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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Umbanda - Catimbó e Jurema - Ervas de poder – Seu Zé Pelintra -



Umbanda - Catimbó e Jurema -  Ervas de poder – Seu Zé Pelintra -


A Umbanda o que é?

É preciso entender para não misturar e compreender, assimilar, só mesmo estudando e finalmente concluindo.

É certo que a Umbanda tem semelhanças com outros cultos e religiões, como por exemplo, com o Catimbó ou Linha de Mestres da Jurema que também é uma religião brasileira, assim como a Umbanda.

O Catimbó nasceu em Pernambuco.

Além do Catimbó, existem outras religiões brasileiras como é o caso do Daime.

O Catimbó foi influenciado pelas seguintes culturas:

Indígena – Européia – Afro -

Apesar das três influências, o Catimbó assumiu um perfil mais ligado ao Catolicismo, da cultura européia.

Ainda da cultura européia, herda a magia mesclando-a a cultura indígena do Toré que é uma cultura que adota um  ritual com música, dança e transe a partir da presença de uma erva chamada Jurema.

A erva da Jurema pode ser classificada em três categorias: branca, vermelha e preta. Delas os indígenas fazem uma infusão e, antes do ritual do Toré, eles consomem esse chá para depois começarem o ritual.

 Esse ritual é uma dança realizada com um instrumento chamado “maraca” ou chocalho.

A erva preparada para esse ritual, no caso, não é alucinógena, mas sim uma erva de poder, força, que concede energia a quem a consome.

O Toré,  é realizado, segundo informações, na tribo Kariri Xocó que está localizada no Vale do rio São Francisco.

Em alguns momentos, porém, diz um pajé da Tribo, a erva da Jurema é misturada a outra erva para que o transe possa ser induzido, favorecendo a alteração do estado de consciência do individuo.

 Reforça ainda a informação de que a Jurema é uma erva de poder e isolada não altera a consciência.

No ritual do Toré a dança e o transe induzido permitem o contato com a espiritualidade.

A maraca, ou chocalho, instrumento utilizado durante o ritual do Toré, é revestida de todo um simbolismo especial onde o eterno masculino é simbolizado pelo cabo do instrumento, o eterno feminino, pela cabaça e as sementes contidas em seu interior simbolizam as forças da natureza, as estrelas do céu, a presença das Divindades e dos espíritos.

Os desenhos exteriores representam o encontro de todas essas forças de dentro para fora e de fora para dentro.

O toque da maraca é considerado como movimentador de energias, de força e de poder.

Tocando maraca e fumando seu cachimbo de madeira da Jurema ou de Angico o índio realiza seu ritual.

O Angico, assim como a Jurema, é considerado sagrado pela tribo.

O fundamento maior do ritual do Toré é a Jurema e seu poder.

Esse ritual indígena encontrou, em Pernambuco, a cultura católica, a ela se uniu e surgiu o Catimbó do homem simples, rezador, médium e, nesse aspecto assemelhando-se com a Umbanda.

O Catimbozeiro, além de médium, rezador, pode ser ainda aquela pessoa que prepara garrafadas, benze, entra ou não em transe para realizar seu trabalho espiritual.

O ritual do Catimbó tem alguma semelhança com o de Umbanda. É organizado de forma tal que o altar é posto sobre uma mesa e nela são dispostos alguns elementos importantes para esse culto/rito.

Imagens como as de Jesus, Virgem Maria, dentre outros santos, são comuns.

 Na mesa podemos encontrar ainda o rolo de fumo de corda que simboliza o poder do fumo, de sua erva e copos ou taças que são chamados de príncipes e princesas que são considerados como firmezas das entidades.

 Em seu conteúdo há água e eventualmente pedras, nesse aspecto lembra o Otá de Umbanda.

Outros elementos como chave, simbolizando os mistérios, o terço, eventualmente velas e a bebida da Jurema, compõem a mesa do Catimbó.

Os médiuns são chamados de Catimbozeiros ou Mestres da Jurema.

Eles rezam Pai Nosso, Ave Maria e outras orações.

Evocam os espíritos da Jurema cantando pontos que chamam de “linhos”, lembrando os cânticos/pontos de Umbanda.

Para cada situação eles têm um linho que é entoado após a oração de abertura dos trabalhos, evocando assim, os espíritos que irão incorporar nos médiuns. O espírito que incorpora também é chamado de Mestre como o médium.

Esse procedimento é a chamada dos Mestres da Jurema, onde se canta a força da Jurema, sua energia.

 A Umbanda sofreu, fortemente, essa influência do Catimbó, herdou cânticos como: “ Vou abrir minha Jurema, vou abrir meu Juremar com a licença de mamãe Oxum e Nosso Pai Oxalá” e ainda: “ Vamos defumar filhos de Umbanda com as ervas da Jurema”.

As folhas da Jurema, na Umbanda, representam o universo vegetal e sua magia.

Pode-se dizer que aprendemos, com o Catimbó, sobre a importância das ervas como as da Jurema e do fumo que é largamente utilizado, magisticamente, na Umbanda, inclusive sobre as ervas utilizadas na defumação.

Na defumação as ervas são selecionadas com critério e tem, por objetivo, promover a limpeza energética do ambiente e das pessoas, para tanto, são consagradas, rezadas antes de serem utilizadas.

Na Jurema a defumação é feita com o próprio cachimbo, o Mestre juremeiro vira o cachimbo ao contrário sopra no fornilho e a fumaça vai saindo pelo  duto, sai ao contrário e assim ele defuma uma por uma as pessoas.

Nesse momento podemos perceber o poder de um cachimbo como elemento de limpeza, de purificação.

Por isso o Caboclo fuma, Preto Velho fuma, Exu fuma, Pomba gira fuma, porque o fumo é manipulado a fim de promover limpeza, assepsia.

No Catimbó a bebida de poder é a Jurema, na Umbanda são várias, porém, sempre são consagradas/imantadas.

Os médiuns do Catimbó, os Catimbozeiros, incorporam seus mestres que são: Caboclos, Pretos Velhos, Baianos, Boiadeiros ou Mestres que tiveram encarnação como catimbozeiros.

O mais famoso desses Mestres é José Pelintra de Aguiar, ou apenas Zé Pelintra.

Nascido em Pernambuco, viveu um tempo no Rio de Janeiro onde adquiriu o “status” de malandro. No final de sua vida, porém, voltou a sua terra natal.

