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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O que é mediunidade – Todos são médiuns? – Tipos de mediunidade.






O que é mediunidade – Todos são médiuns? – Tipos de mediunidade.

A mediunidade é faculdade inerente ao ser humano, portanto, desde os primórdios dos tempos, ela existe.

Não é apenas a habilidade de manter contato com espíritos, é também uma forma de manter contato com outras realidades diferentes das que estamos habituados.

O médium é o “meio”, o que inter media a comunicação de natureza variada.

Allan Kardec tornou conhecida a palavra mediunidade.

A prática mais antiga de mediunidade é o Xamanismo.

A manifestação mediúnica remonta a remotos tempos, com os antigos Xamãs que também eram magos.

 No Xamanismo o transe, o ritual, as visões e a busca por respostas às mais comuns perguntas sobre a vida são formas de trabalhar a mediunidade.

Todos os seres humanos são médiuns, porém, nem todos são médiuns de incorporação, mesmo porque existem vários tipos de mediunidade, mas todos, em maior ou menor grau, são médiuns.

Em todos os tipos de mediunidade é de fundamental importância o autoconhecimento, o estudo e o bom e correto uso da faculdade que se é portador, para tanto, é preciso tempo, paciência, perseverança e humildade.

São vários os tipos de mediunidade, abaixo seguem alguns exemplos:

O que é a clarividência?
 É a capacidade de ver o mundo espiritual, de ver os espíritos.
A responsável por isso é a glândula pineal, chamada de “terceiro olho”, é uma glândula que se concentra bem no centro da testa, a estrutura dessa glândula é como se fosse a estrutura de um olho. Ela se chama pineal porque ela tem a forma de uma pinha. A sua constituição física é formada de pequenos cristais.

O que é vidência?
A vidência são imagens que se formam na mente da pessoa, diferente da clarividência que é a glândula pineal, terceiro olho, vendo o mundo espiritual.
Essas imagens se formam como uma tela mental, isso é vidência.
A premonição está inserida nessa categoria de mediunidade.
A vidência também está relacionada à “psicometria”, que é a capacidade de pegar um objeto que pertenceu a alguém ou que esteve em algum lugar e fazer uma leitura do que foi que aconteceu com aquele objeto.
Nos Estados Unidos a psicometria é muito utilizada, existem casos que aparecem em filmes de situações em que a polícia recorre a alguns médiuns de psicometria, levam esses médiuns, por exemplo, ao local onde houve um crime e ali o médium tem condições de saber o que aconteceu naquele local, isso é psicometria.

O que é clariaudiência?
A “clariaudiência” é a capacidade de ouvir os espíritos.

O que é clariolfativo?
Clariolfativo é o individuo que tem a capacidade de sentir odores.
 Clariolfativo é aquele que pode sentir, pela faculdade mediúnica, os cheiros do ambiente ou os aromas que as entidades espirituais exalam.

O que é psicografia?
A psicografia é a escrita mediúnica e existem vários tipos ou formas de manifestar a psicografia.
A maioria dos médiuns de psicografia recebe, das entidades espirituais, um fluxo de informações, essas informações passam pela mente do médium e ele vai escrevendo muitas vezes com as suas palavras. O que é diferente da psicografia mecânica, praticamente uma psicografia de efeito físico, que é o tipo de psicografia que Chico Xavier tinha, no qual a entidade desincorporada psicografava com a sua própria caligrafia isso é muito raro.

O que é pictografia?
Pictografia é a pintura mediúnica.
Nessa categoria, quase todos os médiuns são de efeito físico, ou seja, a entidade espiritual guia as mãos do médium sem que o mesmo interfira.
Existem médiuns que pintam através da clarividência, porém é uma pintura diferente da pictografada.

O que é telecinesia?
Telecinesia é a capacidade de mover coisas, de movimentar coisas, estourar uma lâmpada, por exemplo, de fazer um banco se mexer, de fazer uma porta fechar essa é uma capacidade chamada “telecinesia”.
A mediunidade de efeito físico é uma forma de telecinesia, como no filme “Poltergeist”, por exemplo.

Leitura recomendada sobre mediunidade:

“O Livro dos Médiuns” Allan Kardec
Série “Nosso Lar” de Chico Xavier
“Nos domínios da Mediunidade” de Chico Xavier
“Mecanismos da Mediunidade” de Chico Xavier
“Mediunismo” de Ramatís

 A inspiração é uma forma de mediunidade também.

