeiro livro de Umbanda, “O Espiritismo, a Magia e as 7 Linhas de Umbanda”  do autor Leal de Souza.

 Leal de Souza era um médium do Espiritismo que conheceu o Caboclo das Sete Encruzilhadas, trabalhou com Zélio de Moraes e se tornou dirigente de uma das sete Tendas de Zélio.

Leal de Souza foi médium desenvolvido na Umbanda por Zélio de Moraes, conheceu a Umbanda por meio de Zélio e no primeiro livro de Umbanda já está presente o assunto “7 linhas de Umbanda”.

 Leal de Souza na década de 30, de forma pioneira escreve sobre Umbanda, ele foi um intelectual, escritor, jornalista, poeta e médium preparado por Zélio.

Leal de Souza, pela primeira vez na história da religião, coloca no papel quais são as “7 linhas de Umbanda” e ali ele relaciona cada linha com um Orixá.

Sem esquecer a definição de Zélio em 1973, mas lembrando que Leal de Souza publica pela primeira vez em 1933, sem também abrir mão da ideia de que Leal de Souza foi preparado por Zélio.

Leal de Souza pela primeira vez coloca 7 linhas de Umbanda como a linha de Oxalá, a linha de Ogum, a linha de Oxóssi – que na época ele escrevia Euxóssi – a linha de Xangô, a linha de Iansã – que ele escrevia Nhasã – a linha de Iemanjá – que Leal de Souza chamava de Amanjar – e a linha de Santo.

A linha branca se dividia em linhas de: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Iansã, Iemanjá e linha de Santo.

Oposto a linha branca ou do lado da linha branca ou além da linha branca havia a linha negra. Então, ele considerava que na linha branca estavam as 7 linhas relacionadas com os Orixás e na linha negra estavam os Exus - conceito de Leal de Souza - da linha dos Exus saiam os espíritos que iam trabalhar na linha de Santo que é essa sétima linha.

Temos aqui um esquema primeiro das 7 linhas da Umbanda apresentado por Leal de Souza.

Quais são as Sete linhas de Umbanda dentro da Tenda Nossa Senhora da Piedade hoje?

 As 7 linhas da Umbanda dentro da Tenda são as 7 linhas que o Caboclo das Sete Encruzilhadas trouxe, são as linhas de: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Iansã, Iemanjá e linha de Exu”. Então, é exatamente o conceito de Leal de Souza só que ao invés de chamar de linha de Santo, chamam diretamente de linha de Exu porque são espíritos que, segundo Leal de Souza, vinham da linha negra que é a linha de Exu.

terça-feira, 17 de março de 2015

Oferenda – Guia (colar)



Oferenda – Guia (colar)

As oferendas fazem parte da religião de Umbanda, podemos dizer que oferenda é um dos fundamentos da religião, ou seja, desde o nascimento da religião se faz e é recomendado fazer oferendas. Sempre que se fala de origem da religião de Umbanda, se fala em Zélio de Moraes, Caboclo das Sete Encruzilhadas, Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, pois foi ali que nasceu a religião de Umbanda. É sempre importante ressaltar e entender essa questão.

Antes de falarmos sobre o conceito de oferenda, existe uma história, bastante curiosa, que ilustra bem o assunto:

Certo dia, talvez no dia de Finados, num cemitério, um religioso estava ali levando flores para o seu parente desencarnado e essa pessoa viu ao lado um oriental que levava consigo um potinho de arroz para o seu parente também desencarnado.

Provavelmente, o senhor com as flores, era Católico ou Cristão de algum segmento e estava ali, com as suas flores e começou a observar o oriental que levava um potinho de arroz.

O que chegou primeiro com as flores olhou para o outro e achou um absurdo levar arroz, olhou pra ele e perguntou:

 “Você acha que o seu parente morto, desencarnado, vai vir comer esse arroz, não é um absurdo?” e pensou na cabeça dele que absurdo trazer arroz pra quem já desencarnou.

“Você acha que ele vai vir aqui comer?”, “Quando você acha que ele vem aqui pegar esse arroz?”.

O oriental com seu arroz bem tranquilamente virou pra ele e disse:

“É, o meu parente virá buscar esse arroz no mesmo momento, na mesma hora e da mesma forma que o teu virá buscar essas flores”.

Existem questões de preconceito religioso, são questões culturais, quando se fala de oferenda existe uma questão cultural que muitos de nós, que viemos de outras religiões, de outros segmentos, onde não existe oferenda, não compreendemos.