Seu Zé Pelintra, portanto, é um Mestre da Jurema, por isso a importância de o Umbandista conhecer um pouco sobre o Catimbó, mesmo porque Seu Zé trabalha na Umbanda em todas as linhas. Uma vez chamado, ele vem trabalhar seja em qual linha for por se tratar de um Mestre Juremeiro.

Estudando a Jurema aprendemos sobre a importância do cachimbo, da bebida e entendemos que outras religiões utilizam a prática mediúnica em seus rituais, além de encontrarmos, no Catimbó, trabalhando, as mesmas entidades que se apresentam na Umbanda como os caboclos, por exemplo, além de Exus e Pombas Giras por influência da Umbanda sob o Catimbó, ou Jurema.

Existe uma troca entre a Umbanda e o Catimbó/Jurema, mas cada qual tem seus fundamentos e ritos distintos.

Apesar da troca, da influência exercida uma sobre a outra religião, cada uma tem seus fundamentos e ritos particulares e não devem ser confundidos.

Influência e sincretismo são comuns em todas as religiões, porém, cada uma tem sua base, seus fundamentos e praticas particulares que a diferenciam das outras, inclusive daquelas que as influenciaram com mais força.

Annapon
30/10/2014

(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Continuum Mediúnico – Espiritismo – Candomblé – Umbanda -





Continuum Mediúnico – Espiritismo – Candomblé – Umbanda -

A primeira manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas aconteceu por intermédio de Zélio F. de Moraes, dentro de um centro Espírita na cidade de Niterói-RJ.

A Umbanda, portanto, foi anunciada dentro de um centro Espírita Kardecista e, entre Umbanda e Espiritismo existem algumas curiosidades como, por exemplo, a questão dos Guardiões, Exus, para nós que somos Umbandistas.
Essas entidades são mencionadas na obra de Chico Xavier como guardiões das casas Espíritas, ou seja, entidades espirituais que zelam pela proteção da casa.

 Outra curiosidade entre a Doutrina e a Religião de Umbanda é a questão do sexo. A Doutrina nos diz que ora o espírito encarna como homem, ora como mulher.
Rubens Saraceni lança um novo olhar nessa questão, lança seu olhar Umbandista e nos diz que o espírito, em sua natureza, ou essência, pode ser mais ou menos passivo ou ativo tanto na natureza feminina quanto masculina e que aquele que tem uma natureza masculina quase sempre vai encarnar em corpo masculino, aquele que tem uma natureza feminina quase sempre vai encarnar num corpo feminino.
 Existe um texto de Chico Xavier que diz o mesmo:
“ Quem nasce homem quase sempre nasce homem”, mas se tiver necessidade de nascer num corpo feminino pra aprender alguma coisa, ele nascerá”.

No entanto, isso pode ser doloroso ou missionário, porque aquele espírito tem uma natureza que é ou mais masculina ou feminina.

São curiosidades com relação à doutrina Espírita e a doutrina Umbandista. A forma de Kardec falar da gênese é a seguinte:

“Todos nós passamos pelo reino mineral, reino vegetal, reino animal e hominal”.

 A pergunta é:

No reino mineral, vegetal, animal, o que é que nós éramos?

Certamente não éramos pedra, vegetação, nem tampouco um tigre ou um cavalo, mas sim seres habitantes de cada um desses reinos.

Essas pequenas curiosidades acerca do Espiritismo e da Umbanda deixam bem claras as diferenças entre uma e outra Doutrina e a única semelhança é a mediunidade e a manifestação dos espíritos.

Umbanda, Candomblé e Espiritismo são diferentes, porém, tem em comum a mediunidade e tal faculdade permite que as pessoas transitem por elas e possam experimentar.

O sociólogo, cadeira de Sociologia da USP, Cândido Procópio Ferreira de Camargo, na década de 60, especificamente em 1961, publicou o livro “Umbanda e Kardecismo” a fim de comentar sobre algo que ele chamou de “continuum”.

Cândido Procópio Ferreira, professor de Sociologia, identificou algo chamado de “continuum mediúnico”,  identificava que entre Umbanda e Espiritismo havia um “continuum”, uma continuidade mediúnica, porque muitos começavam a mediunidade no Espiritismo e migravam para a Umbanda, outros começavam a mediunidade na Umbanda e migravam para o Espiritismo, essa mesma mediunidade permitia tanto praticar Espiritismo quanto Umbanda, num “continuum”, num intercâmbio, de tal forma que muitos Centros Espíritas se tornavam quase Centros Espíritas-Umbandistas e Centros Umbandistas-Espíritas.
Centros Espíritas trabalhando com Caboclo, Preto-Velho, Centros de Umbanda trabalhando com a obra de Kardec gerando um “continuum”, ou seja, existe o Espiritismo clássico, ortodoxo e o Espiritismo mais flexível que vai se aproximando da Umbanda.

Existe a Umbanda praticada de forma mais próxima do Espiritismo de Kardec, de tal maneira que se cria um “continuum”, uma ligação.
 Podemos dizer que esse “continuum” começa no Espiritismo passa pela Umbanda e vai até o Candomblé e os outros Cultos de Nação, porque também há um intercâmbio mediúnico entre Umbanda e Candomblé, Candomblé e Umbanda, médium que sai da Umbanda e vai para o Candomblé, do Candomblé vem para a Umbanda e depois vai para o Espiritismo e a mesma mediunidade, o mesmo dom que é a mediunidade permite uma prática religiosa Espírita, Umbandista ou Candomblecista.

Embora, sejam três religiões diferentes, esse sociólogo define que Umbanda e Espiritismo são religiões mediúnicas e estendemos tal definição para o Candomblé.

Temos, portanto, três religiões mediúnicas:
                                                                                                       
 Espiritismo, Umbanda e Candomblé.

 Espiritismo e Umbanda em comum:
-mediunidade e espíritos.

-Umbanda e Candomblé em comum:
-mediunidade e Orixás.

 As três em comum:
-mediunidade.

Isso é um “continuum mediúnico”.

O fato de a mediunidade ser trabalhada nas três é que dá uma certa flexibilidade a um trânsito de uma para outra.

Deve-se tomar, porém, o seguinte cuidado:

 Não usar desse trânsito para misturar as coisas de tal forma que você não saiba mais o que é que está praticando.

 O importante é saber:

O que eu estou praticando?
Qual o fundamento daquilo que estou praticando?