É diferente da irradiação, quando um médium está, por exemplo, dando uma palestra ou conversando com alguém ele fica irradiado. Ele não está incorporado, mas ele está irradiado, ou seja, irradiado é: não apenas você ter uma inspiração, não apenas você ter uma intuição, mas você ficar tomado de uma energia, de uma vibração. Você fica irradiado, envolvido por aquela energia e com essa energia você também sente a mensagem, os pensamentos, a comunicação de um mentor espiritual e dizemos que a pessoa está “irradiada”.

A irradiação é a comunicação com os Mestres Ascencionados, por exemplo.

O desdobramento astral também é faculdade mediúnica, ou seja, todos nós a noite quando dormimos, fazemos um desdobramento astral. O que isso quer dizer? Que o espírito sai do corpo e que consiste dessa saída o desdobramento ou a viagem astral.

Quando dormimos é comum nosso deslocamento até lugares onde acontecem palestras, por exemplo, ou ir de encontro a pessoas conhecidas, parentes desencarnados e quando acordamos temos a sensação de que sonhamos.

O desdobramento astral se diferencia do sonho pela nitidez com a qual nos lembramos dos detalhes ocorridos. O sonho normalmente é fruto de nossas preocupações, do nosso cotidiano e o desdobramento é totalmente diferente por trazer encontros e situações antes não imaginadas ou vividas.

O desdobramento é amplamente utilizado pelos guias espirituais a fim de nos auxiliarem no aprendizado. Recordar, ou não, consiste na capacidade de registro cerebral de cada um. Algumas pessoas conseguem registrar com mais facilidade esses encontros e outras não por questões meramente orgânicas ou então por necessidade, mesmo porque, às vezes, não devemos nos recordar de tudo e sim armazenar em nossa memória espiritual.

Todos os templos, terreiros, casas, tendas, tem uma parte física, material e outra astral, como fosse uma cópia. A maioria dos médiuns, e até mesmo frequentadores desses locais, durante o sono, são desdobrados pelas entidades a fim de seguir trabalhando do lado de lá. O trabalho não cessa e quanto mais ativo o médium, ou ostensivo, mais trabalho durante e fora da vigília.

Uma curiosidade sobre o desdobramento astral é a sensação, mais ou menos comum para todas as pessoas, de estar caindo, ou seja, acordar abruptamente, significa que estávamos trabalhando do lado de lá e tivemos de voltar ao corpo físico com rapidez por alguma razão.

Existe ainda a sensação de paralisia ao acordar, é aquela sensação de estar acordado e não conseguir movimentar o corpo, tal sensação também é atribuída ao desdobramento astral.

O que acontece, nesses casos de sensação de paralisia, dizem os estudiosos do assunto, fica por conta de o corpo astral não ter se “encaixado” corretamente ao corpo físico, causando essa sensação. Aconselham às pessoas que sentem tal incomodo a dormir novamente a fim de despertarem livres da sensação.

Outro tipo pouco comum de mediunidade é a materialização.

Alguns médiuns conseguem materializar objetos e outros, através de seu ectoplasma, espíritos.

No Brasil um médium chamado Peixotinho materializou alguns espíritos. Existe um livro sobre esse tipo de mediunidade chamado “Dossiê Peixotinho”.

Outro livro sobre o assunto é “O Mundo da Ilusão”.

A faculdade de materialização é impressionante. Alguns médiuns conseguem materializar os espíritos de tal forma que é possível até mesmo abraçá-los, sentir sua presença e toque.

Outros, ao materializarem objetos, são capazes de trazer para o local onde se encontram materiais usados em magia negra, por exemplo, contra a pessoa que ali, com o médium, tenha ido se consultar.

Uma vez transportados esses objetos, automaticamente são desmagnetizados. Essa é a materialização com transporte, ou seja, o objeto se desmaterializa no local de origem e se materializa diante do médium que possui esse dom.

A mediunidade é bastante diversa e dons comuns e outros nem tanto, fazem parte da constituição humana.

Outra modalidade mediúnica é a de desdobramento mental, diferente do astral, o desdobramento mental conserva o corpo e o espírito alinhados e só a mente se projeta. Esse desdobramento é comum nas reuniões de Apometria.

