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Textos psicografados, romance, Umbanda, Espiritismo compõem a tônica do A Alma das Coisas.
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Annapon ( escritora e blogueira )

Romance Mediúnico

A Missão das Quatro Estações

Olá amigos leitores do "A Alma das Coisas"! O blog está com uma novidade, romance mediúnico totalmente gratuito. Esse é mai...

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um passo de cada vez no desenvolvimento mediúnico





O desenvolvimento mediúnico é como o desabrochar de uma flor: um fenômeno sutil, que acontece dia a dia, sem milagres ou grandes saltos em sua evolução.

Desenvolver a mediunidade é um processo que começa interiormente, buscando a melhora íntima e o desenvolvimento das virtudes superiores, pois apenas através delas, acessa-se o padrão de sintonia ideal com os bondosos mensageiros que a Luz envia.

Mediunidade não é um bem para envaidecer-se, nem uma atividade que tem como objetivo matar o tempo ocioso dentro da matéria. É sim, um trabalho sério, que exige disciplina e maturidade, compaixão e carinho, para que o trabalho não se perca nas áridas ilusões do materialismo exacerbado.


Todo servidor mediúnico é uma ponte de ligação entre os planos mais sutis e a matéria. É uma porta de acesso. Mas, caso essa porta seja aberta, o que transitará por ela? Em verdade, o médium antes de ser elemento passivo na comunicação espiritual, é elemento ativo no processo de sintonia com as forças superiores. A manifestação mediúnica é impressa sobre o conteúdo anímico que todo médium traz, em sua mente e em seu coração.

Por isso o grande esforço dos mensageiros da luz, para que antes das faculdades mediúnicas desabrocharem por completo, o médium passe por um período longo de desenvolvimento, onde suas capacidades acompanharão a própria evolução interna da alma, predisposta ao trabalho de intercâmbio espiritual. A todos esses irmãos, que buscam na mediunidade, um oportunidade de trabalho redentor, deixamos os seguintes conselhos:

Utilizem-se sempre da palavra amiga, para que a psicofonia reflita os sentimentos trazidos no coração.

Tenham olhos bondosos, que antes de procurar os defeitos alheios, sirvam para a compreensão dos próprios erros, fazendo da clarividência uma ferramenta para o autoconhecimento.

Santifiquem suas mãos com o trabalho honesto e edificante, para que elas possam trazer, através da psicografia, as palavras do mais alto.

Façam com que suas atividades diárias sejam norteadas pelo bom-senso e pela alegria, aumentando a lucidez fora do corpo, quando das excursões noturnas enquanto o corpo físico descansa.

Escolham bem as conversações as quais participam, para que seus ouvidos possam ouvir o sutil.

Cultivem pensamentos elevados e carinhosos em relação ao semelhante, para que a intuição flua, como um rio de bênçãos, a cair do altíssimo.

Não julguem com maldade e extremo rigor as manifestações mediúnicas do próximo, para que não sejam traídos pelo animismo não edificante. Lembrem-se que o mesmo rigor, descaso e sarcasmo destinado ao irmão, um dia poderá ser destinado a vocês.

Estudem, leiam e se instruam, mas não se envaideçam, pois os verdadeiros tesouros espirituais trazemos no coração.

Cuidado com o mau-humor. Ele acaba com qualquer tentativa de contato espiritual elevado. Manter-se sereno e equilibrado perante as pelejas do dia a dia é a maior prova de espiritualização que o ser pode dar.

Sejam simples. Não busquem o fenômeno ou o "show mediúnico". Busquem sim, o esclarecimento, os ensinamentos elevados, o consolo e a fraternidade com os irmãos mais necessitados.

Cuidado com os excessos, trilhem o caminho do equilíbrio, para que suas companhias espirituais também sejam equilibradas.

Façam da oração uma manifestação de fé e confiança verdadeira nas forças celestes, para que o amparado delas nunca falte.

Não se martirizem, nem se tenham como pecadores. Ninguém é perfeito, todos temos acertos e erros, débitos e créditos. Trabalhem e perseverem. Sejam críticos, mas não exagerem. Melhore na medida do possível e não se cobre uma postura impossível em relação à vida.


Cada um tem o que merece. Aceitem suas vidas, suas dificuldades, seus problemas, pois eles estão aí por única e exclusiva responsabilidade sua.

Por último, confiem mais em si mesmos. Não desanimem com a aparente falta de evolução em relação a mediunidade. Como dito anteriormente, o processo é lento, sem saltos ou rápidas transformações. Um passo de cada vez. O caminho é longo, mas todos temos a eternidade...

Um Espírito Amigo - Recebido mediunicamente por Fernando Sepe




Fonte: http://blog.orunananda.zip.net

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Nível Evolutivo






Há alguns anos, um aprendiz aproximou-se de seu Mestre e perguntou-lhe:

- Mestre, gostaria muito de saber: por que razão os seres humanos guerreiam-se e não conseguem entender-se, por mais que apregoem estar buscando a Paz e o entendimento, por mais que apregoem o Amor e por mais que afirmem abominar o Ódio?
- Essa é uma pergunta muito séria, disse o mestre. Gerações e gerações a têm feito e não conseguiram uma resposta satisfatória, por não se darem conta de que tudo é uma questão de nível evolutivo. A grande maioria da Humanidade do planeta Terra está vivendo atualmente no nível 1. Muitos outros, no nível 2 e alguns outros no nível 3. Essa é a grande maioria. Alguns poucos já conseguiram atingir o nível 4, pouquíssimos o nível 5, raríssimos o nível 6 e somente de mil em mil anos aparece algum que atingiu o nível 7.
- Mas, Mestre, que níveis são esses?