 Você quer transitar, transite, mas, pense, Jesus era um Judeu, então, poderia haver um “continuum” entre Judaísmo e Cristianismo, mas lembre-se, Cristianismo se fundamenta no Novo Testamento e Judaísmo se fundamenta no Velho Testamento.

Quando Cristo vem, ele é proclamado como “O último cordeiro, que deu o sangue dele por nós”, o que isso quer dizer que, Cristianismo não faz sacrifício animal, Judaísmo faz sacrifício animal.
No Velho Testamento, Deus vem e explica pessoalmente para Moisés como é que Moisés deve imolar os animais e colocá-los em oferenda ao senhor, está lá no Velho Testamento.

 O Islã também faz sacrifício animal, o Hinduísmo também faz sacrifício animal, portanto, que não ousem  apontar o dedo para o Candomblé como se fosse a pior religião do mundo porque faz sacrifício animal. E sacrifício animal não é matança, sacrifício animal não é magia negra.
 A Umbanda não faz sacrifício animal, o sacrifício animal não é um fundamento de Umbanda, existem Terreiros de Umbanda que fazem sacrifício animal por praticarem a Umbanda trançada, a Umbanda Omolocô ou por praticarem Umbandomblé, Candombanda ou por praticarem Candomblé de Caboclo.

Existem Terreiros que quando vão muito para uma vertente, às vezes, essa diversidade, essa pluralidade, coloca em risco a unidade.

Quando aquele Terreiro de Umbanda chega ao ponto em que se torna Umbandomblé, ele já não é mais nem Umbanda e nem Candomblé, é Umbandomblé.

Definir, explicar, dizer como são as coisas, cada um tem a sua liberdade, mas, volte a Judaísmo e Cristianismo, se Cristo derramou seu sangue pelos seus fiéis, já não precisa mais fazer sacrifício animal.

Um Cristão que quer ser Cristão e Judeu ao mesmo tempo ou ele tem que fazer uma escolha ou ele tem que um dia seguir um fundamento e outro dia seguir outro fundamento.

No caso da Umbanda é a mesma coisa, precisamos saber qual fundamento nós estamos seguindo, qual é o nosso fundamento, qual é a nossa base. A nossa ideia aqui é essa, passar uma base de fundamentos que lhe diga se você quer seguir os fundamentos de outra religião para praticar Umbanda, tudo bem, mas não precisa porque Umbanda tem fundamento próprio.

Eu posso e devo ler e estudar toda a obra de Kardec, mas não é a obra de Kardec que fundamenta a Umbanda.

 Eu posso ler e estudar toda a obra de Pierre Verger e posso me aproximar dos Cultos de Nação, mas não é isso que fundamenta a Umbanda.

Eu posso amar o Catolicismo, mas não é ele que fundamenta a Umbanda.

O que fundamenta a Umbanda é:

 A manifestação do espírito para a prática da caridade da forma mais simples possível.

Sua Teologia é simples, mas é vasta.

Umbanda é religião e é cultura, portanto, Umbanda representa um novo olhar, por isso nós temos que aprender a ter um novo olhar para o mundo, o olhar Umbandista que não é o olhar Candomblecista, que não é o olhar Espírita, que não é o olhar do Catolicismo.

 Umbanda é uma cultura, uma maneira de viver, uma forma de encarar a vida com esses valores.

Vamos incorporar o Caboclo, o Preto-Velho, o Baiano, o Boiadeiro, o Marinheiro, o Exu, a Pombagira, o Cigano, a Linha do Oriente, as Crianças, mas vamos acima de tudo incorporar os valores dessas entidades.

 Vamos incorporar uma cultura de uma religião única, linda e independente que tem fundamento próprio.

Umbandista é uma pessoa comum, uma pessoa normal, que dança que ri que chora que toma uma cervejinha de vez em quando, que beija na boca, que namora e que vê tudo isso como coisa normal, de gente normal e é o que a gente quer ser.

 Somos Umbandistas, médiuns, não somos santos, porém, queremos nos tornar pessoas melhores para nós mesmos e para os outros, porque a Umbanda e os Guias de Umbanda nos ensinam isso.

Annapon
24.10.2014

( texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda- Rubens Saraceni)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Conceito de pecado e carma sob a ótica de uma Umbandista




Conceito de pecado e carma sob a ótica de uma Umbandista

Sabemos que a Umbanda sofreu influências de muitas religiões, dentre elas, o Catolicismo e o Espiritismo.
Tal influência deixou seu legado, como por exemplo, os conceitos de pecado (Catolicismo) e Carma (Espiritismo).
A proposta da Umbanda, a meu ver é outra, ela liberta do pecado e suaviza o carma, ao mesmo tempo convoca seus adeptos a auto-analise e responsabilidade levando o ser a refletir acerca das consequências de seus atos dentro e fora de seus lares.
A ninguém a Umbanda condena ou lança às chamas do fogo eterno, antes sim propõe a renovação do ser humano a partir do despertar de sua consciência e encaminha essa nova consciência, a uma nova etapa de vida, onde valores como o respeito ao Sagrado e ao outro são os pilares nos quais se sustenta.
Na Umbanda, o conceito de carma, na minha forma de pensar, é relativo, pois a ninguém obriga, ou induz à obrigação, de aceitar com mansidão o jugo que não lhe pertença.
Penso que na Umbanda somos motivados a sairmos de nossa zona de conforto para assumirmos a responsabilidade por nossas vidas e atos de uma maneira equilibrada e sem causar danos ao outro tanto quanto isso seja possível, portanto, transferir a um possível “carma”, a falta de atitude para que a vida melhore é simplesmente uma questão de imaturidade, além de infantilidade, mesmo porque a vida cobra ação, reação, cobra que se saia do mundo confortável para o mundo real e, na Umbanda, os guias reforçam esse pensamento/ensinamento sempre nos impulsionando adiante para que tomemos nas mãos as rédeas da abençoada vida que Deus nos concede com tanto amor e bondade.
A política do medo acaba na Umbanda, pois todos podem recomeçar a partir do reconhecimento do erro e da boa disposição em seguir acertando mais que errando.
O carma fica mais leve, pois é apresentado não como punição, ou acomodação, mas sim como deve ser, com equilíbrio, sabedoria e cautela, mesmo porque nem tudo é carma, nem todas as pessoas a nós ligadas são nossos carmas. Há de se ter muita cautela e discernimento para diferenciar as situações e a Umbanda, com seus guias, protetores e mentores, nos auxilia nesse sentido.
Vale lembrar ainda que todo carma tem “prazo de validade” e que ninguém está aqui na Terra para sofrer indefinidamente, a não ser que ao sofrimento se tenha aliado, ou nele sinta alguma espécie de prazer, nesse caso, deve ser observada a razão pela qual nesse estado a pessoa se encontra e, mais uma vez, temos ai, o belo trabalho da Umbanda auxiliando na busca dessa resposta por vezes dolorida, porém, necessária.
Quando despertamos para os valores que a Umbanda ensina, incansavelmente, vivemos com mais leveza, despojamos de nós velhos conceitos, nos livramos do verniz do falso moralismo, do medo que oprime e impede de viver, vemos no outro a nós mesmos e, até que a esses valores cheguemos que possamos viver com mais calma a cada dia procurando lapidar a nós mesmos até que a Luz que habita em nós brilhe e possa atrair outros dispostos a fazerem o mesmo.