A mediunidade sensitiva é comum, porém, existem médiuns sensitivos capazes de descrever uma entidade tão somente por sua alta sensibilidade.

Todas as pessoas, em algum grau e modalidade, portanto, são médiuns.

A telepatia, quando fruto da inspiração em contato com o plano espiritual é mediúnica. Ao contrário é a telepatia de encarnado para encarnado, considerada fenômeno metafísico.

O hipnotismo também não é fenômeno mediúnico e sim aplicação de técnica especifica.

O benzimento também não é fenômeno mediúnico e sim técnica. Essa técnica, normalmente, é transmitida ao outro de geração a geração.

Hoje em dia existem cursos que ensinam as técnicas de benzimento.
Apesar de o benzimento ser técnica, não quer dizer que o benzedor não seja médium. A maioria dos benzedores são médiuns inspirados por entidades espirituais que os auxiliam nos procedimentos.

Psicofonia é a fala mediúnica, apenas fala mediúnica. É praticamente uma canalização.

Podemos classificar os dons mediúnicos racionalmente, porém nunca seremos capazes de abranger todas as faculdades mediúnicas.

O que nos foi permitido descortinar, até o momento, provavelmente ainda é muito pouco e, talvez, o outro tanto, ainda não nos é permitido, ou conveniente, conhecer.

A mediunidade na Umbanda é potencializada pelos recursos que utiliza, como pontos riscados, som, ervas, magia. Umbanda não é apenas mediunidade.

A Umbanda é uma religião que tem uma ritualística forte e riquíssima, nela, a mediunidade de incorporação é a mais comum.

Annapon




(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Expansão e esvaziamento da religião de Umbanda



Expansão e esvaziamento da religião de Umbanda


No período entre 1945 e 1979, a religião de Umbanda se expande de maneira vertiginosa.

Uma das razões pelas quais essa expansão aconteceu, ficou por conta de Jorge Amado que, eleito deputado, na época, conseguiu aprovar a Lei de Liberdade de Culto.

Em 1952, é fundado o Primado de Umbanda por Benjamim Figueiredo da Tenda Espírita Mirim e o Primado de Umbanda se torna, naquela época, a maior organização Federativa da religião de Umbanda com metodologia e com estrutura muito bem definidas, muito bem organizadas.

Em 1949, também por iniciativa de Zélio de Moraes, é criado o “Jornal de Umbanda”.

Em 1952 surge Tata Tancredo no cenário Umbandista.

Ele funda a Federação Espírita de Umbanda.

Tata Tancredo é africanista, pratica Umbanda Omolocô.

Tata Tancredo pratica Umbanda e ao mesmo tempo ele crê que Candomblé, Culto de Nação, Culto a Angola, que tudo quanto é forma de religiosidade afro-brasileira, em sua visão, cabe e está dentro da Umbanda. Ele se torna muito popular no Rio de Janeiro.

Tata Tancredo a partir da sua Federação começa a viajar pelo Brasil e surge, então, um grande racha, uma dissidência forte na Umbanda. Começa a surgir a ala dos Umbandistas mais africanistas, da Umbanda Africanizada que afirmavam que a Umbanda vinha da África inclusive e a ala dos Umbandistas menos africanizados.

Em 1956 essas duas alas se unem, tanto a africanista como a não africanista e, essa união tinha por objetivo fundar o “Colegiado Espírita do Cruzeiro do Sul”, com fins políticos.

Entra em cena, naquela época, a família Átila Nunes que até hoje atua na política e atua trabalhando em prol da religião de Umbanda.

 Em 1961, foi realizado o Segundo Congresso Nacional da Religião de Umbanda no Maracanãzinho, lotado, as fotos mostram algo impressionante.

Enquanto isso, em São Paulo, no ano de 1942, Pai Jaú funda a Liga de São Jerônimo. Logo na sequencia em 53 é fundada a FUESP (Federação de Umbanda do Estado de São Paulo).

Em 1955, Pai Jamil Rachid funda a “União de Tendas de Umbanda e Candomblé”, até hoje muito atuante.