- Não adiantaria nada explicá-los, pois além de não entender, também, logo em seguida, você os esqueceria e esqueceria também a explicação. Assim, prefiro levá-lo numa viagem mental, para realizar uma série de experimentos e aí, então, tenho certeza, você vivenciará e saberá exatamente o que são esses níveis, cada um deles, nos seus mínimos detalhes.
Colocou, então, as pontas de dois dedos na testa do aprendiz e, imediatamente, ambos estavam em um outro local, em outra dimensão do Espaço e do Tempo. O local era uma espécie de bosque, e um homem se aproximava deles.
Ao chegar mais perto, disse-lhe o Mestre:
- Dê-lhe um tapa no rosto.
- Mas por quê? Ele não me fez nada…
- Faz parte do experimento. Dê-lhe um tapa, não muito forte, mas dê-lhe um tapa!
E o homem aproximou-se mais do Mestre e do aprendiz. Este, então, chegou até o homem, pediu-lhe que parasse e, sem nenhum aviso, deu-lhe um tapa que estalou.
Imediatamente, como se fosse feito de mola, o desconhecido revidou com uma saraivada de socos e o aprendiz foi ao chão, por causa do inesperado do ataque. Instantaneamente, como num passe de mágica, o Mestre e o aprendiz já estavam em outro lugar, muito semelhante ao primeiro, e outro homem se aproximava. O Mestre, então comentou:
- Agora, você já sabe como reage um homem do nível 1. Não pensa. Age mecanicamente. Revida sem pensar. Aprendeu a agir dessa maneira e esse aprendizado é tudo para ele, é o que norteia sua vida, é sua “muleta”.
- Agora, você testará da mesma maneira o nosso companheiro que vem aí, do nível 2. Quando o homem se aproximou, o aprendiz pediu que parasse e lhe deu um tapa. O homem ficou assustado, olhou para o aprendiz, mediu-o de cima a baixo e, sem dizer nada, revidou com um tapa, um pouco mais forte. Instantaneamente, já estavam em outro lugar muito semelhante ao primeiro.
- Agora, você já sabe como reage um homem do nível 2: pensa um pouco, analisa superficialmente a situação, verifica se está à altura do adversário e aí, então, revida. Se ele julgar-se mais fraco, não revidará imediatamente, pois irá revidar à traição. Ainda é carregado pelo mesmo tipo de “muleta” usada pelo homem do nível 1. Só que analisa um pouco mais as coisas e fatos da vida. Entendeu?
- Repita o mesmo com esse aí que vem chegando, o nível 3. A cena repetiu-se. Ao receber o tapa, o homem parou, olhou para o aprendiz e assim falou:
- O que é isso, moço? Mereço uma explicação, não acha? Se não me explicar direitinho por que razão me bateu, vai levar uma surra! Estou falando sério!
- Eu e o Mestre estamos realizando uma série de experimentos e este experimento consta exatamente em fazer o que fiz, ou seja, bater nas pessoas para ver como reagem.
- E querem ver como reajo?
- Sim. Exatamente isso… – e perguntou o aprendiz – como você vai reagir? Vai revidar? Ou vai nos ensinar uma outra maneira de conseguir aprender o que desejamos?
- Já nem sei se continuo discutindo com vocês, pois acho que estou perdendo meu tempo. São dois malucos e tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar conversando com dois malucos. Que outro, em algum outro lugar, revide por mim. Não vou nem perder meu tempo com vocês, pois não merecem meu esforço… São uns perfeitos idiotas... E ainda querem me convencer de que estão buscando conhecimento. Picaretas! Isso é o que vocês são! Uns picaretas! Uns charlatões!
Imediatamente, aquela cena apagou-se e já se encontravam em outro luar, muito semelhante a todos os outros. Então, o Mestre comentou:
- Agora, você já sabe como age o homem do nível 3: gosta de analisar a situação, discutir os pormenores, criticar tudo, mas não apresenta nenhuma solução ou alternativa, pois ainda usa as mesmas “muletas” que os outros dois anteriores também usavam. Prefere deixar tudo pra lá, pois não tem tempo para se aborrecer com a ação, que prefere deixar para os outros. É um erudito e teórico que fala muito, mas que age muito pouco e não apresenta nenhuma solução para nenhum problema, a não ser a mais óbvia e, assim mesmo, olhe lá… É um medíocre enfatuado, cheio de erudição, que se julga o “Dono da Verdade”, que se acha muito “entendido” e que reclama de tudo e só sabe criticar. É o mais perigoso de todos, pois costuma deter cargos de comando, por ser, geralmente, portador de algum diploma universitário em nível de bacharel (mais uma outra “muleta”) e se pavoneia por isso. Possui instrução e muita erudição. Já consegue ter um pouquinho mais de percepção das coisas, mas é somente isso.
- Vamos, agora, saber como reage um homem do nível 4. Faça o mesmo com esse que aí vem.
E a cena repetiu-se. O caminhante olhou para o aprendiz e perguntou:
- Por que você fez isso? Eu fiz alguma coisa errada? Ofendi você de alguma maneira? Enfim, gostaria de saber por que motivo você me bateu. Posso saber?
- Não é nada pessoal. Eu e o Mestre estamos realizando um experimento para aprender qual será a reação das pessoas diante de uma agressão imotivada.
- Pelo visto, já realizaram este experimento com outras pessoas. Já devem ter aprendido muito a respeito de como reagem os seres humanos, não é mesmo?
- É… Estamos aprendendo um bocado. Qual será sua reação? O que pensa de nosso experimento? Tem alguma sugestão melhor?
- Hoje, vocês me ensinaram uma nova lição e estou muito satisfeito com isso e só tenho a agradecer por me haverem escolhido para participar deste seu experimento. Apenas acho que vocês estão correndo o risco de encontrar alguém que não consiga entender o que estão fazendo e revidar à agressão. Mas também se não corrermos algum risco na vida, nada jamais poderá ser conseguido, em termos de evolução.
O Mestre assim comentou:
- O homem do nível 4 já está bem distanciado e se desligando gradativamente dos afazeres mundanos. Já sabe que existem outros níveis mais baixos e outros mais elevados, e está buscando apenas aprender mais e mais para evoluir, para tornar-se um sábio. Não é, em absoluto, um erudito (embora até mesmo possa possuir algum diploma universitário) e já compreende bem a natureza humana para fazer julgamentos sensatos e lógicos. Por outro lado, possui uma curiosidade muito grande e uma insaciável sede de conhecimentos. E isso acontece porque abandonou suas “muletas” há muito pouco tempo, talvez há um mês ou dois. Mas vamos continuar com o nosso aprendizado. Repita o mesmo com este homem que aí vem, e vamos ver como reage um homem do nível 5. O tapa estalou.
- Filho meu… Eu bem o mereci por não haver logo percebido que estavas necessitando de ajuda. Em que te posso ser útil?
- Não entendi… Afinal, dei-lhe um tapa. Não vai reagir?
- Na verdade, cada agressão é um pedido de ajuda. Em que te posso ajudar, filho meu?
- Estamos dando tapas nas pessoas que passam, para conhecermos suas reações. Não é nada pessoal…
- Então, é nisso que te posso ajudar? Ajudar-te-ei com muita satisfação pedindo-te perdão por não haver logo percebido que desejas aprender. É meritória tua ação, pois o saber é a coisa mais importante que um ser humano pode adquirir. Somente por meio do saber é que o homem se eleva. E se estás querendo aprender, só tenho elogios a te oferecer. Logo aprenderás a lição mais importante que é a de ajudar desinteressadamente as pessoas, assim como estou a fazer com vocês, neste momento.
Instantaneamente, a cena se desfez e logo se viram em outro caminho, um pouco mais agradável do que os demais, e o Mestre assim se expressou:
- Quando um homem atinge o nível 5, começa a entender que a Humanidade, em geral, digamos, o homem comum, é como uma espécie de adolescente que ainda não conseguiu sequer se encontrar e, por esse motivo, como todo e qualquer bom adolescente, é muito inseguro e, devido a essa insegurança, não sabe como pedir ajuda e agride a todos para chamar atenção e pedir, então, de maneira velada e indireta, a ajuda de que necessita.
O homem do nível 5 possui a sincera vontade de ajudar e de auxiliar a todos desinteressadamente, sem visar vantagens pessoais.
Agora, dê um tapa nesse homem que aí vem.
E o aprendiz iniciou o ritual. Pediu ao homem que parasse e lançou a mão ao seu rosto. Jamais entendera como o outro, com um movimento quase instantâneo, desviou-se e a sua mão atingiu apenas o vazio.
- Meu filho querido! Por que você queria ferir-se a si mesmo? Ainda não aprendeu que agredindo os outros você estará agredindo a si mesmo? Você ainda não conseguiu entender que a Humanidade é um organismo único e que cada um de nós é apenas uma pequena célula desse imenso organismo?
Seria você capaz de provocar, deliberadamente, em seu corpo, um ferimento que vai doer muito e cuja cicatrização orgânica e psíquica vai demorar e causará muito sofrimento inútil?
Instantaneamente, tudo se desfez e se viram em outro ambiente, ainda mais lindo e repousante do que este último em que estiveram. Então o Mestre falou:
- Este é um dos níveis mais elevados a que pode chegar o ser humano em sua senda evolutiva, ainda na Matéria, no Planeta Terra. Um homem que conseguiu entender o que é o Amor, já é um Homem Sublime, Inefável e quase Inatingível pelas infelicidades humanas, pois já descobriu o Começo da Verdade, mas ainda não a conhece em toda sua Plenitude, o que só acontecerá quando atingir o nível 7. Logo você descobrirá isso.
Dê um tapa nesse homem que aí vem chegando. Vamos ver como reage o homem do nível 7.
E o aprendiz pediu ao homem que parasse. Quando seus olhares se cruzaram, uma espécie de choque elétrico percorreu-lhe todo o corpo e uma sensação mesclada de amor, compaixão, amizade desinteressada, compreensão, de profundo conhecimento de tudo que se relaciona à vida e um enorme sentimento de extrema segurança encheram-lhe todo o seu ser.
- Bata nele! – ordenou o Mestre.
- Não posso, Mestre, não posso…
- Bata nele! Faça um grande esforço, mas terá que bater nele! Nosso aprendizado só estará completo se você bater nele! Faça um grande esforço e bata! Vamos! Agora!
- Não, Mestre. Sua simples presença já é suficiente para que eu consiga compreender a futilidade de lhe dar um tapa. Prefiro dar um tapa em mim mesmo. Nele, porém, jamais!
- Bate-me – disse o Homem com muita firmeza e suavidade – pois só assim aprenderás tua lição e saberás finalmente, porque ainda existem guerras na Humanidade.
- Não posso… Não posso… Não tem o menor sentido fazer isso…- Então – tornou o Homem – já aprendeste tua lição. Quem, dentre todos em quem bateste, a ensinou para ti? Reflete um pouco e me responde.
- Acho que foram os três primeiros, do nível 1 ao nível 3. Os outros apenas a ilustraram e a complementaram. Agora, compreendo o quão atrasados eles estão e o quanto ainda terão que caminhar na senda evolutiva para entender esse fato. Sinto por eles uma compaixão muito profunda. Estão de “muletas” e não sabem disso. E o pior de tudo é que não conseguem perceber que é até muito simples e muito fácil abandoná-las e que, no preciso instante em que as abandonarem, começarão a progredir. Era essa a lição que eu deveria aprender?
- Sim, filho meu. Essa é apenas uma das muitas facetas do Verdadeiro Aprendizado. Ainda terás muito que aprender, mas já aprendeste a primeira e a maior de todas as lições. Existe a Ignorância! – volveu o Homem com suavidade e convicção
- Mas ainda existem outras coisas mais que deves ter aprendido. O que foi?
- Aprendi, também, que é meu dever ensiná-los para que entendam que a vida está muito além daquilo que eles julgam ser muito importante – as suas “muletas” – e também sua busca inútil e desenfreada por sexo, status social, riquezas e poder.
- A Humanidade ainda é uma criança, mal acabou de nascer, mal acabou de aprender que pode caminhar por conta própria, sem engatinhar, sem precisar usar “muletas”. O grande erro é que nós queremos fazer tudo às pressas e medir tudo pela duração de nossas vidas individuais. O importante é que compreendamos que o tempo deve ser contado em termos cósmicos, universais. Se assim o fizermos, começaremos, então, a entender que o Universo é um organismo imenso, ainda relativamente novo e que também está fazendo seu aprendizado por intermédio de nós seres vivos conscientes e inteligentes que habitamos planetas disseminados por todo o Espaço Cósmico. Nossa vida individual só terá importância, mesmo, se conseguirmos entender e vivenciar este conhecimento, esta grande Verdade: “somos todos uma imensa equipe energética atuando nos mais diversos níveis energéticos daquilo que é conhecido como Vida e Universo, que, no final das contas, é tudo a mesma coisa”.
- Mas sendo assim, para eu aprender tudo de que necessito para poder ensinar aos meus irmãos, precisarei de muito mais que uma vida. Ser-me-ão concedidas mais outras vidas, além desta que agora estou vivendo?
- Mas ainda não conseguiste vislumbrar que só existe uma única Vida e tu já a estás vivendo há milhões e milhões de anos e ainda a viverás por mais outros tantos milhões, nos mais diversos níveis? Tu já foste energia pura, átomo, molécula, vírus, bactéria, enfim, todos os seres que já apareceram na escala biológica. E tu ainda és tudo isso. Compreende, filho meu, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.
- Mas mesmo assim, então, não terei tempo, neste momento atual de minha manifestação no Universo, de aprender tudo o que é necessário ensinar aos meus irmãos que ainda se encontram nos níveis 1, 2 e 3.
- E quem o terá jamais, algum dia? Mas isso não tem a menor importância, pois tu já estás a ensinar o que aprendeste, nesta breve jornada mental. Já aprendeste que existem 7 níveis evolutivos possíveis aos seres humanos, aqui, agora, neste Planeta Terra.
O Autor deste conto conseguiu transmiti-lo, há alguns milênios, através da Tradição Oral, durante muitas e muitas gerações.
Compreendes, agora, que não será necessário mais do que uma única vida como um ser humano, neste Planeta Terra, para que aprendas tudo e que possas transmitir esse conhecimento a todos os seres humanos, nos próximos milênios vindouros?
- É só uma questão de tempo, não concordas filho meu? Tu e todos os demais que estão transmitindo esse conhecimento já cumpriram as suas partes. Que os outros, os que dele estão tomando conhecimento, cumpram as suas. Para isso são livres e possuem o discernimento e o livre-arbítrio suficientes para fazer suas escolhas e nada tens com isso.
- Entendeste filho meu?