Quando nos deparamos com a Umbanda e vemos que existe um universo ritualístico em torno daquilo que a gente chama de oferenda, começam os questionamentos:

 “Pra que fazer oferenda?”, “O que é uma oferenda?”, “Quando se faz uma oferenda?”, “Como se faz uma oferenda?”, “Essa oferenda é feita para os Guias?”, “Essa oferenda é feita para os Orixás?” “O que nós oferendamos?”, “Quando a gente oferenda algo que é um alimento o Orixá vai vir comer esse alimento?”, “Uma entidade vai comer o alimento?”, “Nós estamos alimentando os Orixás?”, “As entidades tem fome pra comer?”, “É por isso que a gente faz uma oferenda, pra saciar a fome dos desencarnados?”

Existe todo um questionamento em torno da oferenda e existe também preconceito daqueles que vem de outro segmento tanto daqueles que vem de um segmento Católico e até dos que vem de um segmento espírita.

 Muitos que tem uma formação Espírita, seguindo a doutrina de Kardec e alguns que tiveram uma formação Espírita ortodoxa, acabam mantendo seus valores, às vezes, dentro de um conceito fechado, enquadrado, enlatado, com aquelas viseiras fechadas em que não se pode olhar para o lado e acaba tendo dificuldade de encarar o novo, a nova realidade quando chega numa nova religião.

Aos que vieram do Espiritismo, do Catolicismo, ao chegarem à Umbanda, têm de entender que estão em outra religião, num outro universo. A forma de explicar as coisas na Umbanda, não é a mesma forma de explicar as coisas no Espiritismo.

Aqueles valores e aquelas verdades do Espiritismo não são valores, não são verdades na Umbanda.

A gente tem que entender:

O que é uma oferenda? Primeiro, a palavra oferenda já explica muita coisa, essa palavra nos diz que estamos ali para ofertar algo.

O que será ofertado? No caso da Umbanda nós temos oferendas que são feitas basicamente com: flores, frutas, velas e bebidas, esse é o material que mais se usa na Umbanda pra fazer oferenda.

Nós estamos ofertando algo a alguém, o que é que se oferta? Ofertam-se elementos, elementos ritualísticos. Para quem? No caso da Umbanda ofertamos para os Orixás ou para as entidades, os espíritos, os Guias.

Existe uma sequencia de elementos que são os elementos que se ofertam para esse ou pra aquele Orixá, um sequencia de elementos que se ofertam para essa ou aquela entidade. A questão é: a oferenda não é uma entrega pura e simples.

 Oferenda é algo que estabelece uma relação de quem está entregando com quem está recebendo.

Quando se faz uma oferenda, você não é um entregador de pizza que leva apenas alguma coisa pra alguém, você quando faz uma oferenda está fazendo um ato ritualístico que tem um fundamento e tem um objetivo. O objetivo não se encerra em si mesmo no ato da entrega, o objetivo é: o que eu pretendo com essa oferenda?

quinta-feira, 12 de março de 2015

Elementos de Liturgia ( altar – defumação – amaci – banhos – música)






Elementos de Liturgia ( altar – defumação – amaci – banhos – música)


Por influência do catolicismo, a Umbanda adotou o altar, ponto forte em seus templos, terreiros, choupanas, casas, etc.

As imagens de santos, sincretizados com os Orixás, se fazem presentes no altar, remetendo os fiéis a algo conhecido, acolhedor por conta de o Brasil ser um país de maioria católica.

O altar da Tenda Nossa Senhora da Piedade, onde foi fundada a Umbanda,  contém imagens Católicas, no topo há a imagem de Nossa Senhora da Piedade, que é a imagem da Pietá de Michelangelo, onde Maria segura Jesus nos braços;  teria dito o Caboclo das Sete Encruzilhadas que:

“Assim como Maria segura Jesus, a Umbanda seguraria os filhos seus”

 A Umbanda não inventou o sincretismo.

 Sincretismo é a junção de dois ou mais elementos de culturas que passa a ser um terceiro que é “re-significado”, resultante desses dois ou mais elementos.

 A Umbanda não inventou o sincretismo de Santos Católicos com Orixás, no qual, São Jorge representa Ogum, São Sebastião representa Oxóssi, Jesus Cristo representa Oxalá, Nossa Senhora da Conceição representa Oxum, Nossa Senhora dos Navegantes representa Iemanjá, São Bartolomeu representa Oxumaré, São Lázaro representa Obaluaiyê, São Roque representa Omulu, Cosme e Damião representam Ibeji, isso é sincretismo.