Axé!

Annapon
20/10/2014


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

UMBANDA E ESPIRITISMO NO BRASIL






UMBANDA E ESPIRITISMO NO BRASIL

O Espiritismo no Brasil é religioso, por isso foi aceito com rapidez e muito respeito.
Algumas pessoas colaboraram para que a Doutrina dos Espíritos fosse bem aceita e respeitada aqui em terras brasileiras.
Dr. Bezerra de Menezes é uma dessas pessoas.
Espírita, médico, atuante político, foi Presidente da Federação Espírita do Brasil exercendo forte influência no meio Espírita e colaborando com a consolidação definitiva do Espiritismo Brasileiro.

Dr. Bezerra de Menezes foi e é muito respeitado, inclusive no meio Umbandista onde é considerado chefe de falange dos “Médicos do Astral”, liderando amplo trabalho de cura em parceria com outras linhas.

Dr. Bezerra formatou o Espiritismo no Brasil.

Além dele, podemos citar Edgard Armond que criou o modelo do passe espírita amplamente utilizado no meio.

Edgard Armond é o autor da obra “Os Exilados de Capela”, livro influenciado pela obra de outro grande espírita, Chico Xavier.

Chico Xavier tornou o Espiritismo popular no Brasil. É o grande colaborador no sentido de expansão da Doutrina e os filmes baseados em sua vida e obra são excelentes fontes de conhecimento a todos que já conhecem ou desejam conhecer o Espiritismo.

Chico Xavier foi religioso e reforçou a religiosidade do Movimento Espírita Brasileiro.
Com mais de 400 obras publicadas, todas oriundas de sua mediunidade de psicografia mecânica, Chico Xavier foi, e é, o Grande Médium do Brasil. Sua biografia é maravilhosa e muito bem exposta no filme que a relata.

A obra de Kardec e de Chico Xavier toca a todos os corações e são importantes fontes na busca do autoconhecimento e nas relações humanas em todos os sentidos, além de despertarem para o sagrado.

A Série de livros “Nosso Lar”, de Chico Xavier, é composta de 16 livros e é considerada um bom curso de Espiritismo. Na forma de romance, essa obra é de leitura acessível e muito saudável ao espírito humano que busca conhecer a vida além da vida e de si mesmo. Recomendado a todos que desejam conhecer um pouco o Espiritismo.

Para o Umbandista, acessar a obra espírita significa filtrar as informações, trazendo para sua realidade o conteúdo que mais lhe conforta a alma, mesmo porque Kardec foi, categoricamente, contra todo e qualquer tipo de magia e/ou ritual, buscando trazer a Doutrina Espírita somente para o campo científico.

Esse é o argumento mais forte que alguns espíritas usam para criticar a Umbanda. Não é o Espiritismo que dirige essa critica a Umbanda, vamos deixar claro que são posturas de alguns adeptos do Espiritismo, sem generalizar.

Diferente do Espírita, o Umbandista cumpre e segue ritual, acredita na magia e nas forças dos Orixás e das Entidades que se manifestam através da mediunidade de seus adeptos. Essa é a grande diferença entre Umbanda e Espiritismo.

Na religião de Umbanda é o ritual quem comanda e conduz. Cria um estado emocional, no médium, condizente com o momento e ensina o respeito ao altar, ao dirigente, às Entidades, determina o começo, o meio e o fim do trabalho. A Umbanda, portanto, é uma religião ritualística essencialmente.

Por ser ritualística a Umbanda não é Espírita e sim Espiritualista, apesar de Kardec ter afirmado, em algum momento que:
“Onde há manifestação de espíritos, há espiritismo”.
Devemos levar em consideração, porém, o fato de a Umbanda ter sido anunciada, no Brasil, cinqüenta anos após o evento do Espiritismo, de qualquer forma o termo Espírita designa os seguidores da Doutrina codificada por Allan Kardec.

É certo que a Umbanda bebeu na fonte do Espiritismo, assim como em outras fontes, mas, como toda religião, se inspira em algumas para edificar seus próprios pilares, seja pelo sincretismo ou por valores morais/éticos.

Apesar de ter absorvido ensinamentos e crenças de outras religiões, a Umbanda tem sua própria maneira de entender a vida e os fatos além dela. Respeito a todas as religiões é o sentimento que caracteriza a religião de Umbanda e seus adeptos.

Allan Kardec e Chico Xavier colaboraram muito para que a Umbanda se estabelecesse no Brasil, pois, as ideias de encarnação, reencarnação, Lei de Causa e Efeito, Ação e Reação, de alguma forma já eram conhecidas através das obras espíritas permitindo assim que a Umbanda contasse com meio caminho percorrido para sua efetiva consolidação em solo Brasileiro.

A familiaridade com a mediunidade e a possibilidade de conversação com os espíritos é herança do Espiritismo.

Do catolicismo, a Umbanda herdou as imagens dos Santos com os quais estabeleceu o sincretismo com os Orixás Africanos,  angariando assim a simpatia/aceitação dos católicos com maior facilidade.

A proposta da Umbanda, porém, diverge da crença católica e da crença espírita onde o pecado e o carma, sinônimos, oprimem o fiel.
A Umbanda propõe aceitação de si mesmo sem culpas, sem pesos desnecessários, propõe a queda das máscaras onde muitos se escondem através do falso moralismo que em nada colabora com a evolução espiritual do ser humano, enfim, a Umbanda propõe liberdade com responsabilidade através do autoconhecimento e respeito pelos outros.