Autor desconhecido

texto extraído do site Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade

domingo, 27 de novembro de 2011

O Olhar

O olhar é muito mais do que função fisiológica. È uma linguagem forte. É um universo carregado de sentido. É condensação do mistério do homem. Relata o destino de muita gente. Provoca alterações decisivas na vida. Mesmo o olhar indiferente suscita reações contraditórias. O olhar é, em grande parte, a morada do homem. O universo do olhar é vasto e misterioso. Olhar habitação que acolhe o próximo que passava desabrigado. Olhar rejeição que distancia o gesto de diálogo. Olhar atração que cativa e envolve o semelhante. Olhar envenenado que espalha ameaça.
Olhar inocente que semeia simplicidade pela face da terra. Olhar malicioso que planta a semente da maldade no corpo dos homens. Olhar indiscreto que revela as intimidades humanas. Olhar sigiloso que arquiva quadros dolorosos e cenas humilhantes. Olhar atento que não desperdiça o menor sinal de boa vontade. Olhar displicente que esquece a presença do outro. Olhar compreensivo que apaga os rastros dos erros. Olhar intolerante que espreita o deslize da fraqueza. Olhar generoso de Cristo que abraça toda Jerusalém. Olhar mesquinho do fariseu que cata e filtra migalhas.
Olhar pastoral de Cristo que recupera Pedro hesitante. Olhar encolerizado que fulmina o parceiro. Olhar apelo que suplica compaixão e ajuda. Olhar intransigência que cobra a última gota de sofrimento. Olhar amor que unifica os que se querem. Olhar ódio que esfaqueia os que se detestam. Olhar história que vive a evolução das construções, o fluxo das gerações, o movimento dos estilos. Olhar documentação que registra as clareiras dos horizontes, a floração dos campos, o sangue dos acidentes, o desesperado precipitando-se do edifício, o último aceno de quem está se afogando.
Olhar de ansiedade que fica na estrada acompanhando aquele que parte. Olhar de esperança que não sai da estrada, aguardando a volta do filho pródigo. Olhar do recém-nascido que anuncia a chegada de uma existência. Olhar do agonizante que procura perpetuar sua presença entre os que ficam. Olhar evangélico que anuncia o reino de Deus. Olha céptico que recusa os sinais da esperança. Olhar consciente que ativa a reflexão humana. Olhar coisificado que manipula os homens como objetos. Olhar libertador que retira o irmão do cativeiro moral. Olhar argentário que industrializa até os sentimentos humanos. Olhar decidido que busca a realização pessoal.
Olhar evasivo que evita o encontro com a realidade. Olhar pacífico que reconcilia as vidas separadas. Olhar reticente que fragmenta a confiança. Olhar de perdão que põe de pé a quem estava caído. Olhar de rancor que jura vingança impiedosa. Olhar feroz do perseguidor, do tirano, do opressor. Olhar encolhido, amedrontado do perseguido. Mas, que grandeza nesse olhar acuado! A última resistência do homem esmagado se refugia no olhar oprimido. Diz Levinas que o arbitrário enxerga a sua vergonha nos olhos de sua vítima. Por isso, o agressor procura destruir, eliminar o oprimido. Pois não suporta o olhar que o acusa, que o julga, que o condena. Mas, o olhar que a arbitrariedade apaga na vida do oprimido, reacende-se na consciência do tirano como verme roedor. O olhar é também linguagem de Deus.

Texto extraído do livro: “Estradeiro” de Juvenal Arduini – Edições Paulinas.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O transplantado não assume a alma de seu doador


É estranha, para mim, a maneira como alguns americanos lidam com a espiritualidade, às vezes penso que não a possuem ou, se a possuem, de alguma forma a negam ou abafam.
Digo isso porque assisti a um filme chamado: " Em busca do coração de David", cujo enredo trata da história de uma garota que "perdeu" seu irmão num acidente.
O rapaz em questão era doador de órgãos, portanto, seu coração foi transplantado.
Acontece que a garota, inconformada com a morte de seu irmão mais velho, resolveu procurar a pessoa que havia recebido seu coração acreditando que, por essa razão, a pessoa transplantada adquiriria a alma de seu irmão, ou seja, que de alguma forma, o irmão morto viveria através da pessoa que recebera seu coração.
A falta de conhecimento, aliada a um filme desse teor, pode confundir e desorientar as pessoas que vivem o mesmo drama ou algo parecido.
A relação da garota com seu irmão era doentia. Ela dependia muito dele emocionalmente e o sentimento de posse, em relação ao irmão, era muito forte, portanto, doente. Combinação perigosa de sentimentos que resultou a não aceitação da "perda".
Por crer na continuidade da vida após a morte e por ter tido acesso aos estudos espíritas, assisti ao filme pensando na quantidade de confusão que o mesmo pode ter causado a um número considerável de pessoas.
" Ao corpo o que é do corpo. E ao espírito o que é do espírito", nos disse Jesus, ou seja, o fato de uma pessoa receber um órgão de outra não quer dizer, de forma alguma, que ela absorverá seu espírito ou preferencias, tornando-se uma pessoa diferente daquela que era. Isso não existe.
O transplantado continuará sendo ele mesmo e o desencarnado idem, porém em outra dimensão e realidade.
O destino do corpo é perecer e o da alma viver.
Cada ser encarnado num corpo é um espírito único vivendo uma experiência física.
Pessoas que vivem a vida de forma material, sem se preocuparem com seu espírito e religiosidade, são como a garota desconsolada e inconformada com a única certeza que todos temos em nossas vidas.
Por essa razão ela move "mundos e fundos" até encontrar a pessoa, no caso, um menino, que recebeu o coração de seu irmão chegando ao cúmulo de questioná-lo por em nada se parecer com ele. Cena triste, porém, que nos faz pensar em quantas pessoas já pensaram, ou irão pensar como ela assistindo ou não ao filme.
Ser doador de órgãos é um ato de amor, uma ação pela vida que precisa continuar a sua experiência na Terra, por isso existe o conhecimento que permite que o homem a execute.
Deus concedeu ao homem a sabedoria e a habilidade para tanto, por isso, tanto um quanto o outro estão vivendo uma experiência de maturidade da alma.
Doador e receptor vivendo a experiência da solidariedade e não um vivendo no outro como ingenuamente pensam alguns.
A cena mais triste do filme, e ao mesmo tempo, a mais constrangedora para o personagem do transplantado, foi quando a garota pede para ouvir o coração do menino que, pela inconsequência dela, passa a se sentir culpado pela morte de seu doador. Vejam até onde pode chegar a irresponsabilidade de alguém que por falta de resignação diante dos fatos, age dessa forma.
Crer na reencarnação e na continuidade da vida após a morte diluem problemas como esse e são fatos já comprovados de maneira inquestionável, mas, crer ou não é uma opção.
Esse é um assunto delicado que poderia até resultar num livro, quem sabe?
Enfim, o filme termina quando satisfeita, após promover um grande alvoroço na vida de muitas pessoas, a garota entende que pessoas ao nos "deixarem" pelo fenômeno natural da morte, passam a viver sim no coração de quem fica e sente saudade, e não no órgão que serviu para que outro seguisse sua vida e experiência na carne.
Fica aqui o esclarecimento e quem vier a se interessar pelo assunto, procure na literatura espírita e leia buscando compreender a vida como ela é no corpo e na alma.

Annapon

domingo, 20 de novembro de 2011

ORIXÁS E XAMANISMO




CULTO DOS ORIXÁS UMA PRÁTICA XAMÂNICA

texto de : Omo Ifá Awotundé Alberto Junior.

Sabemos que o termo Xamã vem da Sibéria para designar a arte de promover, Equilíbrio, Harmonia e Saúde psico-fisicas, através do estado de êxtase ou da expansão da consciência, que o Xamã adquire após longos períodos de treinamentos e iniciações.


O Termo Xamanismo, também hoje em dia é utilizado para definir determinadas práticas espirituais e ritos religiosos, proto-históricos, e primitivos. Estas práticas tem em comum o culto a Natureza, e estão divididos em diversas modalidades tais como:



Xamanismo dos aborígines (índios) siberiano.


Xamãs de tribos indígenas de todas as América.


Os adeptos do Druidísmo, da Filosofia Wicca e dos Cultos a Grande Mãe Natureza. Estas civilizações que povoaram toda Europa, tiveram seu primeiro apogeu em torno de 9000 anos antes da era Cristã.


Ainda temos as práticas dos povos Aborígines da Índia como o Povo Drávida ou Tantrico que tiveram seu apogeu em torno de 10000 anos antes da era cristã.


Dentre muitos outros povos aborígine da antigüidade.


As mais antigas obras de artes datam de 35.000 a 10.000 anos antes da era cristã. Estas imagens representam figuras humanas de mães, e foram chamadas de Vênus pelos arqueólogos, esculpidas em osso, marfim e pedra ou moldadas em barro, foram encontradas por toda a Europa e na África. Estas pequenas estatuetas com grandes ventres, seios repletos e volumosos, coxas grossas, eram representações de Deusas Mãe, A Velha Religião assim como e chamada o Culto de origem matriarcal, que antecede os cultos patriarcais, mas este assunto abordarei em uma outra oportunidade, também era uma religião de Êxtase. Estas Deusas foram chamadas de vários nomes:

Na Índia temos a Deusa Dravica, Kalí.


Da Venezuela a Deusa Puana, a serpente que criou Kuma a primeira Mulher, de quem nasceu todas as coisas vivas.


O povo Fon do Daomé reverencia Nana Buruku a Grande Mãe que Criou o Mundo.


Mas voltando ao Orixás e ao Xamanismo.


O Culto dos Orixás que ficou muito conhecido no Brasil, também é uma prática de Xamanismo.


No Culto dos Orixás, possui um sistema complexo de Hierarquia, e modalidades tais como:

Cultos de:
Orunmila Ifá. Ilé (Casa, templo) de Orunmila Ifá.


Ilé Ase Orixás. Candomblés de, Jeje, Ketu, Nago, Angola dentre outras.


Ilé Egun. Casa dos ancestrais.

As práticas xamanicas tem com o base a utilização das forças da natureza. O culto de Orunmila-Ifá e dos Orixás também tem o objetivo de cultuar e utilizar estas forças; Fogo, Terra, Ar, e Água. Para isto o Ologun ( o mago), na primeira iniciação do Culto de Ifá, passa pôr um longo tempo de treinamento e estudos para poder aprender a jogar o jogo oracular muito conhecido no Brasil como jogo de Búzios ou Erindinlogun.


Todas as práticas Xamânicas, são necessárias diversas iniciações, onde o aspirante passa pôr um rito de morte e renascimento, morre para renascer renovado, tem uma experiência de renascimento de transformação de seu interior do seu EU, redescobrindo a si mesmo, através do estado de êxtase ou estado alterado de consciência, que os ritos podem proporcionar.



“ÂIYÉ ATÍ IKÚ ÔKAN NÁA NI.”


“Vida e morte: Ambas são Idênticas!”