 A Umbanda não inventou esse sincretismo, ele já existia no Candomblé em algumas de suas rodas muito antes de existir a Umbanda.

A Umbanda adotou o sincretismo como algo presente na maioria das Tendas.

Na Tenda Espírita Mirim só há uma única imagem, a imagem de Jesus Cristo considerado o médium supremo. Depois surgirão algumas Tendas que vão abolir as imagens e vão usar somente as pedras ou símbolos ou signos ou ponto riscado.

No entanto, a maioria das Tendas tem um altar com santos Católicos, geralmente esse altar é construído numa mesa ou ele é construído em degraus  lembrando uma pirâmide.

 Quando o altar é construído em forma de pirâmide, é comum que no topo fique a imagem de Cristo e nos outros degraus fiquem as imagens dos outros santos Católicos representando os Orixás. É comum o altar de Umbanda ter a forma piramidal que é uma forma hierárquica de representação.

Imagens de Caboclos e Pretos Velhos ficam num plano um pouco mais abaixo no altar.

Na igreja Católica, no altar, existe um elemento chamado “pedra Dara”. Essa pedra Dara é um recipiente no qual, geralmente, há uma relíquia dentro. Uma relíquia é um pedaço do corpo de um santo.

Num altar Católico antigo e tradicional, colocava-se no altar um pedaço de osso do corpo de um santo.

Em Roma, na Igreja de São Pedro, a força do altar é o túmulo de São Pedro.

Isso é uma coisa que não se fala e que não se tem ideia, mas é como se a relíquia, a pedra Dara e às vezes o próprio túmulo do santo fosse o assentamento, o axé daquele templo, ali se coloca a relíquia, a pedra Dara e as imagens estão em volta, muitas ou poucas imagens dependo da igreja.

Relíquias podem ser de alguém que foi muito ligado ao Santo(a) e não necessariamente do próprio.

Se existe um altar, há alguma coisa naquele altar que justifique ele estar ali, geralmente não são apenas as imagens, existe algum elemento antigo ou forte considerado algo que tem energia e presença.

A partir de Moisés, poderia se dizer até, das conversas de Moisés com Jetro, seu sogro, Deus vai aparecendo a Moisés e vai colocando como é que o sacerdote tem que se vestir, como é que é o sacerdócio, como se monta um altar. Moisés encontra Deus, Ele dá as pedras da lei a Moisés, Moisés quebra a pedra, a pedra é refeita. Então, Deus explica a Moisés como é que ele vai construir a “arca da aliança”.

 A arca da aliança é o assentamento de Moisés, a arca da aliança que Deus descreve, orienta, era considerado um ponto de força, de axé, tão forte que ninguém podia chegar perto, senão a pessoa iria ser queimada, fulminada porque aquela força era uma força terrível.

A arca da aliança seria colocada, mais tarde,  no Templo de Jerusalém, originalmente o Templo de Salomão.

 A arca ficaria num ambiente fechado, recluso.

 Imagine o espaço físico do Templo fechado, com salas dentro de salas e na sala mais reservada, contígua, ficaria o santo do santo, onde apenas o sumo sacerdote poderia entrar, ali é o axé, o altar sustentador da força, de toda energia.

 O altar Católico representa o ponto do Templo onde está o santo do santo.

No Terreiro, ou numa roça de Candomblé, não há altar, as pessoas não ficam de frente para um altar porque um Terreiro de Candomblé é um espaço que representa o universo com a dança circular, é um movimento circular.

As pessoas se movimentam num Terreiro de Candomblé de forma circular diferente do Terreiro de Umbanda, ou de uma igreja em que as pessoas estão alinhadas de frente para o altar.

No Candomblé o movimento é circular e o axé está no centro do Terreiro, ou seja, no meio há o assentamento que pode estar construído em cima do chão ou pode estar embaixo do chão.

Quando você entra num Terreiro de Umbanda ou de Candomblé, se no centro do Terreiro existe uma construção, ali está o assentamento. Às vezes não existe uma construção, às vezes há apenas uma lajota de cor diferente e ali é colocada uma lajota de cor diferente ou um sinal no centro do Terreiro para que se saiba que embaixo dele está o assentamento da casa.

 Os filhos, quando entram nesse Terreiro, onde há uma lajota diferente no meio, eles cruzam o chão e batem cabeça em cima daquela lajota.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Elementos de Liturgia na Umbanda (bate cabeça – consagração – imantação – cruzamento)





Elementos de Liturgia na Umbanda
(bate cabeça – consagração – imantação – cruzamento)

Liturgia significa todo o contexto do ritual de uma religião.