Os conceitos de céu e inferno são revistos pela Umbanda que deixa claro ser o céu não um determinado lugar, antes sim, um estado de paz e harmonia de espírito, de leveza de ser e estar na vida e o contrário seria o inferno, estado alterado de consciência da pessoa que vibra na freqüência do mal estar, mal querer, mal realizar.

A Umbanda agradece a todas as religiões das quais absorveu alguns ensinamentos, porém, hoje, a Umbanda é uma religião com  fundamentos e visões próprias. Interpreta os livros Sagrados e a Doutrina Espírita através de sua própria ótica.

Annapon



sábado, 11 de outubro de 2014

Mediunidade – Religião – Obra de Kardec -



Mediunidade – Religião – Obra de Kardec -

 Médium é todo aquele que está entre a realidade material e a realidade espiritual.
O que tem a capacidade de “inter-mediar”, de ser o medianeiro, o médium.

 Existem vários tipos de mediunidade, de capacidades mediúnicas, porém, nunca uma descredencia a outra.

Todas as pessoas são médiuns em maior ou menor grau, o que não quer dizer que uma pessoa seja mais, ou melhor, que a outra como médium.

A partir do momento que Kardec passou a questionar a capacidade mediúnica das pessoas por ele selecionadas para compor o “Livro dos Espíritos”, é que surgiu “ O Livro dos Médiuns”, obra que trata da mediunidade especificamente.

“O Livro dos Médiuns” é uma obra de perguntas e respostas com comentários de Kardec sobre a mediunidade.

Os espíritos respondiam, Kardec anotava, resumia e comentava as respostas dentro do contexto da época que viveu e redigiu a obra, isso é importante observar, pois se passaram mais de cem anos desde então.
É importante observar também a rejeição de Kardec às religiões, mesmo porque, como cientista, tal postura é absolutamente normal e previsível.

Dentro desta postura científica, basicamente, é que Allan Kardec passa a estudar a mediunidade e seus diversos perfis.

Avançando em seus estudos, Kardec passa a questionar sobre a qualidade das comunicações, ou seja, passa a se ocupar da veracidade das comunicações, bem como do grau de evolução do espírito comunicante lançando as seguintes questões:

Quem pode se comunicar?
Como posso saber se a comunicação que se recebe é boa?
Em que se baseia a comunicação?
Qual ferramenta é utilizada?
Que referência usar para se ter segurança quanto à boa comunicação?
Como saber se o espírito comunicante tem luz?

A fim de responder a essas perguntas, Kardec, vivendo numa época cuja cultura judaico cristã, na França, predominava, foi orientado a adentrar no estudo do Evangelho, parte Bíblica do Novo Testamento que se refere à vida de Jesus.

E surge a Obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, resposta às questões sobre a segurança e às boas comunicações, pois, a partir daí toda comunicação deverá se pautar na visão Cristã do mundo.

Apesar de manter sua postura de cientista, Kardec é orientado pelos espíritos a desenvolver seu método a partir do Evangelho, portanto, a Doutrina Espírita se torna essencialmente Cristã, mesmo sendo seu codificador avesso a toda e qualquer religião, exaltando a ciência.

A essas alturas podemos raciocinar:

Se Kardec tivesse vivido dentro de uma realidade Muçulmana, teria escrito o “Corão Sob a Luz do Espiritismo”, se o caso fosse num contexto Judeu, teríamos “ A Tora Sob a Luz do Espiritismo”, porém, a realidade na qual se encontrava, pelos idos de 1800, era Cristã, ou seja, temos então “O Evangelho Segundo o Espiritismo” que não desqualifica os outros livros sagrados, mas sim o que houve foi o aproveitamento, pela espiritualidade, do contexto no qual vivia Kardec e a maioria das pessoas no globo naquele momento da codificação.

Kardec não inventou a mediunidade.

A mediunidade sempre existiu desde que o mundo é mundo, desde que o homem é homem.

A partir do momento que surge o Homo sapiens, ele é também um Homo religioso, um Homo médium que tem esse dom de comunicar-se com os espíritos.

Profetas eram médiuns, santos eram médiuns, sacerdotes, iluminados de todas as culturas são médiuns.

Oriundo de uma sociedade religiosa castradora, Allan Kardec vislumbra na comunicação direta com a espiritualidade, o fim da necessidade da religião, aliás, teoria na qual depositava sua crença.

Uma de suas frases referentes à Doutrina é:

“Isso aqui não é religião, religião castra o dom, nós estamos justamente trabalhando esses dons, nós não queremos ritual, nós não queremos dogmas, nós não queremos verdades inquestionáveis. Nós queremos uma ciência, a ciência dos espíritos”.

Depois de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” veio a obra “O Céu e o Inferno” que trata das questões sobre as faixas espirituais de luz, trevosas, sobre os anjos, demônios e etc.

Na obra “A Gênese” trata da origem das coisas a partir das respostas dos espíritos, ou seja, sob essa “nova” visão espiritual.

No livro “Obra Póstuma”, existe um conjunto de textos que Kardec guardara sem publicação, mas que é considerado parte integrante de seu código espírita, foi publicado após o desencarne de Kardec.

Considerada a Ciência do Espírito, a Doutrina codificada por Kardec é uma Doutrina essencialmente cristã, voltada para a fé e para Deus que foi buscar, junto aos espíritos, as mesmas respostas que as pessoas buscam em outras religiões.

Questionado sobre a diferença entre religião e sua Doutrina, Kardec responde:

“Ideologicamente é uma religião, formalmente é uma ciência, por que não temos as formalidades ritualísticas de uma religião, não temos os dogmas, nós somos livres, mas ideologicamente, nós somos aquilo que as religiões deveriam ser”.

Hoje em dia o Espiritismo continua afirmando que não é uma religião, que é uma ciência, mas quando você pergunta para um Espírita:
“Qual é a sua religião?” Ele responde:

“Eu sou Espírita”.

Onde o homem coloca a sua fé está sua religião.

 O espiritismo se auto proclama ciência dos espíritos por conta da postura de Kardec, que não aceitava religião.

Podemos dizer que o Espiritismo é uma forma de religião porque as pessoas se reúnem para rezar e porque a maior quantidade de Espíritas no mundo está no Brasil, que é também o país mais Católico do mundo.

No Brasil o espiritismo tem o maior perfil religioso e de religiosidade que em outras partes do globo.