Em nosso pais hoje em dia as pessoas não podem nem ouvir falar do Culto dos Orixás, em virtude do Culto Ter virado um comércio, e muitos Zeladores de Orixás principalmente dos Candomblés, não generalizando, utilizarem seus conhecimentos de forma errônea, para prejudicar e auto se promover, operando muitas vezes desastres na vida das pessoas. Na maioria das vezes estes maus sacerdotes, não conhecem a fundo a ética, moral e a Filosofia e Religião, Yoruba. as vezes aprendem errado, com seus zeladores, não sabem verificar qual o Odù (destino Pessoal), Orixá e prescrevem ebós (trabalhos mágicos), errados, desequilibrando, psiquicamente, espiritualmente, atrapalhando ainda mais a prosperidade, das pessoas que este sacerdotes atendem.


A tarefa de ser um Omo Awo, filho do Segrego, era uma tarefa muito difícil e patrulhada por severas regras de conduta que deveriam servir de base técnica e moral para sua ação.


O Àwoni não poda procurar a mulher de outro, muito menos a sua ajudante Ritual.


O Awo não podia praticar Âjé, feitiço contra outro Awo ou contra inocentes.


Não poderia conspirar contra seus Irmãos.


Não podia abandonar outro Awo que estivesse em dificuldades, sem tomar providências para que tudo ficasse em ordem com o necessitado.


Não podia falar mal de outro, fora do âmbito de sua confraria, mesmo o outro sendo culpado.


O Awo não podia divulgar o teor das discussões travadas em seus encontros formais na confraria, Sociedade Secreta, mesmo que se tratasse de punição contra culpados ou desagravo de inocentes.


Praticavam a lei da natureza, do respeito, moral e da caridade.



“OYE TI O BA WU ENI NI TA IFÁ ENI PÁ”



“Qualquer que seja a soma que agrade alguém,


E aquela pela qual recebemos para jogar Ifá”



Só por este trecho saberemos distinguir a Boa-Cumba da Mal-cumba.


O Omo Ifá (Filhos do Orixá Orunmila-Ifá) passam pêlos seguintes aprendizados:



Genises Yoruba.


Adivinhação Sagrada de Ifá, Erindinlogun, Ifá-Opele.

Ewé, folhas sagradas e medicinais dos Orixás e Odùs.

Ógun, Medicina Natural, magica e psicossomáticas.

Êsé Ìtân Ifá, Versos dos contos de Ifá.

Oriki, Orações e rezas.

Odùs, signos ou reinos, energias que esta relacionada com o nosso Destino Pessoal, o nosso Karma.

Ebó Adimu, ebó significa Sacrifício, oferendas de comidas, sem sacrifício animal.

Ebó Orixá, Comidas especificas sem sacrifício animal.

Mitologia, enredo e as múltiplas qualidades dos Orixás.

Ojubo, Igba Orixá, assentamentos, os altares de Culto e os lugares sagrados.

Os Ewo (quizilas). Proibições e razão de sua existência.

O culto a Natureza: Terra, Água, rios, riachos, o mar, arvores, vento e ao tempo.



Acima de todas as forças está Deus, Olódùmarè, a Suprema força criadora que dá a existência, a substâncias e ao crescimento às demais forças; os Orixás, e abaixo destes o Homem.


Sabemos que a sede de nossa existência esta centralizada na cabeça (Orí). Segundo os povo Yoruba o Orí a Cabeça esta dividia da seguinte forma:



Orí Òde – Cabeça física.


Orí Inu – Cabeça Interior.


E o Ìpònri – Força Ancestral.



O Ìpònri e uma força de energia vital, esta força esta ligada ao primeiros pais do homem, ligando o Homem a Deus. Esta ancestralidade, matéria massa de origem, os Orixás e os Odùs, possui uma força extraordinária como fundadora do gênero humano familiar, propagada da divina herança vital, emanada de Deus.


O primeiro antepassado, esta força vital é sempre evocada e cultuada nos ritos de iniciação de nos rituais de Bori (rito de adoração ao Orixá Ori, Cabeça). Esta força ancestral que nos trás equilíbrio, Harmonia, prosperidade e Saúde. O Buri e um ritual de renascimento e morte.


Orí Inú é a assência da personalidade do psiquismo, da personalidade da alma (espirito encarnado), que deriva diretamente de Olódùmarè, Deus Supremo. O Ori Inú e nossa essência, aonde Deus Criador soprou o seu hálito, e nos criou. O Orí Inú é o ser interior e espiritual do homem e é imortal.


A cerimonia de Buri tem como objetivo de atingir os três Orís, existem vários tipos de cerimonias de Buri tais como:



Buri de Prosperidade.


Buri Branco


Buri Eje.


Buri de Iniciação.


Buri de apaziquação.



Conforme os milênios foram se passando, com a invasão Islâmica, e Jesuíta em África, hoje em dia o território Africano as religiões predominantes são o Islamismo e o Cristianismo. Após a chamada diaspora, o trafico negreiro, o Culto dos Orixás sofreram muitas modificações também em solo Brasileiro, ervas, rituais, a substituição do vinho de palma pela cachaça, tiveram que sobrer alterações para a nova realidade no novo Mundo. O culto dos Orixás evoluiu muito através dos milênios, assim como outras religiões de nosso globo. Em épocas memoráveis o culto dos Orixás foi a pratica de religião única em todo o solo Africano.


Todas as iniciações, obrigações ate as oferendas ou trabalhos mágicos, visam atingir o Enikéji, o nome dado ao nosso Duplo que vive no Òrun (além). Enikéji do Yoruba, Eni – pessoa, Kéji – Segunda.


O Culto, Ifá-Orunmila e um sistema, religioso, científico e filosófico, que veio da Mãe África, bastante diferente do sistema afro-brasileira, Candomblés, que sofreram muitas modificações, alterações e vários sincretismos, excluindo é claro as casas de Ilé Ase Orixás que mantém as Tradições primitivas vivas, estas casas são chamadas no meio como Casas de Tradição de Orixás.


Mas o sistema Africano de Ifá tem uma diferença grande na forma de iniciação, não a raspagem de Santo, e nem existe o transe de possessão.



ÌWÀ – O Caráter do Ser Humano.


O mais importante valor do povo Yoruba é o caráter, que é o maior atributo do homem. A palavra iwà vem do verbo wà – Existir, Ser. Odùnrin náa ní ìwà, Aquele homem tem um bom caráter. O indivíduo qué ìwà pèlé não entra em choque com nenhuma força humana e supernatural, vive em plena harmonia com todas as forças do universo. E este fato tem um forte peso no julgamento divino e define o bem estar na terra e o nosso lugar futuro após a nossa morte ou renascimento. Olódùmaré o Deus supremo e conhecido como Olúmònokàn, “aquele que conhece todos os corações”, que tudo sabe e tudo vê, e o seu julgamento é correto e absoluto.


As literatura Itans de Ifá é a mais importante fonte de informações dos valores éticos e do sistema de crença Yorubá. Òrúnmìlà estava presente quando tudo foi criado, e procurado para resolver os problemas e dar conselhos. Ifá fala em provérbios:



Ìwà nikàn l’ ó sòro o


“Caráter é tudo o que é necessário.”



Eni l’ orí rere tí kò n’ iwà, ìwà l’ o máa b’ orí rè jé.


“Uma pessoa de bom orí, que não tenha caráter, irá arruinar o seu destino.”




Com certeza nossas atitudes e nosso psiquismo podem afetar nossa prosperidade, se nossos pensamentos forem, negativos, como: Raiva, Depressão, Medos, Mágoas etc. Em virtude disto temos que procurar viver de bem com a vida, olhar as coisas boas e belas que Deus nos deu, Cultuar a natureza e aprender a contemplá-la, ou cultua-la. Como extensão da Grande Obra que é Deus.




Texto extraído do site http://www.xamanismo.com.br/Teia/SubTeia1192578
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Os Fundamentos do Congá



O congá é o mais potente aglutinador de forças dentro do terreiro: é atrator, condensador, escoador, expansor, transformador e alimentador dos mais diferentes tipos de energias e magnetismo. Existe um processo de constante renovação de axé que emana do congá, como núcleo centralizador de todo o trabalho na umbanda.

Cada vez que um consulente chega à sua frente e vibra em fé, amor, gratidão e confiança, renovam-se naturalmente os planos espiritual e físico, numa junção que sustenta toda a consagração dos orixás na Terra, na área física do templo.


Vamos descrever as funções do congá: atrator: atrai os pensamentos que estão à sua volta num amplo magnetismo de recepção das ondas mentais emitidas.


Quanto mais as imagens e elementos dispostos no altar forem harmoniosos com o orixá regente do terreiro, mais é intensa essa atração. Congá com excessos de objetos dispersa suas forças.


CONDENSADOR: condensa as ondas mentais que se “amontoam” ao seu redor, decorrentes da emanação psíquica dos presentes: palestras, adoração, consultas etc.


ESCOADOR: se o consulente ainda tiver formas-pensamentos negativas, ao chegar na frente do congá, elas serão descarregadas para a terra, passando por ele (o congá) em potente influxo, como se fosse um pára-raios.


EXPANSOR: expande as ondas mentais positivas dos presentes; associadas aos pensamentos dos guias que as potencializam, são devolvidas para toda a assistência num processo de fluxo e refluxo constante.


TRANSFORMADOR: funciona como uma verdadeira usina de reciclagem de lixo astral, devolvendo-o para a terra; alimentador: é o sustentador vibratório de todo o trabalho mediúnico, pois junto dele fixam-se no Astral os mentores dos trabalhos que não incorporam.


Todo o trabalho na umbanda gira em torno do congá. A manutenção da disciplina, do silêncio, do respeito, da hierarquia, do combate à fofoca e aos melindres, deve ser uma constante dos zeladores (dirigentes).


Nada adianta um congá todo enfeitado, com excelentes materiais, se a harmonia do corpo mediúnico estiver destroçada; é como tocar um violão com as cordas arrebentadas.


Caridade sem disciplina é perda de tempo. Por isso, para a manutenção da força e do axé de um congá, devemos sempre ter em mente que ninguém é tão forte como todos juntos.



Umbanda Pé No Chão - Noberto Peixoto - Pelo Espírito Ramatis

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Saiba por que 15 de novembro é o dia da Umbanda


Segue um texto muito pertinente com o mês corrente extraído de ”A Umbanda Brasileira”, livro de José Fonseca publicado em 1978 , depois de passar pelo Jornal ” Gira de Umbanda” em 1976. É uma carta de esclarecimento do C.O.N.D.U. sobre a escolha do 15 de Novembro como dia nacional da Umbanda, bem como o seu significado para a religião e o movimento umbandista.