 Em 1961, no Segundo Congresso Nacional de Umbanda os senhores presentes foram de alguma forma orientados a fundar “Superiores Órgãos de Umbanda” em cada Estado e assim foi fundado em São Paulo, o Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo – SOUESP – de todos os Estados São Paulo foi o único que conseguiu idealizar o SOUESP.

Em 1973, Pai Ronaldo Linares fundou a Federação FUGABC, a Federação Umbandista do Grande ABC,  que é um marco importante, pois Pai Ronaldo Linares teve contato direto com Zélio de Moraes e é o homem que muito e mais trabalhou para se tornar conhecida a história da religião de Umbanda, para que a história de Zélio de Moraes se tornasse conhecida, realmente quem mais fez por isso, pela nossa religião foi Pai Ronaldo Linares que a partir da FUGABC também é o responsável pelo “Santuário Nacional de Umbanda”.

A partir da década de 60, em São Paulo, surge a “Festa de Iemanjá” em Praia Grande, esta festa vai da ponta da praia no Forte até Mongaguá, com relatos de milhões de pessoas, milhares e milhares de ônibus, algo nunca visto.

É o “bum” da religião de Umbanda. Nesse momento a Umbanda é uma religião muito popular, as músicas de Umbanda, os pontos de Umbanda são cantados na televisão por Clara Nunes, por Martinho da Vila, por Elis Regina, é uma grande popularidade, todo mundo quer ser Umbandista.

Como a religião cresceu muito rápido, em pouco tempo, sem nenhuma organização, sem ter uma base teórica, sem ter exatamente uma literatura ou um conjunto de conhecimentos, de esclarecimentos, com cada um fazendo o que queria e dizendo que isso é Umbanda, começaram a surgir escândalos, a religião começou a ser combatida, inclusive, pelo novo segmento que nascia, o segmento “Neopentecostal”, altamente combativo e de uma força incisiva e direta afirmando a mesma coisa que a igreja Católica afirmava das outras religiões no período de Colonização,  com a mesma e antiga receita, demonizando as outras religiões, por meio de tudo isso a Umbanda entrou num período de “Esvaziamento” na década de 80.

 A década de 80 é a década de depressão, de esvaziamento da religião de Umbanda, ninguém mais fala de Umbanda na televisão, as pessoas não tem mais orgulho de ser Umbandista, começam a ter vergonha de ser Umbandista, ser Umbandista começou a ser sinônimo de macumbeiro, de enganador, de charlatão, de curandeiro.

No inconsciente coletivo começou a se fixar uma ideia de que Umbanda não é uma coisa boa e ninguém sabe a diferença de Umbanda para outros cultos, outras religiões, outras religiosidades, ninguém sabe mais se Umbanda é Brasileira, se não é Brasileira, ninguém sabe se Umbanda só faz o bem, junto com isso tudo o preconceito acerca de Exu e aquela ideia de que Exu faz o bem, faz o mal, que cada um faz o que quer.

Tudo isso começou a criar um ar de religião perigosa, de uma religiosidade perigosa, associado a essa ideia de que se você entra na Umbanda, você não pode sair, se você sai a sua vida vira para trás. Nessa época também era muito comum, o que foi muito relatado pelos antigos Umbandistas, a questão de demanda, de Terreiro demandando contra Terreiro, de dirigente demandando contra dirigente, de médium quando sai do Terreiro o dirigente demanda, ou seja, faz ação negativa contra os médiuns.

A ignorância vai predominando, muitas pessoas usam a religião de Umbanda e o nome das entidades para ganhar dinheiro, para extorquir, para enganar, para fazer trabalhos pagos, como esses que nós vemos em postes, de feitiço para prejudicar a vida de alguém.

Tudo isso começou a se confundir com Umbanda, então, na década de 80 a religião esvaziou-se.
A partir da década de 90 começa a surgir uma nova geração Umbandista, a partir da década de 90 começa a surgir uma literatura de Umbanda, começam a surgir romances de Umbanda.

A partir da década de 90 essa nova geração que se interessa pela religião, é uma geração que quer estudar, quer conhecer a religião de Umbanda e encontra material.

Surge um autor, Rubens Saraceni, no cenário da religião de Umbanda como médium psicógrafo e, então, nós começamos a ter uma literatura psicografada de Umbanda.

 Algo que já funcionava muito bem no Espiritismo como forma de doutrinação, como forma de esclarecimento, como forma de entendimento do que é que eu estou praticando, de onde venho, qual é a minha religião.