O espiritismo brasileiro é extremamente religioso, tem um método próprio de fazer sessão, de aplicar um trabalho que tem uma estrutura quase que ritual de receber as pessoas, de fazer uma preleção, de colocar água para fluidificar, de dar orientação, de dar um passe magnético de limpeza, descarga e uma orientação.

 É praticamente uma ritualística na qual, em algum momento, vai ser feita uma leitura da obra de Kardec.

É uma ritualística, na maioria das vezes, feita numa mesa com uma toalha branca, água em cima da mesa, o livro de Kardec posto, ritualisticamente, repetido semanalmente no mesmo lugar, no mesmo horário, com o mesmo método, da mesma forma, recebendo as pessoas e trabalhando a sua fé, a sua religiosidade.

 Podemos aceitar que é a ciência dos espíritos, porém, é extremamente religiosa e supre as necessidades de fé daqueles que professam sua doutrina, o espiritismo codificado por Allan Kardec.

Annapon

11/10/2014                       

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

– Allan Kardec e a Codificação – Diferenças entre Umbanda e Espiritismo




Curiosidades
– Allan Kardec e a Codificação –
Diferenças entre Umbanda e Espiritismo

A doutrina espírita, codificada por Kardec, é de extrema importância.
Seu estudo é fundamental  para que possamos conhecer as razões pelas quais aqui estamos além de nos revelar de onde viemos e para onde vamos depois do desencarne, contudo, espiritismo é uma doutrina e Umbanda é uma religião. Existem muitas diferenças e poucas semelhanças entre uma e outra.
Uma das semelhanças entre espiritismo e Umbanda é a mediunidade e a comunicação com os espíritos.
Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita, criou a palavra espiritismo para identificar a doutrina que é composta por cinco livros.

“Para coisas novas é necessário que se crie novas palavras”.

A frase acima é de Allan Kardec e justifica a criação da palavra espiritismo para identificar a doutrina por ele codificada.
Todos que crêem em espíritos e em algo além da matéria são espiritualistas e espíritas são os seguidores da doutrina de Kardec.

Hippolyte Léon Denizard Rivail, era o nome de Allan Kardec.

Ele foi cientista na França na época pós Revolução Francesa.

Positivista, Allan Kardec acreditava que tudo tinha uma explicação científica e que a ciência substituiria as religiões.
O Positivismo foi um movimento que acreditava na ciência em substituição às religiões, magias e mitologias.

Nessa mesma época alguns teóricos acreditavam que a magia era pura superstição de efeito inócuo e que o mago era alguém que encontrava, na magia, fuga para seus medos e utópico poder de controle sobre algo ou alguém.

Nós, Umbandistas, não aceitamos a teoria acima citada, pois cremos na magia como manipulação de forças, energias, poderes e mistérios tanto no plano natural quanto no astral, já os espíritas, seguidores de Kardec, pensam assim.

Na época que Kardec viveu, a comunidade científica divulgou fortemente a idéia que religião era pura e simplesmente superstição em nada colaborando com o homem, portanto, o perfil de Allan Kardec era esse, o de cientista cético, metódico, especialista na criação de métodos de ensino.

Apesar da aparente frieza de homem da ciência, Kardec ministrava aulas em sua casa para as pessoas que não podiam frequentar o Instituto no qual lecionava.

Esse cientista francês e cético, um dia foi convidado por um dos seus amigos, a visitar um grupo de pessoas que “criavam” o intrigante fenômeno das mesas girantes.

 O fenômeno acontecia a partir do seguinte procedimento:

Algumas pessoas sentavam-se em torno de uma mesa, faziam perguntas para a “mesa” e esta respondia ora girando para um lado, ora para outro sem que ninguém a movimentasse, ou seja, a mesa girava sozinha, sem intervenção de nenhuma pessoa ali presente.

O então cientista Allan Kardec presenciou o fenômeno certificando-se que não havia ninguém que interferisse no giro da mesa, além de girar, a mesa ainda flutuava, estalava, até que alguém teve a idéia de colocar letras na mesa e esta, por sua vez, começou a responder perguntas feitas pelas pessoas ali presentes.

Descartada a hipótese de fenômeno promovido pela força mental dos ali presentes por conta de a mesa responder sobre assuntos não dominados por ninguém, a mesa revelou então se tratar de um espírito, ou seja, o espírito é quem promovia a movimentação da mesa e respondia às perguntas elaboradas. Esse mesmo espírito revela aos participantes quem fora, como e quando desencarnara.

Diante do fato Allan Kardec conclui que os espíritos podiam sim se comunicar e que tal fenômeno nada tinha a ver com religião, era independente. Passou então a estudar sobre o assunto a fim de comprovar a veracidade do fenômeno.

 Hippolyte Léon Denizard Rivail, ( Allan Kardec ) a partir de seus primeiros estudos, recebe a revelação de um espírito que lhe diz ter sido ele, em outra encarnação, um sacerdote Druida.

Os Druidas pertenciam à cultura Celta que é voltada à natureza, com religião, magia, culto às Divindades e outros ritos mais, contendo em sua cultura, algumas semelhanças com a Umbanda.

Na França, esse antigo Druida, agora chamado de Allan Kardec, é  cientista, cético,  positivista e se depara com o fato de que os espíritos se comunicam e sobrevivem, portanto, à morte.

Percebe ainda que os espíritos se comunicavam de diversas formas através das pessoas, sendo que algumas delas davam comunicação direta, outras ouviam os espíritos e outras ainda os viam. Havia ainda aqueles que escreviam as mensagens dos espíritos. A partir disso, Kardec selecionou pessoas confiáveis para fazer suas perguntas aos espíritos comunicantes.

Especialista em metodologia, Kardec aplicou método científico para levar a todas as pessoas as palavras/orientações dos espíritos.

Frente a frente com o maior questionamento do ser humano, vislumbrou a possibilidade de responder às seguintes questões:

“ De onde venho?”
“ Por que estou aqui, na Terra?”
“ Para onde vou depois da morte?”

Kardec dava especial importância ao fato de não estar atrelada a nenhuma religião a comunicação com a espiritualidade, mesmo porque considerava magia, símbolos e signos meras superstições.

E sucederam-se vários questionamentos elaborados por Kardec e respondidos pelos espíritos através de pessoas selecionadas.

Seu primeiro livro é “ O Livro dos Espíritos”.

Entre outras, perguntas sobre Deus, Anjos, relacionamento entre espíritos, céu e inferno, fazem parte do conteúdo do “Livro dos Espíritos”.