O Conselho Nacional Deliberativo da Umbanda foi criado em 12 de Setembro de 1971 sendo o primeiro órgão umbandista de caráter nacional, que conseguiu agregar em sua reunião de 1976 , 25 federações de Umbanda de todo o país, totalizando mais de 40.000 terreiros e tendas representadas no evento, que teve entre as suas pautas, a escolha do dia nacional da Umbanda.


É interessante observar no texto o desconhecimento existente na década de 70 de grande parte do movimento umbandista da história ocorrida em 1908 – bem como do próprio rito original, cujo estudo e análise ainda hoje é renegado pela grande maioria dos umbandistas – os motivos da escolha do 15 de novembro pelo próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas para a sua manifestação e a anunciação da nova religião, as considerações feitas sobre o 13 de maio, como sendo a data mais apropriada para representar a Umbanda, o que representa a existência de uma grande associação na época, da origem da Umbanda, o seu surgimento, com as religiões e a cultura afro-brasileira. Posição ainda sustentada por grande parte das vertentes africanistas de Umbanda, que relutam em reconhecer fatos históricos; a Umbanda como religião puramente brasileira, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, Zélio e o Caboclo das Sete Encruzilhadas como os fundadores e precursores da Umbanda.


Acredito que é um texto de certa importância e riqueza para os umbandistas;


Boa leitura!


Pedro Kritski.


Porque Milhões de brasileiros escolheram 15 de Novembro como o DIA NACIONAL DA UMBANDA


O CONSELHO NACIONAL DELIBERATIVO DA UMBANDA-C.O.N.D.U. – por intermédio de sua representante no Estado do Amazonas, a Cruzada Federativa Espírita de Umbanda, tomou conhecimento do comentário da sessão “Umbanda – Quimbanda” do jornal “ A Notícia”, de Manaus, em 11 do corrente mês, sob o título “Escolha Justa”, no qual se lê que “ a suposta escolha de 15 de novembro para ser considerado o Dia da Umbanda, sugerida num encontro umbandista, no Rio de Janeiro, vinha decepcionando”… e que “a data diz respeito à Proclamação da República, nada tendo a ver com a Umbanda, o que significa que foi sugerida por profanos, por quem desejava apenas homenagear um centro”… ”Os umbandistas amazonenses disseram que o 13 de Maio, data da libertação dos escravos é realmente a mais indicada”.


O C.O.N.D.U. esclarece que:


A data de 15 de Novembro foi proposta pelas entidades federativas do Rio de Janeiro, na I Convenção Anual deste Conselho, da qual participaram 25 federações, representando a maioria absoluta dos Estados; e que não opuseram qualquer objeção à escolha.


Entre as datas sugeridas – 13 de Maio, consagrada aos Pretos Velhos – e 22 de Novembro – dia de Araribóia – venceu por unanimidade 15 de Novembro. Nessa data, em 1908, manifestou-se pela primeira vez, numa sessão da Federação Espírita, em Niterói, uma entidade que





declarou trazer a missão de estabelecer um culto, no qual os espíritos de índios e de escravos poderiam desenvolver seu trabalho espiritual, organizado no plano astral do Brasil. Na época, esses espíritos aproximavam-se das reuniões espíritas, mas as suas mensagens eram recusadas, por serem eles considerados atrasados, tendo em vista a condição de humildade com que se identificavam.

A entidade, que se apresentou aos videntes como um mentor espiritual, deu o nome de CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS.


No dia seguinte, verdadeira multidão compareceu à residência do médium – um jovem de 17 anos, Zélio Fernandino de Moraes, de tradicional família fluminense. A entidade manifestou-se e determinou as normas do novo culto, que teria o nome de UMBANDA, declarando fundado o primeiro templo de Umbanda, cuja prática seria exclusivamente a caridade espiritual, através de passes, desobsessões e curas de enfermos.


O templo, que tomou o nome de Tenda Nossa Senhora da Piedade, funciona ainda hoje, no centro do Rio de Janeiro (Rua D. Gerardo, 51) com uma filial ( Cabana de pai Antônio ) num sítio em Boca do Mato, Cachoeiras de Macacu, completando, em Novembro próximo, 69 anos de atividade.


Prosseguindo a sua missão, o Caboclo das 7 Encruzilhadas fundou mais 7 templos, cujos dirigentes foram escolhidos entre os grupos de médiuns preparados nas sessões doutrinárias que a entidade estabelecera, às quintas-feiras à noite, para esclarecimentos sobre a doutrina espírita, o Evangelho e as normas ritualísticas da Umbanda. Estas normas determinavam: médiuns uniformizados de branco, cânticos sem acompanhamento de atabaques nem palmas ritmadas; preceitos baseados apenas em água, amaci de ervas, flores e pemba, atendimento totalmente gratuito, não sendo admitido estabelecer nem aceitar retribuição financeira de espécie alguma. Os templos, organizados administrativamente, mantinham-se pelas contribuições dos associados.


Milhares de templos, em quase todos os Estados, descendem desse grupo inicial, conservando, em sua maioria, a pureza da doutrina e da ritualística. Formou-se assim a religião de Umbanda – denominada, de início, Lei de Umbanda, ou Linha Branca de Umbanda – cujos mentores são os Caboclos e os Pretos-Velhos.

Justifica-se, portanto, a escolha da data de 15 de Novembro, por não se prender apenas a uma das falanges principais da Umbanda e sim a ambas: Caboclos e Pretos Velhos.

A referência feita à Proclamação da República deve-se ao fato de ter sido ela determinante da igualdade religiosa estabelecida pela primeira vez na Constituição da República, em 1889, o Estado deixou de ter uma religião oficial, permitindo assim que todos os credos, inclusive a nossa doutrina, se difundissem livremente.


(Jornal “Gira de Umbanda” 1976)


Obs: o texto acima se encontra nas páginas 7,8 e 9.






texto extraído do site Registros de Umbanda

domingo, 13 de novembro de 2011

O QUE É XAMANISMO?




Léo Artése

A BUSCA DE UMA DEFINIÇÃO



Atualmente quando a maioria das pessoas ouvem a palavra xamanismo pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelança se estão no Brasil. Sempre considerado como um programa de índio.


O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.


A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo. Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras.


A palavra xamanismo foi criada por antropólogos (ver em xamã) para definir um conjunto de crenças ancestrais. Para mim é um caminho de conhecimento. Nós podemos perceber traços do xamanismo em várias religiões.


As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto a própria consciência humana. As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Também na África, entre os povos aborígines da Austrália, Esquimós, Indonésia, Malásia, Senegal, Patagonia, Sibéria, Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo Tibetano, ou seja, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas Grandes religiões.



Religião da Idade da Pedra




Piers Viebsky em "O xamã", cita que em 1991 foi encontrado o corpo mumificado de um homem preservado sob as neves dos Alpes Austríacos. Foi apanhado por um temporal ao cruzar um desfiladeiro da montanha há cerca de cinco mil anos. Poderia ser de um pastor (de ovelhas) mas as tatuagens na pele, um disco de pedra numa correia e alguns musgos secos medicinais encontrados em sua posse permite a suposição de que era um xamã numa viagem ritual.


Muito antes de ter sido descoberto esse "homem do gelo", no princípio do sec. XX, foram encontradas pinturas rupestres pré-históricas, no Sul da França, de figuras semi-humanas, semi-animais entre animais comuns, que foram consideradas como representando xamãs e que conduziram a suposição de que o xamanismo foi a religião humana original e primordial.






Numa das gravuras um homem com o falo ereto está deitado ao lado de um bisonte com uma cabeça de pássaro ao seu lado; o próprio homem parece ter a cabeça de pássaro e presume-se que a gravura represente um xamã em transe. Essa interpretação foi popularizada na década de 60 por Lommel num livro profusamente ilustrado, Shamanism:The Beginnings Of The Art.








A figura da gruta de Les Trois Frères nos Pirineus franceses que foi chamada de Feiticeiro Dançador, é considerada por alguns estudiosos como representando um xamã. Uma criatura masculina vista de perfil olha de frente para quem a contempla com os seus olhos muito redondos. Todas as partes da sua anatomia parecem pertencer a um determinado animal: orelhas de lobo, chifres de veado, rabo de cavalo e patas de urso. E no entanto o efeito geral é notoriamente humano. Outra interpretação possível é a de que represente um espírito Senhor dos Animais personificando simultaneamente a essência de todas as espécies.



O primeiro tratado vem da Sibéria (altaicos, iacutes, buriatas, tungues, vogul, samoiedos, etc.). Uma fonte acredita que os homens/xamãs teriam emigrado durante as grandes glaciações seguindo rebanhos de renas. Eles passaram pelo estreito de Bering ou por uma ponte terrestre que ligava os dois continentes e se espalharam pelo mundo.


Encontram-se fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, índios das Américas; do Norte, Central e Sul; Oceania, Austrália, no sudeste asiático, na Índia, no Tibet e na China. Trata-se de um conjunto de práticas evidentemente adaptadas a cada cultura, a cada crença, mas que em toda parte apresenta o mesmo conteúdo mágico, religioso e simbólico. Faz pensar que todos vieram de uma mesma fonte de conhecimento.


Sintetizando, o xamanismo é a "Jornada da Consciência", um legado da humanidade além das fronteiras dos países, credos, raças, filosofias. Xamanismo Universal não significa uma classificação nova no xamanismo, o xamanismo é universal. A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está interligado. O praticante compreende o Espírito Essencial que está dentro dele mesmo, na natureza e em todos os seres. O praticante sabe quem ele é e como se relaciona com o Universo.


No sentido do "religare" pode ser considerada uma religião, mas o xamanismo não é como um conjunto de ritos específicos que seguem seus mestres máximos como cristianismo (Cristo), budismo (Buda), islamismo (Maomé), Taoísmo (Lao-Tsé), etc; cujas práticas são determinadas e iguais e que possuem seus Livros Sagrados de conduta em todos os lugares do mundo.


Na essência são práticas religiosas. O xamanismo se insere de acordo com a crença espiritual/religiosa local, é um fenômeno religioso. Pode-se dizer que as religiões representam um xamanismo adaptado e afetaram as tradições xamânicas continuadas ou marginalizadas nas culturas que dominaram. As práticas, os mitos, as entidades dependem da tribo, linha, geografia, crenças.