 Elemento de liturgia, ou elemento ritual, na Umbanda, é o ato de, por exemplo, “bater cabeça”.

O que é bater cabeça?

Por que bater cabeça? Como se bate cabeça?

“Bater cabeça”, o nome é simbólico, nos remete a ideia de alguém batendo cabeça em alguma coisa, bater cabeça é o ato ritualístico gestual de prostrar-se diante do altar, de uma entidade ou de um sacerdote.

 “Bater cabeça” é uma reverência de adoração, de humildade, de entrega.

 Dentro do ritual de Umbanda há o momento de bater cabeça, ou os médiuns já chegam no Terreiro e batem cabeça no altar antes de começar o trabalho, ou no ritual existe um momento para o ato que é acompanhado de canto especifico para bater cabeça.

Existem muitos pontos(cânticos) para o momento de bater cabeça.

Normalmente os médiuns vão um por um bater cabeça, batem cabeça no altar, batem cabeça para o dirigente ou batem cabeça só no altar.

Bater cabeça é prostrar-se. Como você vai se prostrar? Você para diante do altar, há Terreiros onde se ajoelha e encosta a cabeça no chão em ato de reverência.

Há Terreiros aonde se vai diante do altar e deita-se no chão, colocam-se as mãos para frente e toca-se o chão com a cabeça.

Há Terreiros onde, no momento em que você deita e toca a cabeça no chão, você deve levantar os pés, dobrar os pés para cima.

 Em muitos Terreiros é pedido que se bata a cabeça três vezes, porque o três é um número sagrado, três é o número da multiplicação. Ritualisticamente, a gente acaba fazendo tudo em número de três, de sete ou de nove,  são números multiplicadores.

 O três é multiplicador, três vezes três é para tudo que você fizer em três vezes, três se multiplique, prospere, aumente. O número sete é o número das sete vibrações. Bate-se cabeça três vezes e você está saudando o Alto, a Direita e a Esquerda.

Geralmente, antes de bater cabeça, em muitos Terreiros, a pessoa, na frente do altar, se ajoelha e faz o sinal da cruz com a mão, cruza o chão, “cruzar” é fazer o sinal da cruz e faz a saudação para o Alto, o Embaixo, a Direita e a Esquerda daquele Terreiro e ali se ajoelha ou deita-se e bate-se cabeça tocando o chão com a testa.

O ato ritualístico de bater cabeça é um ato de entrega. O momento de bater cabeça é um momento de entrega.

Naquele momento, de forma pessoal, você eleva o seu pensamento a Deus, aos Orixás, aos seus Guias e você se entrega.

A pessoa, nessa hora, está oferecendo a sua cabeça para a religião, bater cabeça é se oferecer, se entregar. Está-se oferecendo o Ori,  em humildade está entregando o que há de mais sagrado em você, o seu Ori, oferecendo para Deus, para os Orixás, para os Guias de Umbanda. É uma entrega, isso se chama “bater cabeça”.

A pessoa que bate cabeça  está ali para servir, para obedecer, para trabalhar e reconhece que o Terreiro tem um comando, esse comando vem de Deus, dos Orixás, dos Guias e também do dirigente espiritual.

E que assim, como numa orquestra, você tem um maestro e cada um dos elementos da orquestra tem o seu papel, a sua partitura para desempenhar e o maestro comanda. Quando você bate cabeça você está dizendo:

“Estou aqui para desempenhar o meu trabalho, a minha função nesse conjunto”, “Estou para trabalhar em harmonia com o grupo”, “Estou para obedecer, acatar, respeitar”, “Estou aqui em ato de humildade, ato religioso”.

 É por isso que em muitos Terreiros bate-se cabeça no altar e depois diante do dirigente, aos pés do dirigente para que fique claro que ali, naquele Terreiro, você reconhece aquele dirigente espiritual, aquele sacerdote, sacerdotisa, padrinho, madrinha, pai de santo, mãe de santo,  como o orientador, o tutor, o condutor, o sacerdote, o mestre, no Terreiro, o dirigente é o mestre, você está em atitude de discípulo diante dele batendo cabeça e pedindo a benção.

Nota: Cada terreiro tem sua forma de trabalho, inclusive ritualística própria e, aderir ou não, às normas da casa e de seus dirigentes, fica a critério de cada um.
(Annapon)

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