Essa obra veio confortar a humanidade, pois desvenda o “mistério” da vida e da morte a partir das palavras daqueles que vivem no mundo espiritual.


Surge então, nessa época, depois do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, a Sociedade Espírita na França fundamentada nos estudos de Allan Kardec, nome que usava quando sacerdote Druida.

Annapon

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Lenda Yorubá – Sem Exu não se faz nada -



Lenda Yorubá – Sem Exu não se faz nada -


Os Orixás têm origem cultural Africana.
 Na Umbanda os Orixás são tratados de uma maneira diferente daquela do Candomblé.
Umbanda é uma religião, Candomblé é outra religião em algum momento elas se encontram e tem algo em comum, como a mediunidade e o culto de Orixás em si.
O Candomblé tem estrutura diferente da Umbanda, com olhar mitológico para a vida, tudo é explicado por meio de mitologia, ou seja, de lendas.
A título de curiosidade, vamos citar algumas lendas do Candomblé por meio das quais se explicam os Orixás.
Tudo tem origem em Olorum – Oló – Orum: Oló = Senhor/ Orum = céu. Olorum é Deus, é o Senhor do Céu e, também, é chamado de Olodumare, que é o “Senhor supremo dos nossos destinos”.
Olorum criou o primeiro dos Orixás, o mais velho dos Orixás: Oxalá. E deu a Oxalá a incumbência de criar o mundo.
Deu a Oxalá um saco chamado “o saco da criação” e disse a ele:
- “Com esse saco, você vá e crie o mundo”.
Oxalá sai do Orum que é o céu em direção ao Ayê que é a Terra, ou se preferir, ele sai do lado interno da criação para o lado externo ou lado exterior de Olorum para criar o mundo.
Oxalá é o primeiro dos Orixás, mas quando ele sai para o Ayê, Exu já existia. Exu já estava lá, muito provavelmente, porque Oxalá é o primeiro dos Orixás a habitar esse universo, mas Exu é alguém que existe antes do universo ser criado.
Oxalá é o primeiro a surgir numa ordem cronológica, ou seja, na linha do espaço e do tempo em que Oxalá é o próprio espaço que faz par com o tempo. Exu existe antes do espaço e do tempo serem criados.
Oxalá é o espaço, Exu é o vazio que existia antes da plenitude de Oxalá ocupá-lo, por isso Exu já estava lá.
E Oxalá saindo do Orum vem para o Ayê, Oxalá cruza, Oxalá vem descendo, Oxalá vem descendo em linha, imaginariamente vertical, Oxalá desce do Orum para o Ayê, de cima para baixo e ele cruza a linha divisória que separa o Ayê do Orum, nesse momento nós temos a primeira encruzilhada da criação. A encruzilhada em que Oxalá desce na vertical cruzando a horizontal que separa Orum e Ayê e na primeira encruzilhada da criação está Exu.
Oxalá sai do Orum para o Ayê e não oferenda o Orixá Exu. Exu, senhor da magia, então, vendo que não foi oferendado por meio de um feitiço, ele faz com que Oxalá comece a sentir sede e, ao chegar no Ayê, Exu coloca uma palmeira cheia de vinho.
Oxalá pega seu cajado chamado “Opachorô” e Oxalá fura a palmeira e o que sai é vinho.
Oxalá começa a beber, Oxalá fica embriagado, cai embriagado do lado da palmeira, Exu vem e rouba o saco da criação, o entrega ao irmão de Oxalá, que a essa altura já existe: É Odudua. E disse pra Odudua:
- “Oxalá dormiu. Você não quer cumprir as ordens de Olorum e criar o mundo?”  Odudua pega o saco da criação e cria o mundo e todas as coisas. Quando Oxalá acorda o mundo já está criado.
 Oxalá vai até Olorum e explica a situação ao seu pai.
 Olorum lhe diz:
- “Então meu filho lhe darei outra incumbência. O mundo já está criado e eu lhe dou agora a responsabilidade de criar os homens, modelar homens e mulheres. Faça isso a partir do barro”.
Oxalá volta para o Ayê, se estabelece no Ayê, faz uma casinha, coloca o seu forno, pega do barro, modela o homem, modela a mulher, põe no forno, mas quando ele tira do forno, o homem e a mulher feitos de barro modelado por Oxalá, eles não tem vida.
Oxalá mais uma vez chama Olorum e fala:
- “Meu Pai, fiz tudo como o Senhor mandou, modelei, os fiz do barro, mas eles não têm vida”.
Olorum ou Olodumare diz a Oxalá:
 - “Preste atenção, vou fazer uma vez para você ver como é”:
Chega pertinho do homem e (assopra) lhe dá o sopro da vida.
 Assim surgem os homens e as mulheres modelados por Oxalá, mas que receberam o sopro da vida de Olorum.
Diz-se que Oxalá ainda estava um pouco embriagado e é por isso que uns saem mais queimados, outros saem menos queimadinhos, alguns saem mais gordinhos, outros saem menores, outros maiores e ninguém sai muito igual porque Oxalá estava um pouquinho embriagado.
Essa é a maneira Nagô Yorubá de ensinar sobre os Orixás, não é pra dizer que Exu é um egocêntrico, não é pra dizer que Exu é ladrão que roubou o saco da criação, é para dizer que: até Oxalá antes de fazer qualquer coisa ou quando passar numa encruzilhada tem que saldar reverenciar e oferendar Exu. Até Oxalá oferenda Exu, então, por que é que você não quer oferendar?
Por que você não oferendaria Exu em primeiro lugar, se até Oxalá tem que oferendar.
É pra isso que servem as lendas. As lendas nos dizem sobre o perfil dos Orixás, que Oxalá é um modelador, a lenda diz que você não vê Exu, mas ele está lá e chega em primeiro lugar.
Essa mesma lenda diz que Oxalá estabelecido no Ayê começa a receber visitas de muitos Orixás. Todos os Orixás querem visitar o mais velho dos Orixás porque ele é considerado o mais sábio, está fazendo os homens, mas Exu vai morar com Oxalá.
Oxalá recebe Exu com os braços abertos, isso quer dizer que Oxalá, também, é o Orixá do perdão.
Oxalá, ou porque  é muito velho, ou porque é muito esquecido ou simplesmente porque  perdoa, não se lembra das falhas de Exu ou simplesmente é a sua qualidade, a sua característica, o seu mistério de perdoar nossas falhas, os nossos erros ao mesmo tempo em que nos dá a responsabilidade de corrigi-los fazendo o bem, edificando, construindo.