O xamã é sempre uma figura dominante e não um santo,avatar ou profeta. Ele é um intermediário entre o mundo espiritual, natureza e a comunidade.


A Medicina da Terra é derivada de conhecimentos medicinais passados pelos ancestrais que são honrados por aqueles que recebem a iniciação. O clichê mais ultrapassado é aquele em que o iniciado tenta matar simbolicamente seu iniciador ao invés de honrá-lo. Isso é enfraquecer a raiz pela qual ele foi formado, uma auto-sabotagem espiritual. O entendimento disso faz com que o discipulado crie conscientemente um movimento de afinidade que traz harmonia no resultado.





O "conhecimento" é para todos mas "sabedoria" é para alguns. Por isso acho importante a divulgação do conhecimento e aplicação prática dele pois existe ainda uma minoria que se transforma. É como um garimpo! Entre esses buscadores do conhecimento sempre sai uma pepita de ouro que vai fazer o mundo mais brilhante. Por essas pepitas vale a pena. O coração do verdadeiro iniciado tem que se confortar com isso pois sempre é a minoria. Por outro lado existe um outro fenômeno, algumas pessoas lançam-se à determinadas práticas sem o devido conhecimento e sem as "bênçãos espirituais", ou seja: ação sem conhecimento. O que pode ser problemático.


Muitos iniciam a caminhada mas poucos atingem as maiores alturas. Este conhecimento não está limitado aos iluminados, é disponível para todos nós dependendo da sinceridade e humildade com que buscamos. Sabedoria xamânica é sabedoria da Mãe Terra e, a cada filho dela, é dado um presente, algum talento especial.


O xamã compreende o Círculo Sagrado da vida e recomenda, ajuda na cura, ensina o que é necessário para o bem da comunidade.Isto significa freqüentemente colocar a comunidade em primeiro plano. O caminho xamânico conduz a um relacionamento de amor com a Mãe Terra. Não é possível praticar o verdadeiro xamanismo sem incluir os cuidados com a preservação da vida de todos os reinos (animal, mineral, vegetal, espiritual) em nosso planeta.


O xamanismo aparece como um reflexo de um Grande Espírito que pode ter vários nomes. É honrado o Criador e todas as suas criaturas, sejam pedras, animais, aves, plantas, peixes, insetos, águas, ventos e outras manifestações da natureza que compartilhamos a existência nesta vida. Essa consciência, esse alinhamento com as forças da natureza, transforma-se em poder de cura e expande habilidades psíquicas através da reconexão com a vida, com o Sagrado, com o mistério da Criação.


O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrelas. Um verdadeiro xamã enfrentou suas sombras e venceu seus medos da insanidade, solidão, orgulho, vaidade, vícios, doença, ao passar por mortes em vida. Depois disso, escolhe tornar-se curador curado, auxiliador, visionário, à serviço das pessoas.




No xamanismo ao redor do mundo podemos ver as similaridades que definem as práticas :

A Busca por estados Alterados de Consciência, Vôo da Alma / Êxtase. O xamã é um especialista e um mestre da viagem estática

A capacidade de viajar em espírito assumindo a forma de um animal ou ave ou diretamente através daquilo a que chamaríamos de experiência fora-do-corpo. Este vôo mágico é um dos fundamentos do xamanismo

Viagem por mundos paralelos ( Reino dos Espíritos). Mundos invisíveis à realidade ordinária a fim de guiar espíritos e obter conhecimento espiritual.

O xamã atua como canal de cura. Tem conhecimento do poder das plantas, pedras, dos espíritos animais e seres da natureza.

Devoção à Criação, Sol, Lua, Estrelas. Reconhecimento da presença de Deus em todas as manifestações do Universo

Interação com espíritos da natureza

Utilização de instrumentos de poder para induzir ao transe /estados alterados de consciência (tambores, maracás, etc)

Conhecimento sobre o fogo

Utilização de plantas (purificação, enteógenas, medicinais, magnéticas)

Canções de Poder

Danças

Respiratórios e dietas

Contação de histórias, preleições.






O Xamanismo como a mais antiga prática espiritual da humanidade tem como base em suas práticas o respeito pela ecologia, reconhecimento do Sagrado, necessidade de expandir a consciência e obter resposta em mundos paralelos, prática do amor incondicional . Suas práticas estabelecem contato com outros planos de consciência a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio, saúde. Propicia tranqüilidade, paz, profunda concentração, estimula o bem estar físico, psicológico e espiritual.


A interação harmônica dos elementos equilibra a Jornada da Nossa Alma, faz girar a Roda da Vida em harmonia. No xamanismo praticado na atualidade estudamos os talentos elementais:

A Terra é relacionada com o corpo físico e com as sensações.

A Água é relacionada com a alma e com as emoções e sentimentos.

O ar é relacionado com a mente e aos pensamentos e idéias.

O fogo é relacionado com o espírito e associado à consciência, a claridade, a inspirarão.




O reconhecimento do caminho da verdade vem da expansão da consciência e a compreensão de que o verdadeiro poder está dentro de cada praticante e provém do desenvolvimento de seus próprios dons. Inspirados na sabedoria dos povos ancestrais temos o desafio de resgatar o conhecimento acumulado nas práticas xamânicas das diversas tradições do planeta para os dias atuais. Assim, pretendemos contribuir para a saúde, autoconhecimento e o bem-estar geral do nosso povo e resgatar valores para uma vida mais harmônica e ecológicamente correta.


Os ancestrais xamânicos viviam em harmonia e equilíbrio com todos os seres, pedras, plantas, animais, pássaros, peixes e até insetos.Para garantir sua sobrevivência em ambiente hostil os homens primitivos interpretavam os sinais e as mudanças da natureza a seu redor. Viviam de acordo com os ciclos do Sol e da Lua, das mudanças das estações, manifestações da natureza, vento, chuva, etc.





Os caminhos do xamanismo são espirituais. A prática xamânica compreende a capacidade de entrar e sair de estados de consciência, de realidades não-ordinárias Os estados alterados de consciência não envolvem apenas o transe e sim a capacidade de viajar na realidade incomum com o objetivo de encontrar espíritos animais, plantas, mentores, obter insights, promover curas, oráculos.


Os estados alterados de consciência incluem vários graus. Stanley Kryppner chega a classificar vinte estados diferentes de consciência. Elíade fala do êxtase, Castañeda fala do nagual. Nirvana, samadhi, alfa, transe, satori, consciência cósmica, supraconsciência, etc.,também são nomes para a mesma manifestação.


São através desses estados que conseguimos conexão com nossos mitos, símbolos, nossa verdade interior. Conseguimos expandir a percepção para mistérios que estão guardados em nós mesmos. Aprendemos a sentir, ver e ouvir a energia.Nos religamos com o Sagrado e com a fonte criativa de tudo o que nos acontece. Através da consciência ordinária não conseguimos alcançar níveis profundos do nosso ser. Existem diversas técnicas ou rituais para se chegar a estados mais profundos de consciência, dentre elas: tambores, danças, jejuns, plantas de poder (enteógenos), respirações, posturas corporais, e outros.


Através desses estados especiais alcança-se uma experiência divina, acessa-se uma fonte de Sabedoria Superior, podemos curar nosso corpo, nos conhecemos melhor através das visões, expandimos a nossa consciência.


Aprende-se as influências e forças da Terra e como as energias naturais afetam a vida. Tudo na natureza cresce e muda. É um ciclo. Os povos antigos consideravam a viagem circular da Terra ao redor do Sol, uma roda, representando o eterno ciclo de nascimento e desabrochar, crescimento e florescimento, maturidade e frutificação, envelhecimento e decadência, morte e decomposição e novamente renascimento, refletido na vida humana e na natureza.


Os nativos reconhecem o círculo como o principal símbolo para o entendimento dos mistérios da vida. Observaram que ele estava impresso em toda a natureza. O homem olha o mundo através dos olhos que é um círculo. A Terra, a Lua, o Sol, os planetas; são todos circulares. O nascer e o por do Sol acompanham um movimento circular. As estações formam um círculo. Os pássaros constroem ninhos em círculos, animais marcam seus territórios em círculos. As cabanas, ocas, tipis são circulares.


O xamanismo resgata a relação sagrada do homem com o planeta. O resgate dos festivais sazonais (Solstícios e Equinócios), por exemplo, não marcam apenas a jornada do Sol, mas também os pontos críticos das estações, o ciclo agrícola, nossas emoções, hábitos. Essas "Forças Verdadeira acessadas desde o princípio na história espiritual da Terra, são resgatadas através dos séculos e podemos sentí-las atuando em todos os momentos das cerimônias.


Podemos sentir a ligação profunda que a natureza tem com a vida, nos tornarmos parte de uma comunidade global, propomos o Vôo da Consciência em busca de novos horizontes, de novas conquistas, de um novo ser, de uma nova vida. O início de uma vida pautada na sabedoria encontrada nas folhas, nos movimentos dos ventos, no poder transformador do fogo, nos espíritos ancestrais, na jornada da alma, na missão.


As religiões do mundo moderno não têm tempo para a ecologia espiritual assim como a cultura e o modelo de pensamento consumista atuante. As Grandes Religiões inspiram e apontam para uma vida eterna fora deste planeta e pouco se preocupam em honrar as realidades do espaço sagrado em que vivemos. Atualmente muitos vivem com uma sensação de separação, isolamento, um sentimento de que deva existir um sentido maior na vida. Os rituais xamânicos podem trazer a consciência de somos apenas um "microcosmo", que somos parte de "algo maior", que somos filhos da Terra, parte de uma Terra Viva.



Harmonia - Amor - Paz e Luz






texto extraído do site xamanismo.com.br

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Os animais de poder





Do livro: o Espírito Animal - Léo Artése


A simbologia animal está profundamente gravada no inconsciente coletivo da humanidade. Herdamos sentimentos e recordações inconscientes que condicionam nosso comportamento consciente

OS PRIMÓRDIOS - ANTIGAS CIVILIZAÇÕES - RELIGIÕES

Conta uma lenda siberiana, que no princípio viviam dois Povos Celestiais na Terra.

O povo que vivia no ocidente era bom, e o Povo que vivia no oriente era mau.

Os deuses criaram os homens e tudo vivia em paz e harmonia, mas o Povo Mau, enviou para os homens as doenças e a morte.

Para aliviar o sofrimento das pessoas, os Deuses enviaram uma Águia para transmitir poderes medicinais do xamanismo.