Surgem os romances de Umbanda, o clássico “O Guardião da Meia Noite”, que é leitura obrigatória, começa a mudar a opinião das pessoas sobre quem é Exu, o que é Exu e como Exu atua na Umbanda.

 “O Cavaleiro da Estrela Guia” junto do “O Guardião da Meia Noite” vai firmando o nome do Rubens como médium psicógrafo de romances de Umbanda.

Rubens traz toda uma nova literatura, uma bagagem de conhecimentos e em torno de 1995. Em 1996, para ser mais exato, Rubens idealiza o curso livre de “Teologia de Umbanda Sagrada” e  começa o estudo da religião de Umbanda para todos que queiram aprender. Agora, para você estudar Umbanda você não precisa ser mais filho de santo da pessoa que está lhe ensinando, isso foi inédito, foi uma inovação.

Até então, qualquer dirigente espiritual só ensinaria Umbanda para aquele que fosse médium da sua casa, a partir do Rubens (ou que viesse a se tornar) surge o curso teórico de estudo da religião “Teologia de Umbanda Sagrada”, um curso livre pra todos que queiram estudar e conhecer a religião.

Independente de ser curioso, de ser ou não adepto, de ser ou não médium e que não precisa se tornar o meu filho de santo, não precisa se tornar médium da minha casa, não precisa me pedir a benção ou bater cabeça pra mim porque estamos ali para estudar, isso tudo começa com Rubens Saraceni na idealização do curso e mais tarde viria também o curso de “Magia Divina das Sete Chamas Sagradas”.

 Começa um novo período dentro da Umbanda, de 1990 até hoje, a religião de Umbanda que se esvaziou na década de 80, começa a crescer outra vez, a Umbanda volta a crescer, mas ela cresce com passos lentos, no entanto, passos muito firmes.

 A Umbanda volta a crescer principalmente em torno dos Terreiros, dos Núcleos, Tendas e Centros, em torno das organizações que valorizam o conhecimento, a informação, o ensino, a cultura, a doutrina e a Teologia de Umbanda. Então, hoje a Umbanda volta a crescer graças ao estudo, graças ao conhecimento, graças à informação.

Hoje se multiplica a informação, se multiplica o conhecimento e cada um de nós começa a ter recursos de base para entender quais os fundamentos da religião de Umbanda, cada um de nós se torna um multiplicador da religião. Este é o atual período da religião, a “Maturidade da Umbanda” e cada um de nós faz parte desta história.

Esse é o momento, essa é a hora em que cada um de nós está sendo chamado para fazer história na religião de Umbanda e a nossa parte é: absorver informação, absorver cultura e multiplicar essa informação.

Que cada um de nós seja um Umbandista consciente do que é a religião de Umbanda. E desta forma, com certeza, a gente vai transformar a Umbanda na religião que nós queremos ou mostrar a sociedade o que realmente é Umbanda: uma religião linda, fascinante, encantadora que pratica única e exclusivamente o bem.


(palavras de Alexandre Cumino – Curso de Teologia de Umbanda Sagrada)


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Umbanda – Fatos Históricos –




Umbanda – Fatos Históricos –


O período, chamado de legitimação da Umbanda, aconteceu entre 1929 a 1944, em plena era Vargas que assumiu o poder em 1930.

Nessa época já existiam tendas/terreiros de Umbanda em todo o território nacional.

Começa também, nesse período, a surgir a Umbanda mesclada a outras religiões, como o Candomblé, por exemplo, e uma grande confusão se inicia.

Esse período marca a necessidade de o Umbandista explicar o que é e o que não é Umbanda, necessidade esta que perdura até os dias de hoje.

Por conta da perseguição policial aos terreiros, nessa época, começa a surgir outra necessidade, a de legitimar os terreiros/tendas, a fim de que a ordem e a liberdade de culto fossem preservadas em bases legais.

Em 1933, Leal de Souza, médium preparado pessoalmente por Zélio de Moraes, publica o primeiro livro sobre a religião de Umbanda com o título: “ O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda”.

Este livro foi escrito com base na vivência de terreiro de Leal de Souza e é um registro histórico, muito valioso, da religião.