Assim, Exu é recebido por Oxalá, mas Exu naquele momento se oferece pra trabalhar pra Oxalá, então, Oxalá o recebe como um trabalhador, como um auxiliar.
 Exu se torna o amigo de Oxalá, o morador da casa de Oxalá, ele diz:
“Peça o que quiser, estou aqui para servi-lo”.
 Oxalá muito agradecido, mostra pra Exu que antes de chegar na sua casa tem uma encruzilhada e Oxalá dá aquela encruzilhada de presente pra Exu morar. A partir daí Exu passa a morar na encruzilhada e ninguém mais chega na casa de Oxalá sem passar pela casa de Exu.
 A partir desse momento e essa lenda é feita pra explicar isso, sempre que alguém vai visitar Oxalá antes deve fazer um agrado pra Exu.
Um dia, Oxalá é visitado por Orunmilá.
Orunmilá é o Orixá da revelação, Orixá que conhece presente, passado e futuro. Orunmilá é o Orixá do oráculo, do oráculo de Ifá, é o Orixá ao qual se dedicam os sacerdotes, os Babalôs. Orunmilá vai visitar Oxalá e diz que quer um filho, que Oxalá lhe faça um filho homem.
Oxalá é muito lento, Oxalá é muito devagar ou talvez Oxalá tenha seu próprio tempo que não é muito compreendido por todos os outros Orixás, dentro da mitologia.
Um dia, Orunmilá chega na casa de Oxalá e fala:
 - “Você não fez nenhum filho pra mim, então eu quero aquele que está na encruzilhada”. E Oxalá diz:
 - “Não, você não vai querer ele como seu filho”
- “Eu quero aquele que está na encruzilhada como meu filho”.
Oxalá, diante da ênfase de Orunmilá em querer aquele que está na encruzilhada que é Exu, lhe diz:
- “ Passe pela encruzilhada e quando estiver ali do lado dele, coloque sua mão sobre a cabeça dele e pense em sua esposa, sua mulher.
 “Volte pra casa, encontre sua mulher e ele vai nascer”.
Nove meses depois, nove meses de Orixá, deve ser milênios, na casa de Orunmilá nasce Exu.
E Exu nasce com muita fome porque Exu é o “senhor da boca coletiva”, o que quer dizer que ele fala pela boca de todos os homens, esse é o significado da simbologia, mas metaforicamente, quer dizer que ele tem fome de tudo, ele come de tudo, tudo ele come, quando não tem mais o que comer,  ele come porta, ele come a mesa, ele come tudo.
Orunmilá vai até Olorum pedir orientação e Olorum diz:
- “Faça uma oferenda pra Ogum e coloque uma espada”.
No retorno ao seu lar com a espada da oferenda em mãos, Orunmilá chega em casa e vê que Exu comeu tudo, comeu a casa, comeu porta, comeu janela e Exu engoliu a mãe.
Orunmilá começa uma perseguição a Exu e este foge para o Orum, vai para o 1º Orum, para o 2º Orum, para o 3º Orum, fugindo de Orunmilá.
Orunmilá encurrala Exu em algum canto do 9º Orum, são nove Oruns, e ali no canto de Orum Exu diz:
- “Não, não, não papai. Eu devolvo, devolvo tudo, devolvo a mamãe”
Orunmilá diz para ele:
 - “Então, por favor, assim se faça”.
Exu lhe devolve a mulher e Orunmilá diz:
 - “A partir de hoje você terá o meu agradecimento, vou lhe oferecer um oráculo. Vou lhe dar o Merindilogun, o oráculo de dezesseis búzios, será seu.
 “A partir de hoje você pode falar com os homens e as mulheres por meio do jogo de búzios”, que é um oráculo de Exu, é um oráculo dedicado a Exu.
Exu fica muito agradecido e se oferece para servir Orunmilá eternamente e lhe dá sua amizade. A partir daí Exu e Orunmilá se tornam melhores amigos.
Isso gerou ciúme numa das esposas de Orunmilá, Oxum.
E nas lendas, os Orixás têm muitas esposas e um é companheiro de uma e é companheiro da outra e numa lenda um é companheiro de uma, e noutra lenda esse um é companheiro de outra porque são lendas e são mitos, eles não são homem e mulher no sentido terreno e porque as divindades têm muitas ligações de energia, de vibração, de simpatia, têm muitas ligações.
Quando se diz que um Orixá é par do outro, não é no sentido homem e mulher como a nossa instituição monogâmica terrena de casamento.
 Isso quer dizer par vibratório, de energia, então, uma das esposas de Orunmilá, ou seja, uma daquelas que ele faz par de vibração, Oxum, ficou enciumada.
Ele diz para Oxum:
- “Em tua homenagem minha mulher, meu amor, minha Oxum, as mulheres poderão jogar o jogo de búzios”.
Já que o oráculo de Ifá, que é o oráculo exclusivo de Orunmilá é um oráculo só para homens, para os Babalaôs.
E a partir daí surge o jogo de búzios que é o oráculo mais usado no Candomblé Brasileiro e essa lenda diz que:
 “Por meio desse oráculo, Exu fala em nome de todos os Orixás.
“Exu é mensageiro dos Orixás”.
Entenda, Exu é mensageiro dos Orixás, ele não é office-boy, Exu não é um carteiro. Lembre-se:
Exu é senhor da magia, Exu é senhor da encruzilhada, Exu é senhor das passagens, Exu é senhor do vazio, Exu é aquele que surge antes do espaço e do tempo, Exu é aquele que surge antes da razão, do conhecimento, do pensamento. Por isso, ele vem antes de qualquer coisa, ele é o Orixá do vazio.
Oxalá é o primeiro.
Exu é o número zero.
Essas lendas tentam explicar, metaforicamente, porque uma lenda é transmitida por metáforas.
Mitos falam por metáforas. O objetivo é, metaforicamente, falar sobre os Orixás.
Entendam que, nada disso aconteceu. Historicamente, nada disso aconteceu, são mitos e lendas que buscam de uma forma metafórica falar sobre os orixás. Na Umbanda nós temos outra maneira de estudar, mas nós podemos entender vários mitos e lendas dos Orixás e reinterpretá-los sobre a ótica Umbandista.

Texto baseado em uma das aulas do curso de Teologia de Umbanda Sagrada ministrado por Alexandre Cumino.
Annapon



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