A Águia foi até os homens, mas os homens não entendiam sua linguagem, de forma que ela não conseguiu transmitir a ciência e o dom da medicina.

Á Águia voando, com a firme decisão de cumprir sua missão, viu das alturas uma bela mulher, dormindo nua, nas sombras de uma árvore.

A Águia pousou, fez amor com essa mulher, e do fruto desse amor, nasceu o primeiro xamã da Terra.


Essa metáfora ilustra a ligação do homem medicinal, do xamã, ao animal.


Na Sibéria, entre os Buriatas, o animal ou ave que protege o xamã é chamado de Khubilgan, palavra que significa metamorfose, assumir outra forma.


Segundo Alix de Montial, o xamã é uma espécie de herói zoomorfo, meio homem, meio deus, meio animal. Esboça-se o retrato do xamã: mais que homem, não totalmente deus, bebendo da fonte do conhecimento intuitivo animal. A pintura de uma imensa caverna paleolítica, conhecida como Tróis Frères, no sul da França, mostra um feiticeiro vestido com roupa cerimonial, com a cabeça dotada de chifres e orelhas de veado, olhos de coruja, cauda, órgão sexual felino sugerindo um leão, garras de urso.

Nas paredes de muitas cavernas paleolíticas, foram descobertas, inscrições, que firmam o pacto entre o homem e o animal, cuja época remonta a cerca de 30.000 a.C. Em Lascaux, na França, numa espécie de cripta, vê-se a figura de um xamã deitado em transe, usando máscaras e roupa de uma ave. A associação da viagem xamânica com o vôo de uma ave é comum no xamanismo.

O ritmo do tambor, considerado em algumas crenças como o cavalo que transporta o xamã em transe, em outras eram consideradas asas de transporte espiritual, que elevam o espírito do xamã. Os xamãs as Sibéria usam ainda hoje vestimentas de aves, e muitos acreditam que suas mães receberam visitas de aves, sendo concebidos através dessa união.


Os dinossauros estabelecem vínculos com um passado distante, ou o que chamam de Mundo Perdido. Gigantescos, ameaçadores, dóceis, engraçados; estão nos mitos e lendas da humanidade, despertando curiosidade sobre a sua origem e desaparecimento.


Eles estão presentes nas artes, desenhos, filmes, revistas, histórias em quadrinhos, brinquedos, nos estudos científicos, documentários, na literatura, nos sonhos, cinemas, etc. Restabelecem o vínculo com um passado misterioso do planeta.

Um mundo distante, desconhecido, profundo, de uma natureza selvagem intocável. Nos ensina a cuidarmos do meio ambiente e a saber nos adaptarmos a circunstâncias e ambiente


Nas religiões antigas existem registros de rituais do homem e do animal em todos os hemisférios. Exemplos como Ganesha, a divindade hindú, forma humana com cabeça de elefante; no Egito, Thot, forma humana com cabeça de falcão; o peixe e a ovelha no cristianismo.


Na mitologia grega, entre os fenícios, maias, aztecas, indios norte-americanos, na Siberia, nos cultos africanos, no Perú, entre os aborígenes australianos, entre os esquimós, índios brasileiros, no taoísmo e etc.

Nos contos Jakata conta-se que Buda em seu “Grande Despertar “ lembrou-se de encarnações animais.

Jesus, um dia, disse aos seus discípulos : “Eis que vos enviou como ovelhas no meio de lobos; portanto, sede espertos como as serpentes e simples como as pombas “. (Mateus, 10:16 )

A história também faz registros do Sermão aos Peixes, de Santo Antonio e São Francisco pregando a palavra de Deus aos pássaros.

Também o símbolo dos Quatro Evangelistas: Mateus, o Anjo ou o Homem, marcando o nascimento de Cristo; Marcos, o Leão, seu Evangelho começa no deserto; Lucas, o touro, iniciando com Zacarias, que sacrificou o Gado; João, a Águia, porque através dela o Espírito de Deus se manifesta.

Na astrologia os símbolos astrológicos são animais. Na astrologia chinesa idem. Nos chacras, há para cada vórtice um animal que carrega o bija ( semente ) . A Kundalini é representada por uma serpente.

A simbologia animal também está presente em todas as linhas de ocultismo, na alquimia, nas cartas de tarô, nas runas, no I Ching, etc.


DEPOIMENTO

Na minha adolescência, vinha sempre em minha mente um pássaro de fogo, e eu brincava com meus amigos e minha namorada, que eu era um pássaro de fogo por ter muita energia. Tive uma adolescência bastante agitada, cheia de experiências fortes. Além do que, o meu nome Léo, significa Leão. Um nome que acompanha a história de minha família, meu avô Léo, meu pai Léo, e hoje meu filho Léo.

Sempre tinha visões, e um carinho especial pelo Leão, e fui descobrir a alguns anos atrás ter quatro Leões na minha carta natal. Eu adorava estudar os animais, lia livros de zoologia, quando tinha 15 anos de idade, meu pai foi administrar uma fazenda no Mato Grosso, na fronteira entre o Brasil e a Bolívia e fiquei radiante com a possibilidade de vê-los mais de perto. De todos os animais que conheci fiz uma amizade com um quatí. Quando cheguei ele ficava preso numa jaula. Eu todos os dias ia conversar com ele e dar alimentos, até que ele se tornou bastante dócil e começou a comer na minha mão, foi ai que finalmente consegui soltá-lo e ganhou a liberdade. Passeava livre pelos arredores da casa onde estava, brincava comigo.

Certo dia, na fazenda, fui informado que um grupo de funcionários da fazenda iriam caçar uma lobeta, que invadia a fazenda, para comer as galinhas. Fiquei preocupado com a notícia, pedia para o meu pai não deixar os homens matá-la, apenas caçá-la, mas no fundo sentia que o meu pedido não iria adiantar muito. Uns dois dias após a notícia, sai com um colega para fazermos nosso programa habitual, que era andar a cavalo e tomar um banho no rio. Quando chegando próximo a uma casinha de um morador da fazenda, vimos os perus saindo correndo, e fomos ver o que era. No início um susto, era a lobeta. No primeiro momento ficamos paralisados olhando, e ela encurralada entre o muro e o local onde ficavam os perus. Até hoje eu não sei como fiz isso, eu usava uma bota bem reforçada, e rapidamente pisei no pescoço da lobeta, ela se prendeu numa grade de ferro do local e ficou presa, depois fiquei com medo de tirar o pé e levar uma mordida, caso ela se soltasse, até que meu amigo, pegou uma corda da moradora e amarrou suas patas, daí pude soltar o pé. Ela se debateu por uns instantes, e ficamos esperando ela se cansar, depois soltamos o seu pescoço da grade e fomos levando-a em dois, até a casa da fazenda, um segurava as suas patas e o outro, a sua cabeça com uma blusa.

Quando minha mãe nos viu, quase desmaiou. Deixamos a lobeta na jaula onde estava o quati. Como fiz com o quati, todos os dias eu levava alimentos e conversava com ela, até que ela foi amansando, amansando até comer na minha mão. Eu a alimentava com uma mão e fazia carinho com a outra, até que depois de um certo tempo, ela, tal como um cachorro faz, lambia a minha mão. A partir daí ela aceitou que eu pusesse uma coleira no seu pescoço, e finalmente a soltei. Foi a minha grande amiga, passeávamos juntos todos os dias, os funcionários da fazenda mal podiam acreditar no que viam.

Outra ligação importante que tive com os animais foi através do Kung Fu, aos 19 anos. No Kung Fu, aprendi os movimentos animais, mais particularmente os movimentos da Águia (Estilo Eagle Claw = Garra de Águia) , me sentia voando.

Tornei-me vegetariano, por amor aos animais, uma força que veio e foi mais forte do que qualquer paradigma alimentar. A alimentação vegetariana mudou muita coisa na minha vida, e me reaproximou mais ainda do reino animal.

Mas, foi no xamanismo que aprendi a conhecer o Poder do Reino Animal. Descobri que há um animal guardião presente em cada um de nós. Tambem chamado de animal de poder, espírito protetor, nagual, aliado totem, etc., representa o nosso alter ego, nosso duplo. É o nosso instinto animal, nosso lado mais forte e menos racional.

Os animais estão mais próximos do que nós da Fonte Divina. O animal é mítico, onírico. Quando compartilhamos de sua consciência animal, podemos transcender o tempo e o espaço, e, as leis de causa e efeito. A natureza da relação entre o homem e o animal é de origem espiritual.

Quero explorar, nestas páginas, o significado de animal para todo o ser vivo e organizado, que se movimenta, que não seja o homem. Dentro dessa definição, quero abordar para o termo animal; os mamíferos, répteis, insetos, peixes, aves, e tudo o que tem vida e se movimenta.

Todas as coisas do Universo têm espírito e vida. As pedras, a terra, o céu, as águas, as plantas e os animais são diferentes expressões de consciência, em reinos e realidades diferentes. Todas as coisas do Universo se harmonizam com o todo, e sabem como se dar uns aos outros.

Os animais simbolizam aspectos instintivos, inconsciente do ser. Jung considerava o simbolismo animal como uma visualização do Eu Inconsciente. Ele afirmava que o homem torna-se humano ao conquistar a sua individualidade animal

Todos nós temos um animal, fazendo parte de nossa Medicina Pessoal. Os Totens, ou animais de poder são uma força que nos ajudam na busca de harmonia. Estão profundamente enraizados na nossa consciência, representando qualidades que necessitamos desenvolver, as lições que devemos aprender, com intuição e humildade, que estão ocultas. Quando evocamos o poder do animal, evocamos a essência da criatura.

Aprendendo sobre os aspectos animais de nossa própria natureza, podemos nos conectar com padrões instintivos que guiam o comportamento dos animais e que estão presentes nos seres humanos, como uma fonte inesgotável de sabedoria.

Os animais de poder são manifestações dos poderes arquetípicos ocultos, que estão por trás das transformações humanas. Torna as pessoas com um corpo vigoroso, aumenta a resistência a doenças, a acuidade mental e a autoconfiança.

Eles auxiliam no diagnóstico de doenças, na realização de objetivos desafiadores, para aumentar a disposição, auxiliam no autoconhecimento. Enfim, são nossos aliados.

Cada animal traz seus talentos específicos, ou uma essência espiritual, e através disso, cada um com sua própria medicina, transmitem-nos a sua sabedoria.