Nessa época, Leal de Souza dirigia a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição. Todo seu trabalho foi fundamentado nos ensinamentos do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Em 1934, Gilberto Freyre realiza em Recife, o primeiro congresso afro-brasileiro. Fato que fortaleceu a vontade de os Umbandistas se organizarem melhor.

Zélio de Moraes sempre se manteve presente e atuante no período de organização da Umbanda e, em 1939, por ordem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, foi fundada a primeira Federação de Umbanda do Brasil.

No ano de 1940, Zélio consegue registrar, em cartório, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, berço da religião. Foi um longo período até a consumação desse registro, muito por conta do preconceito e má vontade das autoridades.

Em 1941, a primeira Federação de Umbanda realiza o Primeiro Congresso Nacional de Espiritismo de Umbanda em 1941.

Zélio de Moraes se alia com Benjamim Figueiredo e os intelectuais da época como Leal de Souza e tantos outros para num Congresso Nacional sobre a religião de Umbanda, começar a dar algumas diretrizes, algumas normas e dar orientação para que os demais praticantes da religião também comecem a registrar os seus Terreiros em cartório para que todas as outras Tendas de Umbanda ao modelo desta Federação e desta Tenda de Zélio, também começassem a se legalizar.

Com base nesta ação, outras Federações de Umbanda começam a surgir, bem como o intercâmbio entre dirigentes de vários Estados. Em São Paulo e no Rio Grande do Sul a Umbanda começa a ganhar força.

Estes fatos ocorreram em 1941 durante o congresso acima citado que marca, também, o surgimento de outros autores Umbandistas como Lourenço Braga, por exemplo, com a obra “Umbanda e Quimbanda”.

O primeiro a falar sobre sete linhas de Umbanda é Zélio de Moraes, sete linhas de Umbanda é um fundamento da religião.

O primeiro a escrever sobre sete linhas de Umbanda é Leal de Souza e o primeiro a estruturar as sete linhas de Umbanda com legiões para cada linha mais sete vibrações é o autor Lourenço Braga, que é também um autor importante dentro do nosso estudo histórico da religião de Umbanda.

Os fatos ocorridos no Congresso estão registrados em livro e aqueles que tiveram acesso a tal material,  comentam que, os responsáveis pelo Congresso em questão, tinham a firme “preocupação” em desafricanizar a Umbanda.

 As teses que foram aceitas são as teses que tentam desafricanizar a Umbanda porque naquele momento era o caminho para vencer o preconceito contra a influência afro dentro da religião de Umbanda ou de qualquer outra religião. Então, surgem teses curiosas, teses interessantes.

Entre as teses que aparecem, podemos destacar uma, bem peculiar, que é a tese da Tenda Mirim apresentada pelo senhor Diamantino no primeiro Congresso.

É a tese da “Aumbandã” de que a Umbanda seria a mais antiga de todas as religiões e que o nome dela seria “Aumbandã” e que teria vindo da Lemúria, da Atlântida, passado pela Índia, pela África e depois chegava ao Brasil.

Essa é uma tese que aproxima a Umbanda exatamente da teoria sobre a Teosofia e, nesse momento, marca já no começo da religião, um perfil daqueles que querem estudar a Umbanda misturando-a com alguns conhecimentos do Ocultismo e do Esoterismo, portanto, nasce na Tenda Espírita Mirim aquilo que no futuro se chamaria “Umbanda Esotérica”.

Já temos na Umbanda, a partir desse Congresso, o perfil do trabalho de Umbanda de Zélio de Moraes e, começa a surgir um perfil de Umbanda Esotérica ao mesmo tempo em que temos também a chamada “Umbanda Popular” que é a Umbanda praticada sem exatamente se saber o porquê de cada um dos elementos, os fundamentos da religião.

Em 1940, temos, portanto, pelo menos três vertentes de Umbanda: a Umbanda mais tradicionalista de Zélio, a Umbanda Popular e surge a Umbanda Esotérica.

Falar em Umbandas, de forma plural, não é algo novo.

Como em todas as religiões há diversidade.

Na Umbanda também é assim, de qualquer forma, estão todos juntos trabalhando num Congresso e entendendo: você tem a sua particularidade, o outro tem a particularidade dele, mas todos estão praticando uma única religião, a religião de Umbanda.

Annapon
02.12.2014



(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)





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