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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito e publicado, ...

sábado, 30 de agosto de 2014

Sincretismos e Religiões

Sincretismos e Religiões

“Nada há de novo abaixo do Sol.”
“Em religião nada se cria, tudo se copia.
Uma absorve os mistérios das outras”.
Pai Benedito de Aruanda

“Não há religião superior à verdade”
Helena P. Blavatsky

Texto de Alexandre Cumino

Sincretismo consiste em unir dois ou mais valores para alcançar um terceiro valor, o sincretismo
religioso está muito ligado às culturas, pois valores de duas ou mais culturas se unem quando nasce uma
nova religião.
Vejamos por exemplo na Umbanda, uma religião brasileira, que tem culto aos Orixás, divindades
africanas da cultura Nagô, e aos Santos, da cultura católica. Jesus Cristo e Oxalá são cultuados em um
sincretismo tão forte que Jesus passa a ser Oxalá e Oxalá passa a ser Jesus. Aqui também surgem
polêmicas onde nem todos aceitam o sincretismo desta forma, para muitos Jesus apenas representa
Oxalá, para outros vice e versa e para terceiros os dois, Oxalá e Jesus, caminham juntos sem perder sua
individualidade. Assim é o sincretismo na Umbanda que aparece identificando:
Jesus Cristo com Oxalá
Nossa Senhora da Conceição com Oxum
São Sebastião com Oxóssi
São Jerônimo com Xangô
São Jorge com Ogum
São Lázaro com Obaluayê
Santa Clara com Logunan
São Bartolomeu com Oxumaré
Joana D’Arc com Oba
Santa Bárbara com Iansã
Santa Sara Kaly com Egunitá
Santa Ana com Nanã Buroquê
São Roque com Omulu
Cosme e Damião com Ibeji
Na cultura brasileira existe o sincretismo cultural, que aparece em “síntese”1 na Umbanda, como
um espelho que mostra as culturas do Negro (Cultura Africana), do Branco (Cultura Europeia) e do Índio
(Cultura Nativa); todas elas partes de um todo que é a Cultura Brasileira.
 1 Ver Renato Ortiz. A Morte Branca do Feiticeiro Negro. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1991.
O que cria um ritual marcado por estas influências, com muita musicalidade tocada por
atabaques, rezas para Santos e Orixás, uso de terços e de colares de contas (guias), a valorização da
natureza com a visão do índio que adora Tupã, o uso de ervas com banhos e defumação, uma forma
simples de magia que mistura valores indígenas com o afro-brasileiro e muitos outros traços deste povo
brasileiro.
Mas esta absorção cultural religiosa (sincretismo) não é uma exclusividade da Umbanda, o
Judaísmo absorveu das culturas sumeriana, babilônica, acadiana e assíria em geral assim como a cultura
cristã se alimentou da judaica e da grega, a cultura do islã pode absorver as culturas cristã e judaica,
assim como todas elas têm uma influência mais sutil também da quase extinta cultura persa, dos cultos
zoroastristas. O Budismo nasce em solo hindu, através de um príncipe guerreiro, Sidarta Gautama, o
budismo tibetano recebe influência diferente do budismo chinês, pois os valores que antecedem
permanecem subentendidos e se unem a outros para criar a argamassa com a qual a nova religião é
construída.

domingo, 24 de agosto de 2014

O que é Religião?

O que é Religião?
por Alexandre Cumino


Uma das formas de definir religião é ir direto ao significado da palavra, do latim, religare, que 

tem o sentido de religar-se a DEUS. Logo um entendimento teológico da mesma é propiciar um encontro 
ou reencontro com DEUS.
Mas, o que pode parecer simples é, no entanto, complexo, afinal há formas muito variadas de 
religião e até algumas, como o budismo e jainismo, em que nada se refere a DEUS, são praticamente 
religiões ateístas.
Partindo desse ponto de vista, a definição de religar-se, embora seja muito interessante, não 
expressa todas as dimensões que as diversas religiões encerram em si mesmas. Por se tratar de algo 
indissociável ao ser humano, como produto cultural e social, recorremos às ciências humanas para 
melhor compreender o fenômeno em suas múltiplas formas de expressão.
Desde que o homem habita este mundo há religião, o próprio homo sapiens é considerado um 
homo religiosos; apesar de reconhecermos o quanto a religião faz parte de nossas vidas, ela já passou 
por um período de “trevas”, justamente no período em que surge o iluminismo. É quando surge o 
mundo moderno, pós-revolução francesa, que o homem se voltará a um racionalismo cientificista que 
nega o valor da religião. No séc. XIX, Augusto Conte torna-se o precursor do positivismo declarando que 
a religião seria substituída pela ciência, pois no futuro esta teria as repostas para as inquietações 
humanas buscadas no mundo teológico. E assim como os períodos mitológicos e mágicos já haviam sido 
superados pelo religioso, este também seria ultrapassado, declarando sua inutilidade. Religião tal qual 
se conhece seria uma pseudossolução para pseudoproblemas.
Nos passos de Conte viriam Nietzsche, declarando a morte de Deus, Freud, considerando religião 
uma ilusão, algo infantil, e Marx que afirmaria ser o suspiro dos oprimidos, ópio do povo. Cientistas 
promoveram uma nova inquisição na qual só tem valor o que pode ser observado, experimentado e 
mensurado dentro do método científico.
Em meio a tanto ceticismo, Jung oferece um contraponto às ideias de Freud, demonstrando a 
importância das questões religiosas na vida do ser, apresentando o erro da aplicação do método 
científico para negar o valor que possui a religião na vida e na psique humana:
“O conflito surgido entre ciência e religião no fundo não passa de um mal-entendido entre as 
duas. O materialismo científico introduziu apenas uma nova hipótese, e isso constitui um pecado 
intelectual. Ele deu um nome novo ao princípio supremo da realidade, pensando, com isso, haver criado 
algo de novo e destruído algo de antigo. Designar o princípio do ser como Deus, matéria, energia, ou o 
quer que seja, nada cria de novo. Troca-se apenas de símbolo."1
Religião faz parte de uma realidade subjetiva do ser, o que não pode ser mensurado, já que as 
ciências naturais se ocupam da realidade objetiva. Buscamos no método científico respostas de como 
funciona a realidade física, no entanto, o mesmo é insuficiente para dar sentido a esta realidade. Para 
entender melhor essa dinâmica humana do ente que busca respostas além de si mesmo é que se abriu.
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