Este canal é para que o leitor entre em contato com essa força, através de uma maior compreensão da energia animal e da pratica de rituais e meditações, para aumentar o seu poder pessoal, expandir sua consciência e o autoconhecimento. Esse relacionamento poderá lhe trazer um vigor extra, ajudará a ter idéias mais criativas, a prevenir doenças ou ajudar na recuperação de sua saúde, a melhorar seu relacionamento com as pessoas e com o Universo, aumenta sua intuição, melhora seu poder de tomar decisões, aumenta a confiança e a disposição para enfrentar os desafios da vida, proteção contra perigos.

Fazendo um passeio em diversas tradições, minha intenção, é estabelecer um processo para os leitores conectarem-se com nossa Mãe Terra através de suas criaturas.

Espero abrir uma nova porta de entendimento e autoconhecimento. Que seja uma ponte para um novo modo de ver o mundo, que traga mais conhecimento para caminhar em equilíbrio na nossa Mãe Terra.

Nesse momento decreto que se abra a porta do Mundo Profundo, para que você leitor, se encontre com os mistérios, com a magia e com o poder dos espíritos animais.

Canção de Poder


Chamo a Força Encarnada

Para usar as minhas mãos

Para expulsar os malfazejos

Que atrapalham meus irmãos


Chamo os Seres Sagrados

Pra me dar a proteção

E a Águia vai por cima

E o Leão vai pelo chão




Segue a Águia em seu vôo

Para me dar a visão

E quando eu toco o meu tambor

É quem segura a minha mão




O Leão com sua força

Reinando na imensidão

E essa é a força que Eu sinto

Dentro do meu coração




Fique muito alinhado

Diante desta afirmação

Eu uso a Luz do Amor

Prá te tirar da escuridão




Amor – Paz e Luz! Léo Artése

texto extraído do site xamanismo.com.br

Os Animais de Poder

Desde a antiguidade, segundo registros, existem rituais onde os homens e animais se faziam presentes. Hoje os encontramos em nosso dia a dia na astrologia, na alquimia, nas cartas de tarô entre outros. Existem algumas maneiras de se descobrir o animal que está presente em nosso interior, seja através de ritual, concentração ou mesmo da intuição. Conhecido como Animal de Poder, Espírito Protetor, Totem ou Animal Guardião, estão mais próximos da Fonte Divina. Quando tomamos a consciência de sua existência, fortificamos os poderes que estão escondidos em nosso interior, pois há um aumento de nossa resistência a doenças e de nossa auto-confiança. Cada animal traz uma essência espiritual e, através dela, cada um com seu próprio modo ou estilo de vida, com sua própria medicina, nos leva a crescer e transmite-nos a sua sabedoria.

Os animais estão mais próximos do que nós da Fonte Divina por serem míticos, oníricos. Ao compartilharmos de sua consciência animal transcendemos o tempo e o espaço, as leis de causa e efeito. A relação entre homem e animal é puramente espiritual, pois nosso instinto animal é mais forte e menos racional por serem manifestações dos poderes arquétipos do ser humano. Fortificam o vigor físico e mental, aumentando a disposição e o conhecimento, auxiliando ainda no diagnóstico de doenças e na realização de desafios.

Existem rituais, auxiliados pelo tambor que auxiliam na conexão com o animal, onde também são realizadas as Danças do Animal, que é uma forma de invocação. Cada animal possui uma essência, e assim cada um possui sua própria medicina e sabedoria. Relaciono abaixo alguns dos animais (incluindo os místicos) com seus significados:


Águia - Iluminação, a visão interior, invocada para poderes xamânicos, coragem, elevação do espírito a grandes alturas;

Aranha - Criatividade, a teia da vida, manifestação da magia de tecer nossos sonhos;

Abelha - Comunicação, trabalho árduo com harmonia, néctar da vida, organização.

Alce - Resistência, auto-confiança, competição, abundância, responsabilidade.

Antílope - Cautela, silêncio, consciência mística através da meditação, calma, ação.

Baleia - Registros da Mãe Terra, sons que equilibram o corpo emocional, origens;

Beija-flor - Mensageiro da cura, amor romântico, claridade, graça, sorte, suavidade;

Borboleta - Auto-transformação, clareza mental, novas etapas, liberdade;

Búfalo - Sabedoria ancestral, esperança, espiritualidade, preces, paz, tolerância;

Cabra/cabrito - Determinação para ir ao topo, nutrição, brincadeiras.

Camelo - Conservação, resistência, tolerância.

Canguru - Proteção maternal, coragem para seguir em frente nas fraquezas.

Castor - Novos canais de pensamentos, construção, segurança, conforto, paciência.

Cisne - Graça, fidelidade, ritmo do Universos, ver o futuro, poderes intuitivos, fé.

Coiote - Malicia, artifício, criança interior, adaptabilidade, confiança, humor.

Coelho - Fertilidade, medo, abundância, crescimento, agilidade, prosperidade.

Condor - Idem a águia, é um dos filhos do Sol no Peru, representa o Mundo Superior.

Coruja - Habilidades ocultas, ver na escuridão, a vigília, a sombra, sabedoria antiga.

Corvo - Guardião da magia, mistério, predições, mensageiro, dualidade, assistência.

Cavalo - Poder interior, liberdade de espírito, viagem xamânica, força ,clarividência;

Cachorro - Lealdade, habilidade para amar incondicionalmente, estar a serviço;

Cobra - Transmutação, cura, regeneração, sabedoria, psiquismo, sensualidade;

Doninha - Poderes ocultos, vivencia, poder de esconder, observações, segredos.

Elefante - Longevidade, inteligência, memória ancestral, ancestrais enterrados.

Esquilo - Divertimento, planos futuros, reunião, observar o óbvio.

Esturjão - Determinação, sexualidade, consistência, profundidade, ensinamento.

Falcão - Precisão, mensageiro, olhar a volta, abertura a distância, oportunidades.

Formiga - Comunidade perfeita, paciência, trabalho duro, força, resistência, agressividade.

Gaivota - Voar através da vida com calma e esforço para alcançar objetivos.

Gambá - Campo de proteção, reputação, repelir quem não o respeita, respeito.

Gato - mistérios, poderes mágicos, sensualidade, independência, visões místicas, limpeza.

Galo - Sexualidade, fertilidade, oferendas, cerimônias, altivez.

Girafa - Calma, inspiração para se atingir grandes alturas, suavidade, doçura.

Golfinho - Pureza, iluminação do ser, sabedoria, paz, amor, harmonia, comunicação.

Gorila - Sabedoria, inteligência, adaptabilidade, guardião da terra, habilidade.

Guaxinim - Bom humor, limpeza, sobrevivência, tenacidade, inteligência, folia.


Hipopótamo - Desenvolvimento psíquico, intuição, ligação água-terra, aterramento.

Jacaré - Instinto de sobrevivência, o inconsciente profundo, o caos que precede a criação.

Jaguar - A busca em águas da consciência, mensageiro, interação mente e alma.

Javali - Comunicação entre pares, expressividade, inteligência.

Lagarto - Otimismo, adaptabilidade, regeneração, sonhos, renovação, transformação.

Leão - Poder, força, majestade, prosperidade, nobreza, coragem, saúde, liderança, segurança, auto-confiança.

Leopardo - Conhecimento do subconsciente, compreender aspectos sombrios, rapidez.

Lince - Segredos, conhecimento oculto, tradição, ouvir para o crescimento.

Libélula - Ilusão, ventos da mudança, comunicação com o mundo elemental.

Lobo - Amor, relacionamentos saldáveis, fidelidade, generosidade, ensinamento.

Macaco - Inteligência, bom humor, alegria, agilidade, perícia, irreverência, amizade.

Minhoca - Regeneração, resistência, auto-cura, transformação.

Morcego - Renascimento, iniciação, reencarnação, habilidades mágicas.

Onça - Espreita, proteção de espaço, silencio, observação. Precisão.

Pantera - Mistério, sensualidade, sexualidade, beleza, sedução, força, flexibilidade.

Pato - Desenvolvimento de energia maternal, fidelidade, nutrição energética.

Peru - Dar e receber, transcendência, dádivas, celebração.

Porco-Espinho - Fé, confiança, inocência, inspiração para realizações, dentro da essência.

Puma - Força, mistério, silêncio, sobrevivência, velocidade, graça, liderança, coragem.

Pica-Pau - Regeneração, limpeza, comunicação, proteção, unido aos Espíritos do trovão.

Pingüim - Viver em comunidade, fidelidade, lealdade nos romances.

Pombo - No cristianismo simboliza o Espírito Santo, paz, comunicação, mensagem.

Raposa - Habilidade, esperteza, camuflagem, observação, integração, astúcia.

Rato - versatilidade, alerta, introspecção, percepção, satisfação, aceitação.

Salmão - Força, perseverança, nadar contra a maré, determinação, coragem.

Sapo - Evolução, limpeza, transformação, mistérios, humor, ligado a chuva.

Tartaruga - Estabilidade, organização, longevidade, paciência, resistência, proteção, experiência, sabedoria, Mãe-Terra.

Tatu - Limites, doas dá a armadura, limites emocionais, protege a saúde.

Texugo - Agressividade, coragem, formar, alianças, persistência, agir em crise.


Tigre - Aproximação lenta, preparação cuidadosa, aproveitar oportunidades.

Touro - fertilidade, sexualidade, poder, liderança, proteção, potencia.

Urso - Introspecção, intuição, cura, consciência, ensinamentos, curiosidade.

Vaga-Lume - Iluminação, entendimento, força de vida, luz e escuridão, maravilhas.

Veado - Delicadeza, sensitividade, graça, alerta, adaptabilidade, coração/espírito, gentileza.


Animais Místicos

Cavalo Alado - Elevação, transmutação, beleza, viagem astral,aventuras, mistério, fascínio.

Centauro - Instinto animal, ligação homem-animal, anarquia, sexualidade, fertilidade, cura.

Dragão - Potência e força viril, proteção Kundalini, calor, mensageiro da felicidade, senhor da chuva, fecundação, força vital.

Elefante Branco - Força, bondade, escolha de caminhos, ligações extraterrestres, mistério.

Fênix - Renascimento, fascínio, animal do Sol, imortalidade da alma, elevação, purificação.

Sátiro - Libertinagem, divertimento, impulso sexual, instintos, fantasias sexuais.

Unicórnio - Rapidez, mansidão, pureza, salvação, espiritualidade, inofensivo.



texto de autoria desconhecida ( caso conheçam a fonte, favor informar para que se dê os créditos devidos)
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